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Archive for março \16\UTC 2011

O iPAD2 ESTRÉIA COM PÉ DIREITO NO MERCADO AMERICANO

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Aguardado com ansiedade pelos “applemaníacos”, estudiosos de marketing e geeks do mundo inteiro, o lançamento do iPad 2 – a versão turbinada do tablet que criou um novo segmento de mercado – foi alvíssaro para a empresa de Cupertino, na Califórnia. Aliás, teria como ser diferente, pergunto eu?

Segundo dados do setor, os estoques do tablet foram esgotados no final de semana passado, quando o iPad 2 chegou ao varejo norte-americano. As estimativas falam em aproximadamente quase 1 milhão de aparelhos vendidos (!!!!), e o estoque foi zerado nas lojas próprias da Apple, e em outras redes varejistas como a Target e a Best Buy. Com o aquecimento da demanda, as encomendas do produto já demoram cerca de 1 mês até chegarem nas lojas, o que aumenta ainda mais a ansiedade dos consumidores – tanto os já usuários do iPad quanto os neófitos ansiosos por ingressarem no mundo das telas de toque. 

Para refrescar a memória dos meus estimados leitores, a versão 1 do iPad vendeu mais de 300 mil unidades só nas primeiras 24 horas de sua comercialização…

A meta posta pela própria empresa, a da comercialização de 5,5 milhões de iPads 2, deverá ser atingida com facilidade em menos de três meses. Tudo isso em meio a mais de cem concorrentes do tablet produzidos por fabricantes rivais, que atualmente se encontram no segmento…

Até dezembro do ano passado, a Apple vendeu 14,8 milhões de iPads, gerando uma receita de 9,6 bilhões de dólares, tornando o gadget um dos aparelhos eletrônicos de consumo de venda mais rápida na história mundial.

E você, já comprou o seu? Confesso que estou achando o meu iPad meio básico, meio antiquado…

O DESEMPREGO ENTRE JOVENS: UMA EPIDEMIA GLOBAL?

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Me digam uma coisa, meus caros leitores: por um acaso vocês sabem o que há de comum entre os “freeters”, os “hittistes”, os “shahab atileen”, os “NEETs”, os “mileuristas e os “boomerangs“? Não? Uma dica: até os chineses (sempre eles!) já os têm, membros da chamada “ant tribe”. E aí, ainda não? Vou explicar…


Todas são diferentes expressões para o mesmo grupo social: os “jovens desempregados”. Até recentemente algo comum nos países mais pobres, o fenômeno ganhou notoriedade até mesmo nos países do Hemisfério Norte. Isso sem falar no papel central que esse grupo desempenhou ns ruas e praças árabes, e que a mídia de massa global rapidamente alcunhou de “Revolução Facebook“…

“Freeter” é uma gíria japonesa resultante da fusão de dois vocábulos de línguas diferentes: o inglês “freelance” e o alemão “arbeiter” (significando “trabalhador sob demanda”, numa tradução livre). “Hittiste” é uma gíria franco-árabe, utilizada na Tunísa, que significa “aquele encostado no muro”(sic). “Mileuristas”, como são chamados na Espanha, referem-se aos jovens cujo rendimento mensal não ultrapassa a casa dos mil euros. Já no Egito, os jovens desempregados são intitulados de “shahab atileen”. Por sua vez, os britânicos, com sua inquebrantável fleuma e requintada ironia, os chamam de “NEETs”“no education, no employment, no training”. Os americanos, com o seu incrível pendor para metáforas, os chamam de geração “boomerang” (isto é, os que voltam para a casa dos pais após a faculdade) ou “waithood” (algo como a geração da espera, em referência ao fato de vivenciaram uma adolescência prolongada ou tardia na casa dos pais). Já os chineses, cientes de sua generosa demografia, lhes dão o nome de “ant tribe” – literalmente, uma multidão de formigas que lota a porta das empresas em busca de empregos de baixa qualificação e de menor rendimento salarial.

O que há de comum neste fenômeno global é a incapacidade da economia destes países em absorver a massa de jovens recém-chegada ao mercado de trabalho – em alguns casos, como caso europeu, massa essa bastante escolarizada e muito bem qualificada. O resultado disso é prá lá de previsível: desalento, revolta, transtornos psicológicos e sociais, ressentimento, subemprego, desemprego… Ou seja, um coquetel prá lá de explosivo, cujos resultados são imprevisíveis. Afinal, jovens naturalmente são vórtices de energia quando engajados e compromissados com alguma tarefa. Quando não, esse vórtice pode se tornar um reservatório perigoso de ódio, extremismo, niilismo, desalento e desagregação social.

Apesar das imagens dos jovens que tomaram de assalto as ruas e as praças do mundo árabe e que derrubaram ditaduras até então consideradas inexpugnáveis, essa massa também vem se manifestando tanto contra as reformas educacionais nos Estados Unidos e na Inglaterra, quanto contra o corte de gastos publicos em países como a Grécia e a Espanha. E, nada melhor do que os jovens mobilizados para nos mostrar quais são as reais condições de vida nestes países…

Além da crise econômica mundial, outras explicações são ensejadas. Uma delas diz que as gerações mais jovens estão sendo impedidas de ascender socialmente graças ao domínio de uma “gerontocracia” que teima em não dividir o espaço no mercado de trabalho, impedindo a oxigenação e a força criativa proveniente da entrada desse contingente no mercado de trabalho. Com o desemprego entre os jovens tendendo a ficar cada vez mais elevado, a distância entre gerações – e consequentemente o choque entre essas – será algo inevitável, com consequências bastante funestas tanto para estes quanto para a sociedade desses países.

No Oriente Médio e no norte da África, a taxa de desemprego entre os jovens gira em torno de 24% – a maior do mundo!. Nas outras partes, as taxas ultrapassaram a casa dos 10%, sendo observadas percentuais abaixo desse patamar apenas no Sudeste Asiático. Somado ao fato de que, em alguns países, a parcela maior da população esteja situada entre os 15 e 24 anos, a junção entre esse boom demográfico e o elevado desemprego é um profundo vetor de transformações sociais. Que o digam Egito, Tunísia, Líbia, Bahrein, Argélia, Marrocos…

Nem o Brasil está livre desse fenômeno. Segundo relatório recente publicado pela Organização Mundial do Trabalho (OIT), em 2009 o desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos atingiu o patamar de 13% – ou seja, 81 milhões dos 623 milhões de jovens economicamente ativos -, tornando-se o pior indicador desde o ano de 2002.

Nos países desenvolvidos, criou-se um “fosso” entre os empregos de alta qualificação e com rendimentos elevados – interditados aos jovens, dada a sua baixa experiência do mercado de trabalho -, e os de baixa qualificação e rendimentos irrisórios – este sim destinados aos jovens. E a recessão econômica só piora a situação, podendo tornar “inútil” e irrelevante toda uma geração de novos talentos…

Se os impactos econômicos desse fenômeno são catastróficos, as implicações psicológicas do desemprego para essa geração são dramáticas. Os impactos sobre a auto-estima e a mais valia são notáveis, isso sem falar na vulnerabilidade a comportamentos anti-sociais, violentos e extremistas. Além disso, segundo estudo norte-americano recente, pessoas criadas em meio a uma recessão econômica tendem a confiar menos em seus esforços pessoais de melhoria, e preferem apoiar-se em regimes de complementação salarial promovidos pelo estado (alguma semelhança com o caso brasileiro?).

Como solucionar esse problema complexo? Algumas hipóteses vem sendo discutidas pelos especialistas como, por exemplo, o aumento do crescimento econômico e a consequente expansão de vagas. No entanto, a pergunta que não quer calar é se existe uma relação entre estas vagas e a respectiva qualificação desses jovens. 


Explico: atualmente, a maioria desses jovens no mundo desenvolvido está “overqualified”. Um exemplo disso é a ausência de mão-de-obra para suprir vagas que exijam qualificação técnica, dado que a maioria esmagadora dos jovens possui diploma superior – em grande parte, é verdade, a entrada na universidade é muito mais resultado do desemprego vigente e da falta de perspectivas do que propriamente uma opção vocacional. Consequentemente, um emprego técnico para quem tem curso superior é encarado como um retrocesso na carreira, um demérito profissional. Nos países desenvolvidos, o excesso de jovens com diploma superior é um problema para o mercado de trabalho – o que significa que nem sempre maior qualificação significa melhor qualificação…

Outra solução pensada é o empreendedorismo, isto é, o desenvolvimento de políticas públicas governamentais que visem o fomento a novos negócios para os jovens. Parodiando a fala do Presidente da Universidade de Harvard no filme “A Rede Social”, trata-se mais de “criar” um emprego do que propriamente buscá-lo no mercado de trabalho. Essa é uma alternativa interessante. Recentemente, em viagem ao Chile, pude perceber que o governo daquele país está incentivando jovens do mundo inteiro a instalarem suas start-ups de internet num complexo digital em Santiago, com uma série de subsídios governamentais (isenções fiscais, mão de obra farta e qualificada, conexões de internet de altíssima velocidade, servidores etc.). Volto a dizer que isso pode se configurar numa alternativa deveras interessante, dado o gosto e a tolerância dos jovens em empreender e assumir riscos…

TÁ FEIA A COISA NA IRLANDA…

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A Irlanda é um país que me fascina por vários motivos: suas paisagens de um verde hipnótico tal como as suas florestas; sua história ancestral celta cuja mitologia do Povo Nobre aquece e anima o meu coração; seus mosteiros encravados em ilhas rochosas situadas em lugares ermos; seus sidhes, seja nos rios, vales e colinas, que fazem ecoar as vozes antigas dos druidas proferindo ditos mágicos; triskellions encetados em pedra bruta em colossais conjuntos megalíticos pré-históricos como em Newgrange… Enfim, uma ilha repleta de mistérios, ensinamentos e brumas ancestrais…

Além disso, a famosa hospitalidade irlandesa está em consonância com o espírito caloroso escocês (não é à toa que ambos os países partilham a mesma ancestralidade gaélica), que é um contraponto tanto ao hermetismo galês quanto ao ar blasé e auto-referente britânico. Enfim, a atmosfera das Ilhas Britânicas é fascinante, o que não espanta se tornar alvo de uma viagem minha num futuro não tão distante – assim espero eu!

Outras coisas também me fascinam na cultura irlandesa: o rugby – algo extremamente comum nos países de herança celta – e a famosa cerveja Guinness. Aliás, essa stout de cor negra, dotada de espuma densa, rica e cremosa, com acentuado sabor de malte torrado e café tornou-se um dos maiores símbolos do país – junto com o trevo de quatro pontas, o sapateado, o violino e o bodhrán

Criada em Dublin em 1759 pelo cervejeiro Arthur Guinness, a marca é uma das “jóias da coroa” do conglomerado mundial de bebidas Diageo – dona de “superbrands” como a vodka Smirnoff, o whisky Johnnie Walker, a tequila José Cuervo, o licor Bailey’s, dentre outras. Sua característica mais distinta é a cremosidade de sua espuma que contrasta com o negro intenso da bebida, aliado a um amargor pronunciado no palato e um retrogosto de café e malte torrado. 

Diga-se de passagem, uma das mais belas e inspiradoras visões do mundo é ver a “dança” da formação de sua espuma no copo após a abertura da lata (algo que a Ambev tentou imitar com o chope Brahma Black), graças a uma engenhosa válvula de nitrogênio que garante a sua densidade inconfundível. Ver a espuma da Guinness se formar num pint é pura arte mágica, o que justifica o símbolo da bebida ser uma lira – para aqueles que não sabem, o instrumento musical é um dos objetos mágicos de Dagda, o deus-druida irlandês da fartura, da prosperidade, da sexualidade e da fecundidade!

No entanto, nem tudo são flores… Há exatamente uma década que o consumo da cerveja vem caindo no país, passando de 198,9 milhões de litros em 2001 para 119,3 milhões no ano passado. Só no segundo semestre de 2010, as vendas da bebida caíram cerca de 8% na Irlanda e na Irlanda do Norte.

Vários fatores expicam essa queda vertiginosa. Primeiro, a diminuição do número de “pubs” no país (foram fechados mais de 1.500 desses estabelecimentos nos últimos 5 anos). Segundo, a preferência do público mais jovem por bebidas destiladas, vinhos e cervejas mais leves. Terceiro, o aumento do consumo caseiro e das vendas em supermercados e lojas de conveniência. Quarto, a diminuição do consumo de bebidas alcóolicas por parte da população do país – foram 11,3 litros por pessoa em 2009, contra 14,5 litros em 2001. E, por fim, a avassaladora crise econômica vivida desde o final do ano passado, e que atingiu em cheio a outrora próspera economia do “Tigre Celta”.

Visto em perspectiva, tais números ganham importância. Afinal, aproximadamente 12% do faturamento mundial da Diageo é proveniente das vendas da Guinness – cerca de 20% localizadas somente na Irlanda! Logo, não há nenhum incoveniente em pensar na existência de um “índice Guinness” que mediria a saúde da economia irlandesa – assim como há um “índice Big Mac”, criado prestigiada revista britânica The Economist.

Uma sugestão humilde desse Escriba que vos fala para atenuar essa queda nas vendas da Guinness: boa parte da cerveja não-comercializada lá poderia ser vendida aqui no Brasil. Afinal, quem disse que só se bebe uma boa stout no Dia de São Patrício?

Sláinte Mhaith!!!