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Archive for julho \29\UTC 2009

700 POSTS!!!

Nossa, nem eu estou acreditando! Quando eu começei o PRAGMA, meio que de brincadeira meio que por curiosidade, não imaginaria que eu conseguiria manter essa dinâmica de postagens. O fato é que, após um pouco mais de 2 anos na rede, eis que esse Escriba que vos fala atinge a marca de 700 comentário aqui nesse diário de bordo virtual!

Gostaria de compartilhar a minha alegria com todos os meus seguidores e eventuais leitores que acreditam no meu trabalho e nas minhas idéias. É por respeito a eles que eu mantenho essa espaço com relativa constância e regularidade.

Além disso, começei a contar no início de 2009 (vide no canto direito) o número de visitantes que chegam até o PRAGMA, e vejo que estou quase atingindo a cifra de 10.000 argonautas ! Estou impressionado…

Que venham mais 700 posts, e mais de 20.000 visitas! Com fôlego, pelo menos, eu estou!
Categorias:Eventos, Pensamentos

700 POSTS!!!

Nossa, nem eu estou acreditando! Quando eu começei o PRAGMA, meio que de brincadeira meio que por curiosidade, não imaginaria que eu conseguiria manter essa dinâmica de postagens. O fato é que, após um pouco mais de 2 anos na rede, eis que esse Escriba que vos fala atinge a marca de 700 comentário aqui nesse diário de bordo virtual!

Gostaria de compartilhar a minha alegria com todos os meus seguidores e eventuais leitores que acreditam no meu trabalho e nas minhas idéias. É por respeito a eles que eu mantenho essa espaço com relativa constância e regularidade.

Além disso, começei a contar no início de 2009 (vide no canto direito) o número de visitantes que chegam até o PRAGMA, e vejo que estou quase atingindo a cifra de 10.000 argonautas ! Estou impressionado…

Que venham mais 700 posts, e mais de 20.000 visitas! Com fôlego, pelo menos, eu estou!
Categorias:Eventos, Pensamentos

>SÓ NO FORÉVIS!!!

>

Desculpem os leitores que buscam alguma informação mais séria aqui neste blog, mas hoje é impossível impedir a onda de saudosismo que toma conta de mim desde os primeiros raios matinais. De repente, as lembranças da minha meninice me invadiram, tornando-se inevitáveis, risonhas e nostálgicas…

Quem não se lembra das tétricas noites de domingo, onde a simples audição da vinheta de abertura do Fantástico tocava fundo no coração, anunciando o término de mais um final de semana? Um saco, não era?!?!?!

Graças aos deuses, antes desse lamentável momento, havia o programa dos Trapalhões! Humor inocente, tolo, infantil, mas deliciosamente engraçado e familiar. O quarteto era líder de audiência, e era quase um hábito religioso assistí-lo todos os domingos. Nada mais classe média do que toda a família reunida em volta da televisão, se dobrando de rir ao som das piadas mais infantis e deliciosas de toda a nossa história. Era um humor inocente e picaresco, mas era deliciosamente revigorante…

Tudo isso para dizer que, há exatos 15 anos atrás, passava para a outra dimensão o grande sujeito chamado Antonio Carlos Bernardes Gomes, mais conhecido por todos os brasileiros como Mussum. De longe, pelo menos para esse Escriba que vos fala, era o trapalhão mais genial, engraçado e divertido (nada contra os outros, bem entendido, que também eram legais). Sua mania de incluir no fim das palavras “és” e “is”, gerava bordões hilariantes. Quem não se lembra de termos como “cacildis”, “mé”, “eu vou me pirulitar” e “negão é o teu passadis”? Muito comédia…

Nascido no Morro da Cachoeirinha, no subúrbio carioca de Lins de Vasconcelos (nas cercanias do Méier), Mussum encarnava a malandragem carioca representada pelo imaginário do sambista. Originalmente, Antonio Carlos começou na TV como músico do conjunto Os Originais do Samba, e sempre que podia fazia referência no programa a essa sua condição – era o gingado, a boina, o reco-reco na mão, além do sorriso rasgado e generoso. Apaixonado pela Estação Primeira de Mangueira, Mussum estava sempre na quadra da escola e nos desfiles dessa na Sapucaí.

Mussum, apesar das críticas dos politicamente corretos, era a expressão máxima do carioca típico. Negro, humilde, suburbano, sambista, malandro e bem-humorado, ele era a lembrança de tempos inocentes e heróicos onde a cidade era mais generosa para com os seus habitantes. Os mais engajados no movimento negro podem até criticá-lo mas, para mim, ele denunciava a condição de afro-descendente no país de maneira sutil e irônica, sem amargura ou animosidade. Afinal, o que dizer do bordão-máximo “Criôlo é a tua véia”?

Acordei essa manhã com um sorriso de criança, e uma ingenuidade de espírito que há muito tempo não sentia. Dizem que quando nos sentimos nostálgicos, é sinal de que a idade está chegando. De repente, talvez pelo dia ensolarado, estou me sentindo o mesmo moleque que, lá pelos anos 1970, se deliciava assistindo as trapalhadas do quarteto, que tanto embalaram os meus sonhos e da família brasileira. E que, depois, iria sacanear os colegas na escola durante a semana com a repetição desses bordões. Desculpem a franqueza, mas é impossível não ficar com os olhos marejados, um misto de emoção, riso e felicidade…

Quem me conhece mais amiúde sabe do meu humor mordaz, do meu caráter um tanto o quanto iconoclasta e irônico. Pensando bem, acho que isso se deve ao “humor de repetista” do Mussum, sempre a base do improviso, e que arranca rasgadas gargalhadas sem baixarias, baixo nível ou outros recursos escusos.

Nesse dia, onde a criança que eu fui (e continuo sendo) invade o meu ser, os meus pensamentos são para esse camarada que embalou a minha vida quando garoto, e que continua a me inspirar nos momentos mais tormentosos da minha vida.

Mussum, meu camarada, tu é du carais!!!

Onde você estiver, muita paz e luz!!! E faça a criançada rir sempre…

SÓ NO FORÉVIS!!!

Desculpem os leitores que buscam alguma informação mais séria aqui neste blog, mas hoje é impossível impedir a onda de saudosismo que toma conta de mim desde os primeiros raios matinais. De repente, as lembranças da minha meninice me invadiram, tornando-se inevitáveis, risonhas e nostálgicas…

Quem não se lembra das tétricas noites de domingo, onde a simples audição da vinheta de abertura do Fantástico tocava fundo no coração, anunciando o término de mais um final de semana? Um saco, não era?!?!?!

Graças aos deuses, antes desse lamentável momento, havia o programa dos Trapalhões! Humor inocente, tolo, infantil, mas deliciosamente engraçado e familiar. O quarteto era líder de audiência, e era quase um hábito religioso assistí-lo todos os domingos. Nada mais classe média do que toda a família reunida em volta da televisão, se dobrando de rir ao som das piadas mais infantis e deliciosas de toda a nossa história. Era um humor inocente e picaresco, mas era deliciosamente revigorante…

Tudo isso para dizer que, há exatos 15 anos atrás, passava para a outra dimensão o grande sujeito chamado Antonio Carlos Bernardes Gomes, mais conhecido por todos os brasileiros como Mussum. De longe, pelo menos para esse Escriba que vos fala, era o trapalhão mais genial, engraçado e divertido (nada contra os outros, bem entendido, que também eram legais). Sua mania de incluir no fim das palavras “és” e “is”, gerava bordões hilariantes. Quem não se lembra de termos como “cacildis”, “mé”, “eu vou me pirulitar” e “negão é o teu passadis”? Muito comédia…

Nascido no Morro da Cachoeirinha, no subúrbio carioca de Lins de Vasconcelos (nas cercanias do Méier), Mussum encarnava a malandragem carioca representada pelo imaginário do sambista. Originalmente, Antonio Carlos começou na TV como músico do conjunto Os Originais do Samba, e sempre que podia fazia referência no programa a essa sua condição – era o gingado, a boina, o reco-reco na mão, além do sorriso rasgado e generoso. Apaixonado pela Estação Primeira de Mangueira, Mussum estava sempre na quadra da escola e nos desfiles dessa na Sapucaí.

Mussum, apesar das críticas dos politicamente corretos, era a expressão máxima do carioca típico. Negro, humilde, suburbano, sambista, malandro e bem-humorado, ele era a lembrança de tempos inocentes e heróicos onde a cidade era mais generosa para com os seus habitantes. Os mais engajados no movimento negro podem até criticá-lo mas, para mim, ele denunciava a condição de afro-descendente no país de maneira sutil e irônica, sem amargura ou animosidade. Afinal, o que dizer do bordão-máximo “Criôlo é a tua véia”?

Acordei essa manhã com um sorriso de criança, e uma ingenuidade de espírito que há muito tempo não sentia. Dizem que quando nos sentimos nostálgicos, é sinal de que a idade está chegando. De repente, talvez pelo dia ensolarado, estou me sentindo o mesmo moleque que, lá pelos anos 1970, se deliciava assistindo as trapalhadas do quarteto, que tanto embalaram os meus sonhos e da família brasileira. E que, depois, iria sacanear os colegas na escola durante a semana com a repetição desses bordões. Desculpem a franqueza, mas é impossível não ficar com os olhos marejados, um misto de emoção, riso e felicidade…

Quem me conhece mais amiúde sabe do meu humor mordaz, do meu caráter um tanto o quanto iconoclasta e irônico. Pensando bem, acho que isso se deve ao “humor de repetista” do Mussum, sempre a base do improviso, e que arranca rasgadas gargalhadas sem baixarias, baixo nível ou outros recursos escusos.

Nesse dia, onde a criança que eu fui (e continuo sendo) invade o meu ser, os meus pensamentos são para esse camarada que embalou a minha vida quando garoto, e que continua a me inspirar nos momentos mais tormentosos da minha vida.

Mussum, meu camarada, tu é du carais!!!

Onde você estiver, muita paz e luz!!! E faça a criançada rir sempre…

>O DESEMPREGO RECORDE NOS EUA

>

De todos os países que sofreram os efeitos da crise financeira global, iniciada no final de 2008, certamente os mais dramáticos foram observados nos EUA. O colapso dos bancos americanos e europeus, a queda-livre das bolsas de valores no mundo inteiro, a quebra de ícones que outrora eram o símbolo da economia americana (vide a recém-“estatizada” GM), o desespero dos especuladores financeiros e a melancolia dos analistas econômicos, tudo isto já é mais do que sabido e conhecido. No entanto, a faceta mais destruidora e desagregadora do tecido de qualquer sociedade é, sem sombra de dúvida, o desemprego. E é nesse ponto que reside o atual drama dos nossos vizinhos do Norte…

Atualmente, são cerca de 14,7 milhões de desempregados nos Estados Unidos. A taxa de desemprego da economia do país é de 9,2% da População Economicamente Ativa, e economistas, pesquisadores e analistas apostam que o índice ultrapassará a casa dos dois dígitos antes do final desse ano. É inevitável que o fantasma da recessão dos anos 1930, muito presente no imaginário das pessoas, assombre o horizonte dos indivíduos e das famílias do país. E, o pior, a curto e médio prazo a tendência é piorar ainda mais..
Vale lembrar que, em 2007, os EUA apresentavam a menor taxa de desemprego do mundo desenvolvido. Agora, apenas Espanha, Irlanda, Hungria e Eslováquia superam o desemprego americano…
O mais dramático desse quadro é que, dada o tamanho da crise, as fragilidades do sistema de proteção social norte-americano acabam sendo expostas. Por exemplo, hoje cerca de 6,2 milhões de pessoas dependem de vales-alimentação distribuídos pelo governo – ou seja, 1 em cada 9 americanos dependem dos tíquetes do governo para poderem comer.
Por outro lado, o benefício do seguro-desemprego – um dos poucos oferecidos pelo governo – cobre apenas um terço do salário que o funcionaário ganhava anteriormente. Como se não bastasse, para desfrutar de tal benefício, o empregado deve provar que trabalhou durante dois anos em regime integral de trabalho – isso em um país incensado pela generalização das formas de emprego flexíveis, independentes e autônomas, além de contratações precárias e jornadas de meio-período. Resultados, muita gente desempregada, sem ter o que comer, dormindo (literalmente) na rua da amargura…
Além do caos econômico, o desemprego elevado se explica pela facilidade com que as empresas americanas têm para demitir os seus funcionários. É um processo rápido, sem grandes custos para o empregador, e sem grandes justificativas para tal. O resultado é que os empregados americanos atingiram a menor taxa, nos últimos tempos, de horas trabalhadas por semana.
Isso sem falar nos jovens de 20 a 24 anos, onde o desemprego beira os 15%…
As decorrências deste fenômeno são brutais: glebas de desempregados, famílias inteiras com suas vidas viradas dos pés à cabeça, redução drástica dos padrões de consumo, desaquecimento e consequente retração da atividade produtiva. Tudo isso em um país onde, até pouco tempo atrás, a economia andava a “pé embaixo”!
Pior, muita gente não têm condições de pagar a hipoteca de suas casas, resultando em famílias sem-teto ou morando em favelas nos grandes centros urbanos – quando não as pessoas fazem dos seus carros as suas próprias casas!!! Em estados como a California, por exemplo, a situação chega às raias do desesperador – o número de famílias norte-americanas sem-teto cresceu cerca de 9% em 2008 -, gerando cenas muito comuns para nós brasileiros: pedintes nas ruas, pessoas morando em tendas de lona ou casas feitas com embalagens de papel, quando não dormindo ao relento ou então em abrigos públicos e de instituições de caridade.
Realmente, está feia a coisa para o pessoal lá de cima!!!

O DESEMPREGO RECORDE NOS EUA

De todos os países que sofreram os efeitos da crise financeira global, iniciada no final de 2008, certamente os mais dramáticos foram observados nos EUA. O colapso dos bancos americanos e europeus, a queda-livre das bolsas de valores no mundo inteiro, a quebra de ícones que outrora eram o símbolo da economia americana (vide a recém-“estatizada” GM), o desespero dos especuladores financeiros e a melancolia dos analistas econômicos, tudo isto já é mais do que sabido e conhecido. No entanto, a faceta mais destruidora e desagregadora do tecido de qualquer sociedade é, sem sombra de dúvida, o desemprego. E é nesse ponto que reside o atual drama dos nossos vizinhos do Norte…

Atualmente, são cerca de 14,7 milhões de desempregados nos Estados Unidos. A taxa de desemprego da economia do país é de 9,2% da População Economicamente Ativa, e economistas, pesquisadores e analistas apostam que o índice ultrapassará a casa dos dois dígitos antes do final desse ano. É inevitável que o fantasma da recessão dos anos 1930, muito presente no imaginário das pessoas, assombre o horizonte dos indivíduos e das famílias do país. E, o pior, a curto e médio prazo a tendência é piorar ainda mais..
Vale lembrar que, em 2007, os EUA apresentavam a menor taxa de desemprego do mundo desenvolvido. Agora, apenas Espanha, Irlanda, Hungria e Eslováquia superam o desemprego americano…
O mais dramático desse quadro é que, dada o tamanho da crise, as fragilidades do sistema de proteção social norte-americano acabam sendo expostas. Por exemplo, hoje cerca de 6,2 milhões de pessoas dependem de vales-alimentação distribuídos pelo governo – ou seja, 1 em cada 9 americanos dependem dos tíquetes do governo para poderem comer.
Por outro lado, o benefício do seguro-desemprego – um dos poucos oferecidos pelo governo – cobre apenas um terço do salário que o funcionaário ganhava anteriormente. Como se não bastasse, para desfrutar de tal benefício, o empregado deve provar que trabalhou durante dois anos em regime integral de trabalho – isso em um país incensado pela generalização das formas de emprego flexíveis, independentes e autônomas, além de contratações precárias e jornadas de meio-período. Resultados, muita gente desempregada, sem ter o que comer, dormindo (literalmente) na rua da amargura…
Além do caos econômico, o desemprego elevado se explica pela facilidade com que as empresas americanas têm para demitir os seus funcionários. É um processo rápido, sem grandes custos para o empregador, e sem grandes justificativas para tal. O resultado é que os empregados americanos atingiram a menor taxa, nos últimos tempos, de horas trabalhadas por semana.
Isso sem falar nos jovens de 20 a 24 anos, onde o desemprego beira os 15%…
As decorrências deste fenômeno são brutais: glebas de desempregados, famílias inteiras com suas vidas viradas dos pés à cabeça, redução drástica dos padrões de consumo, desaquecimento e consequente retração da atividade produtiva. Tudo isso em um país onde, até pouco tempo atrás, a economia andava a “pé embaixo”!
Pior, muita gente não têm condições de pagar a hipoteca de suas casas, resultando em famílias sem-teto ou morando em favelas nos grandes centros urbanos – quando não as pessoas fazem dos seus carros as suas próprias casas!!! Em estados como a California, por exemplo, a situação chega às raias do desesperador – o número de famílias norte-americanas sem-teto cresceu cerca de 9% em 2008 -, gerando cenas muito comuns para nós brasileiros: pedintes nas ruas, pessoas morando em tendas de lona ou casas feitas com embalagens de papel, quando não dormindo ao relento ou então em abrigos públicos e de instituições de caridade.
Realmente, está feia a coisa para o pessoal lá de cima!!!

OS "SUPERVINHOS" BRASILEIROS

A despeito do nosso clima – excetuando-se a região Sul do país – e os nossos hábitos culturais, a vitivinicultura brasileira é, sem sombra de dúvida, um case de sucesso no mercado brasileiro. Apesar do elevado consumo de vinhos de garrafões e elaborados com uvas não viníferas – quem nunca tomou um porre de Sangue de Boi, Canção ou Chapinha? -, além do condenável passado dos horrorosos vinhos da “garrafa azul”, cada vez mais o brasileiro se interessa pela enocultura.

Com isso, todo o mercado procura acompanhar essa saudável tendência: os restaurantes ampliam suas cartas de vinhos, contratam sommeliers e oferecem treinamento aos seus garçons com relação ao serviço do vinho, os supermercados e as importadoras procuram melhorar cada vez mais a oferta de produtos aos consumidores… Enfim, ganha todo mundo – e, em especial, o consumidor que aprecia uma bela taça de vinho, seja ele um espumante, um branco, rosé, tinto ou de sobremesa…

No entanto, ainda existe em grande parte dos nossos consumidores um preconceito com relação aos vinhos nacionais. Culpa de um passado não tão longínquo onde as prateleiras de supermercados eram inundadas com produtos de qualidade (e gosto) duvidoso. Visando superar essa resistência ao produto nacional, os atores do setor vêm se organizando em associações, melhorando as técnicas de produção, investindo em novas castas e cortes, além de um esforço concentrado no sentido de ampliar o mercado de exportação para o vinho brasileiro. Hoje, os nossos vinhos são premiados em vários concursos no exterior, e há uma procura bastante grande pelo nosso produto tanto na América quanto na Europa, conforme venho discutindo algumas vezes aqui no PRAGMA.

Além disso, em termos de mercado interno, outro grande problema é o preço. Vinhos argentinos e chilenos de qualidade nem sempre superior têm invadido as nossas lojas sempre com preços mais em conta do que os similares nacionais. Somado ao preconceito para com o nosso vinho e preços pouco competitivos, essa é uma mistura explosiva que torna o cenário bastante difícil para as empresas brasileiras do setor.

Em busca do consumidor mais abastado, consequentemente de paladar mais sofisticado e exigente, e também do mercado externo, algumas vinícolas nacionais estão apostando em produtos premium direcionados para o mercado de luxo. São vinhos elaborados de maneira consistente, segundo as últimas técnicas de vinificação, normalmente com o auxílio de enólogos consagrados do exterior, gerando produtos espetaculares, de guarda, e com preços às vezes exorbitantes…

Pequenas vinícolas como a gaúcha Lídio Carraro e a catarinense Villa Francioni já nasceram com essa proposta, e os seus vinhos são realmente espetaculares – especialmente os da última, cujas uvas são cultivadas numa das regiões mais frias do país, a Serra Catarinense. A novidade é que vinícolas maiores, como a também gaúcha Miolo, resolveram entrar nesse mercado de vinhos diferenciados, acirrando a competição e aumentando a oferta de produtos requintados para paladares exigentes.

Recebi essa semana em meu e-mail uma chamada para a compra da primeira safra do Sesmarias, o novo premium tinto da Miolo, elaborado com seis uvas diferentes produzidas na região de Candiota, no sul do Rio Grande do Sul. As garrafas serão comercializadas apenas na internet e na loja da Miolo em Bento Gonçalves, ao preço módico de R$ 250 cada unidade (!!!). Ou seja, haja disposição – e bolso…

Os vinhos premium ocupam a faixa de preço acima dos R$ 60 a garrafa, e atualmente representam apenas 3% da produção vinícola nacional. Apesar desta participação reduzida, o nicho é atraente dada a elevada margem de lucro, o que vem atraindo outras empresas a elaborar produtos desse tipo. Esse é o caso das gaúchas Salton e Don Laurindo, e da catarinense Quinta Santa Maria.

Só para o Sesmarias, a Miolo investiu cerca de R$ 40 milhões desde 2001. As uvas, prensadas manualmente, repousam por cerca de 18 meses em barris de carvalho francês. A produtividade do vinhedo do Sesmarias é a metade da média dos demais vinhedos da companhia, o que por si só é garantia de qualidade elevada e da alta concentração de elementos como pigmentos e aroma.

Já a Lídio Carraro – uma pequena vinícola que possui vinhedos em Bento Gonçalves e em Encruzilhada do Sul, cuja produção é em torno de 50 mil garrafas por ano – produz exclusivamente vinhos superpremium, como o Tannat 2005 e o Nebbiolo 2006, que podem chegar até R$ 190 a garrafa! O marketing da empresa é calcado no “boca a boca”, baseado nos formadores de opnião e nas revistas especializadas do segmento.

A catarinense Villa Francioni é uma newcommer que vem revolucionando o setor, elevando a qualidade – e o preço – setor a patamares de excelência. Surgida em 2005, o top de linha da vinícola é o Villa Francioni Tinto 2005, um corte de uvas Cabernet Sauvignon, Malbec, Cabernet Franc e Merlot, que é comercializado a módicos R$ 120 a garrafa(!!!)…

Como os meus enófilos leitores podem notar, a vitinicultura nacional está de vento em popa. Resta saber se, para nobres mortais como esse Escriba que vos fala, haverá uma oportunidade para que um dia possamos degustar uma gema preciosa como as descritas acima…