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Archive for abril \30\UTC 2010

SAMHAIN. HALLOWEEN. ANO NOVO CELTA

Esse próximo final de semana promete: será mágico, com certeza! Afinal, na virada de sábado (30 de abril) para domingo (1 de maio), com as bençãos da Lua Cheia, anuncia-se o tempo do Samhain – o Ano Novo Celta – segundo o calendário lunar do Hemisfério Sul. Do ponto de vista das estações do ano, de onde emanam todos os festivais celtas, o Samhain assinala o fim da estação quente e o início da época das temperaturas mais frias, cujo ápice se dá no inverno. Assinala também o ponto de virada do ano onde os dias começam a ficar mais curtos e as noites mais longas – onde o sol se põe mais cedo, e demora mais a surgir no firmamento.

O Samhain assinala um tempo de mudança, de contato com o Outro Mundo, de abertura dos portais. É tempo de travar contato com os nossos antepassados, de crescer com a sabedoria das árvores, da floresta e dos habitantes do mundo feérico. É também tempo das grandes batalhas, das justas, do acerto de contas e das grandes decisões diante de um nova etapa que se anuncia, de um novo ano que emerge das frestas da estação fria…

Segundo James McKillop, no Oxford Dictionary of Celtic MythologyA palavra Samhain significa o final da estação quente e o início do inverno. A origem do festival está ligada com a seleção e a alimentação dos animais domésticos, além da estocagem de provisões. Significa o “fim do verão” e coincide com a matança do gado antes do inverno. Eram realizados rituais em honra dos mortos, aos quais se pedia proteção para os rigorosos meses de inverno.

As diferentes celebrações do Samhain ao longo dos séculos explicam algumas das tradições que estão popularmente ligadas ao Halloween. Estando localizado na metade do ano celta, o Samain parece suspenso no tempo. Ao mesmo tempo, é uma época perigosa, onde as fronteiras entre o mundo real e o mundo sobrenatural encontram-se dissolvidas, e os espíritos do Outro Mundo podem se mover livremente no mundo dos mortais. Simultaneamente, os homens podem perceber mais do reino dos mortos nessa época, e procurar por presságios do futuro nos jogos. As pessoas podiam escolher pequenos bolos chamados “barmbracks” – pães salpicados de groselhas ou uvas-passas – contendo um anel ou uma noz, que determinavam se uma pessoa iria casar ou permanecer solteira. Fogueiras eram acesas na Irlanda e na Escócia. Era também uma época de descanso após o trabalho pesado na lavoura. Na véspera do Samhain, todos os fogos da Irlanda deveriam ser apagados, sob pena de multa. Porém, os fogos eram reacesos pelos druidas quando o ano novo renascia.

O Samain era um período de intensa energia espiritual, onde eventos importantes estavam a ele ligados, sendo data obrigatória das batalhas míticas e épicas, da morte de deuses e heróis, da reunião do estado-maior dos Tuatha De Dannan, de todas as assembleias que regram os aspectos legais e jurídicos. Regras, leis, deveres e advertências eram discutidos nessas assembleias. O herói do Ciclo do Ulster Cú Chulainn teve vários encontros durante esse festival, assim como o herói super-humano Finn no Ciclo Feniano..

Eu passarei esse final de semana no meio da floresta, em Lumiar, renovando os meus votos e agradecendo as bençãos que obtive do Povo Antigo e do Povo Nobre nesse ano que se encerra. Um novo ciclo de realizações, prosperidade, saúde, paz, amor e harmonia se abre, e pretendo pedir aos Deuses que me permitam a honra de partilhar isso com as pessoas que me são queridas.

Samhain: tempo dos mortos, da sabedoria das árvores, do culto aos antepassados. Que os portais do Outro Mundo se abram nesse final de semana, e que possamos ver com mais clareza aquilo que as brumas do dia-a-dia não nos permitem ver com tanta clareza…


Feliz Ano Novo a todos!!! 

SESSÃO DE CINEMA – "ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS"

Até ontem, nunca tivera a experiência de ver um filme em 3D, apesar do recente frisson causado pelo “mega-hiper-ultra” blockbuster Avatar, do premiadíssimo diretor James Cameron (o mesmo do famigerado e chatíssimo Titanic). Apesar da revolução criada por esse filme graças à filmagem digital – que, em minha humilde opinião, veio para ficar -, confesso que nunca tive muito “tesão” em ver esse filme. Conforme disse na ocasião em que ele foi lançado aqui no circuitão, apesar de plasticamente exuberante e perfeito, achei a história um tanto o quanto rasa e simplória – um tremendo cliche prá falar a verdade! Um misto de Pocahontas, fantasia ecológica e Star Wars. Entretenimento certo, bem feito e certeiro, porém superficial e ralo…

No entanto, boas notícias começam a emergir quando o assunto é 3D. Primeiro, a refilmagem do clássico da ficção científica Tron (de 1982, com Jeff Bridges no papel principal), intitulada Tron Legacy, cujo lançamento está previsto para dezembro desse ano. Segundo, e mais empolgante ainda, é também a refilmagem de outro clássico – esse, eu vi até cansar quando moleque na “Sessão da  Tarde”: o genial Fúria de Titãs (Clash Of The Titans, de 1981), epopéia baseada na mitologia grega com a presença de gigantes do cinema como Laurence Olivier (esse no papel do deus “manda-chuva” Zeus) e Ursula Andress (essa no papel de Afrodite). 

O remake do filme traz um elenco nem tão empolgante assim – especialmente com a presença de Sam Worthington (o herói “brucutu-arrependido” de Avatar) no papel protagonista de Perseu. Mesmo assim, ainda tem o brilho de astros como Liam Neeson (no papel de Zeus) e Ralph Fiennes (no papel de Hades). Já vi o trailer no cinema, achei-o fantástico, e estou emplogadíssimo com a sua estréia no circuito brasileiro que irá ocorrer no final de maio. Portanto, esse Escriba que vos fala já entrou na onda dos filmes em 3D…

Entretanto, maior expectativa do que essa impossível: a estréia em cinema da adaptação da genial obra literária de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas (Alice In Wonderland, 2010), dirigida pelo intrigante e criativo cineasta Tim Burton. Burton é um cultuadíssimo diretor, conhecido no meio por sua predileção por histórias de cunho fantásticas onde ele pode exibir a sua famosa estética “gótico-dark-chic”, presente em películas como Batman (1989), Edward Mãos de Tesoura (1990), Batman, O Retorno (1992), A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999), Noiva Cadáver e A Fantástica Fábrica de Chocolate (ambos de 2005) e Sweeney Todd (2007). Além disso, em Alice, Burton mais uma vez retoma a sua parceria com o sempre afetado e tresloucado ator Johnny Depp. Ou seja, tal combinação é garantia de sucesso na certa!

Sobre o livro, nada falarei: sou um fã inveterado dos enigmas linguísticos e matemáticos de Lewis Carroll, e não sou daqueles que acham que o filme dá conta de todo o universo tresloucado e genial do escritor. Como referência para os meus queridos leitores, basta dizer que tanto a minha Dissertação de Mestrado quanto a minha Tese de Doutorado estão repletas de várias citações que fazem referência às passagens mais divertidas, enigmáticas e filosóficas das aventuras (ou talvez as desventuras) de Alice no mundo enigmático das fadas e dos seres feéricos. No entanto, e nem sempre é demais recomendar aos meus seguidores: leiam, leiam e leiam os livros – tanto “Alice no País das Maravilhas” quanto “Alice Através dos Espelhos”! Eu recomendo e muito, mas muito mesmo!!! Para o coração, a mente e o espírito…

Bem, vamos direto ao filme! In a few words: é simplesmente deslumbrante, arrebatador, maravilhoso, fantástico! O mundo feérico e lisérgico da fantasia de Carroll é projetado de maneira plasticamente perfeita a partir de uma leitura peculiarmente psicodélica da obra por parte do diretor (vide os gigantescos cogumelos e a personagem principal em seu bailado do tipo “estica-e-encolhe”), e que é realçada ainda mais pelos efeitos em 3D. Confesso que não conseguiria entender o filme em toda a sua complexidade, nuances e detalhes sem os efeitos tridimensionais. A toca da Alice fica outra, o combate final no tabuleiro de xadrez perde muito do seu grafismo geométrico que tanto encantava Carroll, o colorido exuberante dos cenários, o sorriso do gato que se esvai em brumas, o chapéu multitarefa do chapeleiro, os cogumelos gigantes, a fumaça inebriante e opiácea do narguillé do Oráculo… toda essa  beleza plástica, essa exuberancia de cores executada com maestria e perfeição por Burton, é  elevada à enésima potencia pelos efeitos tridimensionais. Uma beleza de obra-prima que há muito tempo não tenho visto na telona!

O resultado disso tudo é que saí do cinema no mais puro estado de êxtase, profundamente inebriado, exultante e eufórico – isso tudo sem fazer qualquer uso de substancias lícitas (ou ilícitas) de qualquer espécie ou tipo. Ao fim e ao cabo, senti como se tivesse saído de uma verdadeira experiência xamânica, uma viagem ao mundo feérico, uma trip para o Outro Mundo, típica de um transe regado à várias xícaras do  chá do Santo Daime…

Johnny Depp como o Chapeleiro Maluco, apesar de lembrar um pouco o “Edward Mãos de Tesoura”, está numa interpretação impecável, irrepreensivelmente louco e afetado, tendo sido tomado por uma fada ou por outro representante do Povo Nobre; Helena Bonham Carter (a mulher do diretor) está hilária no papel da Rainha de Copas; Anne Hathaway está uma fada afetadíssima no papel da Rainha Branca, com seus modos afetados e meneios barrocos das mãos; e a australiana Mia Wasikowska está simplesmente linda no papel de Alice.

Diferentemente das adaptações tradicionais – foram só 20 para o cinema! -, a Alice de Tim Burton cresceu, virou adulta, e se tornou uma heroína que se rebela contra as convenções morais vitorianas ao mergulhar num mundo psicodélico, exageradamente afetado, bastante denso, escuro e gótico – bem ao gosto das Fadas, que são seres feéricos e tricksters por excelência. Definitivamente, é um filme mais para os adultos do que para as crianças, apesar delas certamente se encantarem pelos geniais efeitos em 3D.

Alice é um clássico da literatura mundial, com absoluta certeza. Lewis Carroll era um genio, e seus puzzles e charadas são deliciosamente complexos. E Tim Burton, certamente, o seu maior bruxo, por ter dado vida, cor e arte ao universo rocambolesco, complexo e lisérgico produzida por uma mente extra-série, daquelas que emergem bissextamente na história da humanidade…

PS: Não resisto a maldade – reparem na Rainha de Copas: ela se parece muito com uma personagem abjeta e odiosa que existe lá na Uerj…   
Categorias:Arte, Cinema, Cult, Entretenimento

MAS TEM MAIS…

Apesar de cansativas, as duas últimas semanas tem trazido notícias bastante positivas para mim…

Além da apresentação no XV Endipe, recebi um e-mail na semana passada informando a aprovação do trabalho que escrevi em conjunto com a Profa. Eloiza da Silva Gomes de Oliveira, no IX Colóquio sobre Questões Curriculares / V Colóquio Luso-Brasileiro, cujo tema é “Debater o Currículo e Seus Campos – Fundamentos, Políticas e Práticas”.
A comunicação intitula-se “Tecnologias da Informação e da Comunicação e Jogos Eletrônicos: Por Uma Didática Para os Nativos Digitais”. O congresso realizar-se-á entre os dias 21 a 23 de junho de 2010, na Faculdade de Psicologia e Ciencias da Educação da Universidade do Porto, em Portugal. 
Realmente, estou muito feliz! E gostaria de compartilhar a minha felicidade com os meus indulgentes leitores que tem a enorme paciencia de acompanhar o que eu escrevo.

AMANHÃ TEM ENDIPE

Daqui há pouco, mais especificamente na quarta-feira, esse Escriba que vos fala passará grande parte do dia em Belo Horizonte, no campus da UFMG, por ocasião do XV Endipe – Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino.
O painel que irei coordenar intitula-se “Jogos Digitais e Educação: Um Estudo Exploratório”. Além do trabalho com esse título que será apresentado por mim e por Mateus Amaral, que é meu bolsista voluntário de pesquisa no Laboratório de Estudos da Aprendizagem Humana (LEAH – UERJ), os outros trabalhos são: “Por Uma Didática Para os Nativos Digitais: Novo Desafio para o Trabalho Docente” (de autoria de Eloiza da Silva Gomes de Oliveira e Andréa de Farias Castro, ambas professoras da Faculdade de Educação da UERJ) e “A Acessibilidade e o Uso de Mídias Eletronicas por parte dos Nativos Digitais” (de autoria de George de Souza Alves e Jane Quelhas, professores do Colégio Pedro II e alunos do Doutorado em Políticas Públicas e Formação Humana da UERJ).
Para quem quiser (e puder ir!), a apresentação do painel ocorrerá na Escola de Ciencia da Informação (ECI), de 14:00 às 15:30 horas, na sala 2012.
Ficarei honrado com a presença de voces!  

SÓ PARA SE TER UMA IDÉIA DO SUCESSO DESSA INICIATIVA…

A loja-referencia do “tryvertsing”, a espanhola Esloúltimo, superou todas as expectativas iniciais e teve de adequar o seu modelo de negócios para dar conta do absurdo fluxo de pessoas. Atualmente, o número de visitas por dia a loja gira em torno de 500 a 700 clientes, o que a levou a restringir o número de produtos grátis a 5 por cada cliente, e cada visitante só pode voltar a loja após 30 dias. No início, o número de produtos grátis permitidos era de 10 por cliente, e os visitantes poderiam voltar a cada 15 dias. Além disso, ao invés da anuidade inicial de 5 euros, a cada visita o cliente desembolsa uma taxa de 5 euros, o que torna a Esloúltimo não tão gratuita assim…

Já no Brasil, o visitante poderá levar 5 produtos de graça a cada visita, e poderá voltar quantas vezes quiser ao longo do mes – desde que responda os questionários de pesquisa que serão distribuídos para cada cliente. No Clube Amostra Grátis não será preciso agendar antecipadamente a visita – basta entrar na fila que, para mim, será gigantesca! Já na Sample Central, as visitas serão agendadas antecipadamente e limitadas a uma por dia por cliente, com duração de uma hora, para facilitar o fluxo de pessoas na loja e aumentar a amostra das pesquisas que serão lá realizadas.

Voces tem dúvida? Eu não: vai “bombar”, na certa!!!

Está chegando ao Brasil uma novidade que está fazendo um tremendo sucesso na Europa em tempos de recessão economica, e que eu já comentei aqui no PRAGMA em outra ocasião. A partir do mes de maio, as portas se abrirão para a mais nova coqueluche do varejo e a novidade do marketing: trata-se do “tryvertsing”, lojas-conceito que misturam publicidade com experimentação…

Esse conceito revolucionário do varejo – que tem como referencia a cadeia espanhola Esloúltimo – é baseado na seguinte idéia: entrar, olhar, levar – e o melhor – não pagar!!! Isto é, mediante uma taxa de cadastro anual (como diria Lord Keynes, não há almoço de graça!), o cliente entra na loja, pega o que puder, e “paga” com a sua opinião. São verdadeiros laboratórios de consumo, onde as empresas parceiras expõem os seus produtos em fase de teste a fim de auferir as opiniões e as impressões dos consumidores, e que irão subsidiar futuras decisões de marketing. É uma forma mais cativante, envolvente, divertida, lúdica e participativa do que a mera prática de distribuição de amostras grátis, e que normalmente são esquecidas no fundo das sacolas ou das bolsas…




No Brasil, iniciativas nesse sentido estão sendo abertas na cidade de São Paulo a partir do mes que vem. A primeira delas, o Clube Amostra Grátis será inaugurado no próximo dia 11 de maio, no badalado bairro paulistano da Vila Madalena. O valor da anuidade será de 50 reais, e o casarão para a exposição dos produtos terá uma área de 400 metros quadrados. Ou seja, uma tremenda diversão!

A segunda loja brasileira desse genero, a Sample Lab, será aberta em junho na Rua Augusta, ao lado dos Jardins. Mediante o pagamento de uma anuidade no módico valor de 15 reais (!!!!), o cliente terá a sua disposição uma gama de produtos que vão desde alimentos até bebidas, passando por calçados e itens de vestuário – sempre em um valor inferior a 100 reais. Produtos mais caros como itens de tecnologia poderão ser testados na própria loja, mas o consumidor não poderá adquirí-los (também, seria muito mole, não acham?!?!?!)…

Para os interessados, o cadastramento dos interessados na Sample Lab irá começar na semana que vem, mas a loja mesmo só abre a partir do dia 11 de junho.

Como justificativa para agregar parceiros, as controladoras do negócio afirma que o preço pago pela exposição e obtenção de informações dos consumidores é muito mais em conta do que o investimento feito em uma pesquisa de mercado tradicional.

Não quero enganar não, mas esse negócio tem tudo para se tornar uma febre numa das sociedades mais consumistas, inovadoras e adeptas ao modismo que é a brasileira. É sucesso na certa!!!! 

FOI DADA A LARGADA PARA O iPAD


Enganam-se aqueles que a “corrida do ouro” do e-book iniciou-se com o lançamento do Kindle, da Amazon. O negócio vai começar a pegar fogo mesmo com o tablet da Apple, o iPad, que foi colocado à venda no sábado passado no mercado norte-americano. Como diz o velho ditado, “pedras que rolam não deixam limo”…

Apesar de todo o frisson ao redor do mais novo gadget da Maçã, as vendas do primeiro dia do iPad no mercado foram abaixo da expectativa criada pelo mercado. A empresa de Cupertino, na Califórnia, informou que as vendas do tablet ultrapassaram o patamar de 300 mil unidades – uma relativa decepção, uma vez que os analistas previam um start-up entre 400 mil a 700 mil unidades comercializadas…

No entanto, a história mostra que os produtos mais populares da Apple – como, por exemplo, os ícones iPod e iPhone – tiveram um início tímido de vendas. E o “boca-a-boca” é o elemento mais forte da estratégia de marketing da empresa.

Os números não mentem: o iPhone – que até hoje foram registradas vendas de aproximadamente 42,5 milhões de aparelhos – vendeu apenas 270 mil unidades em seu primeiro dia de lançamento, há cerca de 3 anos atrás…