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Archive for junho \27\UTC 2010

P.O.F. (2008 – 2009) – PARTE 1

Semana repleta de novidades essa que se encerra! Saíram também os primeiros dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (P.O.F.), realizada pelo IBGE, cujos dados foram coletados durante os anos de 2008 e 2009. Em minha opinião, essa é uma das pesquisas mais importantes para os profissionais de marketing brasileiros, posto que possibilita um olhar mais amiúde das transformações dos hábitos de consumo das famílias brasileiras.
Vamos aos dados mais relevantes:
1. A renda média das famílias brasileiras aumentou cerca de 10,8%: atualmente, é de 2.763,47 reais, contra 2.494,25 reais no biênio 2002-2003. E o rendimento médio per capita aumentou 21,5%, passando de 689 reais em 2002-2003 para 837,42 reais em 2008-2009.
2. Apesar da melhora dos indicadores de renda, as famílias brasileiras continuam bem endividadas – apesar deste dado ter melhorado segundo a pesquisa atual. Enquanto que, em 2002-2003, 85% das unidades familiares fechavam o mês no “vermelho”, esse indicador passou para 75,2% em 2008-2009. Isso significa que apenas um quarto das famílias brasileiras conseguem fechar as contas do mês no positivo. Além disso, o percentual de famílias que gastam mais do que arrecadam diminuiu, passando de 85% em 2002-2003 para 68% em 2008-2009;
3. Também o número de famílias que declararam ser insuficiente a quantidade de comida ingerida diariamente diminuiu de 47% (2002-2003) para 35,6% (2008-2009). Apesar disso, ainda é indecente o número de famílias brasileiras próximas à fome (na região Nordeste, as famílias próximas a esta situação atingiu o patamar de 49%).
4. Apesar de não estarem tecnicamente em situação de fome, cerca de 65% das famílias brasileiras declararam estar insatisfeitas com a qualidade dos alimentos ingeridos, contra 73,2% em 2002-2003.
Continua…

INFORMATION OVERLOAD

Pesquisa divulgada essa semana no 57o. Festival Internacional de Publicidade de Cannes acaba servindo de mote para uma discussão tanto polêmica quanto crítica: afinal, qual será a “eficácia” das peças publicitárias?
Segundo estudo publicado pela agência Draftfcb, realizado com mil consumidores de diferentes países, as pessoas gastam em média 6,5 segundos de atenção (!!!) diante de peças publicitárias televisivas. Esse curtíssimo tempo é utilizado pelo consumidor para realizar três coisas importantíssimas: entender a mensagem, aceitar ou então rejeitá-la…
A título de comparação, esse tempo é apenas um terço do tempo médio que foi mensurado por pesquisas semelhantes realizadas durante a década de 1980 (!!!).
É um típico sinal dos tempos atuais, onde a avalanche de informações a qual somos submetidos cotidianamente nos desnorteia, nos confunde e nos paralisa.
Meus queridos leitores publicitários: como resolver essa difícil questão?   

INVERNO…

Meus ossos são frios, meu sangue é ralo. Eu busco o que é meu. O busco o que ainda não foi semeado. Eu busco os animais para cavernas quentes e mando meus pássaros para o sul. Eu ponho meus ursos para dormir e mudo o pelo de meus gatos e cães para algo mais quente. Meus lobos me guiam, seu uivo anuncia minha chegada. Os cães, lobos e raposas cantam a canção da noite, a serenata da Anciã, a minha canção.


Eu disse sim à vida e agora digo sim à Morte. E serei a primeira a ir para o outro lado.


Eu trago o frio e a morte, sim, pois este é meu legado. Eu trouxe a colheita e se você não colheu suas maçãs eu as cobrirei de gelo. Após o Samhain, tudo o que fica nos campos me pertence”.
Inicia-se o reino de Cailleach Bear. Por ser a Rainha do Inverno, é tempo de reflexão, de introspecção, de resiliência frente a tempos difíceis, a escuridão, o frio e a escassez…
Salve a nossa Rainha!
Categorias:Celtas, Eventos, Pensamentos

JOSÉ SARAMAGO (1922 – 2010)

“Não sou pessimista, o mundo é péssimo. São os pessimistas os únicos que querem mudar o mundo. Para os otimistas tudo está muito bem. Deveria-se fazer profissão e militância do pessimismo”.

“Não encontro nenhum motivo para deixar de ser o que sempre fui: alguém que está seguro de que o mundo em que vivemos não está bem feito”.
Uma singela homenagem de um brasileiro de alma lusa, que habita a beira de um rio chamado Atlântico, e que é muito agradecido pelas linhas que Saramago escreveu ao longo da sua venturosa vida…

A COPA DO MUNDO E O MARKETING ESPORTIVO

Uma semana após o início da Copa do Mundo de Futebol, o mundo inteiro foi apresentado a uma série de novos personagens – como, por exemplo, a azucrinante “vuvuzela” e a infame Jabulani (apelidada pelos jogadores de “bola de supermercado”); e também a outras nem tão novas assim, como o mal-humor incomensurável do Dunga e a fanfarronice de Don Diego Maradona.

Como nessa época as companhias de material esportivo despejam “rios de dinheiro” nas seleções nacionais – e que não são nem tanto assim, diga-se de passagem, graças ao grande número de jogadores naturalizados oriundos de outros países -, vejamos o portfólio de cada uma delas:

. Adidas (12 seleções): África do Sul (Bafana Bafana), México, França (Les Bleus), Argentina, Nigéria, Grécia, Alemanha, Japão, Dinamarca, Paraguai, Eslováquia e Espanha (La Furia).

. Nike (10 seleções): Brasil, Portugal, Coréia do Sul, Estados Unidos, Eslovênia, Sérvia, Austrália (Socceroos), Holanda (Laranja Mecânica), Nova Zelândia (All Whites) e Inglaterra (com a Umbro),

. Puma (7 seleções): Itália (Azzurra), Uruguai (Celeste), Suíça, Costa do Marfim (Elefantes), Argélia, Gana e Camarões.

. Outros (3 seleções): Chile (Brooks), Honduras (Joma) e Coréia do Norte (Legea).

Finda a primeira semana do torneio, as decepções são em número muito maior do que as surpresas. São elas: o fracasso de quase todas seleções africanas (pelo menos as mais famosas), o fiasco homérico dos gauleses (com direito a xingamentos entre técnico e jogadores, seguido de uma inédita greve desses últimos), o “sapato alto” de Cristiano Ronaldo, o futebol horroroso do English Team e a ridicularidade da seleção italiana.

Destaques: além das obviedades de Brasil e Argentina, os outros selecionados sul-americanos estão muito bem nesse início de torneio; além disso, “zebras” como os All Whites, a Grécia e os norte-americanos tornam essa Copa uma das mais esquisitas desses últimos tempos…

Ainda nos devem apresentações dignas da história pregressa: Alemanha, Holanda, Espanha e Portugal. 

A conferir, pois amanhã de manhã cedinho jogam os patrícios

PROBLEMAÇO!!!!

Época de Copa do Mundo, ufanismo total, discussões intermináveis sobre a tal da Jabulani (para quem não sabe, a tal da bola da Copa), e a mídia querendo “empurrar goela abaixo” o time retranqueiro e pouco criativo do Dunga – que, diga-se de passagem, é um tremendo chato! 

No entanto, como sou fanático por futebol, impossível não se contagiar pelo clima entusiasmante da Copa do Mundo, e o charme dessa que será o primeiro torneio do continente africano. Ao mesmo tempo, porém, estou extremamente preocupado com os preparativos da Copa do Mundo de 2014 que irá ocorrer aqui no Brasil. Anuncia-se um tremendo mico de proporções megalíticas…

Discute-se bastante por aqui o atraso na construção das obras de infra-estrutura para o espetáculo, tais como aeroportos, estradas, linhas de metrô e outros modais que irão facilitar a vida do turista em nosso país. Claro que não teremos, do dia para noite, uma infra-estrutura logística do porte de uma Alemanha por exemplo, dado a nossa inapetência e profundo desinteresse para coisas como planejamento estratégico, gestão de riscos e custos, dentre outras mais características como corrupção, ineficiência governamental e o típico e irritante improviso que às vezes beira a irresponsabilidade. 

No entanto, vale lembrar, passado esse mês, o mundo inteiro estará de olho em nós – doido para reafirmar o truísmo já consolidado mundialmente de que o Brasil não é um país sério…

Para nós, cariocas, a coisa é especialmente traumatizante dadas as lembranças do recente Pan-Americano realizado em nossa cidade. Um espetáculo em termos de explosão de gastos, obras faraônicas e promessas não cumpridas.

Pois bem, um dos maiores receios é a construção das novas arenas para os jogos que, salvo raríssimas exceções, tendem a se tornar gigantescos “elefantes brancos”. Estamos falando dos estádios a serem construídos em cidades-sede como Manaus, Cuiabá, Brasília, recife, Natal, Fortaleza e Salvador. Nada contra essas cidades, que aliás são belíssimas, mas nelas o cenário do futebol ou precisa se consolidar ou a administração profissional do negócio-futebol ainda está a léguas de distância do ideal que é requerido para uma Copa do Mundo.

O estudo inédito realizado pela Crowe Horwarth RCS intitulado “Gestão do Ativo Estádio”, e publicado semana passada no periódico Valor Econômico, revela dados um tanto o quanto preocupantes. Por exemplo, só para dar lucro, um estádio de futebol no Brasil com cerca de 50 mil lugares deverá ter uma taxa de ocupação média entre 80% a 90% – ou seja, médias observadas em campeonatos europeus, enquanto que no Campeonato Brasileiro da Série A o público atualmente não ultrapassa a ocupação de 40% do total de lugares disponíveis nos estádios.

Vale lembrar que, apesar do aumento do público do Brasileirão com o repatriamento dos jogadores que atuavam no futebol europeu, a média de torcedores nos jogos em 2009 foi de 17.807 pessoas. Só para se ter uma idéia do tamanho da encrenca em que nos metemos, a média de torcedores que acompanhou a primeira divisão do Campeonato Argentino de futebol em 2009 foi de mais de 20,8 mil torcedores por jogo! E os nossos hermanos do Sul estão numa tremenda pindaíba economica, política e social daquelas…

Como se isso não bastasse, o preço dos ingressos também deverá subir e um número maior de camarotes e espaços vips deverá ser disponibilizado para que os estádios possam ter assegurados a sua lucratividade. 

Ou seja, muito água ainda vai passar por debaixo dessa ponte. Quem viver, verá…

A PARADA GAY É UM GRANDE NEGÓCIO

Já faz algum tempo que escrevi aqui no PRAGMA que o potencial de consumo do público LGBT – composto por homossexuais e simpatizantes – é muito grande, porém pouco explorado aqui no Brasil – em grande parte por puro preconceito, e muito por desconhecimento também. Pois bem, é hora de olhar com novos – e mercadológicos – olhos esse segmento de consumidores por ocasião da Parada do Orgulho LGBT, que ocorrerá nesse domingo em São Paulo.

Artigo publicado na capa da edição de fim de semana do periódico Brasil Econômico informa que a Parada do Orgulho LGBT deve injetar cerca de 200 milhões de reais na economia paulistana, tornando-se assim o segundo evento mais importante do calendário turístico da cidade – atrás apenas do GP de Fórmula 1 (que movimenta aproximadamente 23o milhões de reais), e à frente de eventos mais badalados e consolidados como a Fórmula Indy, o Salão do Automóvel e a Bienal de São Paulo.

Segundo dados da SP Turis, o evento ocupa o primeiro lugar em número de atração de turistas à cidade: são, aproximadamente, 400 mil turistas que afluem à cidade, em comparação a outros eventos como a Virada Cultural (300 mil turistas), a Bienal do Livro (240 mil) e o Salão do Automóvel (200 mil).

A Parada LGBT tornou-se também o segundo evento mais importante do calendário turístico de São Paulo em termos de audiência, já que o público total que estará envolvido nas atividades será de 3,5 milhões de pessoas – perdendo apenas para a Virada Cultural (com 4 milhões de pessoas), e à frente da festa de réveillon na Paulista (2,4 milhões) e a Bienal do Livro (720 mil pessoas).

O público masculino predomina na Parada LGBT (são 53,3% de homens), que passam em média quatro dias na cidade e gastam 827,61 reais durante a sua estadia. Cerca de 50% do público possui uma renda situada entre 1 a 5 salários-mínimos, e 57% situam-se na faixa etária entre 18 a 24 anos. Além disso, 50,5% concluíram o ensino média e 38% são assalariados.

Apesar disso, o interesse das empresas pelo “pink money” – o dinheiro movimentado pela comunidade gay – ainda é bastante restrito. Muitas empresas ainda tem receio de associar os seus produtos e marcas a esse segmento de consumidores, daí a participação discreta destas durante o evento. Durante a Parada, apenas o McDonald´s irá “envelopar” seus restaurantes na Avenida Paulista com as cores do arco-íris. Além disso, estatais como a Petrobrás e a Caixa Econômica Federal, além de pequenas empresas como a Nagoya Sushi, Cervejaria Germânia e Hotel 155, irão patrocinar o evento.