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Archive for março \30\UTC 2010

LULA E O MUNDO ÁRABE

Continuando o post anterior sobre a política externa do governo Lula, o movimento mais féerico desta foi a recente aproximação entre o Brasil e o Irã, além da recente visita do Presidente a Israel, Jordania e a Autoridade Palestina na Cisjordania. Marcada por certos constrangimentos – especialmente em Israel – e alguns confetes na Palestina, pode-se dizer que a viagem de Lula foi um grande factóide: muitos flashes e pouca efetividade. Afinal, ninguém em sã consciencia é capaz de afirmar que o Brasil irá mediar com sucesso um conflito tão complexo, milenar e com tantos interesses e partes envolvidas como é o contencioso israelo-palestino.

No entanto, o lado mais interessante – e menos explorado – da recente visita de Lula ao mundo árabe foi o conjunto de acordos e parcerias comerciais estabelecidas com as economias da região, especialmente com a Jordania. Considerado um “país-tampão”, criado pelos ingleses na antiquíssima lógica do “dividir para conquistar”, a Jordania – um dos poucos regimes árabes, além do Egito, a estabelecer relações diplomáticas regulares com Israel – é um oásis de estabilidade em um mundo incerto e caótico como é a região do Crescente Fértil. E tudo indica que os formuladores da política externa brasileira escolheram o país da cidade perdida de Petra – uma das 8 Maravilhas do Mundo – como porta de entrada do Brasil no Oriente Médio.

Vale lembrar que as relações entre o Brasil e o Oriente Médio são bastante antigas e consistentes, apesar da atuação discreta brasileira nos contenciosos regionais. D. Pedro II, em uma de suas visitas ao redor do mundo, foi a Terra Santa e ao Líbano tendo registrado suas impressões em diversas fotografias. O Brasil foi um dos locais preferidos para sírios e libaneses se instalarem após o desmoronamento do Império Otomano, sendo parte integrante e ativa da sociedade brasileira. Inclusive, há tres vezes mais libaneses no Brasil do que no próprio Líbano, o que nos torna portadores de uma das maiores diásporas desse país no mundo. Nos anos de chumbo da ditadura militar, onde os generais buscavam saídas para a pressão norte-americana, a África e os regimes árabes foram escolhidos como áreas de atuação intensa da diplomacia brasileira. Várias empreiteiras brasileiras auxiliaram na construção de obras de infra-estrutura em países como o Iraque, a Jordania e o Kuwait, além de serem mercados compradores de armamentos da então florescente indústria nacional (blindados, mísseis e aviões), generos alimentícios e bens de capital.

Isso sem falar na notória atuação brasileira na criação do Estado de Israel, notadamente na figura do chanceler Oswaldo Aranha, cujo martelo até hoje é guardado como relíquia pelo presidente do Knesset, sede do Poder Legislativo de Israel, sendo utilizado em suas sessões todas as vezes que há a necessidade de se colocar ordem no plenário.

Logo, não é de se espantar a recente aproximação de Lula com os governos árabes, bem como a tomada de posição pró-palestina e pró-iraniana, dado o elemento nacional-desenvolvimentista comum tanto a diplomacia petista e a diplomacia do regime militar…

A Jordania é um país com pouco mais de 6 milhões de habitantes, cuja economia é fortemente dependente da ajuda externa. O turismo é uma das fontes de obtenção de receita, dado que o país não apenas é sede de uma série de sítios bíblicos e do Império Romano, mas também os seus balneários no Mar Morto e no belíssimo Mar Vermelho são procurados no mundo inteiro. A liberalidade do costumes e a segurança diante de ameaças terroristas são outros pontos positivos, e são neles que o governo jordaniano se fia na busca de aumentar as suas receitas com a atividade turística.

Um dos exemplos de empresas brasileiras que investe no país é a Embraer, que vendeu entre 2006 e 2008 sete E-Jets para a companhia área oficial do país, a Royal Jordanian Airlines. Agora, a empresa negocia a venda de aeronaves de caça leves Super-Tucano, num contrato de aproximadamente 150 milhões de dólares. Nessa negociação, a empresa sediada no município paulista de São José dos Campos acena com a possibilidade da instalação de um entreposto de peças para diversos de seus produtos, o que é muito bem visto pelas autoridades do país.

Outra empresa que pretende lá se instalar é a Eurofarma, a terceira maior fabricante de medicamentos genéricos no Brasil. O objetivo é estabelecer uma parceria entre a empresa brasileira e suas similares na Jordania.

As duas empresas presentes no seminário comercial Brasil-Jordania realizado no mes de março em Amã, na capital jordaniana, em plena viagem do Presidente Lula, e que envolveu 70 empresas brasileiras que almejam investir no país e na região. Nessa mesma ocasião, Lula anunciou que pretende concluir as negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e a Jordania.

Ou seja, por trás da bravata, do fanfarronismo e das manifestações do rato terceiro-mundista que ruge, residem acordos de natureza economica e comercial que, esses sim, são de extrema valia para o nosso país e o nosso povo. O resto é marketing político, mau gosto e falta de visão do todo…
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A DIPLOMACIA DO BRASIL POTENCIA

Ganha corpo – e perplexidade, no Brasil e no mundo – as recente inflexões da diplomacia do Presidente Lula, especialmente no paiol de pólvora que é o Oriente Médio: o conflito israelo-palestino e o apoio o regime dos aiatolás iranianos no que toca ao seu polemico programa de desenvolvimento energia nuclear. Para alguns analistas internacionais, a motivação por trás dessa inflexão do governo brasileiro reside no lobby visando garantir a Lula uma futura presidencia das Nações Unidas. Para os analistas domésticos, além de um compromisso histórico do presidente com os “barbudinhos” do Itamaraty e os ensandecidos esquerdistas do PT, Lula estaria jogando uma cortina de fumaça frente as dificuldades que vem enfrentando em emplacar a sua candidata Dilma Rousseff, além de pautar a mídia que ultimamente tem se dedicado a cobrir os escandalos políticos da vida nacional dos mais variados tipos e gostos…

Em verdade, essa será a primeira eleição presidencial na história brasileira onde o tema política externa será parte integrante -e importante – do debate entre os candidatos. Afinal, foram várias as frentes abertas pela diplomacia brasileira durante os dois mandatos do PT: o apoio aos governos populistas esquerdistas do continente americano, uma inflexão político-comercial em direção ao diálogo Sul-Sul, o relançamento das iniciativas visando aproximar o país do continente africano, a internacionalização crescente das empresas brasileiras e as dores do parto daí derivadas, o “esfriamento” do projeto Mercosul, o distaciamento crítico do governo Obama, as guerras comerciais no ambito da Organização Mundial do Comércio (OMC) e o recente papel de pretenso intermediador do diálogo entre o mundo árabe e o mundo ocidental. Tudo isso temperado por um voluntarismo político do próprio presidente, pautado por seu imenso carisma e charme (não foi o próprio presidente Obama que o alcunhou de “o cara”?), e uma política externa bifronte dividida entre o radicalismo de um Marco Aurélio Guimarães (o signatário dos compromissos históricos do PT nessa área) e a atuação heterodoxa do Itamaraty capitaneada pelo chanceler Celso Amorim e o seu antigo secretário, e atual Ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães.

No entanto, algo que pode a princípio parecer caótico e paradoxal, é de uma incrível coerencia a partir de um olhar mais aprofundado. Em comum a todas essas iniciativas a princípios descoordenadas, há uma profunda crença entre os formuladores da política externa do governo Lula, a de que está mais do que na hora do Brasil exercer a sua proeminencia no tabuleiro das nações. País-continente por definição, com um imenso mercado consumidor, maior produtor de commodities agrícolas, minerais do mundo, com reservas energéticas consideráveis (petróleo, gás, álcool e água), num rápido processo de melhora dos indicadores sociais e de renda, cercado por uma vizinhança nem um pouco turbulenta em comparação a outros entornos (o mundo árabe, por exemplo), e com uma economia pujante e em franco crescimento, o Brasil é um ator importantíssimo na geopolítica do século XXI. Dado esse quadro, a atual política externa é orientada por uma realpolitik de forte viés nacional-desenvolvimentista, estatista sem chegar a ser preconceituosa em relação à iniciativa privada, tais formuladores entendem que a “janela de oportunidade” para o Brasil angariar influencia no jogo bruto dos interesses nacionais é agora, e urge aproveitá-la ao máximo. Daí, o engajamento do presidente Lula e sua diplomacia nos mais diferentes tabuleiros da política externa mundial, ora oferecendo-se como mediador de conflitos arraigados, ora fomentando um série de políticas de integração no continente sul-americano e africano, ora se metendo em “furadas” como Honduras, Cuba, Irã, Venezuela e Bolívia…

Apenas a título de curiosidade e recordação, há notáveis semelhanças entre a diplomacia do regime militar dos anos 1970 e a atual política externa do governo do PT. Ambas são de cunho nacional-desenvolvimentista, e alimentam os sonhos de um “Brasil potencia” do Terceiro Milenio que elevar-se-ia altivo e altaneiro diante do cruel despotismo dos países do Hemisfério Norte, que tentariam conte-lo dentro das tradicionais armadilhas da dependencia – de influencia cepalina – da economia agro-exportadora, a partir da depreciação do preço das commodities agrícolas e minerais. Faraway, so close…

Noves fora, arroubos nacionalistas com tinturas autoritárias são sempre um perigo, especialmente quando ocorrem em países com “excesso” ou “ansia” de poder, e marcados por uma cultura militarista – vide o caso da Alemanha, da Itália e do Japão dos anos 1920 e 1930. Felizmente, esse não é o caso do Brasil, um eterno “gigante deitado em berço esplendido”, abençoado por Deus e bonito por natureza! Historicamente, o entorno geográfico do país sempre foi tenso desde a época da colonia, em função da presença espanhola. Com o Império, o Brasil tornou-se uma ilha monárquica e lusófona em meio ao oceano fragmentado de repúblicas castelhanas que, em parte por sua desunião, em outra parte pela habilidade do Barão do Rio Branco, conseguiu conservar e até mesmo ampliar o seu território em uma sutil combinação entre interesses economicos e soft power.

Atualmente, o Brasil é sem dúvida alguma a maior potencia economica e política da América do Sul e Central. Como tudo na vida tem prós e contras, isso acaba sendo fonte de desconfiança, desconforto, ciúmes e até inveja por parte de nossos vizinhos nem sempre tão hermanos – a despeito da utopia bolivariana da integração latina-americana, mais afeita às bravatas de Hugo Chávez do que propriamente uma agenda de aprofundamento economico, político, social e cultural entre os povos…

Tomando o exemplo da União Européia, o adensamento das relações entre vizinhos passa pelo aprofundamento dos laços economicos. No início dos anos 1990, o Mercosul se prestou a esse tipo de projeto, atualmente levado a frente pela atuação cada vez maior das empresas brasileiras nos países da região – o que nem sempre é empreendido sem percalços, como nos casos recentes na Bolívia, Venezuela e Equador e, em menor escala, na Argentina.

A assunção do Brasil potencia certamente é a força motriz da diplomacia voluntariosa e engajada do Presidente Lula, especialmente neste ano final do seu mandato. Várias vezes o presidente justificou as suas inúmeras viagens pelo mundo – o que o torna um dos maiores detentores de milhagens aéreas em nosso país! – ao se proclamar como o maior “garoto propaganda” do Brasil lá fora, e o maior defensor das empresas brasileiras no exterior. Acertadamente, Lula age como o grande promotor comercial do Brasil no exterior, abrindo inúmeras oportunidades comerciais para empresas brasileiras públicas, privadas e de economia mista. Esta, sem sombra de dúvida, é uma das funções mais importantes do Poder Executivo de um país, que é o de dar garantias e auferir prestígio a qualquer iniciativa que proporcione dividendos economicos, políticos e comerciais para o país. Nesse sentido, ponto para Lula!

O incomodo da postura de Lula para alguns setores da diplomacia e opinião pública do país reside no fato do Brasil sempre ter sido um ator discreto no cenário internacional, sem “excessos de poder”. Sua postura de moderação, combinada com um providencial afastamento dos grandes issues internacionais, sempre foi considerada um handicap para o país em arbitragens, mediações e resoluções de contenciosos internacionais. Essa postura, inclusive, sempre norteou os sonhos históricos do Itamarty de ter assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, pleito esse que se fez presente tanto no governo FHC quanto no de Lula.

No entanto, o nosso presidente parece ter sido mordido pela “mosca azul” que tanto enfeitiça os países que angariam a atenção mundial. Nos últimos meses, o Brasil tem sido matéria de periódicos e revistas internacionais como um exemplo de crescimento sustentado, de pujança economica e de vigor do mercado consumidor interno. Definitivamente, e eu disso isso em oportunidades anteriores, o Brasil está na moda. Agora, isso não significa que tenhamos “excessos de poder” que justifiquem uma diplomacia mais pro-ativa em determinados temas que polarizam a atenção internacional. Falo isso não apenas em questões relativas ao meio ambiente,aquecimento global, desenvolvimento sustentável e reservas energéticas. Falo também em questões espinhosas, tais como Cuba, Israel, Palestina, Irã e Coréia do Norte.

O campo das Relações Internacionais, como diria o teórico norte-americano Joseph Nye, é jogado em vários tabuleiros simultaneamente, numa combinação de hard power (economia, política e poderio militar) e soft power (cultura, persuasão discursiva). O problema é que o Brasil tem muito soft power, e pouco hard power. Num mundo da realpolitik, onde o jogo bruto dos interesses nacionais é fato, no mínimo é estranho que um país como o nosso queira participar como ator destacado com esse nanismo que lhe é peculiar.

Talvez seja importante destacar a atuação da diplomacia do governo Lula no ambito comercial… (continua)

ESSA É HILÁRIA!

Lendo o jornal atrasado em pleno sabadão, deparei-me com uma notícia prá lá de hilária. Na medida certa para aquele que sofre de “terceiro mundismo” cronico, uma doença que afeta a auto-estima do indivíduo, torna-o ranzinza e reclamão, e que serve de justificativa para as maiores atrocidades cometidas contra qualquer senso de uma cidadania plena e responsável…

Uma notícia publicada recentemente no jornal Tribuna de Genebra informava aos leitores que a defesa aérea suíça funcionava apenas no horário comercial, isto é, de segunda a sexta-feira, de 8 às 17 horas, com um intervalo para almoço! É isto mesmo, voces não estão loucos nem esse Escriba que vos fala está plantando um “post viral”: a força aérea do simpático país encravado nos Alpes está disponível apenas no horário seja de uma repartição pública qualquer, ou então de uma agencia bancária!

Imaginem só se os inimigos resolvem atacar a Suíça na hora do almoço? Ou então no final de semana, onde pilotos, controladores e as equipes de terra estão gozando do sacrossanto direito do descanso em família?

Parece piada dos nossos irmãos lusos, mas a justificativa do governo suíço para tal insólita medida é o custo elevado de manutenção da força aérea no final de semana, o que oneraria os nem tão combalidos cofres públicos do país – vale lembrar que o país helvético é um “paraíso fiscal” daqueles…

Além da justificativa do gasto elevado, muitos militares afirmam que o seu pessoal também é “filho de Deus”, isto é, merecem se alimentar, descansar, conviver com a família etc. e tal, assim como qualquer contribuinte! E muita civilidade européia para o meu gosto…

Vale também lembrar que a Suíça é um país que preza por sua posição historicamente neutra e independente frente aos grandes conflitos mundiais, e sua política externa isolacionista por si só justificaria tal medida de um horário burocrático para as forças armadas.

Noves fora tudo isso, no mínimo essa história por si só é prá lá de hilária! Agora imaginem, meus caros leitores, se isso acontecesse no Brasil? Ou então, na terrinha dos nossos patrícios lusos? A sacanagem ia ser geral…

Com isso, acabo de descobrir que o país das vaquinhas premiadas, dos belos lagos e castelos, das cidades impecavelmente limpas e organizadas, dos deliciosos chocolates, dos canivetes multi-uso, da precisão dos relógios de luxo e de Guilherme Tell, é também o país dos “barnabés” militares!

Cada uma que acontece nesse mundo, não é?!

A PÁTRIA DO CAFEZINHO

Sábado de manhã – o primeiro final de semana em casa nos últimos meses -, e o sentimento de letargia toma conta do meu ser. Para exercer ao máximo a morosidade da preguiça, nada melhor do que escrever no PRAGMA, acompanhado de uma bela xícara de café preparada na cafeteira italiana e organizando a minha imensa discografia no iTunes. Melhor, impossível!

E por falar em café, saíram os dados de consumo da bebida em nosso país, segundo pesquisa da Associação da Indústria Brasileira do Café (Abic). Em 2009, nada mais nada menos do que 97% dos brasileiros acima de 15 anos declararam que bebem café diariamente – um aumento de 6% frente aos números auditados em 2003. Por isso, afirmo categoricamente que somos a pátria das chuteiras, da cervejinha gelada, do biquini… e da deliciosa rubiácea!

O número de sacas do grão vendidas no Brasil cresceu 4% em comparação a 2008, tendo sido comercializadas cerca de 18,4 milhões de sacas – o que equivale a 331,2 bilhões de xícaras do precioso e fumegante líquido que alegra todas as minhas manhãs, tardes e noites…

Apesar desse patamar, a indústria espera um aumento do consumo do produto nesse ano por volta de 5 pontos percentuais. O desafio não é apenas aumentar a quantidade de café na dieta do brasileiro, mas também convence-lo a adquirir o café de melhor qualidade. Vale lembrar que a maioria esmagadora dos brasileiros consome a bebida em sua versão coada – o consagrado “cafezinho”, na versão coada em coador de papel ou de pano. Logo, há um absurdo espaço de crescimento para as versões gourmet, além das máquinas de café expresso.

Ainda segundo a pesquisa, em 2009 a classe C foi responsável por 42% do consumo de café, contra 27% da demanda proveniente das classes A e B, e 31% da classe D. Vale lembrar que a maior variação de consumo da bebida ocorreu justamente na “nova classe média”, onde a oscilação positiva foi de 5 pontos percentuais. No entanto, as classes A e B são as maiores consumidoras das versões mais sofisticadas da bebida, onde a rentabilidade é bem maior. Na categoria café gourmet, entram variações como os cafés expresso, descafeinado, organico e de regiões certificadas.

Outros dados interessantes também foram levantados pela pesquisa. O consumo de café por faixa etária está assim dividido: 28% entre 36 a 50 anos, 23% entre 27 a 35 anos, 22% acima de 50 anos, 14% entre 20 e 26 anos e 13% entre 15 e 19 anos. 54% dos consumidores de café são do sexo feminino, contra 46% do sexo masculino. E 99% dos consumidores declararam consumir a bebida em casa, contra 46% que a consomem fora de casa. Nesse último dado é que repousa um dos elementos mais promissores da pesquisa, posto que o consumo de café fora de casa cresceu 29% em comparação a 2003, graças a expansão das cafeterias, padarias e outros pontos de venda que investem na experiencia do consumo de café bem como em produtos diferenciados e inovadores.

Bom, deixa eu parar de falar pois a minha xícara de café está esfriando. Ainda bem que tem mais na cafeteira…

Bom final de semana a todos!

BRASIL, BOLA DA VEZ (2)


Vejamos o caso da Diageo, a gigante mundial da indústria de bebidas, que possui um amplo leque de produtos no segmento de wines, liquors and spirits. Fundada em 1997 após a fusão da Guinness e da Grand Metropolitan, seu portfólio inclui inúmeras marcas prestigiadas, tais como: Hennessy (cognac), Gordon’s e Tanqueray (gim), Johnnie Walker, JB, Bell’s, Buchannan’s, Dimple, Old Parr, White Horse, Cardhu, Glenkinchie, Lagavulin, Talisker e Bushmill’s (uísques), Jose Cuervo e Don Julio (tequilas), Guinness e Kilkenny (cervejas), Ciroc e Smirnoff (vodcas), Baileys e Sheridans (licores), Dom Pérignon e Moet Chandon (champagnes). Só pesos-pesados!

O conglomerado aposta que o Brasil será o maior mercado da empresa na América Latina em 2012. Atualmente, o Brasil é o segundo maior mercado da região, estando atrás apenas da Venezuela, muito em função das baixas tarifas de importação que o país de Hugo Chávez impõe às bebidas alcóolicas. No entanto, a aposta da Diageo no mercado brasileiro repousa no gigantismo de sua população, a recuperação do poder aquisitivo das famílias – em especial, as menos favorecidas economicamente – e a presença de um significativo contingente de consumidores jovens, o grande target da companhia.

Apesar disso, o mercado brasileiro tem suas especificidades quando o assunto é bebida alcóolica. Só para se ter um exemplo, 98% dos pontos de venda no país comercializam cerveja, contra 15% que comercializam vodca e apenas 5% que vendem uísque. A empresa aposta justamente no crescimento do segmento de destilados, que são produtos mais caros e aspiracionais e, por consequencia, com maior margem e rentabilidade.

Apesar disso, o Brasil é o terceiro mercado mundial em vendas da vodca Smirnoff, e o quinto maior para o uísque Johnnie Walker – sendo o terceiro para o Red Label, a sua versão mais popular (envelhecida durante 8 anos em barris de carvalho). A Diageo projetou para 2010 um crescimento do mercado brasilero em “dois dígitos altos”!

Visando ampliar o seu portfólio, a empresa vem adquirindo novos produtos como o saque brasileiro Daiti e a cachaça Nega Fulo.

Atualmente, o faturamento da empresa está bem balanceado: um terço das vendas é oriunda dos países emergentes, outro terço da Europa e o terço final proveniente do mercado norte-americano. Enquanto os mercados europeu e norte-americano apresentaram uma queda significativa de suas vendas no ano passado – uma redução de 6% e 5%, respectivamente -, o mercado da América Latina apresentou um crescimento nas vendas de aproximadamente 8%, e uma expansão de 16% no lucro operacional. E, claro, como não poderia deixar de ser, o maior destaque foi o Brasil

BRASIL, BOLA DA VEZ

Olha que coisa interessante: o Brasil virou o décimo maior mercado mundial da Nespresso – a divisão mundial da Nestlé que comercializa máquinas de cafés expressos e cápsulas de cafés gourmets.

A filial brasileira, que abre no final desse mes sua décima butique em Brasília, projeta um crescimento das vendas em aproximadamente 80% nesse ano de 2010. A França e a Suíça ocupam o primeiro lugar no ranking de faturamento da empresa, e outros países europeus superaram o mercado norte-americano, em franco declínio desde 2008. A coisa nos Estados Unidos está tão feia, que periga o Brasil ultrapassá-lo em faturamento no final desse ano.

Quanto aos Brics, o país é o líder disparado, posto que o mercado russo cresce lentamente e a China e a Índia não são consumidores da rubiácea – nesse, a delícia fumegante é o chá, de todos os tipos, sabores e aromas…

Em 2009, o faturamento da Nespresso no Brasil cresceu cerca de 70%, e possibilitou a empresa empreender uma política de descontos de cerca de 20% de suas máquinas, a fim de expandir a sua base de clientes. No entanto, o preço das cápsulas de café permanece inalterado.

Além da abertura de novas butiques pelo país, a empresa está apostando na internet como um canal de vendas promissor dos seus produtos, além da abertura de representações comerciais em cidades onde ainda não foram instaladas lojas físicas da marca.

Alguns dados interessantes: como no resto do mundo, 80% de suas vendas são de usuários domésticos; dessas, 25% das compras são destinadas para presentear amigos (ao invés de uma garrafa de vinho, leva-se um blister de dez cápsulas do blend preferido do anfitrião); e 50% do café utilizado nos blends da empresa são produzidos no Brasil, que é o maior produtor mundial de café.

O CAMPO BRASILEIRO FAZ BONITO

Saiu no Estado de S. Paulo desse ultimo domingo uma notícia alvíssara: o Brasil é o terceiro maior exportador agrícola do mundo. De acordo com dados de 2009 recolhidos pela Organização Mundial do Comércio (OMC), o país superou o Canadá, a China e a Argentina, atingindo a cifra de 61,4 bilhões de dólares em exportações de commodities agrícolas no ano passado, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (o primeiro do ranking, com 139,97 bilhões de dólares em exportações) e a União Européia (em segundo lugar, com 127,63 bilhões de dólares).

Esse espantoso crescimento foi proporcionado por uma combinação virtuosa de fatores como o aumento da produtividade da lavoura brasileira, um cambio favorável desde 2006, a abundancia de recursos naturais como água, solo e luz, a diversidade de produtos cultivados e o crescimento vertiginoso da demanda por parte da China e dos países do Sudeste Asiático.

É preciso ressaltar que esse aumento da produtividade do campo brasileiro foi proporcionado pela injeção de tecnologia por parte da Embrapa, um exemplo mais do que cabal de que é possível haver empresas estatais eficientes, desde que haja uma cultura que privilegie a inovação, o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento e a baixa ingerencia de fatores políticos extra-empresa (o que, diga-se de passagem, também acometeu a Embrapa no início do governo do PT). A Embrapa foi responsável por esse salto tecnológico, que viabilizou um aumento da produtividade de grãos no país da ordem de 4,7% entre 1990 e 2009, a despeito do aumento da área plantada de apenas 1,7%. A lavoura brasileira é uma das mais produtivas do mundo.

Vale lembrar que, apesar de ser a maior agricultura tropical do mundo, o Brasil encontra-se atrás na produção mundial de grãos, dominada por agriculturas em áreas temperadas (leia-se Estados Unidos, União Européia e Canadá).

Os destaques do agronegócio brasileiro são a soja e a pecuária. No primeiro caso, as exportações saltaram de 4,2 bilhões de dólares em 2000 para 17,2 bilhões em 2009. No caso da carne bovina, subiram de 813 milhões em 2000 para 4,2 bilhões em 2009. No segmento carne de frango, saltamos de 735 milhões em 2000 para 5,8 bilhões em 2009. São números para lá de superlativos…

Além disso, o Brasil manteve a sua posição de liderança em produtos tradicionais de nossa pauta agroexportadora, como café, suco de laranja, açúcar, carne bovina e de frango, tabaco e álcool. No caso do café, o país é líder mundial de exportações do produto desde 1860. 80% das exportações mundiais de suco de laranja são realizadas pelo Brasil. Ainda, é vice-líder em soja e milho, e ocupa a quarta posição no ranking exportador de carne suína.

No entanto, para ocupar o primeiro lugar no ranking, o Brasil terá de dar um gigantesco salto não apenas quantitativo, mas também de natureza qualitativa. Questões como restrições sanitárias enfrentadas por alguns produtos brasileiros – especialmente no setor de carnes – terão de ser equacionadas com uma série de medidas conjuntas. Outras como o impacto ambiental (no caso da soja) da produção com a expansão da lavoura para a região amazonica, pegam muita mal nos mercados consumidores norte-americano e europeu, que exploram com maestria esta questão. No caso do etanol, outra grande estrela do nosso agronegócio, além do problema ambiental há também a questão das condições de trabalho para lá de precárias dos trabalhadores dessa lavoura – os conhecidos “bóias-frias” -, quando não raro o uso de mão-de-obra escrava. Além disso, as barreiras protecionistas dos países do Hemisfério Norte e os nossos mais do que conhecidos gargalos de infra-estrutura também impedem que esse salto possa ser dado.

Enfim, há muito o que comemorar, mas também há muito o que fazer. De qualquer maneira, parabéns para o agronegócio brasileiro!