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Archive for setembro \26\UTC 2009

LISBOA, DESPEÇO-ME DE TI…

setembro 26, 2009 2 comentários

E lhe sou muito grato pelos infindáveis momentos de felicidade que me proporcionastes…

“Quando eu morrer voltarei para buscar

Os instantes que não vivi junto do mar”

(Sophia de Mello Breyner Andresen)
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LOA À LISBOA

setembro 24, 2009 6 comentários

Lisboa é exatamente a cidade que eu esperava encontrar: um misto de antiguidade, decadência e europeidade, algo que é típico de metrópoles que um dia no passado foram muito importantes. Só de ver a barra do Tejo e pensar que os navegadores portugueses saíram de lá com suas caravelas para ampliar as rotas comerciais do mundo entre os séculos XIV e XV, é de arrepiar!

Não sei por que, mas Lisboa me lembra muito Buenos Aires. A melancolia, o saudosismo e a austeridade de ambas as cidades é incrível! Temos aqui o comércio de rua intenso e o casario clássico (especialmente no Chiado-Rossio) repleto de cafés, bares e pastelarias a vender doces incríveis. Temos as praças, lindamente organizadas com estátuas equestres de reis e filósofos – só que as da capital portenha são muito mais arborizadas. Temos as pessoas a conversar nas ruas e nos bancos das praças. E, mais, do que nunca em ambos temos o fado e o tango – um exemplo típico de gêmeos siameses…

Há poucos jovens e crianças nas ruas. Alguns dizem que é início de semana, e que no domingo as pessoas saem de casa. Também vi poucos casais de namorados; os que vi, se tratam de maneira tímida e formal – nada de beijinhos, mãos dadas e atitudes mais ousadas. Afinal, estamos em Portugal…

O interessante é que começa essa semana o ano universitário, e as ruas da cidade estão repletas de estudantes de graduação aplicando trotes nos calouros. De um lado, os pobres novatos, pintados, desfilando com penicos na cabeça, a cantar músicas que não dão para entender e sofrendo provas humilhantes – e que, diga-se de passagem, nem chegam perto do trotes que os nossos alunos brasileiros são submetidos – nas praças, ruas e estações de metro. Do outro lado, estão os veteranos em seu uniforme de gala: terno e gravata para meninos, sapato social, meias e saias abaixo do joelho para as meninas. Todos de cor negra, assim como a capa que confere um certo grau de austeridade e tradição que foi inaugurada na Universidade de Coimbra, uma das mais antigas da Europa. Acho lindos esses uniformes, pois conferem status aos estudantes universitários, mas isto não tem a menor chance de pegar no Brasil…

O tradicionalismo e a austeridade portuguesas rimam também com o mau humor e pessimismo característicos. Para nós brasileiros, que não sabemos dizer não, chega a ser um acinte determinadas falas dos nossos patrícios. Um exemplo: estava hoje a sair da cidade de Almada – que fica do outro lado do Tejo – em direção à Lisboa, dado que o congresso que estou assistindo lá ocorre. Em frente à universidade, há um estação de comboio (trem). Parei no guichê de atendimento e, no mais puro ataque de “joselitismo” brasileiro, perguntei a atendente qual seria o melhor autocarro (ônibus) que me levaria até a Torre de Belém. Resposta típica de um português: “Não sei meu Sr., pois em Lisboa quem opera é uma outra empresa, e não tenho como lhe dar essa informação!”. Ato contínuo, ela soou o botão sonoro e outro passageiro foi ser atendido…

É por essas e por outras que os brasileiros estão vindo aos “baldes” para Portugal. Além da facilidade da língua e por ser União Européia, os brasileiros são os preferidos dos empregadores portugueses do setor de serviços pois tratam de maneira mais gentil e amável os clientes – além, é claro, dos baixos salários e da situação precária em que vivem. Hoje mesmo, ao parar numa sorveteria em frente ao Mosteiro dos Jerônimos, um atendente brasileiro me disse às gargalhadas que dos 30 funcionários da loja, 20 eram brasileiros! Brasil!!!

Desde que cheguei estou num caso de amor com Lisboa. Empolguei-me com as lojas de rua, os antiquários e os cafés do Chiado-Rossio. Encantei-me com o Tejo visto a Cidade Alta, mais especificamente a partir dos miradores da Mouraria e da Alfama. O Tejo, logo o Tejo, que sempre aparecia nos meus sonhos envolto em brumas, e agora se abria real e desnudo para mim. Impactei-me com a imensa beleza do Mosteiro dos Jerônimos, da Torre de Belém e do Padrão dos Descobrimentos, que são verdadeiras odes ao pioneirismo lusitano e seu passado magistral. Também com a arquitetura muçulmano do Castelo de São Jorge, a guardar a cidade desde tempos longínquos.
O interior dos dois primeiros é indescritível, e só visitando-os pessoalmente para que vocês possam entender o que estou a dizer. No jardim interno dos Jerônimos, encetei uma prece solitária e agradeci aos deuses a oportunidade que estavam me dando de ver uma das coisas mais sublimes e belas que já vi em toda a minha vida…

Porém, emocionei-me com algo muito mais singelo e simplório. Ao esperar sentado um “eléctrico” a me levar ao Castelo de São Jorge na Alfama, uma senhora de idade – ao ver o meu sotaque brasileiro – danou a falar coisas sobre o Brasil e, em meio à loas e imprecações pessimistas típicas dos nossos patrícios -, pensei ouvir a minha velha e querida avó que me criou desde criança, e de quem sinto tanta falta. Agradeci comovido e, com lágrimas nos olhos, segui o meu caminho ciente de que os meus antepassados estavam lá a me espreitar, a cuidar de mim, a me proteger…

Sexta-feira, vou à Vila Nova de Gaia, cidade ao norte de Portugal, em frente à cidade do Porto. Terra de balneários, de frutos de mar e do sensacional Vinho do Porto. Pena que não poderei aproveitar muito: farei minha conferência pela manhã, e retrono ao fim da tarde para Lisboa. Sábado, é o meu último dia em Portugal e tenho de aproveitá-lo ao máximo!

Já estou sentindo, por antecipação, saudades de Lisboa. Impressionante como essa terra me diz sobre as minhas origens…

TERRA À VISTA!!!

setembro 20, 2009 3 comentários
Caros leitores, a partir de segunda-feira o PRAGMA mudará de lugar por um breve período. Esse Escriba que vos fala estará viajando para Portugal, mais especificamente para as cidades de Lisboa, Porto e Vila Nova de Gaia, onde passarei uma agradável semana à trabalho.

Na terça e quarta-feira próximas, estarei participando do Congresso de Desenvolvimento e Aprendizagem promovido pelo Instituto Piaget, no campus de Almada. Na quinta e sexta-feira, estarei apresentando um trabalho no International Gaia Congress on Entrepreneurship (IGC’09), em Vila Nova de Gaia. Em ambos os eventos, estarei representando a reitoria de minha universidade (UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro), que gentilmente financiou a minha passagem aérea e algumas diárias. De antemão, agradeço o empenho de todos que lá me auxiliaram para que eu estivesse embarcando amanhã para terras lusas.

Nem preciso dizer que estou extremamente entusiasmado com a possibilidade de interagir com pesquisadores europeus, e de apresentar o meu trabalho em um congresso internacional do porte do IGC’09. Mas, tudo isso é diminuto diante da tremenda experiência intelectual, emocional e afetiva que tenho pela frente na próxima semana…

Ir à Portugal é um sonho acalentado desde os meus primórdios como gente, onde escutava desde menino as histórias dos meus avós e avôs portugueses, que fugiram da pobreza e do caos de duas Grandes Guerras para viver em um país com tantas oportunidades e tamanha fartura que é o nosso Brasil. Desde moleque, hoje eu sei, eu sonhava com o Tejo, a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerônimos. Quem é meu leitor a mais tempo sabe da minh’alma profunda e essencialmente lusa, uma vez que a minha introspecção e relativa melancolia provém dos meus ancestrais lusos.

O triste e belo fado, a belíssima poesia cultivada como um ofício digno dos deuses, a culinária exuberante, os maravilhosos vinhos, além das cidadezinhas de pedra, a vida no campo, a superstição e a tristeza portuguesa (com certeza!) me são muito íntimas. Daí, a minha ansiedade em reencontrar a terra dos meus antepassados, aquela que nunca vi mas sempre amei desde o pincípio, de ver in loco os sítios que a minha família discorria com naturalidade nos almoços de domingo. De ver, sentir, cheirar, tocar e ouvir a minha ancestralidade. Fico extremamente emocionado só de pensar! Confesso que não sei o que irá acontecer comigo quando eu chegar à carinhosa terrinha, como é chamada pelos seus descendentes, como eu orgulhosamente me nomeio…

Sei que Portugal hoje modernizou-se muito, tornando-se a porta de entrada da Europa – especialmente para os brasileiros. É justamente este entrecruzamento entre o moderno e o ancestral, entre o medieval e o pós-moderno, entre o arcaico e o futuro que busco nesta viagem. Mais do que um simples trabalho, essa minha ida à Portugal será uma profunda experiência emocional, o momento o qual eu mais ansiei nesta minha vida até o presente momento, e que pretendo aproveitar ao máximo – e escrever, se possível, para que vocês possam me acompanhar nessa jornada ao fundo da minha identidade múltipla e plural, mas que certamente será reconstruída e reconfigurada a partir dessa epopéia que empreendo a partir de amanhã…

Apesar de nunca ter visto, o Tejo, o Chiado, a Alfama, a Mouraria, a Baixa estes me são muito próximos. Além disso, os vinhos – o verde, do porto, os bairradas, os dãos, o moscatel de setúbal, dentre inúmeros outros – aguçam o meu paladar e estimulam a minha imaginação, assim como os pastéis de nata adoçam os meus sonhos. Os castelos, as heranças longínquas dos celtíberos, as quintas, as plantações de oliveiras, as casinhas de pedra, os rios Minho e Douro, tudo que pretendo encontrar mais ao interior e ao norte, mexe muito comigo!

Segundo o cientista social argentino radicado no México Nestor Garcia Canclini, é preciso que nos desterritorializemos para que possamos nos reterritorializar. Trocando em miúdos, é preciso que vejamos as nossas origens para que possamos recontá-las de outra forma, mais profunda, sentimental e complexificadamente. Por isso, essa viagem está sendo um dos pontos altos de minha vida!

Que venha Portugal, então, para que eu possa ver de onde vim, onde fui e para onde irei! Só de pensar na foz do rio Tejo, de onde os bravos navegadores patrícios saíram para espalhar a sua herança no mundo, fico extremamente emocionado e agradecido por ter a possibilidade de viver essa experiência única e especial. Afinal, como diria o grande sambista Paulinho da Viola, não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar… E como diria a longa tradição que vai de Camões à Fernando Pessoa, navegar é preciso…

DAN BROWN E A ESPERANÇA DO MERCADO EDITORIAL

Apesar das baixas taxas de leitura no mundo inteiro, a lenta porém corrosiva difusão dos e-books e o interesse da geração mais jovem por outras mídias, o livro impresso ainda tem o seu atrativo e charme. Curiosamente, essa geração mais jovem – taxada por muitos intelectuais como meramente imagética, inculta, ignorante e acrítica – vem sustentando ainda o folêgo das editoras com lançamentos de peso. Basta ver os blockbusters de autores como J. K. Rowling (e a saga do mago-menino-agora-adolescente Harry Potter), Tolkien (e a monumental trilogia do Senhor dos Anéis) e a escritora Stephanie Meyer (autora de obras como Crepúsculo e Lua Nova), cujos textos atingem em cheio o mundo fantasístico e idealizado dos adolescentes. Depois, dizem que os jovens não gostam de ler…

No entanto, o grande midas do mercado editorial é o escritor norte-americano Dan Brown. Nenhum romance nos dias de hoje vendeu mais que o badaladíssimo O Código da Vinci (de 2003), que ganhou uma adaptação meia-bomba para o cinema com o superastro Tom Hanks no papel do simbologista Robert Langdon, o herói nerd das tramas de Brown. O Código da Vinci vendeu mais de 81 milhões de cópias impressas no mundo inteiro! É um absurdo de sucesso, que causa inveja a qualquer escritor que tenha algum tipo de pretensão ao sucesso – como se isso fosse possível…

Esse livro foi precedido por Anjos e Demônios (de 2000), que deu início a saga de Langdom pelas tramas circunvolutivas, frenéticas e bizarras de Brown – e que também foi adaptado para a telona do cinema. Só para se ter idéias das cifras envolvidas, os dois filmes arrecadaram mais de US$ 1 bilhão nas bilheterias do mundo inteiro. Ou seja, em se tratando de Dan Brown, tudo é superlativo!

Agora, Dan Brown – e, de quebra, Robert Langdom – volta a atacar em sua nova obra, intitulada O Símbolo Perdido, certamente um dos livros mais esperados dos últimos anos, e que foi lançado essa semana nos Estados Unidos. Apesar dos grandes descontos praticados pelas cadeias de livros norte-americanas, o mercado acredita que O Símbolo Perdido marcará a redenção do setor livreiro. A rede de livraria Borders, uma das maiores do mercado americano, apostou no frisson e informou que deixou 188 de suas 511 lojas abertas após a meia-noite para que os fãs de Brown pudessem adquirir o seu novo título. Apesar disso, todos apostam que a vendagem do novo livro não chegará aos pés do fenomenal sucesso e O Código da Vinci – considerado por todos os especialistas um evento único no mundo dos livros…

Para os mais afoitos, a Editora Sextante lançará O Símbolo Perdido apenas no distante 4 de dezembro – certamente, na esperança de turbinar as vendas de Natal. E, também, os direitos de seu último livro já foram vendidos para o cinema. Ou seja, a luta continua companheiro…

COMPANHIA DAS LETRAS ESTABELECE PARCERIA COM PENGUIN BOOKS

Em tempos de Bienal Internacional do Livro, nada melhor do que notícias auspiciosas (are baba!!!) para que é um tarado por livros como esse Escriba que vos fala…

A boa notícia dessa semana foi o anúncio da parceria estabelecida entre a editora brasileira Companhia das Letras e a prestigiada editora inglesa Penguin Books, célebre por suas caprichadas edições de bolso de obras clássicas a preços mais do que acessíveis ao grande público europeu. Tal parceria, que dará início a uma série de edições conjuntas de títulos do catálogo das duas editoras, em formato de bolso sob o selo Penguin Companhia Clássicos, começará a ser publicada em 2010. Além do catálogo de clássicos da editora inglesa – composto por autores como William Shakespeare, Charles Dickens, E.M. Foster, dentre inúmeros outros -, também serão editados clássicos da literatura e do ensaísmo brasileiro, tais como Jorge Amado, Euclides da Cunha, dentre vários outros.
O consagrado design gráfico da editora inglesa será utilizado na coleção dos clássicos estrangeiros enquanto que, para as obras brasileiras, será usado o desenho antigo da Penguin com o título entre duas faixas coloridas.
Serão publicados, no início, 24 títulos no Brasil com uma tiragem mínima de 5 mil exemplares, o que permitirá a editora praticar preços mais baixos – a editora paulista prevê que os livros devem variar entre R$ 15 e R$ 35.
Ambas as editoras possuem uma história de peso. A Penguin Books foi criada em 1935 por Allen Lane, com o intuito de ofertar livros de qualidade a preços mais baratos, visando o mercado de massa. A coleção dos clássicos de bolso surgiu nos anos 1940, e colocou a editora britânica no rol das editoras mais importantes do mundo.
Já a Companhia das Letras foi fundada em 1986, pelo respeitado publisher paulista Luiz Schwarcz. Seu catálogo é vasto, incluindo obras de ficção e não ficção, além de ensaios clássicos e relevantes na área de Ciências Humanas e Sociais.
Os livros de bolso não são novidade no mercado editorial brasileiro. Em seus primórdios, a Ediouro tinha a sua coleção de clássicos de bolso a preços muito baratos. O grande problema era que os textos continham vários problemas de tradução, além de alguns títulos não serem integrais, o que gerou a impressão – até hoje bastante forte na mente do leitor – que o livro de bolso é de baixa qualidade. Este também foi o caso, mais recente, da Editora Martin Claret, que possui uma coleção de livros de bolso com traduções e textos de origem duvidosa. Recentemente, a Editora L&PM também investiu no formato de bolso, tendo se transformado em uma editora que publica seus livros quase que exclusivamente neste formato – só que com edições mais cuidadas. Até mesmo a própria Companhia das Letras lançou, há três anos atrás, alguns títulos de seu catálogo no formato pocket, sob o selo Companhia de Bolso.
Apesar dos desmentidos, paulatinamente os mercados europeu e norte-americanos sentem o impacto dos e-books. Tanto o Kindle da Amazon como o Reader da Sony estão caindo no gosto dos leitores, especialmente os mais jovens, dado o hábito de interagir com outros gadgets como os iPhones e iPods da vida. Entretanto, como no Brasil a entrada do e-books ainda é bastante restrita, os publishers internacionais vêem o Brasil como um mercado promissor, especialmente pela baixa taxa de consumo per capita de livros em nosso país (ver post anterior).
Vale lembrar que, em todas as pesquisas sobre hábitos de leitura no Brasil, um dos fatores mais citados pela nossa população é o elevado preço dos livros, o que impede um consumo maior do produto. Por outro lado, as editoras rebatem dizendo que não há como baixar os preços sem afetar a rentabilidade, dado que no Brasil as tiragens editoriais são baixas. Entretanto, é sempre salutar saudar essas iniciativas de popularização do livro. Por exemplo, querem coisa mais interessante dos que as vending machines de livros nas estações do metrô paulista e carioca?
Leitura é bom, enobrece o homem, aguça o espírito e retira-o das trevas da ignorância, da superstição e da superficialidade. Tudo que objetiva levar o livro a um maior número de pessoas merece o aplauso desse Escriba que vos fala.

BRASILEIRO AINDA LÊ POUCO

setembro 11, 2009 1 comentário
Aproveitando a abertura da Bienal do Livro do Rio de Janeiro nesta última quinta-feira, a Câmara Brasileira do Livro divulgou uma pesquisa sobre os hábitos de leitura das famílias brasileiras. O resultado, como não poderia deixar de ser, aponta para o fato de que a leitura ocupa um dos últimos lugares quando o assunto é o hábito de lazer e entretenimento por parte da nossa população.

A pesquisa, intitulada “O Livro no Orçamento Familiar”, foi realizada a partir dos dados provenientes da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, divulgada em 2007. As entrevistas, realizadas entre 2002 e 2003, foram feitas com leitores nas principais capitais do país.

Em comparação a outros gastos de consumo, o livro ocupa ainda um espaço bastante reduzido na cesta de compra do brasileiro. Comparativamente, as famílias brasileiras investem cerca de R$ 19,3 bilhões em aquisições de CDs, DVDs, softwares e jogos, R$ 8,81 bilhões em gastos com telefonia celular, R$ 6,15 bilhões em outras formas de lazer fora de casa, e apenas R$ 5,47 bilhões em compras de livros e outros materiais de leitura.

Apenas 40,7% das famílias entrevistadas investem na compra de livros, sendo que 52% desse valor foi destinado para aquisição de jornais e revistas, 19,6% para livros didáticos, 10,1% para a compra de livros propriamente ditos e 9,7% com as fotocópias dos livros – o “terror” das editoras, e a festa dos estudantes universitários e donos de copiadoras em instituições de ensino superior.

Como diria Monteiro Lobato, “um país se faz com homens e livros”. Parece que temos um longo caminho a ser percorrido…

AS DUAS SACANAGENS DO GOVERNO

setembro 7, 2009 1 comentário
Estava esperando a evolução do noticiário político para comentar aqui os últimos acontecimentos do governo Lula. Por um acaso, ambas as notícias são tungas, verdadeiros assaltos no bolso dos contribuintes e investidores!

Dada a quermesse do pré-sal – com uma festa digna de Odorico Paraguassu (para os mais novos, vejam o seriado O Bem Amado, de Dias Gomes) – e um tremendo palanque visando “empurrar goela abaixo” da opinião pública a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República, eis que a ministra-candidata anunciou a medida – logo após corroborada pelo Presidente Lula – de que seria vetado aos trabalhadores já detentores de cotas FMP-FGTS da Petrobrás de investir novas parcelas de seu FGTS nesta segunda capitalização da turbo-Petrobrás. Ou seja, uma sacanagem típica de um Presidente que não está nem aí para os seus cidadãos…

A medida, empreendida durante o governo FHC, de permitir aos trabalhadores que aplicassem os seus recursos oriundos das suas contas do FGTS foi uma das medidas mais democratizantes durante o seu mandato. Afinal, permitiu a entrada de milhares de trabalhadores no mercado de capitais, oferecendo um rendimento muitíssimo maior ao oferecido na minguada remuneração deste fundo. Só para os meus queridos leitores terem uma idéia, quem aplicou este dinheiro desde o início (ano 2000) e o manetve até agora, obteve um rendimento maior do que 1.000%!!!! – incluso as flutuações do mercado de capitais observadas desde a hecatombe financeira mundial, iniciada no final do ano passado. E, agora, quando a Petrobrás ganhou musculatura e está prestes a entrar em um novo ciclo virtuoso de investimentos com a descoberta das reservas do pré-sal, o Lula vai lá e interdita aos trabalhadores o uso destes recursos! É muita sacanagem mesmo! Imaginem o volume de recursos que seria obtido com a permissão da compra de ações de Petrobrás com parte do saldo do FGTS? Parece que o nosso Presidente não está muito precocupado com a inclusão social no que tange à educação para o investimento financeiro…

A outra sacanagem – e essa é das grossas! – é o ressurgimento da funesta CPMF, agora renomeada de Contribuição Social para a Saúde (CSS). A justificativa para a ressurgência desse malévolo imposto – cujo mecanismo é o mesmo da CPMF, a saber, a aplicação de uma alíquota, porém menor que a anterior, de 0,1% em todas as transações efetuadas na conta corrente – é a necessidade urgente de injeção de recursos no combalido sistema público de saúde. O que torna esta manobra eivada de maior gravidade e má-informação…

Todos nós sabemos o lixo que é o nosso sistema público de saúde. Filas nos hospitais, falta de materiais básicos para o atendimento (medicamentos, gaze, bandagens, além de equipamentos), escassez de profissionais, salários ridículos, tudo isso é o cenário onde é encenada uma pantomima de péssimo gosto – dado que estamos falando de vidas humanas! A saúde pública em nosso país, salvo honrosas e dedicadas excessões, é um dos maiores exemplos de anti-cidadania, desrespeito e sacanagem com o direito dos cidadãos-contribuintes. Agora, será que tal estado de coisas justifica a criação de um imposto que irá tungar ainda mais o bolso dos cidadãos? Ou será que o problema da saúde não é a quantidade de recursos, e sim a sua qualidade – isto é, a aplicação eficiente dos mesmos?

E quem garante que os recursos arrecadados com essa tal de CSS serão efetivamente investidos na saúde? Lembram-se da funesta CPMF, que foi uma invenção do Adib Jatene, Ministro da Saúde de FHC? Os recursos captados eram usados em tudo, até mesmo em emendas eleitoreiras de deputados e senadores medíocres, em um verdadeiro crime de lesa-pátria…

Agora, quando tudo parecia caminhar em calmaria, eis que o Presidente, imerso na euforia do pré-sal e dos elevados índices de popularidade, resolve propor um novo imposto em pleno ano eleitoral! É muita ousadia, não acham? Mais um assalto à mão armada nos bolsos dos trabalhadores que constróem esse país com o suor de suas mãos e braços. E, ainda por cima, a sua candidata quer impedir que estes mesmos trabalhadores apliquem os seus recursos na Petrobrás, sendo parceiros nesta nova empreitada de nossa maior empresa genuinamente nacional!

Lembrem-se: 2010 está logo ali! Vade retro Satanás!!!!

Categorias:Brasil, Economia, Política