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Archive for março \30\UTC 2008

>UMA ALEGRIA E UMA TRISTEZA…

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Que o futebol, apesar de todas as sacanagens dos dirigentes e empresários, é um esporte de fortes emoções, ninguém tem dúvidas sobre isso. Para esse Escriba, além de um mero jogo, o futebol é parte fundamental da cultura brasileira. História, vitórias, tradições, histórias, derrotas, tudo isso é parte integrante dessa roda-gigante que é a paixão de milhões de brasileiros. Acredito piamente que, ao nascermos, já estamos prontos para correr atrás de uma bola…

Como o Campeonato Carioca desse ano está um “pé-no-saco” – pois a graça dos últimos anos era a surpresa dos chamados times pequenos -, me animei a comentar no PRAGMA duas coisas. Uma é boa, e outra é de uma tristeza profunda…

Como bom flamenguista que sou, não resisto a fazer um registro, o da vitória do Volta Redonda sobre o Vasco, hoje à tarde, em São Januário. 2 X 1 Voltaço de virada, com um golaço do lateral Marcinho, um tremendo frango do “celebrado” goleiro-artilheiro Tiago!

Dá-lhe Voltaço!!!

Em contrapartida, o queridíssimo América – o segundo time de todos os cariocas – afunda na lama a passos largos, ao empatar hoje à noite em 1 X 1 com o possante time do Mesquita, em pleno Estádio Giulite Coutinho. A campanha rubra foi um fiasco total esse ano, não honrando as tradições e a performance dos anos anteriores no Campeonato Carioca, que chegou inclusive levar o time às finais da Taça Guanabara…

Sinto muito pelo América, mas é na derrota que um clube pode experimentar a sua ressureição. Que os americanos de coração possam se unir nesse momento de extrema adversidade, para colocar o time de volta nos trilhos de sua vitoriosa história…

Hoje, apesar de rubro-negro, o coração desse Escriba está sangrando de tristeza…

UMA ALEGRIA E UMA TRISTEZA…

Que o futebol, apesar de todas as sacanagens dos dirigentes e empresários, é um esporte de fortes emoções, ninguém tem dúvidas sobre isso. Para esse Escriba, além de um mero jogo, o futebol é parte fundamental da cultura brasileira. História, vitórias, tradições, histórias, derrotas, tudo isso é parte integrante dessa roda-gigante que é a paixão de milhões de brasileiros. Acredito piamente que, ao nascermos, já estamos prontos para correr atrás de uma bola…

Como o Campeonato Carioca desse ano está um “pé-no-saco” – pois a graça dos últimos anos era a surpresa dos chamados times pequenos -, me animei a comentar no PRAGMA duas coisas. Uma é boa, e outra é de uma tristeza profunda…

Como bom flamenguista que sou, não resisto a fazer um registro, o da vitória do Volta Redonda sobre o Vasco, hoje à tarde, em São Januário. 2 X 1 Voltaço de virada, com um golaço do lateral Marcinho, um tremendo frango do “celebrado” goleiro-artilheiro Tiago!

Dá-lhe Voltaço!!!

Em contrapartida, o queridíssimo América – o segundo time de todos os cariocas – afunda na lama a passos largos, ao empatar hoje à noite em 1 X 1 com o possante time do Mesquita, em pleno Estádio Giulite Coutinho. A campanha rubra foi um fiasco total esse ano, não honrando as tradições e a performance dos anos anteriores no Campeonato Carioca, que chegou inclusive levar o time às finais da Taça Guanabara…

Sinto muito pelo América, mas é na derrota que um clube pode experimentar a sua ressureição. Que os americanos de coração possam se unir nesse momento de extrema adversidade, para colocar o time de volta nos trilhos de sua vitoriosa história…

Hoje, apesar de rubro-negro, o coração desse Escriba está sangrando de tristeza…

UMA ALEGRIA E UMA TRISTEZA…

Que o futebol, apesar de todas as sacanagens dos dirigentes e empresários, é um esporte de fortes emoções, ninguém tem dúvidas sobre isso. Para esse Escriba, além de um mero jogo, o futebol é parte fundamental da cultura brasileira. História, vitórias, tradições, histórias, derrotas, tudo isso é parte integrante dessa roda-gigante que é a paixão de milhões de brasileiros. Acredito piamente que, ao nascermos, já estamos prontos para correr atrás de uma bola…

Como o Campeonato Carioca desse ano está um “pé-no-saco” – pois a graça dos últimos anos era a surpresa dos chamados times pequenos -, me animei a comentar no PRAGMA duas coisas. Uma é boa, e outra é de uma tristeza profunda…

Como bom flamenguista que sou, não resisto a fazer um registro, o da vitória do Volta Redonda sobre o Vasco, hoje à tarde, em São Januário. 2 X 1 Voltaço de virada, com um golaço do lateral Marcinho, um tremendo frango do “celebrado” goleiro-artilheiro Tiago!

Dá-lhe Voltaço!!!

Em contrapartida, o queridíssimo América – o segundo time de todos os cariocas – afunda na lama a passos largos, ao empatar hoje à noite em 1 X 1 com o possante time do Mesquita, em pleno Estádio Giulite Coutinho. A campanha rubra foi um fiasco total esse ano, não honrando as tradições e a performance dos anos anteriores no Campeonato Carioca, que chegou inclusive levar o time às finais da Taça Guanabara…

Sinto muito pelo América, mas é na derrota que um clube pode experimentar a sua ressureição. Que os americanos de coração possam se unir nesse momento de extrema adversidade, para colocar o time de volta nos trilhos de sua vitoriosa história…

Hoje, apesar de rubro-negro, o coração desse Escriba está sangrando de tristeza…

>SOBRE ESDRÚXULAS CAMISAS DE FUTEBOL

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A onda da “marquetagem” atingiu em cheio os dois times de maior torcida do futebol brasileiro – e, curiosamente, ambos possuem contratos com a mesma fornecedora de equipamento esportivo, a rainha da “marquetagem”, a norte-americana Nike

Uma estréia, e uma promessa marcaram o final de semana futebolístico. No sábado, no Maracanã, o time do Flamengo – a maior torcida do Brasil, segundo repetidas pesquisas de mercado – estreou, no empate contra o Madureira, a terceira camisa do clube. A intenção foi boa, pois o uniforme homenageia o remo, esporte que deu início à vitoriosa trajetória do rubro-negro. No entanto, a emenda foi pior que o soneto, pois a camisa é horrorosa e de um mal-gosto incomensurável!

Bola-fora para o pessoal da Nike, e tudo indica que a diretoria do time da Gávea está negociando uma bolada para assinar um contrato mais vantajoso com uma nova fornecedora de material esportivo. Dizem as más línguas que a briga é grande, envolvendo marcas como a Adidas, a Lotto, a Reebok e a Penalty
Em São Paulo, uma imensa expectativa se deu em torno da estréia – frustrada – do terceiro uniforme do Corinthians. Aproveitando a comoção em torno do rebaixamento do time do Parque São Jorge para a série B do Campeonato Brasileiro – que, diga-se de passagem, alavancou as vendas de camisas, flâmulas, bonés, pulseiras e outros materiais do clube -, fez-se uma “onda” tremenda no jogo de hoje à tarde contra o Marília, no Morumbi, em torno do possível uso da também horrorosa e ridícula camisa roxa – o que não acabou acontecendo. Vale lembrar que a torcida do Corinthians não gostou muito da “novidade”, pichando palavras de ordem nos muros do clube – que, como o ônibus do time – estava pintado da cor roxa…
Noves fora os uniformes serem feios “de doer” – o que demonstra a falta de criatividade dos estilistas da Nike -, a moda do terceiro uniforme funcionou muito bem na Europa, onde normalmente os times a utilizam em jogos fora de seus estádios. Aqui no Brasil, temos alguns exemplos bons e ruins. O Palmeiras tem uma, da cor amarelo-limão “cheguei”; o Santos também tem a sua, em azul escuro; o Cruzeiro tem uma em tons degradés de azul, que por sinal é muito bonita. Isso sem falar na famosa terceira camisa do Fluminense, a também “cheguei” alaranjada que, assim como a do time do Parque Antártica, chega a doer os olhos…
Se a moda pega, imagino que daqui a pouco teremos uniformes semelhantes à alegorias de escolas de samba. Somado aos patrocínios nas camisas de alguns clubes do nosso país, aí mesmo é que vai ter time jogando como se estivesse desfilando no Sambódromo da Sapucaí ou da Marginal do Tietê…
Feliz é o São Cristóvão, que por estatuto – e permissão da Fifa – possui apenas um único uniforme: um branco alvo imaculado! Bons tempos que não voltam mais…

SOBRE ESDRÚXULAS CAMISAS DE FUTEBOL

A onda da “marquetagem” atingiu em cheio os dois times de maior torcida do futebol brasileiro – e, curiosamente, ambos possuem contratos com a mesma fornecedora de equipamento esportivo, a rainha da “marquetagem”, a norte-americana Nike

Uma estréia, e uma promessa marcaram o final de semana futebolístico. No sábado, no Maracanã, o time do Flamengo – a maior torcida do Brasil, segundo repetidas pesquisas de mercado – estreou, no empate contra o Madureira, a terceira camisa do clube. A intenção foi boa, pois o uniforme homenageia o remo, esporte que deu início à vitoriosa trajetória do rubro-negro. No entanto, a emenda foi pior que o soneto, pois a camisa é horrorosa e de um mal-gosto incomensurável!

Bola-fora para o pessoal da Nike, e tudo indica que a diretoria do time da Gávea está negociando uma bolada para assinar um contrato mais vantajoso com uma nova fornecedora de material esportivo. Dizem as más línguas que a briga é grande, envolvendo marcas como a Adidas, a Lotto, a Reebok e a Penalty
Em São Paulo, uma imensa expectativa se deu em torno da estréia – frustrada – do terceiro uniforme do Corinthians. Aproveitando a comoção em torno do rebaixamento do time do Parque São Jorge para a série B do Campeonato Brasileiro – que, diga-se de passagem, alavancou as vendas de camisas, flâmulas, bonés, pulseiras e outros materiais do clube -, fez-se uma “onda” tremenda no jogo de hoje à tarde contra o Marília, no Morumbi, em torno do possível uso da também horrorosa e ridícula camisa roxa – o que não acabou acontecendo. Vale lembrar que a torcida do Corinthians não gostou muito da “novidade”, pichando palavras de ordem nos muros do clube – que, como o ônibus do time – estava pintado da cor roxa…
Noves fora os uniformes serem feios “de doer” – o que demonstra a falta de criatividade dos estilistas da Nike -, a moda do terceiro uniforme funcionou muito bem na Europa, onde normalmente os times a utilizam em jogos fora de seus estádios. Aqui no Brasil, temos alguns exemplos bons e ruins. O Palmeiras tem uma, da cor amarelo-limão “cheguei”; o Santos também tem a sua, em azul escuro; o Cruzeiro tem uma em tons degradés de azul, que por sinal é muito bonita. Isso sem falar na famosa terceira camisa do Fluminense, a também “cheguei” alaranjada que, assim como a do time do Parque Antártica, chega a doer os olhos…
Se a moda pega, imagino que daqui a pouco teremos uniformes semelhantes à alegorias de escolas de samba. Somado aos patrocínios nas camisas de alguns clubes do nosso país, aí mesmo é que vai ter time jogando como se estivesse desfilando no Sambódromo da Sapucaí ou da Marginal do Tietê…
Feliz é o São Cristóvão, que por estatuto – e permissão da Fifa – possui apenas um único uniforme: um branco alvo imaculado! Bons tempos que não voltam mais…

SOBRE ESDRÚXULAS CAMISAS DE FUTEBOL

A onda da “marquetagem” atingiu em cheio os dois times de maior torcida do futebol brasileiro – e, curiosamente, ambos possuem contratos com a mesma fornecedora de equipamento esportivo, a rainha da “marquetagem”, a norte-americana Nike

Uma estréia, e uma promessa marcaram o final de semana futebolístico. No sábado, no Maracanã, o time do Flamengo – a maior torcida do Brasil, segundo repetidas pesquisas de mercado – estreou, no empate contra o Madureira, a terceira camisa do clube. A intenção foi boa, pois o uniforme homenageia o remo, esporte que deu início à vitoriosa trajetória do rubro-negro. No entanto, a emenda foi pior que o soneto, pois a camisa é horrorosa e de um mal-gosto incomensurável!

Bola-fora para o pessoal da Nike, e tudo indica que a diretoria do time da Gávea está negociando uma bolada para assinar um contrato mais vantajoso com uma nova fornecedora de material esportivo. Dizem as más línguas que a briga é grande, envolvendo marcas como a Adidas, a Lotto, a Reebok e a Penalty
Em São Paulo, uma imensa expectativa se deu em torno da estréia – frustrada – do terceiro uniforme do Corinthians. Aproveitando a comoção em torno do rebaixamento do time do Parque São Jorge para a série B do Campeonato Brasileiro – que, diga-se de passagem, alavancou as vendas de camisas, flâmulas, bonés, pulseiras e outros materiais do clube -, fez-se uma “onda” tremenda no jogo de hoje à tarde contra o Marília, no Morumbi, em torno do possível uso da também horrorosa e ridícula camisa roxa – o que não acabou acontecendo. Vale lembrar que a torcida do Corinthians não gostou muito da “novidade”, pichando palavras de ordem nos muros do clube – que, como o ônibus do time – estava pintado da cor roxa…
Noves fora os uniformes serem feios “de doer” – o que demonstra a falta de criatividade dos estilistas da Nike -, a moda do terceiro uniforme funcionou muito bem na Europa, onde normalmente os times a utilizam em jogos fora de seus estádios. Aqui no Brasil, temos alguns exemplos bons e ruins. O Palmeiras tem uma, da cor amarelo-limão “cheguei”; o Santos também tem a sua, em azul escuro; o Cruzeiro tem uma em tons degradés de azul, que por sinal é muito bonita. Isso sem falar na famosa terceira camisa do Fluminense, a também “cheguei” alaranjada que, assim como a do time do Parque Antártica, chega a doer os olhos…
Se a moda pega, imagino que daqui a pouco teremos uniformes semelhantes à alegorias de escolas de samba. Somado aos patrocínios nas camisas de alguns clubes do nosso país, aí mesmo é que vai ter time jogando como se estivesse desfilando no Sambódromo da Sapucaí ou da Marginal do Tietê…
Feliz é o São Cristóvão, que por estatuto – e permissão da Fifa – possui apenas um único uniforme: um branco alvo imaculado! Bons tempos que não voltam mais…

>SOBRE ENCONTROS FORTUITOS E CONVERSAS AGRADÁVEIS

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Caros leitores, esse Escriba se penitencia publicamente ao não atualizar com a frequência usual, durante esse semana, os posts do PRAGMA. Dada a agitação dos últimos dias – tanto na UERJ quanto na FGV -, estou um tanto o quanto em débito com aqueles que prestigiam esse blog. Coisas de uma semana curta, intensa e rápida – afinal, são aulas, projetos, palestras, reuniões de trabalho, e-mails
Encontro-me agora em Vitória – a nossa bela capital capixaba – teclando no meu notebook, vendo o tempo abrir ensolarado pela janela do meu quarto de hotel – a minha segunda casa nos últimos anos. Pequenos prazeres de uma vida prá lá de atribulada, mas que não deixa de ter as suas compensações – mesmo que efêmeras e fugidias…
Ontem à tarde, no vôo do Aeroporto do Galeão até Vitória, tive o prazer de sentar ao lado de um dos maiores intelectuais brasileiros, o antropólogo Roberto da Matta. Trata-se de uma das maiores autoridades quando o assunto é Brasil – suas análises abordam questões como as características da cultura brasileira, a organização de nossa sociedade e de nosso sistema de classes, bem como o modus operandi de nossas instituições públicas e privadas.
Sua bibliografia é vastíssima e densa – eu destaco livros como Carnavais, Malandros e Heróis (de 1979), Relativizando: Uma Introdução à Antropologia Social (de 1981), O Que Faz o Brasil, Brasil (de 1984), A Casa e A Rua (também de 1984) -, e seus textos se encontram em continuidade com uma longa e fecunda linha de estudos sobre o Brasil, que tem como expoentes gigantes do pensamento brasileiro como Celso Furtado, Caio Prado Júnior, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes e alguns outros mais. O que comum é a todos, a despeito das diferenças teóricas e metodológicas, é justamente pensar a questão da mentalidade do brasileiro e o funcionamento de nossa engrenagem social.
De repente, esse humilde ser estava ao lado de um dos monstros do pensamento sociológico brasileiro…
(Nesses momentos, toda a minha extroversão se esvai num passe de mágica, e me torno uma pessoa extremamente tímida e reservada – por incrível que pareça, para quem conheçe mais a fundo esse Escriba que vos fala!)…
Olhei para ele, nos cumprimentamos, e fiquei na minha. Resolvi abrir o meu jornal, na esperança de que ele pudesse dirigir um olhar ou algo que pudesse abrir uma possível conversação. Por sorte, tomei a primeira página do jornal O Globo de ontem, que tinha em uma das manchetes o apoio do Governador Sérgio Cabral à candidatura do atual deputado estadual Alessandro Molon (do PT) para a Prefeitura do Rio de Janeiro – “rifando”, assim, a propalada candidatura do atual Presidente da Suderj Eduardo Paes. Tal movimento sela definitivamente a profunda aliança política entre o atual Governador e o Presidente Lula no Estado do Rio de Janeiro, com vistas à eleição presidencial de 2010. Quando li essa manchete, confesso que exalei um suspiro e falei bem baixinho para mim mesmo, “não acredito nisso!”…
Para minha surpresa, o meu colega de assento sorriu e pediu para ver o jornal. Me disse que isso era a cara do Brasil – como se ele não soubesse disto! -, e começou a falar um pouco sobre o seu entendimento a respeito da política brasileira. Fez observações breves, bastante concisas e numa linguagem coloquial – bem longe das expressões crípticas e elípticas de alguns de nossos “medalhões” que infestam a nossa Academia. Explicou, por exemplo, a dificuldade que um americano teria para entender a nossa popularíssima expressão “rifar alguém” (“to riff somebody”… rsrsrsrsrs) – teria de explicar o que é uma rifa, a idéia de passar o chapéu, de “fazer uma vaquinha”, a de dividir os custos de algo e ainda por cima ganhar algum trocado em cima disso, coisas típicas do cotidiano do (sub)mundo da lower politics verde-e-amarela…
No entanto, uma observação que ele fez chamou muito a minha atenção: a de que a ênfase na questão da estabilidade econômica – presente na agenda das políticas governamentais do governo FHC – deveria ser susbtituída por política voltadas para a questão dos ganhos sociais efetivos. Em bom economês, as conquistas macroeconômicas deveriam se reverter em benefícios microeconômicos concretos – leia-se, uma melhoria sensível no padrão de vida das pessoas, especialmente entre os mais pobres -, sob pena do colapso do sistema político da democracia representativa. Isto é, não adianta de nada ter uma moeda estável e a inflação sob controle se os cidadãos não tiverem educação de qualidade, comida no prato, habitações decentes e erradicação de doenças básicas – tais como desnutrição, febre amarela, cólera, dengue…
Manifesta-se aí o olhar do Cientista Social, para além do Economista, que procura articular as dimensões macro e microsociais. As questões sociais são tão urgentes, em seu entendimento, que o “toma-lá-dá-cá” da politicagem de baixo nível (um oxímoro, com certeza!) traria cada vez mais ganhos marginais ao sistema, colocando-o sob o risco crescente de desestablização e posterior colapso. Li, nas entrelinhas de sua argumentação, a preocupação com o processo civilizatório – tal como nos fala o sociólogo alemão Norbert Elias – e a necessidade urgente de atender as demandas dos cidadãos, para além da redoma dos convescotes palacianos e das trocas de favores e de dinheiro, que ocorrem no subterrâneos da corte. Caso contrário, o lunpem e os sans-culotes podem subverter a ordem estabelecida, criando uma nova estrutura de organização da economia e da sociedade – lembrem-se, meus eruditos leitores, do “Liberté, Egalité, Fraternité” da Revolução Francesa
Nesse sentido, os regimes populistas instalados pelo voto popular na Venezuela, na Bolívia e no Equador são um lembrete constante da “destruição criadora” da economia capitalista, que precisa destruir-se para reconfigurar-se em novas bases, tal como uma Fênix que renasce das cinzas após cada colapso…
Quando a conversa estava começando a ficar interessante – pelo menos para mim, mas um pouco entendiante para um intelectual tão requisitado quanto Da Matta – eis que era chegada a hora de aterrisar na capital capixaba. Pena que o vôo até Vitória tenha apenas a duração de 50 minutos…
Pousamos, e nos despedimos cordialmente – no sentido da expressão utilizada por Sérgio Buarque de Holanda, proveniente do vocábulo latino “cordae”, que significa coração. Agradeci-o pela paciência de ter dialogado – mesmo que muito brevemente – comigo, bem como de ter-me inspirado em meu percurso intelectual, tanto pessoal quanto profissional. De uma viagem cansativa para mais um dia longo de trabalho, a conversa me rejuvenesceu e me animou para a aula da noite!
Agora, refletindo um pouco mais, me pergunto o que um simples encontro fortuito pode fazer ao nosso espírito. A vida é assim mesmo, repleta de poucos e efêmeros momentos, que temos de ter a sabedoria de aproveitá-los ao máximo, pois a vida anda e o tempo urge…