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Archive for novembro \25\UTC 2008

>TRISTEZA, PREOCUPAÇÃO… E ESPERANÇA!

>

Nos últimos 2 anos tenho viajado bastante para o Estado de Santa Catarina, especialmente para a região do Vale do Itajaí. Blumenau e Joinville têm sido os meus principais destinos, mas inevitavelmente cruzo o vale todo em direção à Florianópolis, para onde todos os caminhos convergem…
Trata-se de um Brasil bastante diferente do nosso – do meu, especificamente, um urbanóide estressado e mal-humorado por natureza, habitante do Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, de tantos contrastes e riquezas, verdadeiro purgatório da beleza e do caos (valeu Fausto Fawcett!)…

É um Brasil mais organizado, limpo, ordeiro, que acorda cedo para trabalhar e recolhe-se mais cedo ainda para descansar. Sua tonalidade é mais loira, de aspecto frio e úmido, com sobrenomes deliciosamente impronunciáveis, cuja paisagem é pontilhada por chalés alpinos e casarões um tanto o quanto imponentes – e ao mesmo tempo decadentes. O trânsito é muito menos hostil (amigável até), o clima é ameno, as confeitarias e os cafés são convidativos aos prazeres gastronômicos, a culinária é divina, MAS A CERVEJA… é um caso de amor à parte!

Para quem é um carioca da gema, como esse Escriba que vos fala, a princípio as pessoas que lá habitam parecem um tanto o quanto “frias”, “distantes”, “reservadas”. Tudo estereótipo, em minha opinião: após um breve período de “degelo”, as pessoas de lá são animadas, amistosas, carinhosas e atenciosas. Fora as mulheres, que são lindíssimas…

É com estas pessoas, e em especial com os meus alunos, que eu estou preocupado. Vendo as notícias que chegam pelo noticiário a respeito das enchentes na região, fico profundamente entristecido pela destruição de uma região tão linda quanto aquela. Fico querendo notícias deles, se eles estão bem, assim como os seus familiares e amigos. Tenho-os em meus pensamentos, rogando pela sua segurança e integridade. Bens materiais vêm e vão – easy come, easy go, como diriam os ianques -, mas as pessoas são queridas, especialmente quando elas nos remetem à belas recordações, como é o caso das aulas que lecionei nas turmas de Blumenau e Joinville…

Saibam que, mesmo distante, esse Escriba que vos fala está irmanado com vocês nestes momentos difíceis. Tenham fé, força e disposição, pois após a tempestade há sempre a bonança – e precisamos estar firmes para tocar as nossas vidas…

Espero que todos vocês estejam bem, e logo já estarei de volta para revê-los, bem como estar novamente nessas cidades tão lindas como as de vocês…

Com carinho,

José Mauro Nunes
Categorias:Brasil, Eventos

TRISTEZA, PREOCUPAÇÃO… E ESPERANÇA!

novembro 25, 2008 1 comentário

Nos últimos 2 anos tenho viajado bastante para o Estado de Santa Catarina, especialmente para a região do Vale do Itajaí. Blumenau e Joinville têm sido os meus principais destinos, mas inevitavelmente cruzo o vale todo em direção à Florianópolis, para onde todos os caminhos convergem…
Trata-se de um Brasil bastante diferente do nosso – do meu, especificamente, um urbanóide estressado e mal-humorado por natureza, habitante do Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, de tantos contrastes e riquezas, verdadeiro purgatório da beleza e do caos (valeu Fausto Fawcett!)…

É um Brasil mais organizado, limpo, ordeiro, que acorda cedo para trabalhar e recolhe-se mais cedo ainda para descansar. Sua tonalidade é mais loira, de aspecto frio e úmido, com sobrenomes deliciosamente impronunciáveis, cuja paisagem é pontilhada por chalés alpinos e casarões um tanto o quanto imponentes – e ao mesmo tempo decadentes. O trânsito é muito menos hostil (amigável até), o clima é ameno, as confeitarias e os cafés são convidativos aos prazeres gastronômicos, a culinária é divina, MAS A CERVEJA… é um caso de amor à parte!

Para quem é um carioca da gema, como esse Escriba que vos fala, a princípio as pessoas que lá habitam parecem um tanto o quanto “frias”, “distantes”, “reservadas”. Tudo estereótipo, em minha opinião: após um breve período de “degelo”, as pessoas de lá são animadas, amistosas, carinhosas e atenciosas. Fora as mulheres, que são lindíssimas…

É com estas pessoas, e em especial com os meus alunos, que eu estou preocupado. Vendo as notícias que chegam pelo noticiário a respeito das enchentes na região, fico profundamente entristecido pela destruição de uma região tão linda quanto aquela. Fico querendo notícias deles, se eles estão bem, assim como os seus familiares e amigos. Tenho-os em meus pensamentos, rogando pela sua segurança e integridade. Bens materiais vêm e vão – easy come, easy go, como diriam os ianques -, mas as pessoas são queridas, especialmente quando elas nos remetem à belas recordações, como é o caso das aulas que lecionei nas turmas de Blumenau e Joinville…

Saibam que, mesmo distante, esse Escriba que vos fala está irmanado com vocês nestes momentos difíceis. Tenham fé, força e disposição, pois após a tempestade há sempre a bonança – e precisamos estar firmes para tocar as nossas vidas…

Espero que todos vocês estejam bem, e logo já estarei de volta para revê-los, bem como estar novamente nessas cidades tão lindas como as de vocês…

Com carinho,

José Mauro Nunes
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TRISTEZA, PREOCUPAÇÃO… E ESPERANÇA!

Nos últimos 2 anos tenho viajado bastante para o Estado de Santa Catarina, especialmente para a região do Vale do Itajaí. Blumenau e Joinville têm sido os meus principais destinos, mas inevitavelmente cruzo o vale todo em direção à Florianópolis, para onde todos os caminhos convergem…
Trata-se de um Brasil bastante diferente do nosso – do meu, especificamente, um urbanóide estressado e mal-humorado por natureza, habitante do Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, de tantos contrastes e riquezas, verdadeiro purgatório da beleza e do caos (valeu Fausto Fawcett!)…

É um Brasil mais organizado, limpo, ordeiro, que acorda cedo para trabalhar e recolhe-se mais cedo ainda para descansar. Sua tonalidade é mais loira, de aspecto frio e úmido, com sobrenomes deliciosamente impronunciáveis, cuja paisagem é pontilhada por chalés alpinos e casarões um tanto o quanto imponentes – e ao mesmo tempo decadentes. O trânsito é muito menos hostil (amigável até), o clima é ameno, as confeitarias e os cafés são convidativos aos prazeres gastronômicos, a culinária é divina, MAS A CERVEJA… é um caso de amor à parte!

Para quem é um carioca da gema, como esse Escriba que vos fala, a princípio as pessoas que lá habitam parecem um tanto o quanto “frias”, “distantes”, “reservadas”. Tudo estereótipo, em minha opinião: após um breve período de “degelo”, as pessoas de lá são animadas, amistosas, carinhosas e atenciosas. Fora as mulheres, que são lindíssimas…

É com estas pessoas, e em especial com os meus alunos, que eu estou preocupado. Vendo as notícias que chegam pelo noticiário a respeito das enchentes na região, fico profundamente entristecido pela destruição de uma região tão linda quanto aquela. Fico querendo notícias deles, se eles estão bem, assim como os seus familiares e amigos. Tenho-os em meus pensamentos, rogando pela sua segurança e integridade. Bens materiais vêm e vão – easy come, easy go, como diriam os ianques -, mas as pessoas são queridas, especialmente quando elas nos remetem à belas recordações, como é o caso das aulas que lecionei nas turmas de Blumenau e Joinville…

Saibam que, mesmo distante, esse Escriba que vos fala está irmanado com vocês nestes momentos difíceis. Tenham fé, força e disposição, pois após a tempestade há sempre a bonança – e precisamos estar firmes para tocar as nossas vidas…

Espero que todos vocês estejam bem, e logo já estarei de volta para revê-los, bem como estar novamente nessas cidades tão lindas como as de vocês…

Com carinho,

José Mauro Nunes
Categorias:Brasil, Eventos

TRISTEZA, PREOCUPAÇÃO… E ESPERANÇA!

novembro 25, 2008 1 comentário

Nos últimos 2 anos tenho viajado bastante para o Estado de Santa Catarina, especialmente para a região do Vale do Itajaí. Blumenau e Joinville têm sido os meus principais destinos, mas inevitavelmente cruzo o vale todo em direção à Florianópolis, para onde todos os caminhos convergem…
Trata-se de um Brasil bastante diferente do nosso – do meu, especificamente, um urbanóide estressado e mal-humorado por natureza, habitante do Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, de tantos contrastes e riquezas, verdadeiro purgatório da beleza e do caos (valeu Fausto Fawcett!)…

É um Brasil mais organizado, limpo, ordeiro, que acorda cedo para trabalhar e recohe-se cedo para descansar. Suas tonalidade é mais loira, fria e úmida, com sobrenomes impronunciáveis, cuja paisagem é pontilhada de chalés alpinos e casarões um tanto o quanto imponentes – e ao mesmo tempo decadentes. O trânsito é muito menos hostil (amigável até), o clima é ameno, as confeitarias e os cafés são convidativos aos prazeres gastronômicos, a culinária é divina, MAS A CERVEJA… é um caso de amor à parte!

Para quem é um carioca da gema, como esse Escriba que vos fala, a princípio as pessoas que lá habitam parecem um tanto o quanto “frias”, “distantes”, “reservadas”. Tudo estereótipo, em minha opinião: após um breve período de “degelo”, as pessoas de lá são animadas, amistosas, carinhosas e atenciosas. Fora as mulheres, que são lindíssimas…

É com estas pessoas, e em especial com os meus alunos, que eu estou preocupado. Vendo as notícias que chegam pelo noticiário a respeito das enchentes na região, fico profundamente entristecido pela destruição de uma região tão linda quanto aquela. Fico querendo notícias deles, se eles estão bem, assim como os seus familiares e amigos. Tenho-os em meus pensamentos, rogando pela sua segurança e integridade. Bens materiais vêm e vão – easy come, easy go, como diriam os ianques -, mas as pessoas são queridas, especialmente quando elas nos remetem à belas recordações, como é o caso das aulas que lecionei nas turmas de Blumenau e Joinville…

Saibam que, mesmo distante, esse Escriba que vos fala está irmanado com vocês nestes momentos difíceis. Tenham fé, força e disposição, pois após a tempestade há sempre a bonança – e precisamos estar firmes para tocar as nossas vidas…

Espero que todos vocês estejam bem, e logo já estarei de volta para revê-los, bem como estar novamente nessas cidades tão lindas como as de vocês…

Com carinho,

José Mauro Nunes
Categorias:Brasil, Eventos

>BRASIL, A PÁTRIA DO CAFÉ: SOLUÇÃO OU PROBLEMA?

>

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, e seus habitantes estabeleceram um caso de amor seríssimo pela rubiácea. Segundo pesquisa recente realizada pela TNS Interscience, 97% dos brasileiros consomem regularmente a bebida. Uma simples olhada nas ruas e shoppings centers de nossas cidades atesta o “boom” das cafeterias – afinal, nada melhor do que ler uma revista, ou então acessar a internet na companhia de um bom ristretto. Perguntem para a Nespresso, Starbucks, Fran’s Cafe, Café do Ponto, Vanilla Cafe, Otavio, Rei do Mate, Casa do Pão de Queijo, dentre inúmeras outras bandeiras, acerca do potencial do mercado brasileiro?

O café, definitivamente, entrou na moda, e vem sendo tratado – corretamente, em minha humilde opinião – como uma bebida sofisticada e diferenciada, em um posicionamento inspirado no segmento da vitivinicultura. Termos oriundos deste último, tais como terroir, blend, corpo e aroma, agora fazem parte da experiência de degustação de cafés premium.

No entanto, o que parece ser um “pote de ouro”, traz uma série de problemas para o segmento das torrefadoras de café…

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o brasileiro consome em média cerca de 4,5 quilos de café por ano – menos da metade da média do consumidor europeu. Em termos de volume, o consumo cresceu cerca de 4% em relação a 2007 – 18 milhões de sacas -, mas pesquisas de mercado indicam que o consumo residencial cresce a taxas marginais. Além disso, conforme discuti em outro post, a maioria esmagadora dos nossos consumidores prefere o café coado – o nosso querido “cafezinho” servido em botequins nas ruas movimentadas dos grandes centros, entre um intervalo e outro no trabalho – do que outras variações da bebida, tais como os espressos, os capuccinos, os macchiattos e outros blends mais sofisticados.

Eis o problema de marketing: como aumentar o consumo de café por habitante em nosso mercado? Aliás, em primeiro lugar, como despertar no brasileiro novos hábitos e formas de degustação dessa maravilhosa rubiácea de origem etíope?

Pensando nisso, na última quinta-feira, os fabricantes de cafés da indústria brasileira participaram de uma reunião em um resort ensolarado no litoral pernambucano discutindo novas formas de incentivar o consumo da bebida. Várias idéias muito interessantes foram levantadas: café com leite gelado vendido em garrafinhas de iogurte, cafés terapêuticos, café com soja ou refrigerantes, e até mesmo produtos a base de café para o consumo infantil – dada as propriedades estimulantes da bebida. Até mesmo cerveja com café foi sugerida – o que já não é propriamente uma novidade, pois a cervejaria Colorado de Ribeirão Preto (SP) lançou uma versão combinando estas duas paixões nacionais…

O fato é que a indústria está se mexendo, e algumas novidades já estão prestes a serem lançadas no mercado. Por exemplo, a Café Iguaçu lança agora no mês de dezembro um pó para milkshake de café. A empresa já tinha produzido uma série especial de cafés saborizados para o período de inverno. Já a Melitta está lançando no Sul do país uma linha de cafés de diferentes regiões produtoras – Mogiana paulista, Sul de Minas e Cerrado mineiro -, e pretende expandí-la para todo o Brasil.

No entanto, um dos grandes problemas a serem enfrentados está na introdução do café na dieta infantil. Os principais stakeholders – nutricionistas, médicos e educadores – nutrem sérias reservas quanto a esse fato, dadas as notórias propriedades estimulantes da cafeína, um de seus elementos mais característicos. É público e notório a propaganda negativa que cerca a bebida, especialmente no âmbito da mídia escrita e televisiva. A adoção – ou pelo menos a busca – de um estilo de vida mais “saudável” também contribui para esse quadro, dado que o café é visto como sendo a sua antítese. No entanto, a indústria pretende convencer pais, escolas, professores e governos das propriedades terapêuticas da bebida, investindo pesadamente em pesquisas médicas, marketing e relacionamento com os consumidores.

Vale lembrar que é no segmento infantil que se encontram as piores taxas de consumo de café, cuja dieta é dominada pelos achocolatados. O café carrega a pecha de “bebida para adulto”, e cerca de 58% das pessoas afirmam que a recusa em beber café repousa no fato da bebida fazer mal à saúde. No mínimo, é um dilema de marketing interessante a ser enfrentado pelo setor…

De qualquer maneira, em tempos de crise econômica, é sempre bom investir em inovação. Pois, segundo aponta Chris Anderson em seu best-seller “A Cauda Longa”, aumentar o leque de opções de escolha é sempre salutar para o consumidor, e também para as empresas. Afinal, a variedade estimula o consumo, e não o contrário, pois a mesmice é um saco, e as pessoas querem novidades… sempre!

BRASIL, A PÁTRIA DO CAFÉ: SOLUÇÃO OU PROBLEMA?

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, e seus habitantes estabeleceram um caso de amor seríssimo pela rubiácea. Segundo pesquisa recente realizada pela TNS Interscience, 97% dos brasileiros consomem regularmente a bebida. Uma simples olhada nas ruas e shoppings centers de nossas cidades atesta o “boom” das cafeterias – afinal, nada melhor do que ler uma revista, ou então acessar a internet na companhia de um bom ristretto. Perguntem para a Nespresso, Starbucks, Fran’s Cafe, Café do Ponto, Vanilla Cafe, Otavio, Rei do Mate, Casa do Pão de Queijo, dentre inúmeras outras bandeiras, acerca do potencial do mercado brasileiro?

O café, definitivamente, entrou na moda, e vem sendo tratado – corretamente, em minha humilde opinião – como uma bebida sofisticada e diferenciada, em um posicionamento inspirado no segmento da vitivinicultura. Termos oriundos deste último, tais como terroir, blend, corpo e aroma, agora fazem parte da experiência de degustação de cafés premium.

No entanto, o que parece ser um “pote de ouro”, traz uma série de problemas para o segmento das torrefadoras de café…

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o brasileiro consome em média cerca de 4,5 quilos de café por ano – menos da metade da média do consumidor europeu. Em termos de volume, o consumo cresceu cerca de 4% em relação a 2007 – 18 milhões de sacas -, mas pesquisas de mercado indicam que o consumo residencial cresce a taxas marginais. Além disso, conforme discuti em outro post, a maioria esmagadora dos nossos consumidores prefere o café coado – o nosso querido “cafezinho” servido em botequins nas ruas movimentadas dos grandes centros, entre um intervalo e outro no trabalho – do que outras variações da bebida, tais como os espressos, os capuccinos, os macchiattos e outros blends mais sofisticados.

Eis o problema de marketing: como aumentar o consumo de café por habitante em nosso mercado? Aliás, em primeiro lugar, como despertar no brasileiro novos hábitos e formas de degustação dessa maravilhosa rubiácea de origem etíope?

Pensando nisso, na última quinta-feira, os fabricantes de cafés da indústria brasileira participaram de uma reunião em um resort ensolarado no litoral pernambucano discutindo novas formas de incentivar o consumo da bebida. Várias idéias muito interessantes foram levantadas: café com leite gelado vendido em garrafinhas de iogurte, cafés terapêuticos, café com soja ou refrigerantes, e até mesmo produtos a base de café para o consumo infantil – dada as propriedades estimulantes da bebida. Até mesmo cerveja com café foi sugerida – o que já não é propriamente uma novidade, pois a cervejaria Colorado de Ribeirão Preto (SP) lançou uma versão combinando estas duas paixões nacionais…

O fato é que a indústria está se mexendo, e algumas novidades já estão prestes a serem lançadas no mercado. Por exemplo, a Café Iguaçu lança agora no mês de dezembro um pó para milkshake de café. A empresa já tinha produzido uma série especial de cafés saborizados para o período de inverno. Já a Melitta está lançando no Sul do país uma linha de cafés de diferentes regiões produtoras – Mogiana paulista, Sul de Minas e Cerrado mineiro -, e pretende expandí-la para todo o Brasil.

No entanto, um dos grandes problemas a serem enfrentados está na introdução do café na dieta infantil. Os principais stakeholders – nutricionistas, médicos e educadores – nutrem sérias reservas quanto a esse fato, dadas as notórias propriedades estimulantes da cafeína, um de seus elementos mais característicos. É público e notório a propaganda negativa que cerca a bebida, especialmente no âmbito da mídia escrita e televisiva. A adoção – ou pelo menos a busca – de um estilo de vida mais “saudável” também contribui para esse quadro, dado que o café é visto como sendo a sua antítese. No entanto, a indústria pretende convencer pais, escolas, professores e governos das propriedades terapêuticas da bebida, investindo pesadamente em pesquisas médicas, marketing e relacionamento com os consumidores.

Vale lembrar que é no segmento infantil que se encontram as piores taxas de consumo de café, cuja dieta é dominada pelos achocolatados. O café carrega a pecha de “bebida para adulto”, e cerca de 58% das pessoas afirmam que a recusa em beber café repousa no fato da bebida fazer mal à saúde. No mínimo, é um dilema de marketing interessante a ser enfrentado pelo setor…

De qualquer maneira, em tempos de crise econômica, é sempre bom investir em inovação. Pois, segundo aponta Chris Anderson em seu best-seller “A Cauda Longa”, aumentar o leque de opções de escolha é sempre salutar para o consumidor, e também para as empresas. Afinal, a variedade estimula o consumo, e não o contrário, pois a mesmice é um saco, e as pessoas querem novidades… sempre!

BRASIL, A PÁTRIA DO CAFÉ: SOLUÇÃO OU PROBLEMA?

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, e seus habitantes estabeleceram um caso de amor seríssimo pela rubiácea. Segundo pesquisa recente realizada pela TNS Interscience, 97% dos brasileiros consomem regularmente a bebida. Uma simples olhada nas ruas e shoppings centers de nossas cidades atesta o “boom” das cafeterias – afinal, nada melhor do que ler uma revista, ou então acessar a internet na companhia de um bom ristretto. Perguntem para a Nespresso, Starbucks, Fran’s Cafe, Café do Ponto, Vanilla Cafe, Otavio, Rei do Mate, Casa do Pão de Queijo, dentre inúmeras outras bandeiras, acerca do potencial do mercado brasileiro?

O café, definitivamente, entrou na moda, e vem sendo tratado – corretamente, em minha humilde opinião – como uma bebida sofisticada e diferenciada, em um posicionamento inspirado no segmento da vitivinicultura. Termos oriundos deste último, tais como terroir, blend, corpo e aroma, agora fazem parte da experiência de degustação de cafés premium.

No entanto, o que parece ser um “pote de ouro”, traz uma série de problemas para o segmento das torrefadoras de café…

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o brasileiro consome em média cerca de 4,5 quilos de café por ano – menos da metade da média do consumidor europeu. Em termos de volume, o consumo cresceu cerca de 4% em relação a 2007 – 18 milhões de sacas -, mas pesquisas de mercado indicam que o consumo residencial cresce a taxas marginais. Além disso, conforme discuti em outro post, a maioria esmagadora dos nossos consumidores prefere o café coado – o nosso querido “cafezinho” servido em botequins nas ruas movimentadas dos grandes centros, entre um intervalo e outro no trabalho – do que outras variações da bebida, tais como os espressos, os capuccinos, os macchiattos e outros blends mais sofisticados.

Eis o problema de marketing: como aumentar o consumo de café por habitante em nosso mercado? Aliás, em primeiro lugar, como despertar no brasileiro novos hábitos e formas de degustação dessa maravilhosa rubiácea de origem etíope?

Pensando nisso, na última quinta-feira, os fabricantes de cafés da indústria brasileira participaram de uma reunião em um resort ensolarado no litoral pernambucano discutindo novas formas de incentivar o consumo da bebida. Várias idéias muito interessantes foram levantadas: café com leite gelado vendido em garrafinhas de iogurte, cafés terapêuticos, café com soja ou refrigerantes, e até mesmo produtos a base de café para o consumo infantil – dada as propriedades estimulantes da bebida. Até mesmo cerveja com café foi sugerida – o que já não é propriamente uma novidade, pois a cervejaria Colorado de Ribeirão Preto (SP) lançou uma versão combinando estas duas paixões nacionais…

O fato é que a indústria está se mexendo, e algumas novidades já estão prestes a serem lançadas no mercado. Por exemplo, a Café Iguaçu lança agora no mês de dezembro um pó para milkshake de café. A empresa já tinha produzido uma série especial de cafés saborizados para o período de inverno. Já a Melitta está lançando no Sul do país uma linha de cafés de diferentes regiões produtoras – Mogiana paulista, Sul de Minas e Cerrado mineiro -, e pretende expandí-la para todo o Brasil.

No entanto, um dos grandes problemas a serem enfrentados está na introdução do café na dieta infantil. Os principais stakeholders – nutricionistas, médicos e educadores – nutrem sérias reservas quanto a esse fato, dadas as notórias propriedades estimulantes da cafeína, um de seus elementos mais característicos. É público e notório a propaganda negativa que cerca a bebida, especialmente no âmbito da mídia escrita e televisiva. A adoção – ou pelo menos a busca – de um estilo de vida mais “saudável” também contribui para esse quadro, dado que o café é visto como sendo a sua antítese. No entanto, a indústria pretende convencer pais, escolas, professores e governos das propriedades terapêuticas da bebida, investindo pesadamente em pesquisas médicas, marketing e relacionamento com os consumidores.

Vale lembrar que é no segmento infantil que se encontram as piores taxas de consumo de café, cuja dieta é dominada pelos achocolatados. O café carrega a pecha de “bebida para adulto”, e cerca de 58% das pessoas afirmam que a recusa em beber café repousa no fato da bebida fazer mal à saúde. No mínimo, é um dilema de marketing interessante a ser enfrentado pelo setor…

De qualquer maneira, em tempos de crise econômica, é sempre bom investir em inovação. Pois, segundo aponta Chris Anderson em seu best-seller “A Cauda Longa”, aumentar o leque de opções de escolha é sempre salutar para o consumidor, e também para as empresas. Afinal, a variedade estimula o consumo, e não o contrário, pois a mesmice é um saco, e as pessoas querem novidades… sempre!