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CHÁ: UMA ALTERNATIVA GASTRONÔMICA CHARMOSA E SAUDÁVEL

Para quem é meu leitor a mais tempo, sabe das preferências gastronômicas deste Escriba que vos fala, assim como a minha devoção por bebidas de um modo geral – sejam estas alcóolicas, ou não. Além de aquecerem o espírito e transmutarem o nosso ânimo, não há nada mais reconfortante ou estimulante do que uma bela taça de um pinot noir aveludado, o aroma perfumado de um espresso bem tirado, uma flûte de champanhe com sua charmosa efervescência, ou então a paleta de sabores que envolve deliciosamente o palato por ocasião de uma generosa dose de um bom e bravo whisky. Na presença de uma bela companhia, então, é o paraíso na Terra…

Sou daquele tipo de consumidor que bebe não para ficar alcoolizado ou ter a consciência alterada, mas pelo puro prazer de degustar um bebida, apreendê-la em todas as suas nuances – visuais, olfativas e gustativas – e recompensar generosamente as minhas papilas gustativas. Uma ou duas doses me são suficientes para aguçar o meu espírito e envolver a minha mente com as sensações mais agradáveis possíveis. Infelizmente, o meu prazer pela bebida alcóolica tem sido frustrado pelas ações constantes que visam conter os bebedores que dirigem, e que acabaram mudando sensivelmente o meu comportamento.

Antes da mal-fadada Operação Lei Seca, eu saia para jantar com frequência com minha mulher após um dia estafante de trabalho, não raro acompanhado de uma garrafa de vinho ou espumante. Agora, dadas as restrições, tenho preferido degustá-las em minha casa, o que me fez retornar a um prazer antigo de “curtir” a minha casa – quando eu tenho tempo, bem entendido, dada a minha rotina frenética de ser um “mascate” da educação!

Minha última aquisição gastronômica foi uma bela e reluzente chaleira com infusor, o que me permite a partir de agora preparar com calma e extremo prazer uma grande variedade de chás – uma bebida que conheço pouco, confesso, mas que desperta agradavelmente o meu paladar, dada a sua exuberância de aromas, cores e sabores. Sem despertar ciúmes dos outros líquidos preciosos que me acompanham – afinal, não dispenso uma boa taça de vinho ou uma cápsula com um blend da Nespresso -, definitivamente o chá está ocupando de maneira vertiginosa um espaço generoso no meu panteão de prazeres pantagruélicos…

O chá é uma bebida tão sofisticada quanto o vinho ou o café, a despeito de ser bem menos conhecida. Em determinados países como a Inglaterra e o Japão, o chá é a bebida nacional (os ingleses, por exemplo, bebedores de chás pretos, adoçados e com açúcar, consomem uma média anual de 2 quilos de chá por habitante), mas em nosso país a preferência pela cerveja e pelo café ainda mostra que há um espaço muito grande para o crescimento desse produto entre os nossos consumidores.

Dado o seu apelo saudável, em especial o badalado chá verde por possui uma generosa concentração de substâncias antioxidantes, o seu consumo vem crescendo no Brasil especialmente em versões prontas para beber comercializadas em supermercados, seja em garrafas pet ou em latinhas, a serem servidas bem geladas. Até mesmo a Coca-Cola, aproveitando a “onda” positiva que cerca a bebida, lançou um versão “politicamente correta” do guaraná Kuat adicionado de chá verde. Haja inovação…

Cada país consome e serve o chá à sua maneira. No Japão, a preferência pela delicadeza e o aroma singelo e levemente ambarado da chá verde combina com a sutileza do milenar “ritual do chá”. Já na Inglaterra – a pátria da bebida, onde você é recebido em todos os lugares com uma generosa e fumegante xícara de chá -, a preferência pelos chás pretos mais fermentados e encorpados se deve à “pesada” culinária das ilhas britânicas. Nada que não seja compensado por um belo five o’clock tea, acompanhado de uma mesa farta de bolos, tortas, salgados e cupcakes. Tudo isso regado por englishs breakfasts, princes of wales, earl greys e darjellings. Irresistivelmente delicioso!

Em outros países, o chá também vem ganhando o seu espaço. Na França, por exemplo, o consumo atual de chá é de 230 gramas por habitante ao ano, contra apenas 120 gramas em 1990. Tal fato é de extrema importância posto os gauleses serem os mestres da gastronomia, da sofisticação e do requinte à mesa. Contrariamente ao britânicos (olha a rivalidade!), os franceses vem tentando aliar o chá à gastronomia, dando preferência à blends e misturas exóticas, com chás de diversas cores, aromas e sabores das mais diferentes regiões do mundo. Afinal, França é França…

As marcas francesas de chás de luxo vêm registrando crescimento anual de cerca de 7% a 10% ao ano, um mercado que movimenta aproximadamente 350 milhões de euros anuais. Isso excetuando-se os chás gelados e infusões de outros tipos. Afinal, o chá é feito somente com as folhas – secas, expostas ao sol ou fermentadas – da planta camellia sinensis.

Grifes francesas como a Mariage Fréres e a George Cannon têm investido na criação de blend exóticos e aromáticos, que custam desde 15 euros (R$ 40) por 100 gramas, até mesmo 68 euros (cerca de R$ 182) por 20 gramas – caso do raro chá branco da Mariage Fréres. Aliás, o top de linha da casa é o Golden Dragon, composto por folhas de ouro, e que custa módicos 400 euros por 100 gramas – bem baratinho, somente R$ 1 mil por cada saquinho…

O chá preto continua sendo a estrela do mercado francês, com mais da metade de market share no país de Vercingetórix, segundo dados da Nielsen. No entanto, o chá verde vem em uma curva ascendente, apresentando a maior taxa de crescimento no setor (cerca de 10% a 12% ao ano), abocanhando uma fatia de mercado de 36%. Nada mau para uma bebida, até pouco tempo atrás, considerada um medicamento e indicada apenas para pessoas com problemas de saúde…
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  1. fevereiro 13, 2010 às 12:04 am

    Bom dia,

    Adorei o seu post, divido o mesmo entusiasmo tanto que abri uma casa de chás em Belo Horizonte, a primeira especializada em chás de luxo da capital. Confira o nosso site, se tiver na capital mineira faça-nos uma visita!

    Abraços!

    • Jose Mauro Nunes
      fevereiro 13, 2010 às 11:29 am

      Bom dia,

      Mas que notícia boa essa! Eu sempre vou a BH para dar aulas, posto que viajo o Brasil inteiro nessa minha profissão de professor. Com certeza, irei visitar a casa e já estou me familiarizando com ela via site.

      Muito obrigado pela visita, e espero que possamos nos ver na casa no mês de abril, quando estarei na capital mineira.

      Abraços e muito boa sorte nessa sua empreitada!

  2. outubro 21, 2010 às 11:39 am

    Olá José Mauro, td bem? Gostei bastante do seu artigo. Estou fazendo TCC sobre chá na gastronomia, se vc conhecer algum livro que fale a respeito deste assunto, por favor me informe, pois estou com um pouco de dificuldade em encontrar livros…

    Grata
    Att
    Adriana Dester

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