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Archive for novembro \29\UTC 2009

O ESTADO DA ARTE DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

novembro 29, 2009 1 comentário
Saíram os dados do Censo da Educação Superior 2008, divulgados nesse final dessa semana pelo Inep – órgão de pesquisas educacionais vinculado ao MEC. Apesar de estarmos ainda bastante distante da realidade da educação superior da observada em países do Hemisfério Norte, algumas coisas são interessantes de serem discutidas para aqueles envolvidos com este tipo de questão…

Apesar de ainda pequeno, o número de jovens entre 18 e 24 anos matriculados em cursos superiores em se expandindo: em 2008, era de aproximadamente 5,8 milhões, isto é, cerca de 13,71% dos jovens do nosso país. Vale lembrar que em 2002, por exemplo, essa taxa era de apenas 9,83% da população jovem. Isso pode ser explicado graças ao aumento estrepitoso de vagas nas universidades privadas, além de programas de bolsas e incentivos governamentais a jovens de classes econômicas menos favorecidas, como é o caso do ProUni.

A prova disso é que, desses 5,8 milhões de jovens, 74,9% estão matriculados em instituições de ensino superior privadas, contra apenas 25,1% em universidades públicas. Aí, é inevitável a questão: como rimar qualidade com quantidade?

Outra coisa interessante a ser destacada é o crescimento exponencial das matrículas nos cursos à distância (também chamados de semi-presenciais). Enquanto o crescimento das matrículas nos cursos presenciais vem diminuindo a passos largos – em 2008, este foi da ordem de 4,1% -, nos cursos à distância a expansão das matrículas foi de 96% (!!!). Mesmo assim, estes últimos ainda são minoria em nosso país, posto abrangerem apenas 12% dos nossos universitários.

Também chama a atenção a ociosidade das vagas no ensino superior, em especial entre as instituições de ensino superior privadas. No ano passado, cerca de 1,47 milhão de vagas não foram preenchidas, sendo que 1,44 milhão só no âmbito privado (!!!). Para quem trabalhou em universidades privadas, sabe que é uma prática corriqueira as instituições privadas incharem o seu quadro de oferta de vagas, a fim de que possam expandir os seus cursos sem posterior solicitação ao MEC. DE qualquer maneira, chama a atenção a elevada ociosidade e ineficiência do setor, o que pode se tornar uma grande oportunidade de negócios a médio prazo – especialmente se o foco é a classe C e D, as grandes excluídas da educação superior em nosso país.

Também a evasão é grande nas universidades públicas: “sobraram” 7.387 vagas nas instuições federais e estaduais em 2008. Além disso, o número de formandos nas instituições públicas caiu cerca de 5,8% nesse mesmo ano. Ou seja, a evasão dos jovens do ensino superior é uma realidade, e uma questão prioritária para todos os envolvidos com a educação universitária em nosso país.

Nesse ritmo atual, o país não irá atingir a meta de matricular cerca de 30% da população jovem entre 18 e 24 anos até 2011, conforme estabelecido pelo Plano Nacional de Educação. Emresumo, é nítido o crescente descompasso entre o jovem e a universidade. Será que estudar está “fora de moda”? Ou as universidades não estão atendendo – e pior, não entendendo – a demanda desses jovens?
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A SAÚDE NUTRICIONAL DO BRASILEIRO

novembro 22, 2009 5 comentários
É inegável a melhora das condições de vida e de saúde dos brasileiros nos últimos anos. Apesar de ainda existirem famigerados rincões famélicos em nosso país, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, pesquisas recentes mostram um avanço considerável dos indicadores nutricionais e de saúde da nossa população.

Essa semana que se finda, o Ministério da Saúde publicou um diagnóstico da saúde nutricional do brasileiro, intitulado Saúde Brasil 2008. Como não poderia deixar de ser, notícias auspiciosas coexistem com resultados ruins, mas o saldo geral aponta para o fato de que a saúde dos nossos habitantes vem melhorando a olhos vistos. Vejamos então os dados…

Em primeiro lugar, as notícias boas. Em média, o brasileiro está se tornando mais alto e morrendo menos de doenças do coração. O número de mortes provenientes de transtornos coronarianos sofreu uma diminuição de cerca de 20% entre 1990 e 2006. O número de fumantes caiu de 31% da população em 1989 para 16,3% em 2008, o que contribui decisivamente para tal resultado.

Observa-se também uma diminuição significativa da desnutrição infantil – uma redução de 13,4% das nossas crianças em 1996 para 6,7% em 2006 – e, como consequência, uma redução de 97,2% da mortalidade infantil entre crianças com até 1 ano de idade. Isso sim é que são notícias espetaculares!

Agora, as notícias ruins. Em contrapartida, o brasileiro está mais gordo e diabético, tornando a obesidade e os transtornos hormonais como as principais causas de mortalidade entre a nossa população. Cerca de 43,3% dos brasileiros acima dos 18 anos, moradores dos grandes centros urbanos, são acometidos pelo sobrepeso, e a morte decorrente por complicações oriundas da diabetes subiu cerca de 47,2% entre os nossos habitantes. Ou seja, sedentarismo, hipertensão, estresse e vida urbana estão acometendo cada vez mais a nossa população o que, a médio prazo, irá se tornar um problema sério de saúde pública.

Em resumo: devargazinho nós chegamos lá…

O FIM DO MUNDO

novembro 18, 2009 2 comentários

Não sei bem explicar, mas desde criança sempre tive uma certa atração por teorias escatológicas e catastrofismos que apontem a possibilidade da destruição da humanidade em um futuro bastante próximo. Talvez essa minha atração pelo mórbido se justifique pelo gosto que tenho pelos mistérios da natureza, pela possibilidade de que existem mais coisas do que nós atualmente conhecemos sobre o mundo e as coisas – algo bastante assemelhado ao dilema existencial do mais famoso príncipe dinamarquês da literatura universal. Ou então, essa crença pelos mistérios insondáveis e pelo místico seja apenas a evidência cabal de que estou envelhecendo, e por conseguinte o senso de finitude começa a emergir de maneira mais clara em meu espírito…

Assim como eu nunca consegui direito entender o que leva às pessoas a pagarem para ver um filme de terror ou de suspense no cinema. Pagar para morrer de medo? Pelo prazer da pura adrenalina? Ou pelo simples contato com a obscuridade, com o mal, com a escuridão da alma? Enfim, perguntas cujas respostas ainda não estão claras para mim…

Desde a estréia de 2012 no final de semana passada, que o tema da profecia maia sobre o fim da civilização humana despertou a minha atenção. Apesar de não ter visto ainda a película nos cinemas – um resultado das minhas eternas viagens à trabalho e da consequente falta de tempo -, eis que tirei a manhã para dar uma volta em um shopping center próximo do meu hotel aqui em Porto Alegre, a belíssima e ensolarada capital gaúcha. De repente, entrando numa megastore dessas da vida, me deparei com um livro que aborda o tal tema da tétrica previsão da outrora gloriosa e sábia civilização meso-americana. Ato contínuo, comprei-o para saciar um pouco a minha incorrigível curiosidade mórbida. E, confesso, estou um pouco assustado – tanto que estou com dificuldade para dormir, apesar de cansado após uma jornada extenuante na sala de aula…

As evidências utilizadas pelos diferentes autores que pesquisam e escrevem sobre essa questão, e que justificam a ocorrência de um colapso de proporções astronômicas e colossais no planeta Terra, capazes de inviabilizar a existência da civilização humana no planeta, são as seguintes:

1. As profecias astronômicas maias indicam que a data de 21 de dezembro de 2012 – o solstício de inverno no Hemisfério Norte, e o solstício de verão no Hemisfério Sul – assinalará o começo de uma nova era, de esperança e de promessa, porém baseada no sangue e na agonia de milhões.

2. Desde 2003, a atividade solar vem se comportando de maneira turbulenta, e a previsão dos físicos é que tal padrão tenda atingir o seu ápice no fatídico ano de 2012.

3. As tempestades na Terra, tais como os furacões Katrina, Rita e Wilma, relacionam-sItálicoe diretamente com as tempestades no Sol.

4. O campo magnético da Terra, uma defesa inicial contra a radiação solar prejudicial, começou a ser rompido com fraturas do tamanho do Estado da Califórnia, e talvez haja uma inversão polar de consequências catastróficas para o planeta.

5. Geofísicos russos afirmam que o Sistema Solar entrou numa nuvem de energia interestelar, desestabilizando o Sol e a atmosfera de todos os planetas – inclusive o nosso.

Itálico
6. O supervulcão Yellowstone, inativo há 700 mil anos atrás, está prestes a entrar em erupção. Em um evento semelhante, no lago Toba na Indonésia, há cerca de 74 mil anos atrás, levou à extinção de quase 90% da vida na Terra naquele momento.

7. Outros sistemas divinatórios como o I Ching, a teologia hindu e as crenças xamânicas também indicam 2012 como um turning point na história da humanidade.

8. Determinados ramos mais radicais das religiões monoteístas – a saber, o judaísmo, o cristianismo e o Islã – estão numa corrida desenfreada para precipitar o Armagedom – a Batalha do Juízo Final…

Que medo!!!

Por via das dúvidas, assinalei na minha agenda no funesto dia o seguinte epíteto: Fim dos Dias!!!

AINDA O BRASIL NA MODA (2)

Ainda no embalo do post anterior, vejam só que a Madonna virou “arroz de festa” aqui no Rio de Janeiro, e o Cristo Redentor é uma das maravilhas mundiais sumariamente destruídas no filme-catástrofe 2012, recém-estreado nos cinemas brasileiros, cuja trama é baseada na profecia apocalíptica do fim do mundo prevista no calendário maia.

Definitivamente, o Brasil está na crista da onda! Para o bem e para o mal…

AINDA O BRASIL NA MODA

É meus caros leitores, não bastasse a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos, a Gisele Bundchen, o apagão dessa semana que termina e o fato do Lula ser “o cara” (essa não, Obama!), a cada dia que passa a mídia mundial presta uma atenção cada vez maior ao nosso longínquo e afastado paraíso tupiniquim. Será que estamos definitivamente deixando de ser periferia para adentrar ao mainstream? Serpa que estamos nos tornando cools?

Para que os meus críticos leitores possam ter uma idéia do que eu estou a falar, a edição dessa semana do prestigiado e respeitadíssimo periódico britânico The Economist traz um dossiê analítico de 16 páginas sobre o Brasil. O meu aluno e atento leitor Gustavo Léo, da FGV de Botafogo, gentilmente passou por e-mail tal material, e pude perceber a partir de uma breve leitura que o dossiê analisa os motivos da atual proeminência econômica, financeira, social e cultural do Brasil no mundo globalizado.

Antes que façamos um Carnaval fora de época (na Bahia, diga-se de passagem, isso não existe!) e decretemos feriado nacional por uma semana, o dossiê é crítico e não esconde as mazelas de nossa sociedade, bem como da nossa economia e do nosso mal-afamado sistema político. ApJustificaresar disso, nota-se que o saldo é bastante positivo…

Sendo considerado o país que melhor resistiu ao teste de fogo imposto à economia mundial no final do ano passado, o Brasil entrou definitivamente na rota de interesse de investidores, pesquisadores e intelectuais do mundo todo pelos seguintes motivos: em primeiro lugar, a economia brasileira vem crescendo nas últimas décadas de forma consistente à taxas de 5% ao ano; em segundo lugar, é um dos maiores exportadores mundiais de commodities agrícolas e minerais, saciando a “fome” de gigantes como a China; terceiro, apesar dos nossos políticos-parasitas, é uma democracia consolidada sem conflitos étnicos ou religiosos de monta, nem é cercado por vizinhos hostis – tirando o “mala sem alça” do Hugo Chávez –, diferentemente de seus parceiros de BRIC como Rússia, China e Índia.

Além disso, é um porto seguro para os investidores estrangeiros, com marcos regulatórios e mecanismos de proteção consolidados, e vem apresentando uma melhoria significativa de seus indicadores sociais, dado o processo consistente de aumento do poder aquisitivo das famílias e de consumo por parte das classes econômicas menos favorecidas – as famosas classes C e D, que tanto falamos aqui no PRAGMA. Por fim, o Brasil possui um presidente proveniente dessas camadas mais pobres da população, de origem humilde e de baixa escolaridade, mas que é uma liderança política de esquerda porém pragmático, em comparação aos seus famigerados colegas de América do Sul. É por todos esses motivos que o Nosso Líder é visto com charme e simpatia por todas as lideranças políticas mundiais – o cara se dá ao luxo de conversar com Israel e o Ahmadinejad!!! Vocês querem o que mais?

Ou seja, queiramos ou não, gostemos ou não do Presidente Lula, nós estamos na moda! O que vai acontecer a partir daí, no entanto, só Deus sabe…

Enquanto isso, no ano que vem, em pleno ano de Eleição Presidencial, estréia o filme do Fábio Barreto: Lula – O Filho do Brasil. É mole ou querem mais???

A ATIVIDADE HUMANA E A TEORIA DO "FLOW"

novembro 11, 2009 5 comentários
No último mês, venho focando as minhas energias – ou tentando concentrá-las melhor! – em minha recente pesquisa a respeito dos jogos virtuais e seus impactos para a questão da construção e regulação da subjetividade. Este é um tema instigante, e que desperta a minha atenção desde o meu Doutorado em Psicologia, concluído no ano de 2000 na PUC-Rio, e que estou tendo a feliz oportunidade de retomá-lo aqui na Uerj com a formação de um projeto e um grupo de pesquisa bastante interessante e motivado e esse respeito.

Dentro das pesquisas que venho fazendo sobre a literatura sobre games, a referência a uma teoria a respeito da experiência subjetiva que ocorre na mente dos gamers é onipresente. Trata-se da teoria do “flow” – em uma tradução livre, algo como “fluxo” ou “estado de imersão” -, proposta pelo psicólogo norte-americano de origem húngara e professor da Universidade de Chicago Mihaly Csikszentmihalyi (pronuncia-se como “chick-sent-me-high”). Sua interessante teoria aborda o estado mental de um indivíduo engajado em uma atividade qualquer onde encontra-se complementamente focado, envolvido e energizado – tal como acontece nos jogadores de games. Para ele, estas são as características de uma atividade produtiva de “flow”:

1. Prontidão para a atividade.

2. Foco na atividade.

3. A atividade precisa ter metas claras.

4. A atividade precisa ter um feedback direto.

5. O indivíduo experimenta uma sensação de controle da atividade.

6. Suas preocupações e aborrecimentos desaparecem.

7. A experiência subjetiva de tempo é alterada.

Além disso, Csikzentmihalyi (nomezinho difícil esse, heinm?!) afirma que a experiência de “flow” está diretamente relacionada ao Desafio que a tarefa impõe e as Habilidades do indivíduo requeridas para tal. Quando o Desafio é maior do que a habilidade do indivíduo, o seu estado mental é de ansiedade seguida de frustração, levando-o a abandoná-la. Caso contrário, quando o Desafio é menor do que a sua habilidade, o indivíduo acaba enfadado e de “saco cheio”, levando-o também a abandoná-la.

Logo, a chave para a manutenção de um estado psíquico de “flow”, segundo o autor, é a busca de uma atividade que possa balancear estas duas variáveis, e que acabe proporcionando ao indivíduo uma situação que simultaneamente proporcione envolvimento e diversão, sem que o mesmo perceba a passagem do tempo. Evidentemente, tal experiência ocorre com bastante frequência em gamers quando estão em plena situação de imersão no jogo.

Em decorrência disto, divertir-se é o resultado direto de uma experiência de “flow”, produto de uma combinação fecunda entre o Desafio imposto pela tarefa e as Habilidades que o indivíduo possui. Bem entendido, a experiência de “flow – fun” (“fluxo – diversão”) pode ser obtida não apenas em situações lúdicas (seja individualmente ou em grupo, real ou em situações virtuais), mas também em atividades produtivas (trabalho e estudo), nas interações sociais cotidianas (reais e virtuais) e nas atividades de consumo. A chave para a superação dos males da contemporaneidade – leia-se, as sensações de enfado, de ansiedade e de frustração – passa pela promoção de estados de “flow-fun” cada vez mais instigantes, intensos e recompensadores.

Costumo dizer em minhas aulas que o sonho de qualquer professor é ter alunos tão interessados, energizados, motivados e participativos quanto os observados quando estes estão jogando, navegando na rede, teclando no MSN ou simplesmente alimentando suas redes sociais físicas e virtuais. Será que é possível criar situações educacionais que possam despertar nos alunos esses estados psíquicos?

E os meus leitores? O que acharam desta teoria? Será que vocês já tiveram esse tipo de experiência de “flow – fun” acima descrita? Elas são frequentes ou esporádicas? Em quais situações de suas vidas elas mais ocorrem?

Desculpem a série de perguntas, mas sou deveras curioso e instigado por estas questões. Logo, os comentários dos meus queridos e indulgentes leitores serão de extrema valia para a pesquisa que estou iniciando…

EU NÃO QUERIA FALAR SOBRE ISSO, MAS…

novembro 10, 2009 2 comentários

Os meus leitores que me acompanham a mais tempo podem estar estranhando a longa ausência de notícias sobre futebol aqui no PRAGMA, e mais especificamente, sobre o Flamengo – O Mais Querido do Universo. Afinal, após a humilhante vitória imposta sobre o Galo (quem?) em pleno Mineirão, com o Pet jogando horrores, o Adriano rompendo o lacre das defesas adversárias e o time no G-4, esse Escriba deveria estar nas nuvens! Correto?

Vejam o quão irônico é o futebol…

In my humble opinion, o atual time do Flamengo é bem mais fraco do que os dos anos anteriores. No entanto, o time tem se provado competitivo nesta reta final do Campeonato Brasileiro de 2009, e periga do Flamengo ganhar o caneco. Afinal, como afirma a filosofia popular, o Mengão é um clube que cresce no final de qualquer competição, e a torcida pode empurrar o time até lá!

Confesso que me darei o direito de reservar uma postura de silêncio obsequioso até onde eu puder – e o meu fanatismo rubro-negro me deixar! Mas que o sacode sem dó nem piedade que aplicamos no Galo em plena casa do adversário tem a pinta de campeão, ah isso tem!

Por enquanto, estou só observando! Mas, confesso, estou adorando! E muito…