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SESSÃO DE CINEMA – "AMOR SEM ESCALAS"

janeiro 28, 2010 3 comentários


“Amor sem Escalas” (Up In The Air, 2009), do diretor norte-americano Jason Reitman – o mesmo do inteligente “Obrigado por Fumar!” e do belíssimo “Juno” – é o típico caso de um título ridículo que esconde uma excelente história. Ou seja, muita gente entra no cinema achando que vai ver uma comédia romântica do tipo “água-com-açúcar”, e acaba se deparando com um filme denso, metafórico e profundamente existencial, porém sem ser chato ou demasiado filosófico.

O roteiro, baseado no livro homônimo de Walter Kim, é baseado na rotina de Ryan Bingham (George Clooney, numa excelente interpretação). Ele é um profissional das más-notícias, isto é, um “pau mandado” contratado para exercer o pior dos ofícios humanos: demitir pessoas da maneira mais profissional e cirúrgica possível evitando, assim, processos judiciais prolongados e onerosos à empresa contratante. Ou seja, trata-se de um típico anti-herói que desperta a antipatia de qualquer espectador que tenha um pouco de sangue correndo em suas veias…

No entanto, apesar do ofício cruel, Bingham é um personagem deliciosamente interessante. Seu estilo de vida baseia-se em uma filosofia existencial no mínimo exótica, ancorada no conceito de desapego afetivo à pessoas, objetos ou qualquer coisa que possa imobilizar ou comprometer a liberdade de movimentos. Além disso, nas horas vagas, é um palestrante motivacional de relativo sucesso, cuja apresentação intitula-se “esvaziando a mochila”, onde ele advoga sua filosofia da pura mobilidade existencial em troca do mínimo envolvimento possível. Como ele vive viajando de avião sem parar (qualquer semelhança com esse Escriba que vos fala não é mera coincidência!), seu objetivo de vida é um só: acumular o maior número de milhas possíveis nos inúmeros programas de fidelidade nos quais ele é cadastrado: hotéis, companhias aéreas, restaurantes, locadoras de automóveis and so on. Sua vida se resume a uma mera atividade de coleta de pontos sem qualquer objetivo mais concreto ou palpável, pelo menos em um exame inicial…

Sua vida é um eterno frêmito, o de pular de cidade em cidade, entrar e sair de aviões (daí o título da película), demitir pessoas sem dó nem piedade – sempre ouvindo os maiores desaforos e impropérios -, sem perder o sorriso debochado e auto-comiserativo de seu rosto. Seu grande barato é colecionar milhas, cartões de fidelidade, entrar em guichês preferenciais e usufruir dos “mimos” que tais empresas oferecem aos pobres-coitados que passam grande parte das suas vidas em trânsito – como diria o antropólogo francês Marc Augé, em não-lugares

Como numa das cenas do filme, o protagonista se vangloria de ter passado 342 dias viajando, e apenas 23 “miseráveis” dias no tédio de sua casa…

No entanto, a vida da personagem sofre uma reviravolta quando duas mulheres cruzam o seu destino: a jovem e ultra-competitiva executiva Natalie Keener (Anna Kendrick, numa interpretação hilariamente histriônica e afetada), que ameaça o seu emprego ao criar um novo método de demissão, e a independente e auto-suficiente Alex Goran (Vera Farmiga), uma versão de “saias” de Bingham, que assina embaixo da sua cartilha de mobilidade, desapego e descompromisso total.

A despeito dos diálogos geniais eivados de humor sardônico e altamente corrosivo – uma marca do diretor, diga-se de passagem -, “Amor sem Escalas” é um filme sério, um retrato extremamente grave e pesado dos impactos da crise financeira global do final de 2008 na vida corporativa norte-americana. A quantidade de demissões, via processos de reestruturaçao corporativa, provoca enormes impactos na vida dos demitidos – coisa pouco dita e explorada em um mundo onde se dá ênfase apenas ao sucesso, onde pessoas são comparadas à tubarões, e o fracasso sempre é visto como uma fraqueza de caráter, um indicativo de falha moral. As inúmeras falas das personagens na parte final do filme chamam a atenção do espectador para esse momento, um dos momentos mais graves da recente história econômica norte-americana.

Além disso, a película é uma bela reflexão acerca do estilo de vida difundido pelo capitalismo contemporâneo, baseado única e exclusivamente no sucesso material, da ode à ultracompetição que marca a vida corporativa, somada ao individualismo elevado à enésima potência que inviabiliza qualquer tipo de relacionamento – seja ele amoroso, afetivo ou pessoal – mais duradouro e consistente.

Em resumo, “Amor sem Escalas” é uma história de vidas em altíssima rotação, que quase nunca se tocam, onde não há espaço para remorsos, auto-comiseração ou qualquer outro tipo de amarras sentimentais. É uma história de sonhos desfeitos, de encontros inesperadamente amargos, onde indivíduos são demitidos por vídeoconferência, relacionamentos são desfeitos a partir de mensagens de texto de celular, pessoas são motivadas a não se apegarem à nada e à ninguém. Daí, a metáfora da mochila vazia que tanto encanta, envolve e atormenta o nosso protagonista…

Como eu falei no início desse post, trata-se de um filme belíssimo, denso, onde a imensidão dos quartos e lobbies de hotéis, os enormes vãos de concreto das salas de embarque dos aeroportos, os toques de celular, as poltronas de couro da classe executiva, os carrões destinados aos campeões dos programas de fidelidade, tudo isso pode ser entendido como um simples mecanismo de escape da solidão, representada por um solitário drinque bebido em um bar vazio, uma insônia em uma enorme cama vazia, em direção a uma vida sem viço onde a correria do cotidiano serve apenas para nos lembrar o quão a nossa vida se esvai pelos nossos dedos, como grãos de areia em uma praia isolada e distante.

Desculpem o pessimismo meus complacentes leitores, mas o envelhecimento traz, além de sabedoria, medo, tristeza e desesperança. Aliás, essa última sempre foi minha companheira, e sinto que ela vem se agigantando nos últimos tempos. Sign o’ the times…

“Amor sem Escalas” é um filme sobre encontros e desencontros, sobre o quanto a vida pode ser fútil, e o quanto é insustentável um projeto existencial baseado na insuportável leveza do ser. É ver para rir, para chorar, para se emocionar e, principalmente, para se refletir sobre a nossa atual condição existencial. Sobre como um sem número de indivíduos constrói as suas vidas a partir do mais puro e simples hiato, dos interstícios entre as inúmeras ausências que teimam em aparecer em nosso horizonte de expectativas. Aliás, existe coisa mais bela e reflexiva do que a beleza de um lago parado, inerte, imóvel?
Categorias:Arte, Cinema, Entretenimento

TALK ABOUT THE iGENERATION

janeiro 26, 2010 1 comentário

Uma das características da Sociedade do Conhecimento é o excesso de informação, produzido e disponibiizado a partir do uso intensivo das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). Esse acúmulo de informação não apenas desperta nos individuos um sentimento de obsolescência genrealizada, mas também proporciona uma profunda experiência de descartabilidade de informação, aumentada pela aceleração e liquefação do cotidiano. Utilizando um jargão que é muito comum nas hostes do marketing, o ciclo de vida de qualquer informação está se tornando ridiculamente mais curto. E a saída para a commoditização de qualquer produto, inclusive a informação, é apenas uma: inovação, inovação e inovação!

No que toca a essa questão, muitas empresas estão investindo pesado na criação de novos aparelhos e plataformas que possibilitem a produção, consumo e difusão dessa informação cada vez mais commoditizada. Por exemplo, os netbooks – minicomputadores que se situam a meio caminho dos notebooks, tablets e smartphones – se tornaram a sensação para quem almeja mobilidade sem limites. Nesse mesmo caminho, muitas empresas apostam no conceito de mobilidade atrelado aos smartphones – o iPhone da Apple, o BlackBerry da RIM e o recém-lançado Nexus, do Google, são alguns exemplos -, e o futuro aponta para o crescimento exponencial do tráfego de dados pela internet a partir de telefones celulares e os seus gadgets inteligentes. O que importa agora não é apenas uma design atraente e elegante, uma tela touch screen e uma câmera com zilhões de megapixels, mas também um aparelho que possibilite ao usuário estar conectados a mais diferentes redes sociais virtuais e às ferramentas de comunicação instantânea.

Na outra ponta do espectro de inovação, os e-readers ganham força com o lançamento da nova versão do Kindle (Amazon), e de seus rivais como o Nook (Barnes & Nobles), o Reader (Sony) e o Cool-er (comercializado no Brasil pela livraria virtual Gato Sabido). Apostando na convergência entre notebooks, netbooks, smartphones e e-readers, a Apple (sempre ela!) estará lançando amanhã o seu tablet, e promete criar mais um novo “oceano azul” de mercado – assim como o fez com o iPod e o iPhone. Enfim, a quantidade de inovações para possibilitar o maior acesso dos consumidores à grande rede deve crescer em muito nos próximos anos, e certamente as nossas formas futuras de acesso ao conteúdo digital deverão ser completamente diferentes das que atualmente dispomos.

Mas, qual o impacto dessa avalanche de inovações nos indivíduos? Além dos sentimentos de obsolescência e descartabilidade, podemos mapear outros tipos de impactos que as inovações tecnológicas proporcionam nos seus usuários?

Em artigo publicado na edição do domingo passado no Estado de S. Paulo, o articulista Brad Stone (do The New York Times) discute que uma das implicações mais significativas dessa avalanche de informações não é apenas o de acelerar a ruptura generacional, mas também o de proporcionar “fraturas” ou “microrupturas” dentro de uma mesma geração – isto é, o de criar uma série de hiatos entre microgerações.

Por geração, entendemos ciclos civilizacionais maiores, cuja duração varia de 10 a 20 anos. O conceito de geração foi criado por demógrafos, cientistas sociais e profissionais de marketing, cujo objetivo era o de descrever clusters de consumidores que compartilhavam determinadas características atitudinais e comportamentais peculiares, e que facilitassem tanto a segmentação de mercado quanto a mensuração do potencial de consumo desses mercados específicos. O conceito de geração facilita em muito o trabalho de segmentação de mercado, bem como o trabalho de criação e desenvolvimento de um produto específico, além de seu respectivo posicionamento. Daí, a nomenclatura que até hoje seduz e encanta esses profissionais, e que estão presentes em suas apresentações em Power Point. Afinal, estamos diante dos Boomers, dos Xers, da geração Y, da Net Generation

Em seu artigo, Stone afirma que a ruptura entre as microgerações dar-se-ia a partir da criação e difusão dessas novas tecnologias. Por exemplo, a minha geração – identificada como Migrante Digital, composta por indivíduos que só tomaram contato com os computadores e a internet durante o início de sua vida adulta – teria uma dificuldade muito maior de lidar com a telefonia móvel e as redes sociais, por exemplo, algo que seria absolutamente corriqueiro para a Geração Net. No entanto, continua Stone, a criação ininterrupta de novos gadgets tecnológicos proporcionaria a aceleração dessas ruptura dentro de uma única geração – nesse caso específico, dentro do grupo dos Nativos Digitais ou Geração Y, composta por indivíduos que tomaram contato com as TICs e a internet durante o final da infância e o início da adolescência.

A visão de mundo das crianças mais novas, certamente, será plasmada por essas novas tecnologias como os smartphones, o Skype, os tablets e e-readers, assim como as redes sociais como FaceBook e Orkut – além, é claro, dos joguinhos virtuais como Colheita Feliz e Farm, que são o atual vício da criançada, da molecada e até mesmo de adultos jovens. Coisa que, por exemplo, para a minha geração não faz o menor sentido!

Diferenças de três a quatro anos entre irmãos estão se agigantando em função da difusão dessas novas tecnologias. Em minhas turmas, é muito comum o relato dos meus alunos, recém-saídos da adolescência, de não entenderem o comportamento de seus irmãos mais novos. Por exemplo, uma das alunas que integra o meu grupo de pesquisa não consegue entender como o seu irmão adolescente passa horas a fio na frente do computador, jogando RPGs on-line do tipo multiple players

Isso fica claro quando pais e filhos, ou então irmãos mais velhos, estabelecem interfaces com os mais jovens. Para uma criança, uma tela de toque do tipo touch screen é algo absolutamente natural aos seus olhos, e não raro estas são pegas passando o dedo nas telas dos notebooks dos seus pais, esperando algum uma reação que se assemelhe a obtida quando navegam na rede em seus iPhones

A título de ilustração, segundo estudo da Pew Research, adolescentes não apenas enviam mais mensagens de texto do que os jovens adultos (68% contra 59%), como também têm uma maior predisposição a jogar jogos online em comparação a estes últimos (78% contra 50%).

Tal ruptura levou os pesquisadores a estabelecer uma diferença entre a Geração Net (nascida nos anos 1980), e a iGeneration (os nascidos entre as décadas de 1990 e 2000). E as rupturas entre eles são consideráveis. Neters são usuários intensivos de e-mails e de telefones celulares, enquanto os integrantes da iGeners preferem programas de comunicação instantânea (MSN, Google Talk, e o recém-nascido das cinzas ICQ) e as redes sociais, do que escrever e enviar e-mails (algo absolutamente em desuso, e que o próprio Google está tentando suplantar com o lançamento de sua plataforma Wave). Além disso, esses últimos possuem um senso de urgência e instantaneidade agravado pelo ritmo frenético da inovação tecnológica. Não é à toa que um dos maiores ícones do iGeners é o Twitter: seus tweets são curtos, rápidos, breves, econômicos e instantâneos…

As características marcantes da iGeneration, além dos sensos de urgência e instantaneidade, são: a impaciência frente a qualquer tipo de obstáculo, demora ou atraso; a incrível capacidade multitarefa (a que permite ao iGener realizar várias coisas ao mesmo tempo como, por exemplo, navegar no Google, twittar, bater-papo no MSN, baixar uma música e jogar Warcraft online, tudo ao mesmo tempo); e a necessidade premente de socialização e de exposição de sua privacidade no meio digital.

Essa geração, certamente, utiliza as TICs – e principalmente, as redes sociais – como veículos de expressão de seus pontos de vista e opiniões, customizando a sua experiência no uso dessas ferramentas. Se as gerações mais velhas utilizavam as cartas e os livros como veículos de expressividade de suas crenças, valores, gostos e opiniões, os iGeners preferem outras ferramentas de expressão e de veiculação como o Twitter, o FaceBook, o MySpace, o MSN, o Orkut, os blogs, os fotoblogs e os podcasts. São as TICs a serviço dos vetores subjetivos de expressividade e de individualização. E quem diria que a tecnologia poderia ser expressiva, e não homogeneizante e misantrópica?

Enfim, estamos diante de uma geração que está cada vez mais conectada o tempo todo, e que também é extremamente versátil, criativa, expressiva, porém impaciente, irritável, dispersa e com una noção absolutamente fluida e permeável de privacidade.

Quem analisa tecnologia e seus efeitos, como esse escriba que vos fala, sabe que ela traz coisas boas e ruins ao mesmo tempo, implica em ameaças e oportunidades. E, mais do que isso, quem foi que falou que nós podemos escolher apenas a parte boa do pacote? Infelizmente, ou se leva o pacote inteiro, com o que há de bom e ruim inclusive, ou então não se leva nada… ou pior, se joga fora a água de banho com o bebê junto!

Um conselho para quem quer se aventurar na seara desse tipo de questão: No pain, no gain!

UN BAILAR A DOS…

“Viver é mesmo um profundo exercício de auto-ilusão”, pensava ele, folheando os dedos por entre amareladas folhas de papel com garatujas escritas com o frêmito da inspiração – algo um tanto o quanto antiquado, dado os tempos de crescente digitalização de tudo. “Auto-ilusão ou auto-engano?”, ponderava… Afinal, são tantas siglas – iPods, ebooks, Xboxs, netbooks, smartphones, tablets – inventadas apenas para confundir o banal, para retirar o simples prazer de riscar com arte e engenho uma nota, uma simples observação, um mero apontamento, que fica marcado para sempre na alva folha dos seus pensamentos…

Não que fosse um tecnófobo daqueles de quatro costados, que encontrava sempre pelos corredores da universidade; pelo contrário, era um amante dos gadgets, das parafernálias, das traquitanas e engenhocas digitais que o faziam sentir superar, mesmo por ínfimos instantes, a inexorável marcha da obsolescência, da antiguidade, do envelhecimento. Too old to rock’n’roll, too young to die…

Era um aficcionado pela vicissitude das telas e das interfaces: quanto menores, melhores; quanto mais elegantes, mais sofisticadas o eram, quanto mais brilhantes, mais encantado ficava. Ao deslizar os dedos por entre elas, aumentando e diminuindo os tipos, clicando e arrastando textos, imagens e sons, mais se sentia em comunhão com o mundo, com as pessoas, com o universo… Mesmo que, nesse caso, estivesse sozinho em um modesto quarto de hotel, tragando um gole de bebida barata que o ajudava a liberar as teclas da inspiração, prontamente digitadas num frenesi que beirava a exaustão.

Aliás, elas, as interfaces, lhes eram definitivamente a sua maior companhia, posto que o deserto emocional que há muito habitava em sua alma tinha solapado o sonho de qualquer relação possível, seja de amizade ou de amor, seja de paixão ou de encantamento. Vivia para si e por si, numa profunda inflexão existencial até que tal suspensão pudesse ser interrompida pelo alvorecer de um novo dia…

Adorava a combinação entre música e dança, bem como sua relação deliciosamente tensa com o sexo feminino – para ele, o verdadeiro interdito. Apreciava belas melodias, mas sua frustração era não tocar nenhum instrumento. Admirava o sincronismo de um pax de deux, a introspecção de um entrelaçar de mãos, mas também não sabia dançar. Era absolutamente apaixonado pelas mulheres – que eram poucas em sua vida, diga-se passagem, mas profundamente marcantes, densas, definitivas, a ponto de deixar enormes cicatrizes que teimavam em sangrar, sem parar, no seio de sua alma. Em suma, era um admirável inepto nas artes do amor, do corpo e da alma. Mesmo assim, ele tentava, se esforçava, tropeçava e se soerguia para, um instante depois, compreender que o relacionamento entre um homem e uma mulher assemelhava-se ao traçado de duas retas em paralelo, que encontrar-se-iam no infinito…

Mulheres, música e dança – não necessariamente nesta ordem de importância – lhes eram o combustível essencial contra o embrutecimento do ser, dado o seu irredutível caráter misantrópico. Não raro, era comum imaginar a mulher da sua vida dançando sensualmente pela sala da sua casa, inebriada pela sublime melodia de uma música perdida, e que ele teimava em ouvir todas as vezes que se encontrava absolutamente encantado, definitivamente enfeitiçado. Afinal, mulheres são seres das brumas, e que emergem do nevoeiro apenas para tragar-nos de volta!

Apesar de só naquele quarto vagabundo de hotel, não se sentia só: pelo contrário, estava rodeado de figuras femininas que dançavam lascivas coreografias, num memorável desfile de contradições, gestos, passos e olhares que só ele era capaz de entender em toda a sua plenitude. Como sempre acontecia todas as vezes que se deparava com as mulheres de sua vida…

De repente, ouviu ao longe uma suave melodia, melancólica como o material dos seus sonhos, e que lembrava um tango. Bem entendido, não um tango tradicional, daqueles compostos pelo gênio e a maestria de um Gardel ou de um Piazzolla. Era um tango estranhamente moderno, eivado de sons eletrônicos, mas que deixava emergir o inconfundível som de um bandonéon, que recitava sofregamente suas notas, uma por uma, sempre lembrando o quão bela deve ser a tristeza…

Uma voz feminina – adorava vozes femininas – sussurava lentamente ao seu ouvido, um fraseado sensualmente lânguido:

“En el mundo habrá un lugar, para cada despertar, un jardin de pan e de poesía”…

Imaginou um casal de bailarinos a bailar em uma antiga e recôndita casa, com móveis de madeira velhos e um piso de granito alvo. Ela, de meias pretas e com uma saia profundamente decotada, deixando entrever o insinuante jogo de pernas que tanto embalava os seus sonhos mais sensuais. O vermelho de sua boca combinava com a alvura de sua pele, num jogo de contrastes que se insinuava cada vez mais conforme crescia em tensão e dramaticidade a música. Ele, por outro lado, impecavelmente vestido com um paletó negro, imponente, majestoso, insinuante, com o olhar fixo nos olhos, na boca e na cintura de sua consorte, como se dissesse: “Agora, tu és só minha, para toda a eternidade”. A voz sussurante teimava em adoçar os seus pensamentos:

“Porque puestos a soñar, facil es imaginar, esta humanidad en harmonía”…

O casal se entrelaçava ao som do ritmo, marcadamente dramático, tal como é a vida, o amor, o sexo e a morte. A tristeza do dia-a-dia, o desencantamento com o mundo, o inexorável peso das relações humanas, tudo isso parecia suspenso em brumas, conforme o casal bailava desenvolto. Suas pernas se entrelaçavam, suas mãos envolviam delicadamente a cintura da dama de negro, num amplexo que nunca mais pudesse ser desfeito. Olhos nos olhos, as bocas quase se tocando, e o fraseado do bandonéon a embalar os seus sonhos de amor e de plenitude.

Definitivamente, naquele momento o seu caminho se confundia com o da sua amada, eram um só, numa matemática do impossível, na aritimética intricada do 2+2=1, que teimava em questionar a maldição das retas paralelas que se encontram-se no infinito – este último sempre em eterna suspensão…

“Vibra mi mente al pensar, en la possibilidad, de encontrar um rumo diferente”…

Ambos os amantes-bailarinos teimavam em questionar a mais óbvia certeza de todas, a de que nascemos e morremos sós, e que qualquer relacionamento é uma simples tentativa de driblar essa sina – como se fosse possível aplacar a ira dos deuses, que desaprovavam a nossa teimosa irredutibilidade narcísica. Ela, com um anel negro de cristal, que pretensamente a protegia dos deslizes e das inconsistências da vida, isolando-a dos males, das pessoas e das decepções. Ele, olhando fixamente para os seus olhos, esperando o momento em que os seus lábios pudesse tocar os dela, quebrando assim o encanto e a teimosia que cercavam a ambos. Será que nós tangenciamos a vida das pessoas, ou então são elas que acabam por nos tangenciar?

“Para abrir de par en par, los cuadernos del amor, del gauchaje y de toda la gente”…

A auto-ilusão que sustenta os fantasmas da nossa vida pode sim ser suspensa, mesmo que por um breve instante, pela sublime sensação do amor. Pois é aí, e somente aí, é que a mônada nossa de cada dia, que nos isola e nos protege, pode ser superada pelo risco da abertura ao outro. Tudo isso graças o mais sublime dos estados d’alma, que é a deliciosa sensação de perder o controle e de ser arrebatado pelos sentimentos mais lascivos da incompletude e do vazio que o outro nos desperta e nos alimenta.

Ser seduzido e insinuar a sedução, eis o mistério de todas as coisas! Para isso, há de haver um decisivo querer, um abrir-se peremptório, um se permitir definitivo, um romper com o tétrico encanto do negro anel, possibilitando que haja um instante de trégua, mesmo que fugaz e fugidio, a fim de que dois amantes apaixonados enfim possam suspender o tempo, e torná-lo eterno a sua vontade – tal como os dois bailarinos que se entreolham apaixonadamente, mesmo sabendo que daqui há pouco a música que os embala irá acabar, e ambos retornarão para o pétreo conforto de seus hiperbólicos eus…

“Qué bueno che, que lindo és, reírnos como hermanos, porqué esperar para cambiar de murga y de compas”…
Categorias:Meus contos, Pensamentos

M-LEARNING E EDUCAÇÃO CORPORATIVA

janeiro 20, 2010 2 comentários

O assunto é polêmico, eu sei, mas é um fato que a cada ano que passa mais e mais pessoas tomam contato com uma nova modalidade educacional que se baseia na mediação pela tecnologia, seja sob forma de cursos curtos, de extensão, de atualização, ou até mesmo graduações e pós-graduações. Apesar de ter repetido inúmeras vezes aqui no PRAGMA de que a Educação Mediada pela Tecnologia – prefiro esta nomenclatura, pois não gosto muito do termo EaD (Educação à Distância), consagrado pela literatura e pelos pesquisadores, mas que se tornou sinônimo de “picaretagem educacional” – não irá substituir a Educação Presencial, mas sim complementá-la, o fato é que esse tipo de modalidade educacional é um fait accompli. Questioná-la é apenas “dar murro em ponta de faca”, e virar as costas para ela significa perder a conexão com a nova leva de alunos que transita pelas TICs de maneira íntima e até mesmo habitual. Nós os chamamos de nativos digitais.

Só nos Estados Unidos, o mercado de e-learning cresceu US$ 16,7 bilhões em 2009, podendo chegar até a astronômica cifra de US$ 23,8 bilhões em 2014, segundo dados da consultoria Gartner. Tudo isso sustentado por uma demanda que cresce em média 7,4% a cada ano.

No Brasil, algumas empresas vêm também acompanhando a tendência mundial, isto é, a de um crescimento significativo. A paulista Ciatech atingiu o faturamento de R$ 16,5 milhões em 2009. A carioca e recém criada Affero – fruto da fusão entre EduWeb, QuickMind e Milestone – teve uma receita de R$ 20 milhões também no ano passado. A mineira webAula atingiu, no mesmo período, um faturamento de R$ 10,7 milhões – um crescimento de 100% nos últimos dois anos.

No entanto, o mais interessante disso tudo é o crescimento da modalidade m-learning (mobile learning) – a educação baseada em plataformas de conteúdo desenvolvidas para smartphones, tablets e e-readers – especialmente no âmbito da Educação Corporativa. Empresas como a Fiat e o Banco Votorantim estão implantando iniciativas de treinamento de seu corpo de colaboradores utilizando plataformas desse tipo, direcionadas tanto para a sua força de vendas quanto para funcionários dos escritórios fora do horário regular de trabalho.

Ambas as empresas estão desenvolvendo cursos tanto para plataformas web quanto para plataformas móveis, sendo que nessas últimas algumas adaptações precisam ser feitas, tais como: os textos devem ser mais breves, adotando o padrão twitter; o conteúdo deve utilizar vídeos curtos, a fim de despertar o interesse no aluno; e, cada aula deve durar de 15 a 30 minutos, em média.

Atualmente, segundo dados das próprias empresas brasileiras do setor, o m-learning representa apenas 5% do faturamento total dos cursos desenvolvidos, mas a tendência é de um crescimento maior em um cenário de médio a longo prazo. Isso se justifica pela maior flexibilidade das plataformas baseadas em telefonia celular, a capilaridade dos próprios aparelhos e, a maior delas, a mobilidade – afinal, o lema é: anywhere, anytime, anyplace…

Com a série de eventos vindouros – Copa do Mundo e Olimpíadas – além dos investimentos em infra-estrutura, a tendência é que a Educação Mediada pela Tecnologia seja um nicho de mercado em franco crescimento nos próximos anos. A despeito das diatribes enviesadas de xiitas, sindicalistas e neoluditas que enxergam em qualquer avanço tecnológico o sinal do fim dos tempos.

Avatar neles!!!

NEUROMARKETING "BRAZUCA"

janeiro 10, 2010 2 comentários
Uma das questões mais prementes no Brasil, no que toca à questão da inovação, é a baixa integração entre a iniciativa privada e as universidades (sejam elas públicas, privadas ou confessionais), e os seus respectivos centros de pesquisa.

Isso se deve em grande parte a uma gama complexa de fatores, que podem ser resumidos em única palavra: “miopia” de ambos os lados. Miopia por parte do empresariado, que concebe as universidades como instituições retrógradas, reprodutoras do conhecimento e com uma baixa cultura de inovação por parte dos seus docentes. Miopia por parte das universidades – e, em especial, no caso da universidades públicas -, uma vez que estas entendem as empresas privadas como o verdadeiro “demônio” a ser exconjurado, o inimigo a ser derrotado quando o assunto é o investimento de verbas privadas na pesquisa acadêmica.

Como as universidades públicas são dominadas por uma nefasta e retrógrada cultura sindical, o estabelecimento de qualquer tipo de parceria desse tipo equivale ao fantasma da “privatização” do ensino público, gratuito e cidadão. Daí, nada anda! Haja visto a discussão mal-parada das fundações universitárias, o que por si só dá panos para a manga…

Felizmente, essa mentalidade fundamentalista e tacanhamente sindical está mudando, e a cada ano que passa observa-se um número significativo de parcerias entre universidades e empresas privadas. Isso graças as incubadoras de empresas, a entrada em cena de gestores universitários com a “cabeça” mais arejada e menos radical, além do nascimento de uma cultura empreendedora e inovadora no seio da comunidade acadêmica brasileira.

Um desses exemplos pode ser visto agora. No final de 2009, foram selecionadas nove empresas para integrarem a incubadora de empresas da Coppe (Programa de Pós-Graduação em Pesquisa em Engenharia), situada no campus da UFRJ na Ilha do Fundão. Dentre elas, destaca-se a Forebrain, empresa cujo objetivo é o de empreender pesquisas sobre neuromarketing utilizando o que há de mais moderno nas tecnologias de neuroimagem cerebral.

A empresa nasceu no Laboratório de Neurobiologia do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, um das “jóias da coroa” da prestigiada universidade. Utilizando a expertise acumulada e o capital humano disponível a partir de uma base sólida de pesquisadores, a Forebrain é uma das primeiras iniciativas nacionais a se debruçar sobre uma das áreas mais atuais, polêmicas e controversas da pesquisa do Comportamento do Consumidor.

Fugindo dos métodos tradicionais de investigação do consumidor, tais como os questionários fechados e as pesquisas de observação, o neuromarketing utiliza técnicas sofisticadas de escaneamento do funcionamento cerebral (leia-se, ressonância magnética) a fim de compreender quais áreas cerebrais estão envolvidas durante determinadas situações ou decisões de compra. Ou seja, tecnologia pura…

Fico extremamente feliz com isso, pois o Brasil é também um celeiro de talentos acadêmicos, e não apenas um exportador de talentos em áreas como a moda, o futebol e a música. Afinal, como diria o velho aforisma, está na hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor para o mundo…

O NATAL DO CAFÉ EXPRESSO

Todo o final de ano, o varejo faz as suas apostas no sentido de determinar quais produtos serão os campeões de venda na época das festas de final de ano, a data mais importante para o comércio varejista. Alguns produtos representam a ascensão da classe C e da melhora da qualidade de vida das famílias menos favorecidas. São eles os eletrodomésticos de linha branca (geladeiras, fornos microndas e freezers), os produtos eletroeletrônicos (aparelhos de som, Tvs de LCD, DVDs e câmeras digitais) e os sempre-presentes telefones celulares dotados de acesso à internet e com câmeras de zilhões de megapixels. Qual foi, então, o produto “matador” dos festejos natalinos de 2009?

Surpreendentemente, uma das categorias que mais surpreendeu neste final de ano foi a das máquinas de café expresso, que se tornaram o verdadeiro sonho de consumo dos nossos consumidores.
De janeiro a novembro de 2009, segundo dados apurados pela consultoria GFK, as vendas das máquinas de expresso cresceram cerca de 37% em volume, enquanto as cafeteiras normais (elétricas) obtiveram um crescimento marginal – cerca de 1%.
O espaço para o crescimento desse segmento é enorme, haja visto que apenas 7,5% das cafeteiras vendidas no Brasil são do tipo expresso. No mercado brasileiro, estão presentes as italianas DeLonghi e Saeco e a suíça Nespresso (da Nestlé), além das marcas nacionais.
Um dos fatores que contribui para a expansão destas máquinas, além do refinamento do paladar do consumidor, é o seu barateamento. Por isso, tais “maquininhas” tornaram-se o presente de Papai Noel para várias famílias brasileiras neste final de ano.

AFINAL, O HAITI É AQUI? WTF?


Vivemos um momento particularmente delicado na cidade do Rio de Janeiro onde, em função desta ser a futura sede da Copa do Mundo de 2012 e das Olimpíadas de 2014, há a necessidade premente de maciços investimentos na recuperação e incremento da infra-estrutura urbana, com especial destaque para o transporte urbano de massa – algo pífio e ineficente em uma urbe das dimensões da Cidade Maravilhosa. O tempo urge, afinal dois anos passam “voando”, e é natural que os nossos gestores públicos estejam em polvorosa com o tamanho da tarefa que eles terão de enfrentar. É, meus camaradas, parece que a ficha finalmente caiu…

Há algum tempo que a bandeira – “de direita”, diga-se de passagem – da ordenação da ocupação do espaço público foi absorvida por membros da esquerda, ou então de partidos ditos de esquerda que atualmente ocupam nichos de poder nos governos federal, estadual e municipal. Esse é o caso específico do Rio de Janeiro, onde instalou-se uma combinação perversa e explosiva envolvendo a atividade do narcotráficotráfico, a privatização do poder territorial nas áreas mais carentes por parte de traficantes e de milicianos, além da desorganização do espaço público (favelização e “camelotização” das principais vias urbanas). Tudo isso, é forçoso dizer, com a conivência e a leniência dos atores públicos, que vêem nisso uma tremenda oportunidade para estabelecer “parcerias” que possam expandir os seus “currais eleitorais”. Ou seja, a velha e rançosa questão da exploração da pobreza e do risco social como forma de cabalar votos…

A sanha dessa “urgência urgentíssima” de disciplinação do espaço urbano é representada pela política do “choque de ordem”, a menina dos olhos da recém empossada administração municipal. Nosso atual alcaide, numa política típica de empurrar a sujeira para debaixo da tapete, vem empreendendo uma série de operações pirotécnicas visando coibir diversos comportamentos que infringem o código municipal de posturas. Tais sanções vão desde as infames Operações Lei Seca e diversas blitzes espalhadas pela cidade que visam apreender veículos com o IPVA atrasado (enquanto isso, as nossas ruas estão todas esburacadas, danificando nossas molas, pneus, amortecedores e diferenciais), passando pela proibição dos camelôs que vendem produtos piratas, até a suspensão da comercialização da famosa água de coco in natura (que, dada a grita da população contra tal insanidade, fez com que o alcaide recuasse de tal vil medida). Definitivamente, vivemos tempos à la Simão Bacamarte na Cidade Maravilhosa. Tempos, eu diria, muito difíceis, obscuros, complicados…

Vale lembrar que – tal como o seu grande iniciador na política, ex-prefeito César Maia – o atual prefeito é chegado um factóide daqueles, definido como a assunção de uma medida absolutamente absurda e desmesurada, cujo efeito é desviar a atenção da opinião púbica das verdadeiras questões que assolam a cidade. E estas, que são inúmeras, nem de longe são tocadas pelo atual ocupante do Palácio da Cidade. Uma lista simplória só para constar: transporte público de massa de qualidade, táxi barato para quem quer sair para beber e não dirigir (especialmente em bairros desprovidos de transporte público, como a Barra da Tijuca e Jacarepaguá), ruas asfaltadas e desprovidas de crateras lunares indecentes, estacionamento suficiente para os veículos, iluminação eficaz das vias públicas, atendimento de saúde primária eficiente (a tal das UPAs é outro tremendo factóide), controle do trânsito e uma Guarda Municipal efetivamente ordenadora, e não apenas voltada para a sua vil tarefa de tungar o bolso do pobre do contribuinte com multas, multas e mais multas. Só isso tudo…

Como se isso tudo não bastasse, uma matéria publicada no jornal O Globo de hoje me deu verdadeiros arrepios. O atual Secretário de Ordem Pública, um dos “faxinas” do atual Prefeito e “cabeça” da sanha de multas e de proibições mil na Cidade, anunciou a importação de uma série de equipamentos móveis a fim de otimizar a tarefa de fiscalização das posturas dos munícipes. São torres de vigilância que sobem até 4 metros de altura, munidas de câmeras de vigilância com visão noturna, capazes de filmar até 2 km de distância. Parece que o Big Brother Brasil vai começar antes aqui no Rio…

Antes disso, a Guarda Municipal recebeu do Governo Federal um lote de 20 armas não letais, daquelas que vemos em filmes americanos onde policiais “bonzinhos” imobilizam os meliantes com “leves” descargas elétricas. Como se tudo isso não bastasse, a Prefeitura também está importando três aviões não-tripulados (iguaizinhos aos utilizados pelos americanos e israelenses em suas operações de “Guerra contra o Terror”) de fabricação israelense, que poderão fiscalizar desde manifestações e grandes aglomerações, grandes tumultos, monitorar o aumento da favelização e até mesmo dar suporte às operações das forças policiais.

Sei não, mas daqui há pouco se um aviãozinho desses passar pela minha cabeça, estarei me sentindo em plena Faixa de Gaza, ou nas montanhas de Tora Bora, ou então em Mogadíscio ou no Iêmen. A conclusão que chegamos, há muito tempo aliás, é que a verdadeira “Faixa de Gaza” está bem aqui, e não lá no Oriente Médio!

Desculpem, mas depois desse “papo brabo baixo astral” só me resta tomar algumas cervejas assistindo no DVD o filme Black Hawk Dawn (“Falcão Negro em Perigo”). Afinal, não é proibido beber em casa… ainda, porque qualquer dia desses um “mulá” maluco desses travestido de executor de políticas públicas pode aparecer na cena política enchendo o meu saco na porta da minha casa!