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Archive for agosto \31\UTC 2008

>O NOVO ÁLBUM DO METALLICA VEM AÍ…

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O Metallica é uma banda emblemática para a minha geração de fãs de heavy metal, que hoje está chegando à casa dos 40 anos. Não dá para entender esses caras de São Francisco sem compreender o contexto no qual encontrava-se o rock pesado na metade da década de 1980…

No início dos anos 1980, o rock pesado vinha de um movimento de renovação frente à década passada, dominada por super-bandas clássicas como Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath. Essa lufada de ar fresco vinha dos dois lados do Atlântico: pela Inglaterra, por intermédio do movimento intitulado pela crítica especializada de NWOBH (New Wave of British Heavy Metal), representado por grupos como Samson, Saxon, Def Leppard e Iron Maiden – esses dois últimos, sem dúvida alguma, os mais bem-sucedidos; pelos EUA, ao fundir o hard rock setentista e o glitter-rock de artistas como Marc Bollam, T-Rex e New York Dolls, dando origem ao multiplatinado movimento do glam rock ou arena rock – ou ainda, segundo seus detratores, o poser rock -, representado por uma enorme quantidade de grupos como Mötley Crüe, Ratt, Dokken, Bon Jovi, Giuffria, Quiet Riot, Poison, dentre inúmeros outros. Sem sombra de dúvida, a década de 1980 caminhava para o domínio total do rock de laquê, dos lenços coloridos, dos cabelos “armados”, do visual andrógino e do rock “rebelde-comportado” dessas bandas…

Nessa época, alguns garotos da costa oeste norte-americana, inconformados com a hegemonia do arena rock, resolveram radicalizar o rock pesado ao acelerar os riffs de guitarra e acrescentar baterias pesadas e rápidas. Foi o surgimento do trash metal, capitaneado pelo quarteto de ouro Metallica, Slayer, Exodus e Anthrax – tirando os primeiros, a última era proveniente de Nova York, na costa leste americana. Seus primeiros discos, Kill’ Em All (Metallica, 1983), Show No Mercy (Slayer, 1983), Bonded by Blood (Exodus, 1985) e Fistful of Metal (Anthrax, 1984) tornaram-se clássicos do gênero, reverenciados por fãs do mundo inteiro e, desde então, muito do que acontece hoje no cenário atual do rock pesado se deve a esses caras. Sem essas bandas – além de outras como Megadeth, Nuclear Assault e Napalm Death -, certamente não surgiriam potências dos anos 1990 e 2000 como Pantera, Slipknot, Korn, dentre outros mais…

De todas essas bandas, sem sombra de dúvida a mais bem-sucedida comercialmente foi o Metallica. Dotada de um som inovador, e com uma proposta longe de explorar letras mais obscuras e satânicas como o seu contemporâneo Slayer, a força do grupo repousou sempre na poderosa “cozinha” composta pelo fenomenal baterista dinamarquês Lars Ulrich (um dos maiores do gênero, em meu entendimento) e o baixo pulsante e criativo do falecido Cliff Burton – posteriormente substituído pelo também criativo e carismático Jason Newsted, que também já saiu da banda. Além disso, os riffs rápidos das guitarras eram abrilhantados pelos solos “matadores” de Kirk Hammett, um dos mais destacados múiscos do gênero. Álbuns como Ride The Lightning (de 1984), Master of Puppets (de 1986, o maior da banda, em minha opinião!) e …And Justice For All (de 1988) – que inclusive rendeu um show no Maracanãzinho, onde esse Escriba esteve presente – são clássicos do gênero. Verdadeiras pérolas do trash metal. É para não parar de ouvir…

Ironicamente, o álbum mais bem sucedido comercialmente dos caras também foi o “canto do cisne” da banda. Metallica (1991), mundialmente conhecido como Black Album, foi um turning point no som da banda, que abdicava das longas e rápidas composições, repletas de solos alucinados de guitarra e mudanças abruptas de tempo, para um som mais direto e acessível, apesar de continuar com a sonoridade pesada. Para os fãs mais radicais da banda, músicas como Enter Sandman, Sad But True, Wherever I May Roam e Wolf and Man eram indicadores claros da concessão da banda ao “comercialismo” da MTV – a prova disso é que, na época do lançamento do disco, os clips da banda inundavam a programação do canal norte-americano, com destaque para as “baladas” (se assim pode-se dizer) The Unforgiven e Nothing Else Matters…

Depois disso, como toda boa banda de rockstars, os caras entraram numa “egotrip” destrutiva que refletiu-se na produção de discos medíocres que indicavam a entressafra criativa do grupo. As tensões crescentes entre o vocalista James Hetfield e o baterista Lars Ulrich – o “xerifão” da banda – chegaram às raias do insuportável (tal como documentado pelo filme Some Kind of Monster, de 2004), com o primeiro deixando a banda em plena gravação do novo álbum, para tratar-se do alcoolismo.

Como se não bastasse isso, a guitarra de Kirk Hammet ficou cada vez mais econômica e fading out, e o cara simplesmente abdicou de solar nos últimos álbuns da banda – algo absolutamente inconcebível para um gênero musical como o heavy metal! Além da crise criativa, os caras ainda encontraram tempo para “comprar” uma briga indigesta contra o site de downloads de música Napster, afastando cada vez mais a banda da nova geração e reforçando a imagem, entre os fãs da banda, de que definitivamente o Metallica tinha se “vendido” ao sistema…

Após um hiato de quase 7 anos, eis que a banda lançou o esperadíssimo St. Anger em 2003, em minha opinião uma bomba de proporções astronômicas! A mixagem horrorosa, as composições fracas, o som “enlatado” da bateria e a falta de solos de guitarra resultou em um dos maiores “micos” que a banda já fez em toda a sua careira. Depois desse disco, resolvi “abandonar” o grupo e saciar a minha sede de peso em outras praias. Afinal, em uma época repleta de Panteras, Soulflys, Slipknots, além de “velhos e combativos de guerra” como Slayer e Anthrax, definitivamente achei que o som dos caras não era mais para mim…

No entanto, eis que o novo álbum da banda vem cercado por uma enorme expectativa por parte dos fãs e da crítica especializada. Death Magnetic (a ser lançado no próximo dia 12 de setembro) é, na própria opinião dos seus integrantes, uma “volta ao passado”, um revival da sonoridade clássica da banda que tanto encantou os aficcionados de rock pesado do mundo inteiro. Elementos tradicionais da sonoridade “metálica” estão de volta, como as longas composições de andamento alternado, os riffs rápidos e as batidas pesadas, além dos longos e alucinados solos de guitarra. Esse Escriba que vos fala acessou o site oficial da banda, ouviu a faixa My Apocalypse, e ficou agradavelmente surpreso com esse retorno à sonoridade dos anos heróicos do grupo. Confesso que, após ter completamente tirado os caras do meu radar sonoro, eis que volto as minhas atenções para Hetfield, Hammet & Ulrich, acompanhados do enlouquecido e criativo baixista Robert Trujillo (ex-Suicidal Tendencies e Ozzy Osbourne), reis dos slaps e integrante da banda desde a turnê do mal-fadado álbum St. Anger

Como setembro está logo aí, a minha ansiedade aumenta e vou ver se acho mais alguma novidade na rede sobre o novo álbum dos caras. Se o Metallica vai voltar ao que era antes eu não tenho a menor idéia, mas vindo desses caras, tudo é possível…
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O NOVO ÁLBUM DO METALLICA VEM AÍ…

O Metallica é uma banda emblemática para a minha geração de fãs de heavy metal, que hoje está chegando à casa dos 40 anos. Não dá para entender esses caras de São Francisco sem compreender o contexto no qual encontrava-se o rock pesado na metade da década de 1980…

No início dos anos 1980, o rock pesado vinha de um movimento de renovação frente à década passada, dominada por super-bandas clássicas como Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath. Essa lufada de ar fresco vinha dos dois lados do Atlântico: pela Inglaterra, por intermédio do movimento intitulado pela crítica especializada de NWOBH (New Wave of British Heavy Metal), representado por grupos como Samson, Saxon, Def Leppard e Iron Maiden – esses dois últimos, sem dúvida alguma, os mais bem-sucedidos; pelos EUA, ao fundir o hard rock setentista e o glitter-rock de artistas como Marc Bollam, T-Rex e New York Dolls, dando origem ao multiplatinado movimento do glam rock ou arena rock – ou ainda, segundo seus detratores, o poser rock -, representado por uma enorme quantidade de grupos como Mötley Crüe, Ratt, Dokken, Bon Jovi, Giuffria, Quiet Riot, Poison, dentre inúmeros outros. Sem sombra de dúvida, a década de 1980 caminhava para o domínio total do rock de laquê, dos lenços coloridos, dos cabelos “armados”, do visual andrógino e do rock “rebelde-comportado” dessas bandas…

Nessa época, alguns garotos da costa oeste norte-americana, inconformados com a hegemonia do arena rock, resolveram radicalizar o rock pesado ao acelerar os riffs de guitarra e acrescentar baterias pesadas e rápidas. Foi o surgimento do trash metal, capitaneado pelo quarteto de ouro Metallica, Slayer, Exodus e Anthrax – tirando os primeiros, a última era proveniente de Nova York, na costa leste americana. Seus primeiros discos, Kill’ Em All (Metallica, 1983), Show No Mercy (Slayer, 1983), Bonded by Blood (Exodus, 1985) e Fistful of Metal (Anthrax, 1984) tornaram-se clássicos do gênero, reverenciados por fãs do mundo inteiro e, desde então, muito do que acontece hoje no cenário atual do rock pesado se deve a esses caras. Sem essas bandas – além de outras como Megadeth, Nuclear Assault e Napalm Death -, certamente não surgiriam potências dos anos 1990 e 2000 como Pantera, Slipknot, Korn, dentre outros mais…

De todas essas bandas, sem sombra de dúvida a mais bem-sucedida comercialmente foi o Metallica. Dotada de um som inovador, e com uma proposta longe de explorar letras mais obscuras e satânicas como o seu contemporâneo Slayer, a força do grupo repousou sempre na poderosa “cozinha” composta pelo fenomenal baterista dinamarquês Lars Ulrich (um dos maiores do gênero, em meu entendimento) e o baixo pulsante e criativo do falecido Cliff Burton – posteriormente substituído pelo também criativo e carismático Jason Newsted, que também já saiu da banda. Além disso, os riffs rápidos das guitarras eram abrilhantados pelos solos “matadores” de Kirk Hammett, um dos mais destacados múiscos do gênero. Álbuns como Ride The Lightning (de 1984), Master of Puppets (de 1986, o maior da banda, em minha opinião!) e …And Justice For All (de 1988) – que inclusive rendeu um show no Maracanãzinho, onde esse Escriba esteve presente – são clássicos do gênero. Verdadeiras pérolas do trash metal. É para não parar de ouvir…

Ironicamente, o álbum mais bem sucedido comercialmente dos caras também foi o “canto do cisne” da banda. Metallica (1991), mundialmente conhecido como Black Album, foi um turning point no som da banda, que abdicava das longas e rápidas composições, repletas de solos alucinados de guitarra e mudanças abruptas de tempo, para um som mais direto e acessível, apesar de continuar com a sonoridade pesada. Para os fãs mais radicais da banda, músicas como Enter Sandman, Sad But True, Wherever I May Roam e Wolf and Man eram indicadores claros da concessão da banda ao “comercialismo” da MTV – a prova disso é que, na época do lançamento do disco, os clips da banda inundavam a programação do canal norte-americano, com destaque para as “baladas” (se assim pode-se dizer) The Unforgiven e Nothing Else Matters…

Depois disso, como toda boa banda de rockstars, os caras entraram numa “egotrip” destrutiva que refletiu-se na produção de discos medíocres que indicavam a entressafra criativa do grupo. As tensões crescentes entre o vocalista James Hetfield e o baterista Lars Ulrich – o “xerifão” da banda – chegaram às raias do insuportável (tal como documentado pelo filme Some Kind of Monster, de 2004), com o primeiro deixando a banda em plena gravação do novo álbum, para tratar-se do alcoolismo.

Como se não bastasse isso, a guitarra de Kirk Hammet ficou cada vez mais econômica e fading out, e o cara simplesmente abdicou de solar nos últimos álbuns da banda – algo absolutamente inconcebível para um gênero musical como o heavy metal! Além da crise criativa, os caras ainda encontraram tempo para “comprar” uma briga indigesta contra o site de downloads de música Napster, afastando cada vez mais a banda da nova geração e reforçando a imagem, entre os fãs da banda, de que definitivamente o Metallica tinha se “vendido” ao sistema…

Após um hiato de quase 7 anos, eis que a banda lançou o esperadíssimo St. Anger em 2003, em minha opinião uma bomba de proporções astronômicas! A mixagem horrorosa, as composições fracas, o som “enlatado” da bateria e a falta de solos de guitarra resultou em um dos maiores “micos” que a banda já fez em toda a sua careira. Depois desse disco, resolvi “abandonar” o grupo e saciar a minha sede de peso em outras praias. Afinal, em uma época repleta de Panteras, Soulflys, Slipknots, além de “velhos e combativos de guerra” como Slayer e Anthrax, definitivamente achei que o som dos caras não era mais para mim…

No entanto, eis que o novo álbum da banda vem cercado por uma enorme expectativa por parte dos fãs e da crítica especializada. Death Magnetic (a ser lançado no próximo dia 12 de setembro) é, na própria opinião dos seus integrantes, uma “volta ao passado”, um revival da sonoridade clássica da banda que tanto encantou os aficcionados de rock pesado do mundo inteiro. Elementos tradicionais da sonoridade “metálica” estão de volta, como as longas composições de andamento alternado, os riffs rápidos e as batidas pesadas, além dos longos e alucinados solos de guitarra. Esse Escriba que vos fala acessou o site oficial da banda, ouviu a faixa My Apocalypse, e ficou agradavelmente surpreso com esse retorno à sonoridade dos anos heróicos do grupo. Confesso que, após ter completamente tirado os caras do meu radar sonoro, eis que volto as minhas atenções para Hetfield, Hammet & Ulrich, acompanhados do enlouquecido e criativo baixista Robert Trujillo (ex-Suicidal Tendencies e Ozzy Osbourne), reis dos slaps e integrante da banda desde a turnê do mal-fadado álbum St. Anger

Como setembro está logo aí, a minha ansiedade aumenta e vou ver se acho mais alguma novidade na rede sobre o novo álbum dos caras. Se o Metallica vai voltar ao que era antes eu não tenho a menor idéia, mas vindo desses caras, tudo é possível…

O NOVO ÁLBUM DO METALLICA VEM AÍ…

O Metallica é uma banda emblemática para a minha geração de fãs de heavy metal, que hoje está chegando à casa dos 40 anos. Não dá para entender esses caras de São Francisco sem compreender o contexto no qual encontrava-se o rock pesado na metade da década de 1980…

No início dos anos 1980, o rock pesado vinha de um movimento de renovação frente à década passada, dominada por super-bandas clássicas como Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath. Essa lufada de ar fresco vinha dos dois lados do Atlântico: pela Inglaterra, por intermédio do movimento intitulado pela crítica especializada de NWOBH (New Wave of British Heavy Metal), representado por grupos como Samson, Saxon, Def Leppard e Iron Maiden – esses dois últimos, sem dúvida alguma, os mais bem-sucedidos; pelos EUA, ao fundir o hard rock setentista e o glitter-rock de artistas como Marc Bollam, T-Rex e New York Dolls, dando origem ao multiplatinado movimento do glam rock ou arena rock – ou ainda, segundo seus detratores, o poser rock -, representado por uma enorme quantidade de grupos como Mötley Crüe, Ratt, Dokken, Bon Jovi, Giuffria, Quiet Riot, Poison, dentre inúmeros outros. Sem sombra de dúvida, a década de 1980 caminhava para o domínio total do rock de laquê, dos lenços coloridos, dos cabelos “armados”, do visual andrógino e do rock “rebelde-comportado” dessas bandas…

Nessa época, alguns garotos da costa oeste norte-americana, inconformados com a hegemonia do arena rock, resolveram radicalizar o rock pesado ao acelerar os riffs de guitarra e acrescentar baterias pesadas e rápidas. Foi o surgimento do trash metal, capitaneado pelo quarteto de ouro Metallica, Slayer, Exodus e Anthrax – tirando os primeiros, a última era proveniente de Nova York, na costa leste americana. Seus primeiros discos, Kill’ Em All (Metallica, 1983), Show No Mercy (Slayer, 1983), Bonded by Blood (Exodus, 1985) e Fistful of Metal (Anthrax, 1984) tornaram-se clássicos do gênero, reverenciados por fãs do mundo inteiro e, desde então, muito do que acontece hoje no cenário atual do rock pesado se deve a esses caras. Sem essas bandas – além de outras como Megadeth, Nuclear Assault e Napalm Death -, certamente não surgiriam potências dos anos 1990 e 2000 como Pantera, Slipknot, Korn, dentre outros mais…

De todas essas bandas, sem sombra de dúvida a mais bem-sucedida comercialmente foi o Metallica. Dotada de um som inovador, e com uma proposta longe de explorar letras mais obscuras e satânicas como o seu contemporâneo Slayer, a força do grupo repousou sempre na poderosa “cozinha” composta pelo fenomenal baterista dinamarquês Lars Ulrich (um dos maiores do gênero, em meu entendimento) e o baixo pulsante e criativo do falecido Cliff Burton – posteriormente substituído pelo também criativo e carismático Jason Newsted, que também já saiu da banda. Além disso, os riffs rápidos das guitarras eram abrilhantados pelos solos “matadores” de Kirk Hammett, um dos mais destacados múiscos do gênero. Álbuns como Ride The Lightning (de 1984), Master of Puppets (de 1986, o maior da banda, em minha opinião!) e …And Justice For All (de 1988) – que inclusive rendeu um show no Maracanãzinho, onde esse Escriba esteve presente – são clássicos do gênero. Verdadeiras pérolas do trash metal. É para não parar de ouvir…

Ironicamente, o álbum mais bem sucedido comercialmente dos caras também foi o “canto do cisne” da banda. Metallica (1991), mundialmente conhecido como Black Album, foi um turning point no som da banda, que abdicava das longas e rápidas composições, repletas de solos alucinados de guitarra e mudanças abruptas de tempo, para um som mais direto e acessível, apesar de continuar com a sonoridade pesada. Para os fãs mais radicais da banda, músicas como Enter Sandman, Sad But True, Wherever I May Roam e Wolf and Man eram indicadores claros da concessão da banda ao “comercialismo” da MTV – a prova disso é que, na época do lançamento do disco, os clips da banda inundavam a programação do canal norte-americano, com destaque para as “baladas” (se assim pode-se dizer) The Unforgiven e Nothing Else Matters…

Depois disso, como toda boa banda de rockstars, os caras entraram numa “egotrip” destrutiva que refletiu-se na produção de discos medíocres que indicavam a entressafra criativa do grupo. As tensões crescentes entre o vocalista James Hetfield e o baterista Lars Ulrich – o “xerifão” da banda – chegaram às raias do insuportável (tal como documentado pelo filme Some Kind of Monster, de 2004), com o primeiro deixando a banda em plena gravação do novo álbum, para tratar-se do alcoolismo.

Como se não bastasse isso, a guitarra de Kirk Hammet ficou cada vez mais econômica e fading out, e o cara simplesmente abdicou de solar nos últimos álbuns da banda – algo absolutamente inconcebível para um gênero musical como o heavy metal! Além da crise criativa, os caras ainda encontraram tempo para “comprar” uma briga indigesta contra o site de downloads de música Napster, afastando cada vez mais a banda da nova geração e reforçando a imagem, entre os fãs da banda, de que definitivamente o Metallica tinha se “vendido” ao sistema…

Após um hiato de quase 7 anos, eis que a banda lançou o esperadíssimo St. Anger em 2003, em minha opinião uma bomba de proporções astronômicas! A mixagem horrorosa, as composições fracas, o som “enlatado” da bateria e a falta de solos de guitarra resultou em um dos maiores “micos” que a banda já fez em toda a sua careira. Depois desse disco, resolvi “abandonar” o grupo e saciar a minha sede de peso em outras praias. Afinal, em uma época repleta de Panteras, Soulflys, Slipknots, além de “velhos e combativos de guerra” como Slayer e Anthrax, definitivamente achei que o som dos caras não era mais para mim…

No entanto, eis que o novo álbum da banda vem cercado por uma enorme expectativa por parte dos fãs e da crítica especializada. Death Magnetic (a ser lançado no próximo dia 12 de setembro) é, na própria opinião dos seus integrantes, uma “volta ao passado”, um revival da sonoridade clássica da banda que tanto encantou os aficcionados de rock pesado do mundo inteiro. Elementos tradicionais da sonoridade “metálica” estão de volta, como as longas composições de andamento alternado, os riffs rápidos e as batidas pesadas, além dos longos e alucinados solos de guitarra. Esse Escriba que vos fala acessou o site oficial da banda, ouviu a faixa My Apocalypse, e ficou agradavelmente surpreso com esse retorno à sonoridade dos anos heróicos do grupo. Confesso que, após ter completamente tirado os caras do meu radar sonoro, eis que volto as minhas atenções para Hetfield, Hammet & Ulrich, acompanhados do enlouquecido e criativo baixista Robert Trujillo (ex-Suicidal Tendencies e Ozzy Osbourne), reis dos slaps e integrante da banda desde a turnê do mal-fadado álbum St. Anger

Como setembro está logo aí, a minha ansiedade aumenta e vou ver se acho mais alguma novidade na rede sobre o novo álbum dos caras. Se o Metallica vai voltar ao que era antes eu não tenho a menor idéia, mas vindo desses caras, tudo é possível…

>E POR FALAR EM PORTELA…

>

Olha só que beleza essa letra de um samba da Velha Guarda da Portela, intitulado O Mundo é Assim, composto em 1968 por Oswaldo dos Santos, o Alvaiade:

“O dia se renova todo dia
Eu envelheço cada dia e cada mês
O mundo passa por mim todos os dias
Enquanto eu passo pelo mundo uma vez
A natureza é perfeita
Não há quem possa duvidar
A noite é o dia que dorme
O dia é a noite ao despertar”…

E POR FALAR EM PORTELA…

Olha só que beleza essa letra de um samba da Velha Guarda da Portela, intitulado O Mundo é Assim, composto em 1968 por Oswaldo dos Santos, o Alvaiade:

“O dia se renova todo dia
Eu envelheço cada dia e cada mês
O mundo passa por mim todos os dias
Enquanto eu passo pelo mundo uma vez
A natureza é perfeita
Não há quem possa duvidar
A noite é o dia que dorme
O dia é a noite ao despertar”…

E POR FALAR EM PORTELA…

Olha só que beleza essa letra de um samba da Velha Guarda da Portela, intitulado O Mundo é Assim, composto em 1968 por Oswaldo dos Santos, o Alvaiade:

“O dia se renova todo dia
Eu envelheço cada dia e cada mês
O mundo passa por mim todos os dias
Enquanto eu passo pelo mundo uma vez
A natureza é perfeita
Não há quem possa duvidar
A noite é o dia que dorme
O dia é a noite ao despertar”…

>SESSÃO DE CINEMA – "MISTÉRIO DO SAMBA"

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Apesar do cansaço que venho sentindo proveniente dessa última semana de trabalho frenético, aproveitei a “folga” que tive ao chegar mais cedo ao Rio para dar uma ida ao cinema – coisa que esse Escriba gosta muito de fazer, mas nem sempre consegue dada a minha crônica escassez de tempo…

Como um “carioca da gema”, nascido e criado em Madureira – Zona Norte, Subúrbio da cidade -, tenho algumas pertenças e alguns pequenos desencontros com essa minha origem. Aliás, a minha história com ela é pendular: ora conflitante, ora integradora, ora tensa, ora reconfortante…
Algumas pertenças: adoro futebol, gosto de lembrar das brincadeiras na rua quando eu era moleque, e me encanta muito o clima “interiorano” e intimista dessa parte da cidade, para mim o chamado Rio “profundo” – as cadeiras na calçada de casa, a cervejinha no “pé-sujo” da esquina, o bate-papo na pracinha, o namoro no muro da escola perto de casa, o futebol de várzea no “campinho”…
O meu principal desencontro: não sei sambar – sou o que na gíria carioca se chama de um “doente do pé” -, e também não sou um aficcionado por esse tipo de música. Uma heresia, podem pensar os meus exigentes leitores, pois samba e subúrbio carioca são o verso e o reverso da mesma moeda! Fazer o quê, nem sempre pode-se ser perfeito…
No entanto, fui criado ouvindo o batuque do samba, pois na minha terra estão situadas duas das maiores escolas de samba do Rio de Janeiro: no Morro da Serrinha, em plena Madureira, está o Império Serrano, berço do “jongo” e de Mano Décio da Viola; e, mais para frente, uma estação de trem depois, em Oswaldo Cruz, está a eterna Portela, a Campeã das Campeãs, cuja história é composta por um naipe de “bambas” de altíssima qualidade tais como Paulo da Portela, Manacéa, Argemiro, Jair do Cavaquinho, Monarco, Casquinha, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, dentre outros mais.
Como se não bastasse ter nascido na terra do samba, meu querido pai vivia cantarolando os sambas portelenses e imperiais em meu ouvido, mesmo que naquela época eu não os compreendesse muito bem. Agora, mais velho, entendo que é como se ele estivesse me dizendo “não esqueça de onde tu vens, das tuas raízes, mesmo para onde fores”. Sábias palavras envelopadas por belas e sincopadas melodias, que só o tempo e a experiência nos permitem ressignificar muito mais tarde…
Foi em busca dessa melodia perdida no tempo, mas bem familiar aos meus ouvidos, que fui ver O Mistério do Samba (2008), o badalado documentário sobre a Velha Guarda da Portela, produzido pela cantora e compositora Marisa Monte, dirigido por Lula Buarque de Hollanda (sobrinho do Chico Buarque) e Carolina Jabour (filha do Arnaldo Jabour). A ligação de Marisa com a escola é antiga, posto que ela frequentava os pagodes na quadra da azul e branca quando menina, acompanhada de seu pai.
O documentário em si foi filmado durante uma década, posto que Marisa iniciou o projeto na segunda metade dos anos 1990 ao resgatar a memória portelense dos sambas compostos pela Velha Guarda, que acabou culminando com o belíssimo e comovente disco Tudo Azul, lançado em 1998. Aliás, foi justamente este projeto que acabou resgatando a importância das Velhas Guardas das diferentes escolas cariocas para a cultura musical brasileira.
O filme é uma beleza, de uma candura e uma doçura incríveis, maravilhosamente poético. O seu grande barato é o tratamento privilegiado que foi dado à música e aos seus principais personagens, que são os membros da Velha Guarda Portelense – alguns deles, inclusive, falecidos durante as filmagens, como nos casos do “Seu” Argemiro e do Jair do Cavaquinho. Outro ponto a favor do roteiro é que evita-se a glamurização do subúrbio e da pobreza – uma tentação muito comum em tramas desse tipo -, e um dos destaques do filme se dá por ocasião das histórias memoráveis de seus integrantes, uma lembrança clara da velha e boa “malandragem” carioca…
As cenas, invariavelmente, remetem a uma ambiência tão familiar para mim que é a do subúrbio carioca: as crianças brincando na rua, as biroscas onde o pagode “rola solto”, a linha do trem, o morro, as habitações populares com seu mobiliário antigo e datado (que, aliás, me lembrou muito a casa dos meus avós), a roda de samba na quadra da escola, regada a muita cerveja, rabada, mocotó e angu…
Tudo isso envolvido por uma atmosfera ao mesmo tempo melancólica e alegre. Melancólica por ser uma celebração de tempos que não voltam mais, da saudade de amores já idos, de amigos que já partiram dessa para melhor, da juventude vivida e passada, de tempos melhores que não são nem sombra da impessoalidade dos dias atuais. Ao mesmo tempo alegre pelo fato de que os personagens estão ali pelo fato da simples e maravilhosa celebração da vida, embalada pelo batuque do samba, ao irmanarem-se por serem guardiões da memória de uma comunidade que teima em resistir às vicissitudes do mundo.
Encontram-se na tela senhores e senhoras, “bambas” e “pastoras”, a nos lembrar o tempo todo que viemos dali, e que o samba nada mais é do que uma metáfora da vida. Afinal, qual música consegue mesclar sentimentos tão díspares quanto a felicidade e a tristeza?
Além disso, o documentário conta com a presença de outros artistas ilustres ligados às tradições portelenses, como Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho, além, é claro, da Marisa Monte. Bem entendido, o filme não pretende ser um retrato biográfico da azul e branco de Madureira – que tem a Águia como seu símbolo -, muito menos um relato histórico da trajetória da escola. Apenas é um olhar reverente, emocionado e comovido, sobre a vida de pessoas humildes e comuns, que conseguem musicar poesias sublimes e tocar o nosso coração. Como exemplo desse fato, pelo menos na sessão em que vi o filme, todos os espectadores batucavam imaginariamente os sambas retratados na tela. E, ao final da sessão, todos aplaudiram de pé, ficando até o último crédito sumir na telinha…
Em suma, vibrei algumas vezes, chorei outras tantas, sorri outras mais, numa fantástica viagem emotiva ao cerne de minhas recordações mais queridas e caras para mim…
Mesmo que a sua escola de samba do coração seja outra – como, por exemplo, Mangueira, Salgueiro, Beija-Flor, Vila Isabel, Mocidade Independente -, ou então que você não seja tão fã de samba, vá ao cinema e prestigie o que há de melhor na cultura popular brasileira. Afinal, O Mistério do Samba é o nosso Buena Vista Social Club. E estávamos precisando disso, pois esse resgate da nossa cultura musical nos faz lembrar que somos essencialmente brasileiros…