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Archive for the ‘Brasil’ Category

PERSPECTIVAS OTIMISTAS PARA A LACOSTE NO BRASIL

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Com o aquecimento da economia brasileira no final do ano passado, as perspectivas para a marca francesa do “jacarezinho”no Brasil são prá lá de otimistas. O objetivo é aproximar a Lacoste – uma marca adulta, tradicionalmente sofisticada e refinada, e identificada com esportes de elite tais como o tênis e o golfe – do consumidor brasileira, tornando-a cada vez mais íntima do seu universo.

Para isso, a operação brasileira está implementando as seguintes medidas: a reforma das lojas da marca, o início da produção local de peças de vestuário, o controle de custos e o lançamento de uma bandeira voltada exclusivamente para o segmento jovem.

Além de reformar o layout, o aumento do número de lojas onde a marca se encontra aumentou: passou de 130 em novembro de 2007 para 750 no final do mês de março desse ano. Também se observou uma ampliação das lojas exclusivas da grife francesa, atingindo 70 em 2010 contra apenas 54 em 2007 (a maioria dessas lojas é operada por sistema de franquia). A previsão é que, até o final desse ano, o número de lojas próprias da Lacosteno país atinja o patamar de 80 pontos de venda. 

Mas as notícias boas não param por aí. O faturamento da grife no país triplicou, passando de R$ 57 milhões em 2008 para R$ 150 milhões em 2010, o que fez com que a operação brasileira ingresasse no rol das 10 maiores da marca do mundo no ano passado. A expectativa é que ela adentre o grupo seleto das “top five” no final de 2011.

A grife francesa, famosa pelas suas “clássicas” camisas pólo em uma variadíssima paleta de cores, vem operando nos últimos anos um notório rejuvenescimento de sua marca, buscando atender diferentes segmentos de consumidores como mulheres, crianças e jovens, diversificando do seu posicionamento tradicional de homens adultos a partir dos 40 anos. 

No final de 2010, a grife ganhará no Brasil uma loja exclusiva da bandeira Lacoste Life, voltada para os consumidores entre 15 a 25 anos, e que atualmente está presente em apenas duas lojas no mundo inteiro – mais especificamente, em Nova York e em Paris. A idéia, sem sombra de dúvida, é fidelizar a clientela desde cedo, haja visto a concorrência feroz no que dia respeito ao mercado de moda jovem.

Outro passo importante é a produção local de itens de vestuário, que na sua grande maioria são importados do Peru e da Argentina. A partir de 2012, a marca irá produzir no país calças jeans, e o processo de definição do fornecedor está em andamento.

A meta de atingir a cifra de 1,5 milhões de peças comercializadas em 2011 deve ser superada com folgas – a estimativa é que, ao final desse ano, sejam vendidas entre 1,9 e 2 milhões de peças. Para o futuro, a expectativa é que a cifra de 3 milhões de peças – o volume atualmente vendido pela grife na França, o segundo maior mercado depois dos EUA, que comercializa aproximadamente 5 milhões de peças – seja atingida em 2014. Ou seja, o apetite do consumidor brasileiro pela Lacoste é voraz!

Para completar, a verba de marketing da operação brasileira, que era de R$ 6 milhões em 2010, pulará para R$ 9 milhões esse ano. Haja fôlego para o “jacarezinho”!
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O BRASIL ESTÁ ATINGINDO A MATURIDADE POPULACIONAL

Passadas as eleições, tendo sido eleita a primeira mulher no cargo de mandatário máximo na história do nosso país, é nosso dever como cidadãos discutir grandes issues que irão influenciar a gestão de políticas públicas para as próximas décadas. Dentre essas, a que mais se destaca envolve a alteração dramática da nossa dinâmica populacional.

Ao longo desse ano tenho afirmado, com base em estatísticas oficiais, que o Brasil está atingindo a passos largos a sua maturidade demográfica – isto é, estamos vivendo uma combinação interessante envolvendo o aumento da longevidade com a diminuição do número de filhos por casal. E as implicações desse fato são inúmeras para o país, para a sociedade civil, para os governos, para a atividade produtiva e para o mercado de consumo.

Com base nos dados da  Pnad 2007-2008 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o Ipea (Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada) afirmou em pesquisa recente que o Brasil estará atingindo o seu pico populacional em 2030 – serão aproximadamente 206,8 milhões de pessoas -, para então a população começar a declinar – desde que a taxa de fecundidade não volte a crescer.

Mantido esse quadro, o Ipea prevê que o Brasil viverá um cenário de “superenvelhecimento” de sua população – a previsão é de que a população brasileira em 2040 seja de 204,7 milhões de habitantes. Em comparação com a Europa, onde o envelhecimento populacional é uma tendência já consolidada, o mais significativo é que este movimento no país possui um ritmo bastante acelerado.

Atualmente, a taxa de fecundidade das famílias brasileiras é de 1,8 filho por mulher – bem abaixo da taxa de reposição -, sendo que o estoque de indivíduos abaixo dos 30 anos já apresenta taxas negativas de crescimento. A partir de 2030, os grupos populacionais de maior crescimento serão os compostos por indivíduos acima de 45 anos.

A participação dos mais jovens (entre 15 a 29 anos) atingiu o seu auge em 2000, e deverá experimentar um declínio substancial a partir de 2010. Em contrapartida, a proporção de indivíduos acima de 80 anos está aumentando – cerca de 2,9 milhões de brasileiros, 1,6% da população total.

A fim de ilustrar esse quadro, abaixo segue o ranking da taxa de fecundidade por regiões do nosso país:

1o. lugar – Região Norte: 2,2 em 2009 (contra 3,3 em 1992);
2o. lugar – Região Nordeste: 2,0 em 2009 (contra 3,6 em 1992);
3o. lugar – Região Centro-Oeste: 1,9 em 2009 (contra 2,5 em 1992);
4o.lugar – Região Sul: 1,7 em 2009 (contra 2,6 em 1992): e,
5o. lugar – Região Sudeste: 1,7 em 2009 (contra 2,4 em 1992).

SESSÃO DE CINEMA – "TROPA DE ELITE 2: O INIMIGO É OUTRO"

outubro 16, 2010 4 comentários
Escrevo o post dessa noite ainda sob o impacto de Tropa de Elite 2: O Inimigo é Outro (2010), a continuação da saga do anti-herói Capitão Nascimento – mais uma monstruosa interpretação desse excepcional ator chamado Wagner Moura – em sua luta contra o crime organizado na cidade do Rio de Janeiro, que é magistralmente dirigido por José Padilha.

Não que nada na película seja pura invencionice, efeito dramático ou novidade. Pelo contrário, Tropa de Elite 2 é o mais puro exemplar do que se convencionou chamar do “óbvio ululante” – expressão consagrada pelo escritor carioca Nelson Rodrigues. E é justamente aí, por “chover no molhado”, que reside a verdadeira potência do filme…

Tropa de Elite 2 choca, incomoda, atormenta, nos tira da zona de conforto. Nos faz, simultaneamente, rir, chorar, debochar, se deprimir e se divertir. Nos aliena e nos conscientiza. Nos tira do torpor nosso de cada dia, mas ao mesmo tempo nos faz mergulhar nas trevas do caos, da insensatez, da escuridão e da mais pura negatividade. O resumo da ópera, quando o espectador sai estupefato ao final do projeção, pode ser dado por uma única e simples expressão: “there’s no way out!”

Afinal, como o próprio diretor adverte no início do filme, “qualquer semelhança com a realidade é apenas coincidência. Essa é uma obra de ficção”. Vejam só como a ironia pode ser tão sutil e fina…

Não vou ficar aqui discutindo os meandros do filme, nem a densidade psicológica das personagens, muito menos destilando explicações psicosociológicas sobre a origem da violência no Rio de Janeiro. Para isso, aconselho fortemente os meus leitores a lerem a obra-prima da filósofa alemã Hannah Arendt, intulada “A Banalidade do Mal”. Os links são muitos, e inevitáveis…

Outra coisa: apesar de intimamente conectados, Tropa de Elite 2 é um filme bastante diferente do seu antecessor. Se no primeiro, os “caveiras” enchiam de porrada os “playboys maconheiros” da Zona Sul e “mandavam prá vala” os “buchas de canhão” do tráfico, no segundo a “parada” é muito mais “sinistra”: trata-se da substituição do poder, nas comunidades carentes cariocas, outrora nas mãos dos traficantes de droga, pelas milícias paramilitares repletas de policiais militares, bombeiros e outros “agentes da lei”, bem como suas funestas associações envolvendo a classe política. E, podem crer nisso, Tropa 2 é muito, mas muito melhor que o primeiro!!!! 

Para finalizar, visando criar expectativa nos meus leitores que porventura ainda não tenham visto o filme, uma observação: o enorme fascínio que o Capitão Nascimento exerce sobre as platéias brasileiras, independentemente de faixa etária, gênero e renda – aliás, como ponto curioso, na sessão de cinema de hoje haviam muitas crianças e adolescentes na sala. 

Seus bordões, suas frases de efeito, sua narrativa sussurante, entediada e melancólica, seu espírito alquebrado, tudo contribui para a popularidade da personagem – e que realmente rouba a cena de Tropa 2, apesar das interpretações excepcionais dos atores que vivem, respectivamente, o policial chefe da milícia e o político midiático e espertalhão que posa de “linha dura” na TV, mas é um tremendo “picareta” nos corredores do poder. 

O Capitão Nascimento fascina por ser a mais pura representação do nosso anti-herói trágico, que sofre e fica à deriva por ser refém de um destino que ele acreditava piamente ter controle. Nesse sentido, o parentesco com as personagens das tragédias gregas de Sófocles é assaz evidente. Nascimento navega sem rumo, a ermo, sem saber que o seu destino é traçado sem a sua ingerência – o que ele, pela falta de uma palavra melhor, nomeia com o vago substantivo de “O Sistema”. Nascimento sofre e faz sofrer, mata e é morto, perde o controle da sua vida profissional, pessoal e afetiva – restando-lhe apenas beber um copo de água retirado de sua geladeira, na penumbra de sua solidão e ataraxia, visando “esfriar a cebeça” e esquecer momentaneamente a realidae tétrica e lúgubre que o cerca…

Nascimento encanta por ser a projeção do nosso inconsciente, por colocar para fora todos os nossos anseios destrutivos e pensamentos mais profundos que possuímos sobre o nosso país e os nossos compatriotas. É um mundo onde a “lei de Gérson” impera, e o mais importante “é cair prá cima, certo parceiro?”. Por isso, o filme nos causa sentimentos tão contraditórios, justo por ser a expressão da identidade profunda do brasileiro, das suas marcações identitárias, da complexidade da nossa psiquê, do nosso inconsciente coletivo. Em minha humilde opinião, o filme é uma aula sobre o que é “ser brasileiro”, com todas as suas virtudes, vícios e contradições. Afinal, não somos nós que somos conhecidos no mundo inteiro por justamente “padecermos no paraíso”?

Conclamo a todos os meus leitores que vejam o filme, e comentem aqui as suas impressões. Trata-se de um filme obrigatório para todos aqueles que desejam entender a história política e social recente do nosso país. E, não é sempre temos a nossa disposição uma crônica tão verossímil e atualizada quanto essa, e que descreve em minúcias tudo aquilo que tragicamente acontece em frente aos nossos olhos…

… O “óbvio ululante”, como diria Nélson Rodrigues… Ou, melhor: seria o “Unheimlich”, aquele “Estranho” que foi tão bem descrito por Freud, e que nos assedia, incomoda e constrange todas as vezes que o inconsciente teima em romper a barreira do recalcamento?

OS JOVENS BRASILEIROS, ACESSO À INTERNET E REDES SOCIAIS

Foi divulgada essa semana uma pesquisa sobre o acesso à internet das crianças brasileiras entre 5 a 9 anos de idade, realizada pelo Núcleo de Informação e Comunicação do Ponto BR (NIC.br), órgão diretamente ligado ao CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil).

Alguns dados bastante interessantes foram levantados por essa pesquisa. Por exemplo: 57% das nossas crianças entre 5 e 9 anos informaram já ter utilizado o computador – sendo que na cidade esse percentual chegou ao patamar de 60%, em detrimento da zona rural onde o indicador chegou a 46%. No entanto, quando o assunto é acesso à internet, os números são bem inferiores. Vejam só…

A média de crianças dessa faixa etária que afirmaram já ter se conectado à internet foi de apenas de 23% (25% nas cidades, e 16% na zona rural). Como fatores de restrição ao acesso à internet, foram citados o alto preço da conexão e as barreiras impostas pelo acesso à rede nas escolas.

Do total dessas crianças, 49% declararam ter acesso à web via residência, 35% via casa de outra pessoa, 27% via escola, 25% em outro lugar e 1% via celular.

Estando conectadas, 97% das crianças entre 5 e 9 anos afirmam utilizar jogos, 56% brincam em sites de personagens de desenhos animados, 46% usam a web para fazer pesquisas, 31% conversam com amigos e parentes, 19% trocam e-mails e 5% fazem conexões do tipo Voip (p.ex., Skype).   

Esses números contrastam com as crianças situadas em faixas etárias posteriores, mais especificamente entre 10 a 15 anos, onde 69% dos jovens afirmam estar conectados à internet. Já os internautas brasileiros acima de 15 anos gastam quase 20% do seu tempo conectados em redes sociais, sendo que o site mais popular no Brasil ainda é o Orkut – com 29,4 milhões de acessos, um crescimento de cerca de 30% em comparação à agosto de 2009.  O resultado é igual a soma dos seus três concorrentes mais importantes: o Windows Live, o Facebook e o Twitter.

Entretanto, o fato a ser destacado por essa pesquisa é o crescimento do Facebook e do Twitter, sendo que este último obteve um crescimento de 86% (isto é, 8,6 milhões de visitas no mês de agosto desse ano). Dessa forma, o Brasil lidera o ranking de penetração do Twitter entre os internautas, com 23% dos brasileiros tendo acessado o microblog.

Já o Facebook apresentou um crescimento também bastante significativo – cerca de 479% em um ano, ou seja, 8,8 milhões de visitas mensais em agosto de 2010.

O SALDO DESSAS ELEIÇÕES

Acabei de ler um artigo interessantíssimo do respeitado cientista político brasileiro Wanderley Guilherme dos Santos – um dos maiores do país, em minha opinião, e autor de livros precisos a respeito da sociedade brasileira – publicado na edição de quinta-feira do periódico Valor Econômico. Além de denso, o autor levanta uma série de questões que considero importantes sobre o resultado – não eleitoral, bem entendido – das eleições majoritárias deste domingo para o cenário político futuro em nosso país.

Não tenho o objetivo aqui de tecer maiores comentários, posto que o autor os expressa numa prosa elegante e sofisticada. Gostaria apenas de elencá-las abaixo, na tentativa de fomentar o debate com e entre os meus caros e argutos leitores. São eles:

1. A ocorrência de dois óbitos: o da eficácia eleitoral da política de redistribuição de renda no país, e o do efeito desestabilizador da grande mídia.

2. Os avassaladores ganhos de renda das classes econômicas menos favorecidas nos últimos anos, somado à ascensão do consumo frenético de bens e serviços, tornou um outrora “encabrestado” eleitorado de mais de 136 milhões de brasileiros cada vez mais insubmisso, tanto ao poder das elites leninistas quando ao controle dos coronéis locais. Talvez esse seja um dos saldos mais importantes para o futuro do processo político no país.

3. A redução dramática do poder das elites oligárquicas e hereditárias do nosso país ocorre a olhos vistos – leia-se o futuro raquítico do DEM, por exemplo – e o surgimento de uma “nova classe média” de consumidores do tamanho do Japão (aproximadamente 80 milhões de pessoas), não deixa muita margem de manobra para a sobrevivência dessa elite política cada vez mais desidratada. Resta-lhes, apenas, negociar com essa nova classe média, apesar de todo o ressentimento oriundo de ambos os lados que contaminará o cenário no curto prazo.

4. Grande parte das políticas sociais implementadas nos últimos anos visando atingir a população de baixa renda dispensa quaisquer tipos de intermediários – leia-se, coronéis, políticos, padrinhos e até mesmo autoridades religiosas. Consequentemente, a percepção dos favorecidos por essas políticas tende a deixar a esfera da “gratidão”, adentrando ao espectro de “obrigações mínimas” do estado. Como decorrência disto, qualquer político que queira sustentar seus ganhos políticos a partir da franquia a essas políticas sociais tende a erodir o seu capital político – logo suas chances eleitorais – a médio prazo.

5. Logo, a relação entre eleitor, político e Estado tende a sair do plano da subserviência e adentrar ao plano da obrigação do aparato estatal e dos formuladores das políticas públicas. Em decorrência disso, o “voto-gratidão” ou se torna “voto-confiança”, ou então irá migrar de dono. Talvez nesse movimento residam as bases sustentáveis para a construção de um pacto político consistente e duradouro envolvendo o cidadão e a res publica.

6. Parte considerável dessa “nova classe média” tenderá ao conservadorismo, por acreditar que existem limites à atual mobilidade social ascendente. Afinal, ganhos desse tipo não se mostram capazes de resistir a uma longa série histórica. A maioria das pessoas empregadas atualmente em postos no setor industrial ou de serviços deverá se aposentar em sua posição atual, dificilmente atingindo cargos de mando ou chegando no topo da hierarquia organizacional. E a percepção delas é que, se houver mudanças, essas deverão ser para pior. Isto é uma decorrência natural posto que, conforme as pessoas amadureçam, elas tendem a ser mais conservadoras – o que é chamado de “aversão ao risco”, ou de “potencial de votos conservadores”. Logo, nas próximas eleições, mais do que a promessa de novas alterações na ordem social, a maioria do eleitorado irá querer a consolidação das conquistas atingidas anteriormente.

7. Com os escândalos e o denuncismo jornalístico vigente, caberá aos futuros governos uma melhor escolha dos gestores de políticas públicas, objetivando-se buscar quadros que sejam melhor preparados, e que operem nos limites aceitáveis da lisura, da eficiência e da legalidade de seus atos. O cuidado com o funcionamento da engrenagem governamental deve ser permanente e habilidoso, e não meramente regido por critérios burocráticos ou de confiança. 

8. No entanto, o poder desestabilizador da grande mídia brasileira agoniza, posto haver tanto um distanciamento dos setores populares quanto dos militares – historicamente, estes últimos são forças desestabilizadoras em nossa história. Nesse sentido, o recrudescimento do denuncismo é apenas uma evidência desse fato. Porém, é preciso sempre lembrar que o mesmo leitor de jornais que recusa o exagero, acaba por aceitar o fato comprovado.

O artigo é deveras complexo, apesar de conciso. Resumi aqui os seus principais pontos com alguns comentários meus adicionais – e devo acrescentar que simpatizei com todos eles. Agora, eu gostaria de ouvir a opinião de vocês sobre essas questões. Será que podemos dizer que o saldo dessas eleições de amanhã – para além da vitória do candidato A, B ou C – é esse mesmo?

Com vocês, meus estimados leitores, a palavra… 

DE BOBO, OS CANDIDATOS NÃO TÊM NADA…

Até na hora de investir os seus recursos pessoais, os políticos não são bobos. Eles até podem ser conservadores e apresentarem uma alta aversão ao risco – como qualquer cidadão médio -, mas quando o assunto é dinheiro eles não rasgam dinheiro nem tomam sorvete pela testa. Pelo menos é o que fica evidente a partir de uma matéria publicada na edição dessa sexta-feira do periódico Valor Econômico.

Baseada na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, o jornal discute o perfil de investimento dos quatro principais candidatos à corrida presidencial de amanhã. E, o mais interessante de tudo, é que o candidato menos afeito às delícias do capitalismo financeiro é o que ironicamente está melhor posicionado quando o assunto é aproveitar os retornos de rentabilidade elevada que ele proporciona…

O candidato Plínio de Arruda Sampaio, do mega-esquerdista PSOL, é o mais arrojado dentre os concorrentes, e é o que mais diversifica os seus investimentos. A despeito de sua loquacidade verbal e de sua verve que beira o histrionismo, o “velhinho” deixa a fanfarronice de lado quando o assunto é cuidar do seu cofrinho. Seu patrimônio total é de 2,089 milhões de reais (sem contar carros e dinheiro em conta corrente), dentre os quais ele aplica 1,7 milhão em fundos multimercados sofisticados – divididos entre uma gestora de recursos independente, um banco brasileiro privado e um banco suíço. 

Como se isso não bastasse, o candidato do PSOL ainda tem uma conta em um banco americano, onde estão depositados aproximadamente 45,9 mil reais. Bastante interessante…

Já a candidata governista Dilma Rousseff encontra-se do lado oposto ao de Plínio: ela pode ser boa de voto, mas muito “ruinzinha” quando o assunto é investimentos! Segundo a matéria, a candidata “deixa” 113 mil reais (cerca de 12,5% do seu patrimônio total) imobilizado, sem aproveitar as elevadas remunerações  do mercado financeiro nacional – uma das maiores do mundo, diga-se de passagem.

O negócio da petista é investir em imóveis – basta ver que estes compõem cerca de 80% do seu patrimônio total -, o que denota um perfil extremamente conservador. A fatia deste destinada a aplicações financeiras é bem reduzida, estando localizada em produtos de perfil de baixo risco.

O candidato tucano José Serra encontra-se a meio caminho do arrojo de Plínio e do conservadorismo de Dilma – pelos deuses, como isso é irônico!!! Como a petista, Serra também gosta de imóveis e de fundos de renda fixa. A pitada de risco está na aplicação em um fundo multimercado. Outro dado interessante é que o tucano é o único dos quatro candidatos a possuir um plano de previdência privada.

Já a candidata desse Escriba que vos fala, a verde Marina Silva, é a mais “pobrezinha” da galera – dentre os concorrente, é a única a possuir um patrimônio inferior a 1 milhão de reais. Além disso, é também a única dos candidatos a não possuir recursos alocados em aplicações financeiras – além de imóveis, a candidata do PV também prefere deixar uma parte dos seus recursos “parados” em conta corrente.

Agora, imaginem se nós utilizássemos o patrimônio e portfólio de investimentos dos candidatos como base para compreender o seu posicionamento político?
Categorias:Brasil, Eleições, Política

NÃO EXISTE FÓRMULA MÁGICA

Os últimos acontecimentos envolvendo os atrasos nos vôos da companhia aérea Gol – a pioneira no Brasil na adoção do famigerado modelo “low cost, low fare” – expõem a faceta mais óbvia de uma operação de negócios baseada no tripé grande escala – liderança em preços baixos – alta eficiência: o corte drástico de custos, com tudo o que há de positivo e de negativo nesse tipo de estratégia empresarial…
Há muito tempo que questiono a idéia da referida companhia ser a líder em passagens aéreas de baixo preço em nosso mercado. Há muito tempo que a empresa vem elevando as tarifas de maneira suave e quase imperceptível. O fato é que outras companhias – tais como a Azul, a Webjet e até mesmo a Avianca (ex-Ocean Air) – já oferecem tarifas menores. Porém, o caso da Gol é o exemplo típico de que uma idéia repetida à exaustão acaba tendo valor de verdade – mesmo que os fatos contradigam o discurso apregoado…
Ontem, o presidente da Gol fez um périplo pelas assembléias de funcionários que ameaçam entrar em greve a partir de sábado, tentando dissuadí-los do possível “inferno” que isso seria para a empresa (e bota inferno nisso!).
As principais reinvindicações dos funcionários: mudanças no plano de saúde – que é custeado integralmente pelos mesmos, e que teve um reajuste há pouco tempo de 35%; reformas no check-in do “galinheiro” que atende pelo nome de Aeroporto do Galeão, visando melhores condições de trabalho para os colaboradores; e, por fim, alterações na escala de trabalho draconiana imposta a pilotos e tripulação de cabine, que os torna mais cansados e expõe os passageiros a um risco de acidente aéreo por fadiga ou falta de concentração dos pilotos.
Por fim, os salários dos pilotos e co-pilotos estão defasados em relação à média do mercado…
Detalhe: as chances dessas reinvindicações serem atendidas é remotíssima, posto que isso seria um ataque frontal ao modelo espartano de custos baixíssimos adotados pela empresa!
Resumo da ópera: deve ser difícil a vida do dono de uma empresa que tem como cerne de uma estratégia de “vender mais barato, sempre”. E, pior ainda, deve ser a vida de quem trabalha numa empresa dessa!!!
Parodiando um tweet que entrou na moda nesses últimos dias, “quem transporta de ônibus nunca deveria se meter a transportar de avião”…