HEXACAMPEÃO!!!!

Peço desculpas aos meus fiéis leitores não rubro-negros que prestigiam o PRAGMA, mas hoje não dá prá segurar! Há muito tempo que não falo de futebol aqui, em especial porque eu nutria grandes desconfianças com relação a esse time do Flamengo que sagrou-se Hexacampeão Brasileiro na tarde de hoje no Maracanã, em um jogo tenso contra o Grêmio, um verdadeiro teste para cardíacos! Afinal, ocorreu nada menos do que uma virada antológica: 2 X1 com uma cabeçada “santa” do zagueiro cearense Ronaldo Angelim – diga-se de passagem, encarnando o espírito eterno Rondinelli, o nosso “Deus da Raça”!

Me permito aqui abrir um parênteses, e dizer que me considero um privilegiado, pois tive a oportunidade de ver todos os títulos nacionais do clube – 1980, 1982, 1983, 1987, 1992 e, agora, 2009. O meu gosto pelo ludopédio surgiu no momento em que o Flamengo despontava como o maior time brasileiro durante os anos 1980, e tive o prazer de ir ao Maracanã inúmeras vezes para assistir “cracaços” da bola como Zico, Júnior, Leandro, Adílio, Andrade (o técnico hexacampeão que dirigiu o time na tarde de hoje), Carpegianni, Lico, Tita e tantos outros que vestiram com garbo e galhardia o manto sagrado.

Em lances rápidos, o porquê da minha paixão por este time que, para mim, é a cara do Brasil…

Com 10 anos de idade, vi o time ganhar o título nacional pela primeira vez em uma final contra o Atlético-MG, em uma atuação antológica de Nunes (não por acaso, o sobrenome da família de meu pai!), o “Artilheiro das Decisões”, o “João Danado”. Em 1982, vi o Flamengo ganhar o título em Porto Alegre, contra o Grêmio, com gols de Baltazar, o “Artilheiro de Deus”. Em 1983, o triturado da vez foi o Santos, de novo no Maraca. Esse tricampeonato, vale lembrar, coroou a Era de Ouro do Flamengo, dada a presença de Zico, o deus máximo do panteão rubro-negro, que comandou toda uma geração que levou o time aos píncaros da glória – conquistando todos os títulos que disputou, como o Carioca, o Brasileiro, a Libertadores e o Mundial Interclubes. Inclusive, me lembro bem, como se fosse ontem, jogando bola com os meus colegas no play com o indefectível uniforme 2 do time – a camisa branca com as cores rubro-negras na manga, e que até hoje mantenho no meu guarda-roupa como uma homenagem aos saudosos tempos de moleque, onde eu era feliz e não sabia…

Em 1987, tive o prazer de assistir in loco o título da Copa União, com uma atuação soberba da trinca Bebeto, Renato Gaúcho e Gaúcho. E, por fim, em 1992, vi o “vovô” Júnior dar uma aula de futebol contra o eterno arqui-rival Botafogo, com uma cobrança de uma falta na entrada da área que até hoje enche de lágriams os meus olhos todas as vezes que revejo o vídeo. Afinal, não seria essa a magia do futebol? Qual seria, então, a graça em um esporte tão rústico quanto esse – 22 caras correndo atrás de uma bola, para colocá-la no fundo das redes -, senão o componente emocional, a explosão do grito de gol que vem das arquibancadas?

Tudo isso veio em minha mente após o jogo de hoje, onde mais uma vez tive a honra de ver o Flamengo sagrar-se Campeão Brasileiro. Estava muito cansado, pois saí de Fortaleza hoje de madrugada para chegar pela manhã de domingo ao Rio, pois não poderia deixar de testemunhar acontecimento de tal magnitude! Chegando no aeroporto da bela capital cearense, vi que o clima era dos melhores, uma vez que o vôo de volta que peguei, apesar de exaustivo, estava lotado de camisas rubro-negras. Pensei com os meus botões: gente de todo o Brasil acorre para o Rio, a fim de ver o time que é a cara do Brasil…

Nada mau para um garoto que, nascido nas entranhas do subúrbio carioca, teve contato desde cedo com esse time que não admite meio-termo: ou se ama ou se odeia, mas o Flamengo definitivamente é a cara do Brasil!

Tudo isso, devo dizer, se deve em grande parte ao meu querido pai, um tricolor de quatro costados, e que deve estar muito feliz lá em cima com a espetacular recuperação do Fluminense – que arrancou um heróico empate contra o Coritiba, em plena capital paranaense. Foi ele que me deixou ser Flamengo, muito a contra-gosto é verdade. Mas quem disse que a gente cria filhos para a gente?

O fato é que eu estou muito emocionado, e só agora cheguei em casa. Estou morto de cansado, amanhã é dia de trabalho, mas não poderia dormir sem deixar de registrar essas minhas observações, um tanto o quanto caóticas em função do torvelinho de idéias rubro-negras que povoam a minha mente.

Para finalizar, findo o jogo, o meu querido irmão me ligou para dar os parabéns pela conquista do campeonato. Mal sabe ele, um botafoguense aguerrido que teve o enorme privilégio de ver Garrincha e Jairzinho jogarem, que uma lágrima escorreu do meu rosto quando vi que o Botafogo tinha permanecido na Primeira Divisão – o alvinegro deu um sacode no Palmeiras em pleno Engenhão. Afinal, a minha felicidade estava completa – eu, ele e meu pai, esse último tão longe, mas feliz porque os times de todos estavam muito bem!

Salve o Fluminense, dada sua brilhante arrancada no final do Campeonato. Salve o Botafogo, cujas tradições alvinegras históricas foram honradas com a garra desse time na última rodada. Salve o Vasco da Gama, retornando com brilho ao lugar que sempre pertenceu.

E quanto ao Flamengo, não tenho mais nada a dizer. O choro me impede continuar escrevendo…

Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!!!
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  1. Rafael
    dezembro 7, 2009 às 3:43 am

    É isso aí, caro escriba que nos fala. Por isso, que o parabenizei na Uerj.Por que o senhor, além de um grade flamenguista, é capaz de escrever sobre política, economia, entreterimento. É,ao mesmo tempo, capaz de nos proporcionar um texto tão lindo deste carregado de emoção. Não tive a oportunidade de presenciar todas as conquistas,mas estão vivas em minha lembranças aquela de 93,ano que eu era uma criança de dez anos. Passados estes dezessetes anos finalizo com um grande SAUDAÇÃO RUBRO NEGRA. RAFAEL MACHADO.

  2. Anonymous
    dezembro 7, 2009 às 11:44 am

    Grande Ze Mauro,Depois de um tenebroso inverno, saimos do casulo e dizemos: Parabens pelo merecido Titulo do Flamengo.Marc

  3. José Mauro Nunes
    dezembro 7, 2009 às 12:24 pm

    Rafael, obrigado pelo comentário! São essas coisas que fazem nos tornar mais rubro-negros do que nunca! Abração, e saudações hexacampeãs!!!

  4. José Mauro Nunes
    dezembro 7, 2009 às 12:26 pm

    Grande Marc,Eu é que tenho de parabenizá-lo pela brilhante arrancada do Fluzão, que só não ganhou a Sul-Americana por causa das besteiras do Fred. Ao fim e ao cabo, todos os cariocas saíram vencedores, e é isso que importa!Saudades do amigo!Grande abraço!

  5. thomas
    dezembro 7, 2009 às 2:48 pm

    Grandessíssimo prof. José Mauro Nunes.Primeiro, quero lhe dar os parabéns duplamente: pela belíssima aula de Pesquisa de Marketing nos proporcionada nesse encontro em Fortaleza. Costumo dizer aos colegas que a cada novo módulo os professores parecem melhorar ainda mais!E segundo por acordar nessa segunda-feira com o privilégio de ser HEXACAMPEÃO BRASILEIRO, coisa que poucos podem ser orgulhar de ser. Sou paraense, morei praticamente minha vida toda no Ceará, mas minha paixão Rubro-negra vem de berço… mas quem disse que o amor por um time possui barreiras geográficas, não é?Por isso, lendo seus relatos, unidos à emoção que agora sinto, digo em alto e bom som: é muito bom torcer esse time que é a cara do Brasil!!!!!Saudações Rubro-Negras!!!

  6. LUCIANO
    dezembro 7, 2009 às 11:58 pm

    Olá Prof Jose Mauro! PARABÉNS pelo Flamengo Campeão! Como havia lhe dito no post anterior que vc havia comentado sobre o seu time, eu já pressentia o Flamengo campeão… porque via nos jogadores o "sangue no olho" que não se via em nenhum outro time naquele momento! Fiquei feliz também porque meu Cruzeirão faturou a vaga na Libertadores! Nos encontraremos nela se os Deuses do futebol assim o permitir e já faço o convite: Se tivermos um CRUZEIRO x FLAMENGO na Libertadores, faço questão que venha em BH e fique em minha casa, ok? um grande abraço e PARABÉNS AO MENGÃO!!

  7. Denise
    dezembro 8, 2009 às 12:17 pm

    Oi Zé Mauro,
    Confesso que torci contra seu Flamego.
    O São Paulo estava ganhando e precisava da derrota do Mengo para ser Campeão. Não foi dessa vez… meus parabéns pelo seu time.
    Quanto ao recado no Twitter, fiz um comentário sobre as questões da prova mas acredito que fui bem. Espero não ter ficado chateado.
    No mais gostaria de uma sugestão de livro CRM.
    Já estou com saudades da sua aula.
    Aroveitando Desejo um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de coisas boas.

  8. Mariana
    dezembro 17, 2009 às 3:35 am

    Professor, uma vez FLAMENGO, sempre FLAMENGO!!! Hexaaaaaa!!!

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