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Archive for julho \31\UTC 2008

>OLHA O DRAGÃO CHINÊS!!!

>

Semana que vem começam as Olimpíadas de Pequim, e a China irá tomar de assalto a “telinha” pelos próximos 30 dias. No entanto, para muitos políticos, advisors e pesquisadores de relações internacionais, esse início de terceiro milênio é marcado pelo signo do Dragão: a predominância crescente de vastas áreas do globo pelos nossos amigos de “olhinhos puxados”. É tudo uma questão de tempo, concordam os especialistas…

Basta uma passada de olhos nos jornais e semanários mais prestigiados do mundo para que tenhamos uma idéia da pujança do Dragão que vem lá do Extremo Oriente. The New York Times, The Economist, Financial Times, Foreign Affairs, The Wall Street Journal, The Guardian, Le Monde, Business Week, todos já publicaram inúmeros artigos avaliando o crescente papel da China na economia e na política mundiais.

Já se foi o tempo da “superpotência solitária”, pós-queda do Muro de Berlim, em plena década de 1990. A emergência da União Européia como contraponto à influência norte-americana no sistema internacional – muito mais econômica, política e financeira, do que propriamente militar – ajudou a equilibrar um pouco a “balança de poder” entre as nações. Com a emergência da China, o sistema político internacional deixa de ser dual para assumir uma disposição triangular, exacerbando desta forma as tensões e as rivalidades naturais entre as superpotências. Alguns autores já projetam o futuro, com a ascensão dos países em desenvolvimento – dentre os quais o Brasil, a Rússia e a Índia -, tornando a configuração do sistema mundial de poder assemelhado a um poliedro

O gigante asiático não está satisfeito com o seu espaço atual de influência política, que cobre um extenso arco geográfico que vai desde a sua vizinhança mais próxima – rivalizando com a Rússia, a Índia e, em menor escala, com o Japão -, até a Oceania e o Oriente Médio – especialmente na região do Golfo Pérsico. Além de ser um país dotado com a maior população do mundo – mais de 1 bilhão de pessoas, o que pode ser um problema ou uma solução, dependendo do ponto de vista -, a diáspora chinesa é imensa – e especialmente influente – ao redor do mundo.

Além de ser um mercado consumidor ávido por commodities agrícolas e minerais , esse excesso de contingente propicia que os seus custos de produção de bens e serviços sejam bem menores do que os do restante do mundo. Isso justifica o movimento recente de várias empresas transnacionais transferirem suas plantas produtivas para lá, em busca de menores custos, além de estabelecer uma “cabeça de ponte” no maior mercado consumidor do mundo. É o que se chama unir o útil ao agradável…

Todo esse gigantismo por si só justifica o estado de alerta que as outras duas grandes super-potências mundiais vivem quando o assunto é o País do Dragão. Não é à toa que, sabedores dessa tensão, os chamdos países em desenvolvimento – que consitutuem, segundo o livro do cientista político indiano Parag Khanna (The Second World, publicado em 2008), o chamado “segundo mundo” -, estão ávidos para receber investimentos dos chineses. E, para não perder a festa, os países mais pobres também querem o seu quinhão.

Os chineses, como não são bobos nem nada, agradecem a audiência e pedem passagem na avenida, alongando cada vez mais a sua musculatura em um verdadeiro exercício de poder no sistema internacional de nações…

A China escolheu, como área de exercício desta influência, a África Subsaariana, o paupérrimo e assustador “continente perdido”. Quando pensamos nessa região do planeta, logo vem à mente imagens hediondas de governos corruptos, guerras tribais sanguinárias, conflitos civis infindáveis, crianças esquálidas de fome, e índices ultrajantes de pessoas portadoras do vírus HIV que morrem como moscas nas cidades e nas aldeias. A África é um rosário de cases de estados falidos, failure nation building, imersa na corrupção das elites predatórias e auto-interessadas, que emergiram na época pós-colonial no turbilhão de tribos e etnias que constituem a “colcha de retalhos” que é essa região do planeta.

Para quem quiser compreender – e se assustar! – com esse estado de coisas, recomendo fortemente assistir o filme O Último Rei da Escócia (que fala da Uganda durante os anos da ditadura sanguinária de Idi Amin, com uma magistral interpretação do ator Forest Whitaker), além da leitura de livros como Infiel (de Ayaan Hirsi Ali, autora somali radicada nos EUA) e Quando Um Crocodilo Engole o Sol (de Peter Goodwin, zimababuense também radicado nos EUA).

Dada as condições inóspitas e hostis do continente, nenhum investidor – seja ele privado ou público – investiria nos países da região. Pelo menos em tese, ou em sã consciência! No entanto, não é assim que os chineses pensam. Para eles, oriundos de uma civilização milenar, obedecem a risca a noção comum no pensamento oriental de que, em momentos de extrema crise, é lá que emergem as melhores oportunidades de negócios…

Entre 2003 e 2006, os investimentos chineses na África Subsaariana tiveram um aumento de quase 600%, passando de US$ 75 milhões para US$ 520 milhões! Atualmente, habitam na região cerca de 800.000 chineses, trazidos em sua maioria pelas 800 empresas que estão lá estabelecidas. Não é à toa que, após a leva de portugueses, franceses e ingleses, a China é considerada a “bola da vez” na África…

A grande maioria dos investimentos chineses no sub-continente está concentrada no setor de infra-estrutura – construção de estradas, pontes, barragens, hotéis, postos de gasolina -, o verdadeiro “calcanhar de Aquiles” por aquelas bandas . No entanto, como a região é rica em recursos naturais – especialmente petróleo, gás, diamantes e outras pedras preciosas -, os chineses estão de olhos bem abertos para o imenso potencial de negócios entre os países da África Negra.

Por que esse interesse? Busca de lucros? Fábula do bom samaritano? Claro que não! O “xis” da questão repousa, em grande parte, no potencial energético – a grande questão desse início de terceiro milênioa. Que o digam os EUA, a União Européia e a Rússia, que se digladiam em outras regiões inóspitas como o Cáucaso e Ásia Central, em busca das enormes reservas de petróleo e gás em países exóticos como o Azerbaijão, a Armênia, o Cazaquistão, o Usbequistão, o Tadjiquistão, dentre outros “ãos”…

Além da questão energética, a África pode ser também uma grande solução para o problema da massa campesina chinesa, cada vez mais empobrecida e alijada do restante da população do país. Com apoio dos órgãos governamentais chineses, levas cada vez maiores de seus compatriotas vão trabalhar na atividade agrícola em países como Quênia, Uganda, Senegal e Gana.

A título de ilustração, a China vem concentrando seus investimentos em alguns países da região como Angola (em obras de infra-estrutura em troca do fornecimento de petróleo), Namíbia (no setor da construção civil), Uganda (no cultivo de grãos) e África do Sul (em diversos setores, com destaque no segmento financeiro). Graças aos investimentos chineses, os países da África Negra vêm apresentando uma taxa de crescimento econômico média anual de 6%, conforme apurado nos últimos anos.

Além de despertar o ciúme de grandes competidores como os EUA e a União Européia, o Brasil deve olhar com atenção tais movimentos. Especialmente em países que estão ligados por estreitos laços econômicos, históricos e culturais, tais como os integrantes da CPLP (Comunidade de Países da Língua Portuguesa)Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Cabo Verde. Além de investimentos em infra-estrutura, o Brasil também está de olho – como todo mundo, aliás! – nas reservas energéticas desses países. Se não abrirmos o olho (perdão, meus caros leitores, do trocadilho infame!), poderemos ficar a ver navios repletos de chineses…

Atualmente, países adotam cada vez mais ferramentas de planejamento estratégico e de leitura de cenários provenientes da atividade empresarial. Dessa forma, as nossas lideranças políticas devem gerenciar a inserção do Brasil no sistema internacional de maneira menos ideológica e mais pragmática. E, nesse ponto, os chineses dão um banho!

Os chineses fazem questão de reverenciar o seu passado milenar, bem como os feitos históricos de seus antepassados. Mas, na hora de negociar, não existem sujeitos mais pragmáticos do que eles. Afinal, a ideologia deles é o dinheiro…

OLHA O DRAGÃO CHINÊS!!!

Semana que vem começam as Olimpíadas de Pequim, e a China irá tomar de assalto a “telinha” pelos próximos 30 dias. No entanto, para muitos políticos, advisors e pesquisadores de relações internacionais, esse início de terceiro milênio é marcado pelo signo do Dragão: a predominância crescente de vastas áreas do globo pelos nossos amigos de “olhinhos puxados”. É tudo uma questão de tempo, concordam os especialistas…

Basta uma passada de olhos nos jornais e semanários mais prestigiados do mundo para que tenhamos uma idéia da pujança do Dragão que vem lá do Extremo Oriente. The New York Times, The Economist, Financial Times, Foreign Affairs, The Wall Street Journal, The Guardian, Le Monde, Business Week, todos já publicaram inúmeros artigos avaliando o crescente papel da China na economia e na política mundiais.

Já se foi o tempo da “superpotência solitária”, pós-queda do Muro de Berlim, em plena década de 1990. A emergência da União Européia como contraponto à influência norte-americana no sistema internacional – muito mais econômica, política e financeira, do que propriamente militar – ajudou a equilibrar um pouco a “balança de poder” entre as nações. Com a emergência da China, o sistema político internacional deixa de ser dual para assumir uma disposição triangular, exacerbando desta forma as tensões e as rivalidades naturais entre as superpotências. Alguns autores já projetam o futuro, com a ascensão dos países em desenvolvimento – dentre os quais o Brasil, a Rússia e a Índia -, tornando a configuração do sistema mundial de poder assemelhado a um poliedro

O gigante asiático não está satisfeito com o seu espaço atual de influência política, que cobre um extenso arco geográfico que vai desde a sua vizinhança mais próxima – rivalizando com a Rússia, a Índia e, em menor escala, com o Japão -, até a Oceania e o Oriente Médio – especialmente na região do Golfo Pérsico. Além de ser um país dotado com a maior população do mundo – mais de 1 bilhão de pessoas, o que pode ser um problema ou uma solução, dependendo do ponto de vista -, a diáspora chinesa é imensa – e especialmente influente – ao redor do mundo.

Além de ser um mercado consumidor ávido por commodities agrícolas e minerais , esse excesso de contingente propicia que os seus custos de produção de bens e serviços sejam bem menores do que os do restante do mundo. Isso justifica o movimento recente de várias empresas transnacionais transferirem suas plantas produtivas para lá, em busca de menores custos, além de estabelecer uma “cabeça de ponte” no maior mercado consumidor do mundo. É o que se chama unir o útil ao agradável…

Todo esse gigantismo por si só justifica o estado de alerta que as outras duas grandes super-potências mundiais vivem quando o assunto é o País do Dragão. Não é à toa que, sabedores dessa tensão, os chamdos países em desenvolvimento – que consitutuem, segundo o livro do cientista político indiano Parag Khanna (The Second World, publicado em 2008), o chamado “segundo mundo” -, estão ávidos para receber investimentos dos chineses. E, para não perder a festa, os países mais pobres também querem o seu quinhão.

Os chineses, como não são bobos nem nada, agradecem a audiência e pedem passagem na avenida, alongando cada vez mais a sua musculatura em um verdadeiro exercício de poder no sistema internacional de nações…

A China escolheu, como área de exercício desta influência, a África Subsaariana, o paupérrimo e assustador “continente perdido”. Quando pensamos nessa região do planeta, logo vem à mente imagens hediondas de governos corruptos, guerras tribais sanguinárias, conflitos civis infindáveis, crianças esquálidas de fome, e índices ultrajantes de pessoas portadoras do vírus HIV que morrem como moscas nas cidades e nas aldeias. A África é um rosário de cases de estados falidos, failure nation building, imersa na corrupção das elites predatórias e auto-interessadas, que emergiram na época pós-colonial no turbilhão de tribos e etnias que constituem a “colcha de retalhos” que é essa região do planeta.

Para quem quiser compreender – e se assustar! – com esse estado de coisas, recomendo fortemente assistir o filme O Último Rei da Escócia (que fala da Uganda durante os anos da ditadura sanguinária de Idi Amin, com uma magistral interpretação do ator Forest Whitaker), além da leitura de livros como Infiel (de Ayaan Hirsi Ali, autora somali radicada nos EUA) e Quando Um Crocodilo Engole o Sol (de Peter Goodwin, zimababuense também radicado nos EUA).

Dada as condições inóspitas e hostis do continente, nenhum investidor – seja ele privado ou público – investiria nos países da região. Pelo menos em tese, ou em sã consciência! No entanto, não é assim que os chineses pensam. Para eles, oriundos de uma civilização milenar, obedecem a risca a noção comum no pensamento oriental de que, em momentos de extrema crise, é lá que emergem as melhores oportunidades de negócios…

Entre 2003 e 2006, os investimentos chineses na África Subsaariana tiveram um aumento de quase 600%, passando de US$ 75 milhões para US$ 520 milhões! Atualmente, habitam na região cerca de 800.000 chineses, trazidos em sua maioria pelas 800 empresas que estão lá estabelecidas. Não é à toa que, após a leva de portugueses, franceses e ingleses, a China é considerada a “bola da vez” na África…

A grande maioria dos investimentos chineses no sub-continente está concentrada no setor de infra-estrutura – construção de estradas, pontes, barragens, hotéis, postos de gasolina -, o verdadeiro “calcanhar de Aquiles” por aquelas bandas . No entanto, como a região é rica em recursos naturais – especialmente petróleo, gás, diamantes e outras pedras preciosas -, os chineses estão de olhos bem abertos para o imenso potencial de negócios entre os países da África Negra.

Por que esse interesse? Busca de lucros? Fábula do bom samaritano? Claro que não! O “xis” da questão repousa, em grande parte, no potencial energético – a grande questão desse início de terceiro milênioa. Que o digam os EUA, a União Européia e a Rússia, que se digladiam em outras regiões inóspitas como o Cáucaso e Ásia Central, em busca das enormes reservas de petróleo e gás em países exóticos como o Azerbaijão, a Armênia, o Cazaquistão, o Usbequistão, o Tadjiquistão, dentre outros “ãos”…

Além da questão energética, a África pode ser também uma grande solução para o problema da massa campesina chinesa, cada vez mais empobrecida e alijada do restante da população do país. Com apoio dos órgãos governamentais chineses, levas cada vez maiores de seus compatriotas vão trabalhar na atividade agrícola em países como Quênia, Uganda, Senegal e Gana.

A título de ilustração, a China vem concentrando seus investimentos em alguns países da região como Angola (em obras de infra-estrutura em troca do fornecimento de petróleo), Namíbia (no setor da construção civil), Uganda (no cultivo de grãos) e África do Sul (em diversos setores, com destaque no segmento financeiro). Graças aos investimentos chineses, os países da África Negra vêm apresentando uma taxa de crescimento econômico média anual de 6%, conforme apurado nos últimos anos.

Além de despertar o ciúme de grandes competidores como os EUA e a União Européia, o Brasil deve olhar com atenção tais movimentos. Especialmente em países que estão ligados por estreitos laços econômicos, históricos e culturais, tais como os integrantes da CPLP (Comunidade de Países da Língua Portuguesa)Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Cabo Verde. Além de investimentos em infra-estrutura, o Brasil também está de olho – como todo mundo, aliás! – nas reservas energéticas desses países. Se não abrirmos o olho (perdão, meus caros leitores, do trocadilho infame!), poderemos ficar a ver navios repletos de chineses…

Atualmente, países adotam cada vez mais ferramentas de planejamento estratégico e de leitura de cenários provenientes da atividade empresarial. Dessa forma, as nossas lideranças políticas devem gerenciar a inserção do Brasil no sistema internacional de maneira menos ideológica e mais pragmática. E, nesse ponto, os chineses dão um banho!

Os chineses fazem questão de reverenciar o seu passado milenar, bem como os feitos históricos de seus antepassados. Mas, na hora de negociar, não existem sujeitos mais pragmáticos do que eles. Afinal, a ideologia deles é o dinheiro…

OLHA O DRAGÃO CHINÊS!!!

Semana que vem começam as Olimpíadas de Pequim, e a China irá tomar de assalto a “telinha” pelos próximos 30 dias. No entanto, para muitos políticos, advisors e pesquisadores de relações internacionais, esse início de terceiro milênio é marcado pelo signo do Dragão: a predominância crescente de vastas áreas do globo pelos nossos amigos de “olhinhos puxados”. É tudo uma questão de tempo, concordam os especialistas…

Basta uma passada de olhos nos jornais e semanários mais prestigiados do mundo para que tenhamos uma idéia da pujança do Dragão que vem lá do Extremo Oriente. The New York Times, The Economist, Financial Times, Foreign Affairs, The Wall Street Journal, The Guardian, Le Monde, Business Week, todos já publicaram inúmeros artigos avaliando o crescente papel da China na economia e na política mundiais.

Já se foi o tempo da “superpotência solitária”, pós-queda do Muro de Berlim, em plena década de 1990. A emergência da União Européia como contraponto à influência norte-americana no sistema internacional – muito mais econômica, política e financeira, do que propriamente militar – ajudou a equilibrar um pouco a “balança de poder” entre as nações. Com a emergência da China, o sistema político internacional deixa de ser dual para assumir uma disposição triangular, exacerbando desta forma as tensões e as rivalidades naturais entre as superpotências. Alguns autores já projetam o futuro, com a ascensão dos países em desenvolvimento – dentre os quais o Brasil, a Rússia e a Índia -, tornando a configuração do sistema mundial de poder assemelhado a um poliedro

O gigante asiático não está satisfeito com o seu espaço atual de influência política, que cobre um extenso arco geográfico que vai desde a sua vizinhança mais próxima – rivalizando com a Rússia, a Índia e, em menor escala, com o Japão -, até a Oceania e o Oriente Médio – especialmente na região do Golfo Pérsico. Além de ser um país dotado com a maior população do mundo – mais de 1 bilhão de pessoas, o que pode ser um problema ou uma solução, dependendo do ponto de vista -, a diáspora chinesa é imensa – e especialmente influente – ao redor do mundo.

Além de ser um mercado consumidor ávido por commodities agrícolas e minerais , esse excesso de contingente propicia que os seus custos de produção de bens e serviços sejam bem menores do que os do restante do mundo. Isso justifica o movimento recente de várias empresas transnacionais transferirem suas plantas produtivas para lá, em busca de menores custos, além de estabelecer uma “cabeça de ponte” no maior mercado consumidor do mundo. É o que se chama unir o útil ao agradável…

Todo esse gigantismo por si só justifica o estado de alerta que as outras duas grandes super-potências mundiais vivem quando o assunto é o País do Dragão. Não é à toa que, sabedores dessa tensão, os chamdos países em desenvolvimento – que consitutuem, segundo o livro do cientista político indiano Parag Khanna (The Second World, publicado em 2008), o chamado “segundo mundo” -, estão ávidos para receber investimentos dos chineses. E, para não perder a festa, os países mais pobres também querem o seu quinhão.

Os chineses, como não são bobos nem nada, agradecem a audiência e pedem passagem na avenida, alongando cada vez mais a sua musculatura em um verdadeiro exercício de poder no sistema internacional de nações…

A China escolheu, como área de exercício desta influência, a África Subsaariana, o paupérrimo e assustador “continente perdido”. Quando pensamos nessa região do planeta, logo vem à mente imagens hediondas de governos corruptos, guerras tribais sanguinárias, conflitos civis infindáveis, crianças esquálidas de fome, e índices ultrajantes de pessoas portadoras do vírus HIV que morrem como moscas nas cidades e nas aldeias. A África é um rosário de cases de estados falidos, failure nation building, imersa na corrupção das elites predatórias e auto-interessadas, que emergiram na época pós-colonial no turbilhão de tribos e etnias que constituem a “colcha de retalhos” que é essa região do planeta.

Para quem quiser compreender – e se assustar! – com esse estado de coisas, recomendo fortemente assistir o filme O Último Rei da Escócia (que fala da Uganda durante os anos da ditadura sanguinária de Idi Amin, com uma magistral interpretação do ator Forest Whitaker), além da leitura de livros como Infiel (de Ayaan Hirsi Ali, autora somali radicada nos EUA) e Quando Um Crocodilo Engole o Sol (de Peter Goodwin, zimababuense também radicado nos EUA).

Dada as condições inóspitas e hostis do continente, nenhum investidor – seja ele privado ou público – investiria nos países da região. Pelo menos em tese, ou em sã consciência! No entanto, não é assim que os chineses pensam. Para eles, oriundos de uma civilização milenar, obedecem a risca a noção comum no pensamento oriental de que, em momentos de extrema crise, é lá que emergem as melhores oportunidades de negócios…

Entre 2003 e 2006, os investimentos chineses na África Subsaariana tiveram um aumento de quase 600%, passando de US$ 75 milhões para US$ 520 milhões! Atualmente, habitam na região cerca de 800.000 chineses, trazidos em sua maioria pelas 800 empresas que estão lá estabelecidas. Não é à toa que, após a leva de portugueses, franceses e ingleses, a China é considerada a “bola da vez” na África…

A grande maioria dos investimentos chineses no sub-continente está concentrada no setor de infra-estrutura – construção de estradas, pontes, barragens, hotéis, postos de gasolina -, o verdadeiro “calcanhar de Aquiles” por aquelas bandas . No entanto, como a região é rica em recursos naturais – especialmente petróleo, gás, diamantes e outras pedras preciosas -, os chineses estão de olhos bem abertos para o imenso potencial de negócios entre os países da África Negra.

Por que esse interesse? Busca de lucros? Fábula do bom samaritano? Claro que não! O “xis” da questão repousa, em grande parte, no potencial energético – a grande questão desse início de terceiro milênioa. Que o digam os EUA, a União Européia e a Rússia, que se digladiam em outras regiões inóspitas como o Cáucaso e Ásia Central, em busca das enormes reservas de petróleo e gás em países exóticos como o Azerbaijão, a Armênia, o Cazaquistão, o Usbequistão, o Tadjiquistão, dentre outros “ãos”…

Além da questão energética, a África pode ser também uma grande solução para o problema da massa campesina chinesa, cada vez mais empobrecida e alijada do restante da população do país. Com apoio dos órgãos governamentais chineses, levas cada vez maiores de seus compatriotas vão trabalhar na atividade agrícola em países como Quênia, Uganda, Senegal e Gana.

A título de ilustração, a China vem concentrando seus investimentos em alguns países da região como Angola (em obras de infra-estrutura em troca do fornecimento de petróleo), Namíbia (no setor da construção civil), Uganda (no cultivo de grãos) e África do Sul (em diversos setores, com destaque no segmento financeiro). Graças aos investimentos chineses, os países da África Negra vêm apresentando uma taxa de crescimento econômico média anual de 6%, conforme apurado nos últimos anos.

Além de despertar o ciúme de grandes competidores como os EUA e a União Européia, o Brasil deve olhar com atenção tais movimentos. Especialmente em países que estão ligados por estreitos laços econômicos, históricos e culturais, tais como os integrantes da CPLP (Comunidade de Países da Língua Portuguesa)Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Cabo Verde. Além de investimentos em infra-estrutura, o Brasil também está de olho – como todo mundo, aliás! – nas reservas energéticas desses países. Se não abrirmos o olho (perdão, meus caros leitores, do trocadilho infame!), poderemos ficar a ver navios repletos de chineses…

Atualmente, países adotam cada vez mais ferramentas de planejamento estratégico e de leitura de cenários provenientes da atividade empresarial. Dessa forma, as nossas lideranças políticas devem gerenciar a inserção do Brasil no sistema internacional de maneira menos ideológica e mais pragmática. E, nesse ponto, os chineses dão um banho!

Os chineses fazem questão de reverenciar o seu passado milenar, bem como os feitos históricos de seus antepassados. Mas, na hora de negociar, não existem sujeitos mais pragmáticos do que eles. Afinal, a ideologia deles é o dinheiro…

>SOBREVIVÊNCIA

>

“Na janela do consultório há um cisne
cor do sol nascente.

Não é um cisne real,
é um cisne que eu imagino
num rio que corre junto à encosta dum vale.
O rio nasce na memória
e arrasta consigo doloridos musgos de lembrança.
O cisne bóia e permanece
cortado na vidraça, com ar solene
a ver passar pedaços de recordações,
a ver fluir um rio sem margens.
As recordações vão diluir-se no longe,
o próprio rio secará no tempo,
mortas serão as esbatidas palavras à estiagem dos anos.
Haverá terra nos meus olhos
e silêncio em meus lábios apodrecidos.
O cisne há-de-ficar, todavia,
imóvel e rubro,
direito no seu perfil,
coração sangrando,
retrato de meus dias.”

(Rui Knopfli, do livro O País dos Outros, de 1959).

Categorias:Pensamentos, Poesia

SOBREVIVÊNCIA

“Na janela do consultório há um cisne
cor do sol nascente.

Não é um cisne real,
é um cisne que eu imagino
num rio que corre junto à encosta dum vale.
O rio nasce na memória
e arrasta consigo doloridos musgos de lembrança.
O cisne bóia e permanece
cortado na vidraça, com ar solene
a ver passar pedaços de recordações,
a ver fluir um rio sem margens.
As recordações vão diluir-se no longe,
o próprio rio secará no tempo,
mortas serão as esbatidas palavras à estiagem dos anos.
Haverá terra nos meus olhos
e silêncio em meus lábios apodrecidos.
O cisne há-de-ficar, todavia,
imóvel e rubro,
direito no seu perfil,
coração sangrando,
retrato de meus dias.”

(Rui Knopfli, do livro O País dos Outros, de 1959).

Categorias:Pensamentos, Poesia

SOBREVIVÊNCIA

“Na janela do consultório há um cisne
cor do sol nascente.

Não é um cisne real,
é um cisne que eu imagino
num rio que corre junto à encosta dum vale.
O rio nasce na memória
e arrasta consigo doloridos musgos de lembrança.
O cisne bóia e permanece
cortado na vidraça, com ar solene
a ver passar pedaços de recordações,
a ver fluir um rio sem margens.
As recordações vão diluir-se no longe,
o próprio rio secará no tempo,
mortas serão as esbatidas palavras à estiagem dos anos.
Haverá terra nos meus olhos
e silêncio em meus lábios apodrecidos.
O cisne há-de-ficar, todavia,
imóvel e rubro,
direito no seu perfil,
coração sangrando,
retrato de meus dias.”

(Rui Knopfli, do livro O País dos Outros, de 1959).

Categorias:Pensamentos, Poesia

PARA COMEÇAR BEM A SEGUNDA-FEIRA

http://www.youtube.com/get_player

Nada melhor do que encarar a segunda-feira com uma zoeira sonora daquelas. O escolhido da vez é a banda norte-americana Korn, um dos expoentes do chamado “new metal”.

“New Metal”, para quem não sabe, é a última moda no mundo do rock pesado – arrebatando um monte de garotos freaks e weirds por aí. Suas marcas registradas são: as guitarras com a afinação lá no “dedão do pé”, o baixo “slapado” (com as cordas bem frouxas, tocando nos captadores), bateria pesadíssima com ritmos sincopados de “quebrar o pescoço”, um vocalista urrando como um ogro ensandecido, e a galera se arrebentando na audiência…

A música que eu escolhi dos caras se chama “Right Now”. A letra é edificante, olhem só:

Right Now/I can’t control myself/I know that I’m hate you!!!

Categorias:Heavy Metal, Música, Rock, Video