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MEUS 10 DESEJOS PARA 2010

dezembro 31, 2009 2 comentários
Com o término de mais um ano, eis que esse Escriba que vos fala pede aos deuses e deusas que movimentam a roda do mundo que tenham uma especial atenção com os meus humildes pedidos para o ano que se inicia. E, desde já, agradece a audiência e a fidelidade que venho tendo ao longo desses pouco mais de 2 anos e meio de PRAGMA na rede.
Ei-lo-os:
1. Que o mundo caminhe no sentido da sustentabilidade ambiental e da responsabilidade social, sendo tais temas incluídos de fato na agenda de governos, agentes públicos, empresas privadas e cidadãos de um modo geral. E que tais temas deixem de ser tratados como o são hoje, apenas uma mera retórica – ou artifício de marketing – que políticos e empresários utilizem para “maquiar” os seus relatórios, prestações de contas e comunicados à sociedade.
2. Que a paz mundial impere nesse mundo dividido por conflitos territoriais, ódios étnicos e brigas por recursos econômicos, terra e poder. Sei que, como bom hobbesiano-freudiano que sou, o mundo é dominado pela realidade dura e crua do jogo bruto de interesses da realpolitik, e que o ser humano é um animal destrutivo e agressivo, mas sonhar – e pedir – não custa nada!
3. Que o Brasil rume firme e decidido em direção ao crescimento econômico consistente, visando a recuperação de renda e a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida da sua população. Isso não significa, entretanto, ser conivente e leniente com os inevitáveis impactos ambientais e sociais inerentes a essa longa e tortuosa estrada. Desenvolvimento sim, mas com responsabilidade e solidariedade!
4. Aliás, 2010 é ano de eleição presidencial, momento importantíssimo para quem quer tornar esse país mais justo e honroso para todos nós. Que nós, brasileiros, possamos votar com consciência, tendo um olhar crítico sobre as propostas apresentadas e que tenhamos um projeto decente de nação de longo prazo. Que não caiamos em discursos populistas e popularescos de mau gosto, como se o vocábulo “popular” necessariamente rimasse com grosseria, falta de educação e empáfia! E olho vivo nos políticos sanguessugas, lesa-pátrias, fdps que “torram” a nossa paciência com acordões, mensalões, corrupções, negócios escusos, “cumpadrio” e sacanagem com o nosso suado e minguado dinheiro!
5. Que o Rio de Janeiro possa se tornar a tão sonhada Cidade Maravilhosa, cada vez mais organizada, ordenada, decente, pacificada e solidária. A violência, o tráfico de drogas, as milícias e a relação escrota e anti-republicana que envolve a política e o crime organizado possa ser desfeita, possibilitando o surgimento de lideranças propositivas, de bem e com projetos positivos substanciais e consistentes. E que os “xiitas” religiosos – vocês sabem muito bem de quem estou falando! – possam cada vez menos dominar os corações e mentes das pessoas, deixando o caminho aberto para uma cidade, um estado e um país mais ecumênico, tolerante e absolutamente comprometido com a questão da alteridade e da tolerância à diferença!
6. Que menos impostos possam infernizar a nossa vida e drenar os nossos suados recursos, posto estarmos fartos de sustentar um “saco sem fundo” de gastos públicos exorbitantes sem a justa contrapartida de serviços públicos decentes, inclusivos e cidadãos. E que o funcionário público – esse grande pobre coitado! – possa ser tratado com maior dignidade e decência, podendo também tratar o infeliz do cidadão-contribuinte com respeito, presteza, cidadania e civilidade.
7. Que as pessoas que me alimentam materialmente, emocionalmente e/ou espiritualmente , aquelas que me são importantes e queridas, possam ser retribuídas em dobro por sua dedicação, confiança, carinho, zelo, preocupação e sobretudo paciência para comigo. Que os deuses e as deusas os protejam em sua caminhada, e que me permitam ampliar ainda mais a minha frutífera e prazeirosa convivência com elas.
8. Que nós sejamos cada vez mais sábios ao lidar com a tecnologia, especialmente a digital, que tanto facilita quanto cria um série de obstáculos para a nossa vida. E que não nos sintamos opressos pelo excesso de informação disponível, ou então mesmo pelo sentimento de obsolescência e de menos valia quando percebemos que nem sempre a tecnologia nos ajuda. Tecnologia sim, mas com um olhar crítico sempre!
9. Que as pessoas busquem cada vez mais conhecimento, por intermédio da leitura, do estudo e da reflexão crítica. Afinal, tudo que consegui até hoje na minha vida foi graças ao esfroço intelectual sério, consistente e dedicado. Que as pessoas possam sair da mediocridade, da obscuridade e da estreiteza de espírto com doses maciças de conhecimento. Afinal, ser ignorante – ou apregoá-la aos quatro ventos – não é nada glamuroso!
10. Para terminar, que o Brasil seja hexacampeão mundial de futebol, na Copa do Mundo da África do Sul em 2010. E que, em 2010, o Flamengo – o máximo dos máximos, a glória suprema do universo! – possa ser tetracampeão estadual, bicampeão da Taça Libertadores da América e encerre o ano conquistando pela segunda vez o Mundial Interclubes da Fifa. Isso será o ápice da glória, os píncaros da felicidade, o extremo do nirvana!
Esses são os meus simplórios desejos.
Que assim seja, e assim se faça!

Feliz 2010 a todos!!!

AZEITE DE OLIVA, O OURO LÍQUIDO DA CULINÁRIA MEDITERRÂNEA

Para um workaholic inveterado com eu, o período de festas é extremamente angustiante, uma vez que não tenho trabalho (leia-se aulas, viagens e reuniões) e o sentimento de obsolescência do tempo é por demais ampliado. É nessas horas que sinto que sou um viciado em adrenalina, e preciso sentir o seu rush thorugh my veins. Ô viciozinho danado esse!!!

Apesar disso, essa época tem lá as suas vantagens. A primeira delas, sem dúvida alguma, é poder acordar um pouco mais tarde e saborear o café feito em sua própria casa (coisa que, diga-se de passagem, estou fazendo no exato momento em que redijo este post). A segunda é poder arrumar a papelada acumulada durante o ano inteiro, o que para mim É o grande ritual de virada de ano, pois pendências antigas vão abrindo espaço para futuras que se aproximam. A terceira delas, também uma delícia, é atacar com maior tempo a pilha de leituras acumuladas ao longo do ano, posto ser uma fonte inesgotável de novas idéias, insights e de construção de argumentos mais consistente para a tarefa intelectual diária. A quarta – e essa, sem sombra de duvida, é a melhor de todas – é poder se fartar na deliciosa porém calórica culinária dos festejos de final de ano. Carpe diem, meu caro escriba…

Tais festas me fazem recordar momentos gastronômicos antológicos em minha época de garoto, quando a família era grande e tinha o costume de comemorar em lautos almoços e jantares, e que até hoje procuro revivê-los mesmo que em escala bem reduzida. Afinal, como sou neto de português e tenho gosto de maresia na boca, final de ano sem presunto tender com fio de ovos e torta de nozes não é final de ano! Isso, é claro, sem falar no bacalhau regado a belas e generosas doses do mais puro azeite de oliva. Ora, pois!

Nesse mesmo ano que se encerrará daqui há pouco dias, tive a memorável oportunidade de ir à terrinha e ver – e saborear – com os meus próprios olhos a culinária que durante décadas me fazia ansiosamente esperar o almoço de domingo com a família. Em Lisboa, um prato de bacalhau – servido em seus diversos formatos e variações -, uma garrafa de vinho do Porto, acompanhados de deliciosos pastéis de nata é tudo que um luso-brasileiro quer ter até o final dos seus dias! Foi também em Lisboa que aprendi o verdadeiro sentido da palavra saudade, até então um vocábulo deveras empoado e longinquamente metafísico que até então povoava os meus livros de história, de poesia e de contos…

Hoje, a moda do mundo gastronômico é a culinária mediterrânea, isto é, a praticada por povos e países que integram o efervescente caldeirão étnico-cultural que estão situados na bacia do Mediterrâneo – o Mare Nostrum, berço da civilização de navegadores e conquistadores. O uso de ingredientes leves e frescos, que invariavelmente envolvem verduras, legumes, pescados, amêndoas ou nozes, generosamente regados com o precioso líquido que atende pelo nome de azeite de oliva, é a glória de libaneses, portugueses, gregos, catalãos, andaluzes, franceses, dentre outras culturas da região. Só de pensar nisso a essa hora da manhã, me dá uma água na boca daquelas…

Estou falando nisso porque uma árvore tão comum em terras lusitanas, mas até então objeto de pouca atenção e charme, tornou-se o ícone da culinária saudável e balanceada. Melhor dizendo, os frutos dessa árvore. Estou falando das oliveiras, espalhadas em toda a bacia do Mediterrâneo, e seus generosos e saborosos frutos que são as nossas queridas azeitonas. Para se ter uma idéia do quão valioso e benéfico é esse óleo extraído das oliveiras, os antigos gregos tratavam respeitosamente o azeite de oliva como “ouro líquido”. E uma breve “googleada” abre para um sem número de estudos e papers médicos indicando os benefícios desse elixir da boa saúde…

Os países mediterrâneos são responsáveis por cerca de 91% de toda a produção mundial de azeite de oliva – algo em torno de 50 milhões de toneladas por ano. E o mercado mundial do produto cresceu cerca de 4% em 2008.

Só para se ter uma idéia, o azeite de oliva é um dos principais produtos da pauta de exportação de Portugal para o mundo – ocupa a liderança desde o século XIII! -, e suas vendas cresceram quase 20% em 2008.

A líder de mercado mundial é o Azeite Gallo, marca criada em 1919 pelo empresário português Victor Guedes. Nos anos 1930, o produto chegou ao mercado brasileiro onde até hoje é também líder de mercado, onipresente nas gôndolas de supermercados, empórios e delis espalhadas por todo o país. Afinal, quem não se lembra da sua famosa latinha dourada e cheia de arabescos do Azeite Gallo – a forma mais comercializada do produto no Brasil até bem pouco tempo atrás – regando bolinhos de bacalhau sequinhos e crocantes, além de deliciosas receitas de bacalhau, como o espiritual, à lagareira, à Gomes Sá, desfiado com tomate, cebolas e pimentões, ao Zé do Pipo?

O Azeite Gallo está presente em 36 países, sendo que em Portugal, na Venezuela e no Brasil ele é líder de mercado. Só a Gallo sozinha representa cerca de 15% das exportações portuguesas para o nosso país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Dada a concorrência forte de seus congênres italianos e espanhóis – e, em menor escala, gregos e libaneses que, dada a distância elevada, aparecem discretamente em nosso mercado – a empresa portuguesa tem como estratégia trabalhar mercados localizados fora da bacia do Mediterrâneo.

No mercado português, a Gallo comercializa 11 tipos de azeites diferentes, o que reflete a exigência e o refinamento do paladar dos consumidores lusitanos em busca de produtos com sabores, tipos e graus de acidez diferenciados. Em Portugal, a empresa realizou uma extensão de marca oferecendo outros produtos como vinagre balsâmico e pastas de azeitonas.

Entretanto, até nós chegam apenas 5 desses tipos, mas a tendência é de franco crescimento dada a maior conscientização do consumidor brasileiro diante das variações e benefícios desse produto. Atualmente, a Gallo, como disse antes, possui a liderança do mercado brasileiro com cerca de 30% de market share. Em 2007, foram comercializados 25 milhões de litros, movimentando um volume de vendas de aproximadamente R$ 680 milhões, provando que o nosso mercado está em plena expansão e com amplas perspectivas de crescimento. Afinal, o nosso consumo per capita é considerado baixo: são 200 ml por ano, contra 6 a 10 litros por habitante em Portugal e na Espanha. Outro fato é que a empresa conquistou pelo segundo ano consecutivo o prêmio Top of Mind 2009 da categoria, promovido pelo periódico Folha de São Paulo, com 21% de citações espontâneas contra 6% do segundo colocado.

Assim como existem degustadores profissionais de vinhos, cafés e chás, agora surgem em nosso país profissionais responsáveis pela criação de “cartas de azeite” nos restaurantes, bistrôs e delis mais sofisticados que oferecem sugestões de pratos e de harmonizações que ressaltem os diferentes aspectos do produto. Coisa chique, não?!

Em 2008, a empresa, que possui apenas 110 funcionários e produz 30 milhões de litros de azeite por ano, obteve um faturamento total de 120 milhões de euros. Em termos de inovação, a Gallo está substituindo as tradicionais latas por garrafas de vidro, cujo design inovador aufere ao produto um ar mais sofisticado de iguaria gourmet refinada, além de proporcionar uma melhor visão do precioso e saboroso líquido de cor verde-dourada, fato este extremamente valorizado pelos consumidores do produto.

Para quem ficou com água na boca (como é o meu caso), ou então quer saber um pouco mais sobre o Azeite Gallo, vale a pena acessar a reportagem do programa Mundo S/A, do canal a cabo Globo News (http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1423378-17665-315,00.html)

E para quem, como esse Escriba que vos fala, morre de saudades de Portugal, vale a pena assistir os dois reclames publicitários recentes da empresa. Os links estão abaixo, mas garanto: mais português impossível!

Bom almoço a todos, e de preferência regado à muito azeite de oliva! Seja ele português, espanhol, libanês, italiano, grego. Afinal, gastronomia que se preza é ecumênica por definição…

TROFÉU "FANFARRÃO DO ANO DE 2009" JÁ ESTÁ NO AR!

Como já é tradição no PRAGMA, está aberta (ao lado direito do blog) a eleição que irá decidir o mais fanfarrão, zé-ruela, zé-rosca e joselito sem-noção do ano de 2009. Convido os meus críticos e bem-humorados leitores a participarem desta enquete, a do Fanfarrão do Ano de 2009, que encerrará no último dia do mês de janeiro de 2010. Vale lembrar que é permitido votar em vários candidatos, e caso algum leitor queira sugerir algum nome que não tenha sido incluído na relação inicial, é só escrever para esse Escriba que vos fala que este irá apreciar com a atenção devida.

Afinal de contas, a cada ano são tantos manés sem noção que a gente acaba se esquecendo de lembrar de todos!

A grande novidade da votação desse ano é que eu, deliberadamente, excluí da listagem o Presidente Lula, um dos campeões de votação dos anos anteriores. Por definição, Lula já é um Fanfarrão hors concours, de maneira que a exclusão do seu nome permite que outros candidatos possam também ter as suas chances de serem eleitos.

Como acontece em todo ano, a lista é majoritariamente composta por políticos, uma vez que a cada ano que passa estes se esmeram na arte de encher o nosso saco, de nos enganar e de testar a nossa tolerância a limites antes nunca sondados! Times de futebol também integram a relação, mas artistas e músicos – que integravam a votação dos anos anteriores – estão pouco representados na votação desse ano. Talvez pelo fato de dois grandes freaks (Michael Jackson e Brittney Spears) estarem fora, um pelo seu falecimento e outra pela sua absoluta e total insignificância. Entretanto, a categoria dos “aspirantes a astros” está bem representada pelos ex-integrantes de reality shows.

Com o intuto de auxiliá-los e de não introduzir vieses na enquete (rsrsrsrs), vale lembrar os campeões dos anos anteriores. Em 2007, o troféu foi para o ex-alcaide do Rio, o esquisitão César Maia, com 54% dos votos. Em 2008, o campeão foi o nosso queridíssimo presidente Lula, com 63% dos votos.

E em 2009, quem será o vencedor? Será um político? Nacional ou internacional? Um artista? Um time de futebol? Ou um conjunto de mulambos aspirantes a estrelas de TV?

Portanto, meus caros leitores, não deixem de participar e ajudem a esse Escriba que vos fala eleger “O Fanfarrão do Ano de 2009”. Avisem aos seus amigos internautas, bem como os seus familiares e até mesmo os seus piores inimigos. E o prêmio, como não poderia deixar de ser, será auspicioso: uma semana inteirinha vivendo internado na UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na Cidade de Deus, entabulando negociações de paz entre PMs, traficantes, milicianos e políticos corruptos e venais, com direito à blitzes de Lei Seca e operações guincho de carros com IPVA atrasado. Também vale o direito a participar das operações municipais de “Choque de Ordem”, em pleno Camelódromo na Rua Uruguaiana (no centro do Rio de Janeiro), visando reprimir o comércio de CDs e DVDs piratas…

Vox populi, vox Dei!!!

O PRESENTE MAIS VENDIDO DESSE NATAL

Enganaram-se aqueles que achavam que este Natal seria marcado pela explosão de vendas das TVs de LCD, dos notebooks, das câmeras digitais com zilhões de megapixels ou dos smartphones

Contrariando todas as expectativas, o presente que obteve a maior saída neste Natal, pelo menos aqui no Rio de Janeiro, foi a camisa comemorativa do Hexacampeonato Brasileiro de Futebol, que o Mais Querido do Universo conseguiu de forma heróica e indiscutível em pleno Maracanã, com a ajuda inestimável da mulambada paulistana que caiu pelas tabelas nas rodadas finais do campeonato…

A camisa comemorativa, que faz alusão ao “manto sagrado” e histórico que foi envergado na conquista do Mundial Interclubes em 1981, traz a inscrição – mais do que merecida, diga-se de passagem – “Hexa na Raça”. Quem ia nas lojas de material esportivo deparava-se com filas de espera, e todos os vendedores eram unânimes ao afirmar o sucesso da histórica camisa. Um sucesso de vendas para a Olympikus, que investiu horrores no Flamengo, e está tendo um retorno mais do que merecido ao apostar no time da Gávea!

Desculpem os meus leitores anti-flamenguistas, pois eu tinha prometido a mim mesmo que não iria tripudiá-los diante dessa Hexamegahiperultraconquista. No entanto, como o ano de 2009 foi muito bom para esse Escriba que vos fala, está difícil conter a alegria que toma conta do meu espírito. Especialmente após esse presentão de Natal, fruto da cabeçada certeira e mágica do Rambo cearense rubro-negro que atende pelo nome de Ronaldo Angelim…

AH, EU IA ME ESQUECENDO…

Para os meus leitores cristãos, um Feliz Natal!!!
Categorias:Eventos, Natal, Pensamentos

PUBLICIDADE INFANTIL, UM PROBLEMA PARA O MARKETING

dezembro 24, 2009 3 comentários
Um dos temas mais espinhosos e difíceis de abordar no marketing diz respeito à questão da publicidade infantil. Várias florestas e bytes foram gastas discutindo os efeitos deletérios dos estímulos de marketing na formação da personalidade, atitudes e comportamento das crianças. Não irei aqui resenhar tais efeitos, e basta uma breve “googleada” no tema para que os meus ciosos e engajados leitores possam ter idéia de como tal tema está sendo discutido atualmente.

(A título de esclarecimento, por público infantil entenda-se crianças de até 12 anos de idade).

Por exemplo, só para se ter uma idéia do tamanho da encrenca, até os 9 anos de idade uma criança não consegue discriminar se uma personagem de desenho animado ou da televisão é real ou imaginária. Fantasia e realidade misturam-se na psiquê infantil, daí o lúdico e a brincadeira terem um lugar central no desenvolvimento cognitivo, emocional e personalógico da criança. Agora, imaginem o efeito motivador – leia-se, o despertar de necessidades e desejos – quando um Bob Esponja, um Tony The Tiger, um Dexter aconselha o(a) amiguinho(a) a comer tal cereal, tal iogurte, tal chocolate!

No Brasil, quem não se lembra de campanhas publicitárias como aquelas da “tartaruga” ou do “siri”, veiculadas por uma empresa fabricante de cervejas, em plena Copa do Mundo? Ou de uma sandália de plástico de uma famosa apresentadora infantil? Ou então de um rudimentar game, onde uma mão saía da tela da TV e retirava o produto com o qual a criança estava brincando?

Lembrem-se sempre disso: brincar, apesar de ser divertido, é uma coisa muito, mas muito séria!

Pensando nisso, e especialmente no efeito negativo da publicidade infantil sobre a imagem de marca, muitas corporações estão adotando critérios mais rígidos com relação a estratégias de marketing direcionadas para o público infantil. Recentemente em Ribeirão Preto, um aluno meu que é funcionário da Nestlé – diga-se de passagem, um sujeito muito inteligente, capaz e sagaz – afirmou que a empresa suíça possui regras muito draconianas e rígidas quando o target é a criança. Palmas para o compromisso ético da Nestlé!

Em contraposição, até bem pouco tempo atrás, as empresas do ramo de alimentação, biscoitos, balas, guloseimas e de fast-food não davam a mínima para isso! O resultado disso: a fúria dos pais, psicólogos, médicos, assistentes sociais, nutricionistas e demais stakeholders. Num mundo onde a internet e as redes sociais imperam, é necessário – ou melhor, imperativo – convir que qualquer pequeno deslize ganha uma publicidade mundial gigantesca em fração de minutos! Além disso, governos do mundo inteiro a cada ano que passa criam marcos regulatórios cada vez mais restritivos a fim de proteger as suas crianças e respectivas famílias dos efeitos deletérios do marketing infantil, da obesidade, dos estilo de vida pouco saudável e da sanha consumista desenfreada.

Quem é pai ou mãe sabe muito bem o que eu estou dizendo! Controlar uma criança em um acesso de fúria consumista é uma tarefa hercúlea, que requer muita habilidade e disposição…

Como diz o velho ditado popular, é mais fácil prevenir do que remediar – especialmente quando o assunto envolve uma crise de marca. Nesse sentido, muitas empresas estão partindo para a criação de códigos de ética e de estratégias de auto-regulamentação que criem parâmetros comuns de proteção e controle à propaganda infantil. No Brasil, o Conar (Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária) tem uma atuação reconhecidamente importante e destacada nesse âmbito.

Na União Européia (UE), por seu turno, 11 corporações gobais assinaram em dezembro de 2007 um acordo intitulado Pledge (“compromisso”, em inglês), que estabelece parâmetros claros de restrição à publicidade infantil. O acordo envolve o compromisso voluntário, por parte dos signatários, de alterar a publicidade dirigida às crianças na TV, na mídia impressa e digital a fim de protegê-las de possíveis efeitos nocivos e de promover um estilo de vida mais saudável.

As empresas signatárias do acordo são big shot players: Burger King, Coca-Cola, Danone, Ferrero, General Mills, Kellogg’s, Kraft Foods, Mars, Nestlé, PepsiCo e Unilever.

Dois pontos deste “acordo de cavalheiros” são importantes de serem ressaltados. O primeiro diz respeito ao fato dos signatários renunciarem à qualquer publicidade direcionada para crianças abaixo de 12 anos, excetuando-se casos de produtos que atendam aos rígidos critérios nutricionais determinados pelos agências mundiais de saúde. O segundo diz respeito a retirada de qualquer comunicação de seus produtos em escolas do Ensino Fundamental, salvo em campanhas educativas que sejam realizadas em comum acordo com as autoridades educacionais da UE.

Os resultados desse tipo de iniciativa podem ser vistos a partir de uma pesquisa realizada pelas consultorias Accenture e Pricewaterhouse Cooper, que monitorou seis mercados da UE durante o ano de 2009 (França, Alemanha, Itália, Irlanda, Espanha e Polônia). Foi verificada uma queda global de 61% da publicidade infantil, e uma redução de 93% de anúncios de TV de produtos que não atendem aos critérios nutricionais adequados em programas com audiência majoritariamente infantil.

Entretanto, como nem tudo é perfeito, muitas ONGs e órgãos da sociedade civil organizada pressionam para que tais acordos incluam uma faixa maior de consumidores – leia-se, a inclusão do público pré-adolescente e adolescente nas regras do acordo (crianças e jovens entre 12 a 16 anos).

Legal, não?! Vale lembrar que as empresas fazem isso não por bom mocismo ou filantropia, mas sim com o intuito de evitar tanto a publicidade negativa quanto possíveis danos a sua imagem de marca. Afinal, imagem é tudo, e empresas possuem estômago, e não coração!

Para quem quiser conhecer mais sobre o tema, basta acessar (http://www.eu-pledge.eu).

O CASO TIGER WOODS

O uso de personalidades midiáticas que se destacam em áreas tão díspares, porém populares, como esporte, televisão e negócios em estratégias de marketing e comunicação é sempre uma jogada de altíssimo risco. Eu costumo dizer que é como patinar em gelo fino, onde a razão entre peso e velocidade são determinantes para o sucesso estrondoso ou o fracasso retumbante.

Analisemos, por exemplo, o recente e emblemático caso de Tiger Woods – um exemplo de como de se ganha mmmuuuiiitttooo dinheiro quando o assunto é marketing esportivo…

Woods é considerado o case de marketing esportivo. Afro-americano, jovem, bonito e simpático, o cara conseguiu ganhar tudo em um esporte tão elitista e W.A.S.P. (White Anglo-Saxonic and Protestant) como o golfe. O atleta representa o sonho de milhões de afro-americanos que lutam diariamente para sobreviver (e vencer!) em uma sociedade altamente discricionária e competitiva como é a norte-americana. Jovialidade, simpatia e um senso de competição elevadíssimo levaram o golfista aos píncaros da glória, como ícone do macho-alfa, o que consequentemente reverteu em somas bilionárias de patrocínios que encheram o seu bolso de dólares. Parodiando o compositor pernambucano Lenine, dolores dólares…

Se Woods era o enfant terrible dos greens do mundo inteiro, ao mesmo tempo tornou-se o darling dos grandes conglomerados multinacionais que estavam loucos para aderir à febre e “colar” a sua imagem a do atleta. Em um jargão típico do marketing, Woods virou uma ativo estratégico de alto valor agregado para o mercado, e logo abriram-se as portas do paraíso, isto é, somas incomensuráveis começaram a inundar a sua conta corrente.

Tudo parecia uma enorme e lucrativa lua-de-mel quando um balde de realidade veio a acabar com isto. Em novembro desse ano, o golfista sofreu um acidente de carro em Orlando, na Flórida, e logo uma história rocambolesca começou a surgir. Inicialmente, a mídia tratou o caso como resultado de uma embriaguez ou de uso de substâncias ilícitas, mas logo veio à tona que a sua esposa arrumou um “barraco” daqueles ao saber que o atleta administrava um harém de dar inveja a qualquer sultão do antigo Império Otomano! Dentre as inúmeras beldades femininas de orgem “suspeita” que faziam parte da rede de relações íntimas do Tigrão (desculpem-me o trocadilho infame), duas eram destacadas atrizes da milionária indústria pornô norte-americana. Ou seja, de uma hora para outra o camarada caiu do céu para o inferno…

O leque de empresas patrocinadoras de Woods começou a vacilar diante de tamanha especulação e veiculação de notícias negativas, levando-as a deixá-lo na rua da amargura. Empresas como Gillette, Gatorade, Tag Heuer e Accenture deixaram-lhe a ver navios, sendo que a Nike deu uma declaração oficial afirmando estar analisando o caso. Vale lembrar que Tiger Woods é uma máquina de fazer dinheiro, e foi o primeiro atleta no mundo inteiro a bater a marca de US$ 1 bilhão em verbas publicitárias. Daí o ditado, quanto maior o tombo, maior a queda…

Como eu disse no início desse post, investir em celebridades e personalidades de destaque é um jogo de altíssimo risco. Por um lado, empresas que se associam a estas pessoas ganham – e muito – em visibilidade e recall de marca. Para vocês terem uma idéia do que isso significa, só o retorno que a montadora alemã Audi teve de exposição de sua marca na mídia por ocasião da ida do inglês David Beckham ao Real Madrid foi o equivalente a dois anos de investimento contínuo em ações de comunicação em espaços nobres nos canais de televisão! Vale lembrar que, nesse caso, foram seis horas de cobertura contínua em redes de televisão no mundo inteiro pelo simples fato da Audi ter cedido os carros que faziam parte da comitiva que levava o jogador-galã-celebridade do Aeroporto de Madri até a sede do clube madrilenho.

Além da gigantesca exposição na mídia, os atributos de personalidade destes astros e o carisma por eles destilado pode gerar na marca o reconhecimento de atributos positivos como competitividade, liderança, segurança, precisão, dentre outros. No entanto, os contras também são inúmeros…

Celebridades também são seres humanos e, dado este simples e inaudito fato, estão sujeitas à chuvas e trovoadas. Pessoas ficam deprimidas, choram, cometem deslizes, erros e, acima de tudo, correm enormes riscos quando começam a achar que são onipotentes – um típico caso, segundo a terminologia jungiana, em que a pessoa substitui a sua imagem pessoal pela imagem arquetípica que foi construída pela da mídia de massa global. No caso específico de Tiger Woods, a imprensa alcunhou como “complexo de Messias”, isto é, o indivíduo acha que pode fazer tudo e conta com o beneplácito e a generosidade da audiência.

Porém, uma simples vista em filmes que retratam o Coliseu e os gladiadores no Império Romano nos lembra, de maneira simples e didática, que os humores da plebe e do lunpem flutuam ao sabor das marés, das monções e dos ciclos lunares. Um gladiador poderia estar nos píncaros da glória, idolatrado e adorado pela audiência, mas um simples deslize ou a ascensão de um rival mais competitivo e charmoso encerrava abruptamente a lua-de-mel – e não raro a vida do próprio infeliz! E, mais uma vez os romanos nos dão uma lição: quando um Imperador desfilava em carro aberto na Cidade Eterna com o intuito de celebrar as suas conquistas, um simples escravo que segurava a sua coroa de louros sussurrava-lhe ao ouvido a seguinte frase: “toda a glória é efêmera”…

Não é e nem será a primeira vez que isto acontece com essas celebridades. Basta lembrar de casos recentes como os do nadador e medalhista olímpico Michael Phelps, que foi flagrado fumando maconha em uma festinha animada. Ou então, em terra brasillis, o caso do nosso grande Ronaldinho, flagrado em um motel de quinta categoria com três travecos de responsa! Vale lembrar que, apesar da revoada inicial dos patrocinadores, os dois atletas deram a volta por cima e ganharam de novo a simpatia da mídia, dos fãs e, por consequência, a “graninha” dos sponsors.

Vale lembrar que investir em celebridades é um esporte de alto risco. Afinal, no pain, no gain. Talvez Woods dê a volta por cima vendendo a sua história de ascensão e queda para Hollywood, torcendo para que um James Cameron da vida a leve para a telona do cinema. Ou então, que ele busque novos patrocinadores como Viagra, Cyalis ou Levitra. Afinal, como diria o colunista Sérgio Augusto na edição de domingo passado do periódico O Estado de S. Paulo, o slogan poderia ser bem assim: “Ponha um tigre em sua cama”!
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