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Archive for novembro \30\UTC 2007

>E O MADREDEUS FICOU SEM A SUA VOZ…

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Depois de uma semana corrida, repleta de viagens, provas e trabalhos, abro a internet aqui de Campinas e vejo uma notícia que me deixa um tanto quanto consternado. Em comunicado dirigido à imprensa, a cantora Teresa Salgueiro anunciou a saída do Madredeus – o maior grupo de música portuguesa contemporânea, que a projetou internacionalmente, e que diga-se de passagem é uma das maiores paixões desse Escriba…

A nota, assinada em conjunto com o violonista Pedro Ayres Magalhães – o cérebro musical do grupo – informa que em função da dimensão assumida pelo trabalho solo da cantora, tornou-se impossível que a mesma fique disponível exclusivamente para os trabalhos do Madredeus
Vi esse ano o show da cantora no Rio de Janeiro, por ocasião da turnê de seu segundo disco solo – Você & Eu -, que é uma viagem musical ao universo da música popular brasileira – de Ary Barroso a João Gilberto, passando por Tom Jobim e Dorival Caymmi. O disco é demais de bom, e ver uma portuguesa cantando tais músicas que povoam o nosso imaginário, acompanhada de um septeto jazzístico, é uma experiência que nos aproxima de Deus – caso ele exista…
(aliás, a interpretação de Chovendo na Roseira, de Tom Jobim, que por sinal abre o disco, é de chorar de tão bela…)
De qualquer forma, a nota não cerra as portas para futuras parcerias entre Teresa e o Madredeus. O maior temor agora, para os fãs da banda, é a dissolução do grupo, posto que a parceria entre ela e Pedro Ayres Magalhães era uma das mais felizes e frutíferas da música portuguesa contemporânea. Tudo indica que o grupo irá continuar, e desde já anuncio que estou bastante ansioso para ver os novos rumos de ambos os artistas…
Como a saudade, além de um sentimento tipicamente português, é edificante, posto que é da dor que nasce a poesia e a obra de arte, faço aqui uma breve menção a uma música do grupo. A canção se chama Afinal – a minha canção, e foi gravada no álbum Movimento, de 2001. A letra é eloquente, e fala desse momento tão sublime e doloroso que é o adeus da despedida…
Afinal deixei
A terra natal
E cantando andei
Menos mal
Se calhar mudei
Bem sei
Que não fiquei
Igual
Tanto que passei
Tão longe daí
Que em mim um país
Construí
E assim foi melhor
Porque
Não senti o medo
E a minha canção
Lá deixava ouvir
O vento no mar
O mar a bramir
À minha canção
Chegava
A esse mar
Que eu canto…

E O MADREDEUS FICOU SEM A SUA VOZ…

Depois de uma semana corrida, repleta de viagens, provas e trabalhos, abro a internet aqui de Campinas e vejo uma notícia que me deixa um tanto quanto consternado. Em comunicado dirigido à imprensa, a cantora Teresa Salgueiro anunciou a saída do Madredeus – o maior grupo de música portuguesa contemporânea, que a projetou internacionalmente, e que diga-se de passagem é uma das maiores paixões desse Escriba…

A nota, assinada em conjunto com o violonista Pedro Ayres Magalhães – o cérebro musical do grupo – informa que em função da dimensão assumida pelo trabalho solo da cantora, tornou-se impossível que a mesma fique disponível exclusivamente para os trabalhos do Madredeus
Vi esse ano o show da cantora no Rio de Janeiro, por ocasião da turnê de seu segundo disco solo – Você & Eu -, que é uma viagem musical ao universo da música popular brasileira – de Ary Barroso a João Gilberto, passando por Tom Jobim e Dorival Caymmi. O disco é demais de bom, e ver uma portuguesa cantando tais músicas que povoam o nosso imaginário, acompanhada de um septeto jazzístico, é uma experiência que nos aproxima de Deus – caso ele exista…
(aliás, a interpretação de Chovendo na Roseira, de Tom Jobim, que por sinal abre o disco, é de chorar de tão bela…)
De qualquer forma, a nota não cerra as portas para futuras parcerias entre Teresa e o Madredeus. O maior temor agora, para os fãs da banda, é a dissolução do grupo, posto que a parceria entre ela e Pedro Ayres Magalhães era uma das mais felizes e frutíferas da música portuguesa contemporânea. Tudo indica que o grupo irá continuar, e desde já anuncio que estou bastante ansioso para ver os novos rumos de ambos os artistas…
Como a saudade, além de um sentimento tipicamente português, é edificante, posto que é da dor que nasce a poesia e a obra de arte, faço aqui uma breve menção a uma música do grupo. A canção se chama Afinal – a minha canção, e foi gravada no álbum Movimento, de 2001. A letra é eloquente, e fala desse momento tão sublime e doloroso que é o adeus da despedida…
Afinal deixei
A terra natal
E cantando andei
Menos mal
Se calhar mudei
Bem sei
Que não fiquei
Igual
Tanto que passei
Tão longe daí
Que em mim um país
Construí
E assim foi melhor
Porque
Não senti o medo
E a minha canção
Lá deixava ouvir
O vento no mar
O mar a bramir
À minha canção
Chegava
A esse mar
Que eu canto…

E O MADREDEUS FICOU SEM A SUA VOZ…

Depois de uma semana corrida, repleta de viagens, provas e trabalhos, abro a internet aqui de Campinas e vejo uma notícia que me deixa um tanto quanto consternado. Em comunicado dirigido à imprensa, a cantora Teresa Salgueiro anunciou a saída do Madredeus – o maior grupo de música portuguesa contemporânea, que a projetou internacionalmente, e que diga-se de passagem é uma das maiores paixões desse Escriba…

A nota, assinada em conjunto com o violonista Pedro Ayres Magalhães – o cérebro musical do grupo – informa que em função da dimensão assumida pelo trabalho solo da cantora, tornou-se impossível que a mesma fique disponível exclusivamente para os trabalhos do Madredeus
Vi esse ano o show da cantora no Rio de Janeiro, por ocasião da turnê de seu segundo disco solo – Você & Eu -, que é uma viagem musical ao universo da música popular brasileira – de Ary Barroso a João Gilberto, passando por Tom Jobim e Dorival Caymmi. O disco é demais de bom, e ver uma portuguesa cantando tais músicas que povoam o nosso imaginário, acompanhada de um septeto jazzístico, é uma experiência que nos aproxima de Deus – caso ele exista…
(aliás, a interpretação de Chovendo na Roseira, de Tom Jobim, que por sinal abre o disco, é de chorar de tão bela…)
De qualquer forma, a nota não cerra as portas para futuras parcerias entre Teresa e o Madredeus. O maior temor agora, para os fãs da banda, é a dissolução do grupo, posto que a parceria entre ela e Pedro Ayres Magalhães era uma das mais felizes e frutíferas da música portuguesa contemporânea. Tudo indica que o grupo irá continuar, e desde já anuncio que estou bastante ansioso para ver os novos rumos de ambos os artistas…
Como a saudade, além de um sentimento tipicamente português, é edificante, posto que é da dor que nasce a poesia e a obra de arte, faço aqui uma breve menção a uma música do grupo. A canção se chama Afinal – a minha canção, e foi gravada no álbum Movimento, de 2001. A letra é eloquente, e fala desse momento tão sublime e doloroso que é o adeus da despedida…
Afinal deixei
A terra natal
E cantando andei
Menos mal
Se calhar mudei
Bem sei
Que não fiquei
Igual
Tanto que passei
Tão longe daí
Que em mim um país
Construí
E assim foi melhor
Porque
Não senti o medo
E a minha canção
Lá deixava ouvir
O vento no mar
O mar a bramir
À minha canção
Chegava
A esse mar
Que eu canto…

>A HORA E A VEZ DO "CHURRASQUINHO GREGO"

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Os modismos são muito interessantes, quando não engraçados, e tornam a nossa vida um pouco mais “colorida”, nos tirando um pouco da letargia e do automatismo do cotidiano. Agora, quem está sofrendo um lifting é o velho e famoso “churrasquinho grego”, verdadeira instituição paulistana. Como em qualquer megalópole as pessoas vivem literalmente “correndo”, a tendência é buscar uma alimentação rápida e barata nas barraquinhas e trailers de comidas rápidas nessas cidades. É assim em Nova York, em Paris, porque isso não poderia acontecer aqui?

No Rio de Janeiro, há o “podrão” – barraquinhas que vendem o cachorro-quente “completo” (passas, milho, ervilha, batata-palha, ovo de codorna e outros complementos!) e o famosíssimo “X-Tudo” (com literalmente tudo mesmo!) -, que é a salvação da lavoura para os famélicos (e duros!) da madrugada. Já ao andar pelo centro de São Paulo, é impossível não se deparar com as barraquinhas de “churrasquinho grego”, sanduíche de carne assada no espeto ao ar livre acompanhado de molho vinagrete. E não é que agora o simpático lanche – “kebab”, como ele é conhecido na Europa, “gyros” para os gregos e “shawarma” para os árabes – está agora ganhando ares de refinamento nos badalados restaurantes da nossa megalópole de concreto?

Há muita controvérsia em relação a origem do lanche, mas tudo indica que ele surgiu na região de Tarsus, na Turquia, por ocasião da invasão otomana na Europa. A receita se espalhou, e atualmente está presente em diversas cidades do mundo.

Os novos restaurantes, que alçaram o kebab ao status de iguaria culinária, estão espalhados pela cidade. Algumas opções para os meus estimados leitores, da próxima vez que estiverem em Sampa. Na região da Consolação, centro da cidade, tem o Kebab Salonu (Rua Augusta, 1416); em Pinheiros, na zona oeste, o Pita Kebab Bar (Rua Francisco Leitão, 282); no Brooklyn, na zona sul, o Kosebasi – pronuncia-se “cochebasi” – (Av. das Nações Unidas, 12.901); e no Itaim, também na zona sul, há a Kebaberia (Rua Renato Paes de Barros, 777).

Como a proposta é sofisticar o sanduíche, nesses locais você irá encontrar inúmeras variações do lanche: tem o kebab tradicional, o de filé mignon, o de frango, o de frango com curry, o de carne seca e até mesmo os vegetarianos! Como afirmou um dos donos dos restaurantes citados, a grande jogada é transformar uma comida de rua em culinária gourmet. Uma única ressalva: não esperem achar nesses locais o kebab a R$ 1! A esse preço, só na Praça da Sé, no Viaduto do Chá ou no Vale do Anhangabaú…

Nada disto é novo, mas não deixa de ser interessante. Aliás, escrever esse post me deu um fome danada, e tenho de encerrar pois tem uma barraquinha de “churrasquinho grego” aqui na esquina me esperando…

Bom apetite!

A HORA E A VEZ DO "CHURRASQUINHO GREGO"

novembro 27, 2007 3 comentários
Os modismos são muito interessantes, quando não engraçados, e tornam a nossa vida um pouco mais “colorida”, nos tirando um pouco da letargia e do automatismo do cotidiano. Agora, quem está sofrendo um lifting é o velho e famoso “churrasquinho grego”, verdadeira instituição paulistana. Como em qualquer megalópole as pessoas vivem literalmente “correndo”, a tendência é buscar uma alimentação rápida e barata nas barraquinhas e trailers de comidas rápidas nessas cidades. É assim em Nova York, em Paris, porque isso não poderia acontecer aqui?

No Rio de Janeiro, há o “podrão” – barraquinhas que vendem o cachorro-quente “completo” (passas, milho, ervilha, batata-palha, ovo de codorna e outros complementos!) e o famosíssimo “X-Tudo” (com literalmente tudo mesmo!) -, que é a salvação da lavoura para os famélicos (e duros!) da madrugada. Já ao andar pelo centro de São Paulo, é impossível não se deparar com as barraquinhas de “churrasquinho grego”, sanduíche de carne assada no espeto ao ar livre acompanhado de molho vinagrete. E não é que agora o simpático lanche – “kebab”, como ele é conhecido na Europa, “gyros” para os gregos e “shawarma” para os árabes – está agora ganhando ares de refinamento nos badalados restaurantes da nossa megalópole de concreto?

Há muita controvérsia em relação a origem do lanche, mas tudo indica que ele surgiu na região de Tarsus, na Turquia, por ocasião da invasão otomana na Europa. A receita se espalhou, e atualmente está presente em diversas cidades do mundo.

Os novos restaurantes, que alçaram o kebab ao status de iguaria culinária, estão espalhados pela cidade. Algumas opções para os meus estimados leitores, da próxima vez que estiverem em Sampa. Na região da Consolação, centro da cidade, tem o Kebab Salonu (Rua Augusta, 1416); em Pinheiros, na zona oeste, o Pita Kebab Bar (Rua Francisco Leitão, 282); no Brooklyn, na zona sul, o Kosebasi – pronuncia-se “cochebasi” – (Av. das Nações Unidas, 12.901); e no Itaim, também na zona sul, há a Kebaberia (Rua Renato Paes de Barros, 777).

Como a proposta é sofisticar o sanduíche, nesses locais você irá encontrar inúmeras variações do lanche: tem o kebab tradicional, o de filé mignon, o de frango, o de frango com curry, o de carne seca e até mesmo os vegetarianos! Como afirmou um dos donos dos restaurantes citados, a grande jogada é transformar uma comida de rua em culinária gourmet. Uma única ressalva: não esperem achar nesses locais o kebab a R$ 1! A esse preço, só na Praça da Sé, no Viaduto do Chá ou no Vale do Anhangabaú…

Nada disto é novo, mas não deixa de ser interessante. Aliás, escrever esse post me deu um fome danada, e tenho de encerrar pois tem uma barraquinha de “churrasquinho grego” aqui na esquina me esperando…

Bom apetite!

A HORA E A VEZ DO "CHURRASQUINHO GREGO"

novembro 27, 2007 3 comentários
Os modismos são muito interessantes, quando não engraçados, e tornam a nossa vida um pouco mais “colorida”, nos tirando um pouco da letargia e do automatismo do cotidiano. Agora, quem está sofrendo um lifting é o velho e famoso “churrasquinho grego”, verdadeira instituição paulistana. Como em qualquer megalópole as pessoas vivem literalmente “correndo”, a tendência é buscar uma alimentação rápida e barata nas barraquinhas e trailers de comidas rápidas nessas cidades. É assim em Nova York, em Paris, porque isso não poderia acontecer aqui?

No Rio de Janeiro, há o “podrão” – barraquinhas que vendem o cachorro-quente “completo” (passas, milho, ervilha, batata-palha, ovo de codorna e outros complementos!) e o famosíssimo “X-Tudo” (com literalmente tudo mesmo!) -, que é a salvação da lavoura para os famélicos (e duros!) da madrugada. Já ao andar pelo centro de São Paulo, é impossível não se deparar com as barraquinhas de “churrasquinho grego”, sanduíche de carne assada no espeto ao ar livre acompanhado de molho vinagrete. E não é que agora o simpático lanche – “kebab”, como ele é conhecido na Europa, “gyros” para os gregos e “shawarma” para os árabes – está agora ganhando ares de refinamento nos badalados restaurantes da nossa megalópole de concreto?

Há muita controvérsia em relação a origem do lanche, mas tudo indica que ele surgiu na região de Tarsus, na Turquia, por ocasião da invasão otomana na Europa. A receita se espalhou, e atualmente está presente em diversas cidades do mundo.

Os novos restaurantes, que alçaram o kebab ao status de iguaria culinária, estão espalhados pela cidade. Algumas opções para os meus estimados leitores, da próxima vez que estiverem em Sampa. Na região da Consolação, centro da cidade, tem o Kebab Salonu (Rua Augusta, 1416); em Pinheiros, na zona oeste, o Pita Kebab Bar (Rua Francisco Leitão, 282); no Brooklyn, na zona sul, o Kosebasi – pronuncia-se “cochebasi” – (Av. das Nações Unidas, 12.901); e no Itaim, também na zona sul, há a Kebaberia (Rua Renato Paes de Barros, 777).

Como a proposta é sofisticar o sanduíche, nesses locais você irá encontrar inúmeras variações do lanche: tem o kebab tradicional, o de filé mignon, o de frango, o de frango com curry, o de carne seca e até mesmo os vegetarianos! Como afirmou um dos donos dos restaurantes citados, a grande jogada é transformar uma comida de rua em culinária gourmet. Uma única ressalva: não esperem achar nesses locais o kebab a R$ 1! A esse preço, só na Praça da Sé, no Viaduto do Chá ou no Vale do Anhangabaú…

Nada disto é novo, mas não deixa de ser interessante. Aliás, escrever esse post me deu um fome danada, e tenho de encerrar pois tem uma barraquinha de “churrasquinho grego” aqui na esquina me esperando…

Bom apetite!

>CAI A SOMBRA SOBRE A AMÉRICA DO SUL…

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Esse início de semana não está sendo nem um pouco alvissareiro para dois países que, nos útimos tempos, vem sendo fonte de aumento das tensões regionais em nosso continente: a Venezuela e a Bolívia. Em comum, ambos são governados por presidentes eleitos pelo voto popular, às custas da incompetência e da irresponsabilidade de suas elites em não minorar a pobreza e a indigência das populações locais, e que crescem em arroubos totalitários, megalomaníacos e messiânicos à la Fidel Castro. Só que o mundo é outro, a Guerra Fria acabou há muito tempo, e suas propostas não apenas são anacrônicas e inconsistentes, mas estão também contribuindo perigosamente para uma fratura no seio da sociedade civil em ambos os países – com tonalidades caudilhistas e totalitárias carregadas de uma tintura “indigenista” e “bolivarianista”…

De todos os casos, o mais grave parece ser o da Bolívia. O presidente Evo Morales, talvez incentivado pelos arroubos do seu colega e partner venezuelano, exagerou na dose ao promulgar uma constituição gestada em um quartel militar (?!) na cidade de Sucre – convenhamos, algo extremamente emblemático de um regime nacional-indigenista de esquerda. O resultado foi amplamente divulgado nos jornais e canais de televisão do mundo inteiro: caos nas ruas, quebra-quebra, atentados a transeuntes, três mortos até agora – sendo um policial linchado até a morte pela turba ensandecida (The Mob Rules!) – e um cenário político sombrio, que caminha a passos largos para a guerra civil e a proclamação de um novo estado autônomo constituído pelas províncias bolivianas que fazem oposição ao governo de La Paz – os departamentos de Santa Cruz, Tarija, Pando, Beni, Cochabamba e Chuquisaca.

Ainda é cedo para se fazer qualquer tipo de análise minimamente consistente da situação, mas pode-se afirmar que Morales cindiu o país ao meio – o que é extremamente perigoso, posto não possuir o controle do país e dos meios de comunicação tal como o seu colega venezuelano. Isso é muito ruim para o Brasil por diversos motivos, dentre os quais a dependência do gás boliviano para a indústria brasileira – cujo fluxo pode ser paralisado em função dos distúrbios civis no país -, além do surgimento de um problema fronteiriço de enorme monta jamais experimentado em nossa história – e que, certamente, Evo Morales irá cobrar um endurecimento do hermano e “companheiro” Lula frente às provínicias bolivianas recalcitrantes e oposicionistas…
O outro caso é o da Venezuela e do seu Presidente – boquirroto e chato de galocha – Hugo Chávez. Há muito tempo que o seu fanfarronismo e histrionismo perderam a graça, e o camarada, como não possui um “freio” na língua, resolveu criar caso com Deus e o mundo… Depois de tirar um sarro com a cara do Lula, tomar um pito do Rei da Espanha, se declarar muy amigo do Presidente do Irã e falar um monte de asneiras na reunião de cúpula da Opep na semana passada, a coisa começou a ficar mais perigosa em função do bate-boca com o presidente colombiano Álvaro Uribe, ao redor das negociações para a libertação dos reféns colombianos que atualmente estão nas mãos dos guerrilheiros das FARCs.
O recrudescimento de sua retórica coincide com o crescimento da oposição no país, indicando que Chávez já não é mais uma unanimidade. Em desespero com a perda de popularidade, o sujeito resolveu apelar para a velha retórica “golpista”, e suas grosserias e sandices que saem da sua boca atingem a tudo e a todos: padres, políticos da oposição, bispos, presidentes não-alinhados com os seus objetivos estratégicos e até mesmo judeus – segundo vídeo enviado ao PRAGMA por um amigo desse Escriba…
Como já falei em um post escrito anteriormente, Chávez está incentivando a corrida armamentista na região, gerando tensões de fronteira com a Colômbia e a Guiana que irão certamente resvalar na fronteira norte do Brasil. Isso, sem sombra de dúvida, iria desencadear um conflito regional potencialmente explosivo que não interessa ao Brasil de maneira alguma…
Dado esse quadro sombrio, a pergunta que me vem a cabeça é a seguinte: qual será o posicionamento do governo brasileiro caso esse cenário pessimista – guerra civil e consequente fratura na Bolívia, seguido de conflito interno na Venezuela – se instale? Será que Lula agiria de maneira a reforçar os laços de solidariedade ideológicos que envolvem os governos ditos de ” esquerda” de Morales e de Chávez? Ou, de outra forma, seria movido pelos interesses pragmáticos de seus interesses estratégicos de garantia de segurança energética e de estabilidade regional, num lance típico de realpoltik?
Não quero ser cassandrista, mas algo me diz que a primeira hipótese seria a mais esperada e “natural”, dado os movimentos mais recentes da diplomacia presidencial de Lula. No entanto, as consequências dessa solidaredade seriam imprevisíveis para o nosso cenário político interno, dando motivo para um recrudescimento da oposição ao redor de um tema de natureza ideológica.
Quem viver, verá! Mas, de uma coisa tenho certeza absoluta: se isto acontecer, nós seremos espectadores privilegiados desses acontecimentos…