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Archive for outubro \27\UTC 2009

DOIS AGRADECIMENTOS E VÁRIAS DESCULPAS

A vida desse Escriba que vos fala não anda nada fácil. Viagens, livros para escrever, provas para corrigir, reuniões mil, muitos trabalhos diferentes… Mesmo para um viciado em adrenalina e portador de um atenuado distúrbio de atenção, isso proporciona um cansaço e um certo grau de descolamento da realidade. Além disso, reduz a nossa perspectiva de contato social, posto que estou sempre em trânsito, de um lado para o outro do país, de cidade em cidade. Resultado: tenho adquirido um vasto conhecimento a respeito de aeroportos, hotéis, aviões…

Apesar dos pesares, me considero um sujeito de sorte! A minha profissão ocupa um enorme espaço em minha vida, posto que eu adoro o que faço! Me identifico profundamente com o ofício de educador, uma vez que gosto muito da idéia de transmitir o que estudo e empreendo sob forma de conhecimento para outras pessoas. Como, apesar da aparência em contrário, tenho uma personalidade difícil e fortemente introvertida, dar aulas para mim é uma forma de sair da minha redoma de livros, autores, teorias – a window to the world. Costumo dizer, para quem me é mais querido e amiúde que, se não fossem as aulas, eu seria um eremita daqueles a ficar trancafiado de 10 a 15 horas por dia rodeado de papiros, imerso em pensamentos, a tentar reconstruir os passos perdidos e misteriosos da civilização humana…

É por esses motivos – invariavelmente, trabalho – que não pude comparecer à cerimônia formatura dos meus alunos do MBA de Marketing da FGV Rio de Janeiro, das turmas 70 e 71. Em ambas as ocasiões, eu estava fora do Rio de Janeiro – como estou agora, digitando essas linhas da belíssima e ensolarada capital gaúcha de Porto Alegre. Em ambas as situações, fui escolhido professor homenageado. Em ambas, perdi a oportunidade de congraçar-me com os meus queridos alunos. Uma lástima, posto que a homenagem prestada pelos alunos é o ápice para qualquer professor que ama verdadeiramente o seu ofício…

Apesar de não ter estado presente, gostaria de agradecer imensamente aos alunos de ambas as turmas pela honra de me terem concedido essa homenagem. Como professor, a minha relação com o conhecimento não é do âmbito da vaidade e da promoção pessoal, mas sim da troca de idéias, da difusão de conhecimentos, da criação de boas relações sociais e, por fim, dos estabelcimento de vínculos de amizade. Não é à toda que mantenho com alguns alunos uma relação mais amiúde e duradora, seja sob forma de e-mails ou nas redes sociais da vida.

Tal homenagem apenas me dá a certeza de continuar no meu caminho de ensinar, de difundir conhecimento, de transmitir o que sei para as outras pessoas, que estão em busca de informação atualizada, ética e comprometida com a nossa realidade e o nosso país. Ser reconhecido pelos meus alunos, dessa forma, é o máximo que eu posso ter! O resto é balela, é discurso vazio, enrolação…

Apesar de distante, me sinto absolutamente irmanado com os alunos de ambas as turmas, e muito feliz com mais essa vitória de vocês, conquistada a base de muita leitura, estudo, provas, textos e apresentações em sala de aula. Saibam que eu me orgulho em demasia de vocês, e espero que daqui em diante vocês possam trabalhar no sentido de tornar o nosso país mais rico, ético, fraterno e criativo.

Aceitem, portanto, as mais sinceras desculpas deste humilde professor que vos fala. E saibam que, mesmo distante, estou sintonizado com os corações e mente de cada um de vocês!!!

Meus parabéns, e muito sucesso para todos!!!
Categorias:Pensamentos

SESSÃO DE CINEMA – "FADOS"











As peripécias desse Escriba que vos fala em terras celtíberas-suevas-lusitanas não se esgotou quando do meu retorno ao Brasil, há cerca de três semanas atrás, após uma semana memorável. Portugal, locus de minhas raízes, não é fácil de se afastar. Pelo contrário, trago o país, o seu povo, a sua gente e os seus costumes em meu sangue, em meu pensamento, em meu coração. Apesar de brasileiro, e amar a terra onde vivo, não é nada simples esquecer que, no distante outro lado do Atlântico, é que repousam as minhas origens. Tenho essa sensação todos os dias, a todo o instante, a todo o momento. Talvez seja por isso que o suave olor da maresia está sempre a me acompanhar, assim como o gosto da água salgada que permeia os meus lábios, todas as vezes que sinto uma profunda nostalgia de ter deixado a minha terra natal…

Para mim, luso que teimo em não ser, um porto é um lugar feérico por excelência; afinal, há algo mais continental, mais denso, mais íntimo do que o porto que nos tornamos? Ou será que inventamos viagens apenas pelo puro prazer de, ao final, retornar ao ancoradouro de nossas almas? O nosso eu, penso cá com os meus botões, é apenas uma baía calma e protegida, cujas águas cálidas e plácidas nos abrigam desse imenso e majestoso oceano que cabe no pequeno espaço dos nossos corpos…

Todas as vezes que sinto um gosto salgado na boca, é porque tenho uma tremenda saudade de mim mesmo – e de tudo aquilo que amo, prezo e venero. A lembrança de um tempo antigo onde o mundo era mais simples, as emoções eram à flor da pele e não precisávamos tanto de posar como super-homens me é extremamente fascinante. Daí, talvez, cidades com grande peso histórico e com um certo teor de decadência me atraiam tanto – dentre elas, Lisboa e Buenos Aires, as que mais conheço e admiro…

Portugal me assedia, e eu não consigo me livrar de Portugal, tenho de humildemente confessar! Nesta semana que se finda, impossível não acorrer ao cinema e assistir a última película do consagrado cineasta espanhol Carlos Saura. Apesar de ter sido lançado em 2007, e só agora ser exibido no circuito comercial brasileiro, uma obra de arte nunca se esgota, nunca envelhece, pois sempre rejuvenesce. Especialmente os filmes de Saura, onde o lirismo das imagens e a beleza da fotografia é superlativa por si só…

Fados (2007), é uma continuação da série de documentários “viso-musicais-coreográficos” que o diretor vem empreendendo com maestria tendo como tema a música da latino-luso-ibérica. Foi assim com as películas anteriores, os magistrais Bodas de Sangue (1981), Carmen (1983), Flamenco (1985), Tango (1998) e Iberia (2005).

Assim como os seus “irmãos” samba e o tango, o fado é um ritmo tipicamente urbano, nascido nas classes mais pobres, em meio à cafetões, prostitutas e “inferninhos”, com músicas que tocam à fundo na alma, a cantar as desesperanças, as desilusões, os amores desfeitos, a melancolia sem fim, a dureza da vida. Afinal, como diria o maestro Tom Jobim, o samba nasce da tristeza, e a felicidade tem fim…

Fados é de uma beleza indescritível, apesar de ser capaz de gerar enfado no espectador que porventura não seja um apreciador da musicalidade e da riqueza poética de uma dessas maravilhas que Portugal produziu para o mundo. Nesta película, Saura casa com extrema felicidade, beleza e poesia os instrumentos típicos, o canto saudoso e doído com a dança e a expressão corporal dos bailarinos-atores que se sucedem ao longo do filme. Não me surpreende em nada afirmar que Fados é uma obra-prima das artes plásticas, dada a beleza dos closes nos rostos de cada intérprete, a riqueza das vestes e o jogo multifacetado dos espelhos que o diretor já tinha explorado com maestria em suas películas anteriores.

Tradição e novo, antigo e contemporâneo, metrópole e colônia, Portugal e seus vizinhos, todos se irmanam e se entrecruzam no filme. A saudosa Alfama das casas de fado e a belíssima Mouraria com seu quê de Santa Teresa, miradoiros bucólicos e eléctricos a quase triscar as paredes do casario estão lá, presentes nas vozes de intérpretes consagrados do quilate de uma Amália Rodrigues, de um Carlos do Carmo e de um Alfredo Marceneiro. A juventude lusa repousa nos “duelos” travados nas cenas gravadas na famosa Casa dos Fados, na Alfama (envolvendo Vicente da Câmara, Ana Sofia Varela e Pedro Moutinho). A africanidade das colônias está no rap (SP & WIlson e NBC), na world music (Lila Downs) e nos folguedos típicos das ilhas, reminiscências de um passado que nos lembra até onde os portugueses chegaram com suas naus no passado. A herança entre metrópole e colônias está na belíssima voz da moçambicana Mariza, e na emocionante interpretação de Chico Buarque do seu “Fado Tropical” (escrito em parceria com Ruy Guerra), tendo ao fundo cenas projetadas da Revolução dos Carvos. Tocante, pungente, inesquecível …

Também há outras cenas memoráveis no filme. Como, por exemplo, Carlos do Carmo entoando o fado Lisboa enquanto cenas do cotidiano da capital portuguesa são projetadas nos telões. Ou então, o dueto entre a moçambicana Mariza e o espanhol Miguel Poveda na canção Meu Fado, mostrando o quão próximos são estes dois países, seus povos, sua cultura, sua culinária e sua música. Ou então nas cenas de arquivo com imagens de Amália Rodrigues, a fadista-mor. Ou então, na dança pagã das mulheres ao redor da fogueira, ou da fadista cantando a história da fadista morta ao som de um realejo irlandês. Típicas lembranças de um passado pagão na Península Ibérica, e que a cristandade tentou apagar mas não conseguiu…

A se lamentar, a participação inexpressiva do brasileiro Tony Garrido, com uma vozinha mixuruca e uma interpretação prá lá de afetada. Absolutamente desnecessária. E também não gostei nem um pouco da participação do Caetano Veloso…

Tudo isso são pequenos deslizes frente à beleza que é o fado, visto pelas lentes de Carlos Saura. Quem puder, veja! Quem não puder ir ao cinema, depois compre ou alugue o DVD. Mas não percam a oportunidade de assistí-lo, pois ajuda a compreender o tamanho da herança lusa em nossa identidade, corpos e mentes.

Agora, silêncio! Pois, como diria Amália Rodrigues, agora se vai cantar o fado…

ALGUMAS NOTAS SOBRE OS INDICADORES SOCIAIS BRASILEIROS

Dentro da série de comentários que pretendo postar sobre os recentes levantamentos demográficos do IBGE, aí seguem alguns dados sobre os nossos indicadores sociais.

Segundo dados coletados para a Síntese de Indicadores Sociais (SIS 2009) do IBGE, cerca de 23% dos chefes de família em 2008 eram idosos (pessoas com idade acima dos 60 anos). Em 2008, o número de idosos no país era de 11,1% – cerca de 21 milhões dos 189 milhões de habitantes -, contra 8,8% apurados no ano de 1998.

Até aí nenhuma novidade, pois o Brasil segue uma tendência demográfica há muito consolidada nos países do Hemisfério Norte, que reside na combinação entre o aumento da longevidade da população e a redução dramática da taxa de natalidade. Só para se ter uma idéia, a população brasileira com menos de 1 ano de idade passou de 1,8% em 1998 para 1,3% em 2008 – uma redução de 27,8%. Como não poderia deixar de ser, a região Sudeste possui a menor concentração desse estoque população (1,2%), contra 1,8% apurada na região Norte.

Também o levantamento do IBGE mostrou a redução da população pré-adolescente (entre 9 e 14 anos), que é de 24,7% em 2008 contra 30% em 1998 – uma redução de 17,7%. Isso se explica pela redução do número de casais com filhos – 48,2% em 2008, contra 55,8% em 1998 – e o aumento do número de casais sem filhos – 16,6% em 2008, contra 13,3% em 1998.

O número de idosos com mais de 80 cresceu cerca de 70% no intervalo de uma década, e a expectativa média de vida ao nascer em 2008 é de 73 anos. Apesar do aumento vertiginoso do número de idosos em nosso páis, o Brasil apresenta um percentual de 9% da população total que se encontra acima dos 60 anos – abaixo de países como o Japão (27% de idosos na população total), Itália (26%), Reino Unido (22%), Estados Unidos (17%) e Argentina (14%), e acima de países como Colômbia e Venezuela (ambos com 8%).

Outros dados tambem interessantes e que merecem ser destacados: a média de habitantes por domícilio é de 3,3 em 2008, contra 3,8% em 1998; 51% dos idosos são analfabetos funcionais; e apenas 61% das residências brasileiras possuem acesso a serviços básicos como água, esgoto e coleta de lixo.

Recado para os meus alunos de marketing: vamos olhar com mais cuidado essas tendências demográficas?

BRASIL ECONÔMICO: O NOVO PERIÓDICO BRASILEIRO DE ECONOMIA

Todo monopólio é prejudicial ao consumidor, seja qual for o segmento de negócios envolvido. No caso do jornalismo econômico de qualidade no Brasil, foi isso o que aconteceu com o encerramento das atividades da Gazeta Mercantil, ate então uma referência no jornalismo econômico brasileiro.

A bem da verdade, desde antes do encerramento das atividades da Gazeta que tinha sido criado o Valor Econômico, atualmente o maior – e até então único – jornal de economia brasileiro. Uma iniciativa conjunta entre Grupo Folha e Organizações Globo, o Valor Econômico é um belo jornal: matérias de qualidade, diagramação enxuta, visualmente agradável, com info-gráficos que ajudam a compreensão do leitor sobre o tema abordado. Além de seu core business que é economia, suas seções de estilo de vida e consumo, gastronomia, cultura e literatura são dignas de elogios, fazendo com que o periódico não seja um hard paper de economia & negócios. Como fragilidade, uma restrita seção de política internacional, invariavelmente com matérias oriundas do jornalismo anglo-saxão…

Agora, para os leitores brasileros ávidos por periódicos de economia de qualidade, eis que o grupo português Econômica (segmento do Ongoing Media) lançou na semana passada o periódico Brasil Econômico – seu primo brasileiro assemelhado ao periódico português Diário Econômico – e que tive a oportunidade de lê-lo todos os dias pela manhã em ocasião de minha curta estadia em Portugal.

Tal lançamento é mais uma prova de que o mundo tem os olhos voltados para o Brasil, e a realização da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016 tornou o país verde-amarelo um grande atrator de investimentos externos. Já na parte que me toca, um consumidor ávido por informação de qualidade, a entrada no mercado do Brasil Econômico é um bálsamo. Afinal, penso que quanto mais melhor!

Editado em formato tablóide – muito comum no sul do país, e adotado recentemente pelo periódico carioca O Dia – e com sua característica coloração alaranjada semelhante ao seu irmão luso, e ao britânico Financial Times -, o Brasil Econômico é um jornal hard de economia. Bastante sucinto, com uma diagramação interessante e leve, e também fazendo recursos à info-gráficos – a bem da verdade, em número bem menor do que o seu concorrente direto -, a primeira leitura me agradou bastante. Diferente, mais sucinto e com resumos em cada matéria destacando os pontos principais, é um jornal fácil de ler para quem navega com facilidade pelo vocabulário econômico.

O jornal tem periodicidade semanal, com uma edição de fim de semana, e o preço nas bancas será de 1,20 euros – cerca de R$ 3. O ponto positivo do jornal é uma ênfase maior nas relações Brasil-Portugal (o que não poderia deixar de ser) e a presença de matérias sobre a União Européia. A ser melhorado, em meu entendimento, é um maior sortimento de artigos sobre empresas brasileiras, enfatizando as características e a dinâmica de funcionamento dos diferentes nichos de negócios em nosso país.

De qualquer maneira, a chegada do Brasil Econômico é mais do que bem vinda, pois todos ganham com a concorrência. Eu, que sou assinante do Valor Econômico, vou ler mais algumas edições para ver se vale a pena fazer também uma assinatura. Para quem quiser dar uma olhada, basta acessar o link (http://www.brasileconomico.com.br).

Vamos aguardar, mas acima de tudo parabéns pela iniciativa!

AS VOZES ETERNAS (1899)

Oh, doces e perenes Vozes, permaneçam;

Vão até aos guardiões das hostes celestiais
E os ordene que vagueem obedecendo à Tua vontade,
Chamas sob chamas, até o Tempo deixar de existir;
Não tem você ouvido que nossos corações estão cansados,
Que você tem chamado por eles nos pássaros,
no vento sobre as colinas,
Em balançantes galhos nas árvores,
nas marés pela beira-mar?
Oh, doces e perenes Vozes, permaneçam.
(William Butler Yeats, 1865 – 1939)

EM STONEHENGE

I

Quem ergueu estas pedras votivas
num esforço sobre-humano
e insano?

A que deuses evocava
A que forças referenciava
a que fenômenos aludia
e reverenciava?

Quanto pode o homem
em sua obstinada recriação
– tudo ou nada?

E a cultura
é sempre conta-natura
em sua vã fatuidade?

II
Quais os limites
da materialidade em que vagamos
errantes e solertes?
Pretensa eternidade
nestas pedras inertes…

III
Nas ruínas pré-históricas
(atribuidas aos druidas)
dois tempos simultâneos
contradizendo-se:
eu, perplexo, buscando
o nexo
entre a fragilidade humana
e a vã materalidade
daquele monumento.

Em que momento
voltaremos a ser terra
regressaremos à comum
mineralidade?
(Antonio Miranda)

CRESCE O NÚMERO DE JOVENS BRASILEIROS NA EDUCAÇÃO SUPERIOR

Nas duas últimas semanas, os jornais têm sido inundados por uma série de reportagens abordando a evolução dos mais diversos indicadores sociais no Brasil, tais como taxa de natalidade e longevidade da população, acesso à internet, renda, dentre outros mais. Tudo isso graças à publicação de pesquisas do IBGE como a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios) e a Síntese dos Indicadores Sociais. Na medida do possível, vou postando e comentando aqui no PRAGMA alguns indicadores que parecem mais relevantes para os nossos propósitos, isto é, discutir a evolução da nossa sociedade.

Os primeiros dados que irei aqui comentar dizem respeito à Educação Superior em nosso país. Os mais antenados com essa discussão sabem que o Brasil apresenta uma das piores taxas de matrículas no Ensino Superior do mundo, inclusive comparado aos nossos vizinhos argentinos e chilenos – países onde mais da metade da população possui escolaridade universitária completa. Alguns podem dizer que tal preocupação é um tanto o quanto menor, dado os graves problemas que vivemos tanto na Educação Básica (onde equacionamos o problema da quase universalização) quanto no Ensino Médio (esse sim, o maior gargalo do nosso sistema educacional).

No entanto, já discuti em diversos artigos e postagens que a Educação Superior – a despeito de seus inúmeros vieses corporativistas das universidades – é condição sine qua non para que um país possa aproveitar de maneira plena os benefícios da Economia do Conhecimento. Afinal, o ensino superior desenvolve no estudante capacidades cognitivas fundamentais como espírito crítico, resolução de problemas complexos, criatividade e inovação – isto é, todos os elementos necessários para o incremento do estoque de capital humano de uma sociedade. Dito de outra maneira, vislumbrar o número de matrículas no ensino superior de um país nos permite entender o quão este está capacitando os seus habitantes para os desafios impostos pela Economia do Conhecimento…

Vamos então aos dados. Desde já, uma notícia boa e uma notícia ruim…

A notícia ruim é que os nossos indicadores ainda são bastante inferiores ao restante do mundo desenvolvido. A boa é que eles, mesmo assim, estão melhorando…

Segundo reportagem publicada na edição de ontem do Estado de S. Paulo, dobrou o número de jovens matriculados no ensino superior. Graças ao ProUni (Programa Universidade para Todos), o número de jovens de 18 a 24 anos inscritos em cursos superiores passou de 6,9% em 1998 para 13,9% em 2008. Segundo dados da Unesco, o número total de brasileiros matriculados em universidades é de aproximadamente 30% – independentemente da faixa etária.

Outra boa notícia é o aumento das matrículas no Ensino Médio – de 76,5% em 1998 para 84,1% em 2008. Nesta expansão, cerca de 50,6% desses estudantes estão na série adequada à idade, contra 30,4% em 1998. Apesar disso, a taxa de evasão no Ensino Médio ainda é altíssima, dado principalmente dois fatores: a necessidade de trabalho do jovem para ajudar na renda familiar, e o fato da escola ser enfadonha e chata, com currículos antiquados e pouco atrativos para essa geração.

No comparativo entre as regiões do país, o Sudeste é a região que possui a maior taxa de jovens entre 15 a 17 anos frequentando o ensino médio (61,9%), seguido das regiões Sul (com 56,4%), Centro-Oeste (com 51,8%), Norte (com 39,7%) e Nordeste (36,4%).