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Archive for novembro \01\UTC 2010

O BRASIL ESTÁ ATINGINDO A MATURIDADE POPULACIONAL

Passadas as eleições, tendo sido eleita a primeira mulher no cargo de mandatário máximo na história do nosso país, é nosso dever como cidadãos discutir grandes issues que irão influenciar a gestão de políticas públicas para as próximas décadas. Dentre essas, a que mais se destaca envolve a alteração dramática da nossa dinâmica populacional.

Ao longo desse ano tenho afirmado, com base em estatísticas oficiais, que o Brasil está atingindo a passos largos a sua maturidade demográfica – isto é, estamos vivendo uma combinação interessante envolvendo o aumento da longevidade com a diminuição do número de filhos por casal. E as implicações desse fato são inúmeras para o país, para a sociedade civil, para os governos, para a atividade produtiva e para o mercado de consumo.

Com base nos dados da  Pnad 2007-2008 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o Ipea (Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada) afirmou em pesquisa recente que o Brasil estará atingindo o seu pico populacional em 2030 – serão aproximadamente 206,8 milhões de pessoas -, para então a população começar a declinar – desde que a taxa de fecundidade não volte a crescer.

Mantido esse quadro, o Ipea prevê que o Brasil viverá um cenário de “superenvelhecimento” de sua população – a previsão é de que a população brasileira em 2040 seja de 204,7 milhões de habitantes. Em comparação com a Europa, onde o envelhecimento populacional é uma tendência já consolidada, o mais significativo é que este movimento no país possui um ritmo bastante acelerado.

Atualmente, a taxa de fecundidade das famílias brasileiras é de 1,8 filho por mulher – bem abaixo da taxa de reposição -, sendo que o estoque de indivíduos abaixo dos 30 anos já apresenta taxas negativas de crescimento. A partir de 2030, os grupos populacionais de maior crescimento serão os compostos por indivíduos acima de 45 anos.

A participação dos mais jovens (entre 15 a 29 anos) atingiu o seu auge em 2000, e deverá experimentar um declínio substancial a partir de 2010. Em contrapartida, a proporção de indivíduos acima de 80 anos está aumentando – cerca de 2,9 milhões de brasileiros, 1,6% da população total.

A fim de ilustrar esse quadro, abaixo segue o ranking da taxa de fecundidade por regiões do nosso país:

1o. lugar – Região Norte: 2,2 em 2009 (contra 3,3 em 1992);
2o. lugar – Região Nordeste: 2,0 em 2009 (contra 3,6 em 1992);
3o. lugar – Região Centro-Oeste: 1,9 em 2009 (contra 2,5 em 1992);
4o.lugar – Região Sul: 1,7 em 2009 (contra 2,6 em 1992): e,
5o. lugar – Região Sudeste: 1,7 em 2009 (contra 2,4 em 1992).
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