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Archive for the ‘Economia’ Category

PERSPECTIVAS OTIMISTAS PARA A LACOSTE NO BRASIL

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Com o aquecimento da economia brasileira no final do ano passado, as perspectivas para a marca francesa do “jacarezinho”no Brasil são prá lá de otimistas. O objetivo é aproximar a Lacoste – uma marca adulta, tradicionalmente sofisticada e refinada, e identificada com esportes de elite tais como o tênis e o golfe – do consumidor brasileira, tornando-a cada vez mais íntima do seu universo.

Para isso, a operação brasileira está implementando as seguintes medidas: a reforma das lojas da marca, o início da produção local de peças de vestuário, o controle de custos e o lançamento de uma bandeira voltada exclusivamente para o segmento jovem.

Além de reformar o layout, o aumento do número de lojas onde a marca se encontra aumentou: passou de 130 em novembro de 2007 para 750 no final do mês de março desse ano. Também se observou uma ampliação das lojas exclusivas da grife francesa, atingindo 70 em 2010 contra apenas 54 em 2007 (a maioria dessas lojas é operada por sistema de franquia). A previsão é que, até o final desse ano, o número de lojas próprias da Lacosteno país atinja o patamar de 80 pontos de venda. 

Mas as notícias boas não param por aí. O faturamento da grife no país triplicou, passando de R$ 57 milhões em 2008 para R$ 150 milhões em 2010, o que fez com que a operação brasileira ingresasse no rol das 10 maiores da marca do mundo no ano passado. A expectativa é que ela adentre o grupo seleto das “top five” no final de 2011.

A grife francesa, famosa pelas suas “clássicas” camisas pólo em uma variadíssima paleta de cores, vem operando nos últimos anos um notório rejuvenescimento de sua marca, buscando atender diferentes segmentos de consumidores como mulheres, crianças e jovens, diversificando do seu posicionamento tradicional de homens adultos a partir dos 40 anos. 

No final de 2010, a grife ganhará no Brasil uma loja exclusiva da bandeira Lacoste Life, voltada para os consumidores entre 15 a 25 anos, e que atualmente está presente em apenas duas lojas no mundo inteiro – mais especificamente, em Nova York e em Paris. A idéia, sem sombra de dúvida, é fidelizar a clientela desde cedo, haja visto a concorrência feroz no que dia respeito ao mercado de moda jovem.

Outro passo importante é a produção local de itens de vestuário, que na sua grande maioria são importados do Peru e da Argentina. A partir de 2012, a marca irá produzir no país calças jeans, e o processo de definição do fornecedor está em andamento.

A meta de atingir a cifra de 1,5 milhões de peças comercializadas em 2011 deve ser superada com folgas – a estimativa é que, ao final desse ano, sejam vendidas entre 1,9 e 2 milhões de peças. Para o futuro, a expectativa é que a cifra de 3 milhões de peças – o volume atualmente vendido pela grife na França, o segundo maior mercado depois dos EUA, que comercializa aproximadamente 5 milhões de peças – seja atingida em 2014. Ou seja, o apetite do consumidor brasileiro pela Lacoste é voraz!

Para completar, a verba de marketing da operação brasileira, que era de R$ 6 milhões em 2010, pulará para R$ 9 milhões esse ano. Haja fôlego para o “jacarezinho”!

O DESEMPREGO ENTRE JOVENS: UMA EPIDEMIA GLOBAL?

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Me digam uma coisa, meus caros leitores: por um acaso vocês sabem o que há de comum entre os “freeters”, os “hittistes”, os “shahab atileen”, os “NEETs”, os “mileuristas e os “boomerangs“? Não? Uma dica: até os chineses (sempre eles!) já os têm, membros da chamada “ant tribe”. E aí, ainda não? Vou explicar…


Todas são diferentes expressões para o mesmo grupo social: os “jovens desempregados”. Até recentemente algo comum nos países mais pobres, o fenômeno ganhou notoriedade até mesmo nos países do Hemisfério Norte. Isso sem falar no papel central que esse grupo desempenhou ns ruas e praças árabes, e que a mídia de massa global rapidamente alcunhou de “Revolução Facebook“…

“Freeter” é uma gíria japonesa resultante da fusão de dois vocábulos de línguas diferentes: o inglês “freelance” e o alemão “arbeiter” (significando “trabalhador sob demanda”, numa tradução livre). “Hittiste” é uma gíria franco-árabe, utilizada na Tunísa, que significa “aquele encostado no muro”(sic). “Mileuristas”, como são chamados na Espanha, referem-se aos jovens cujo rendimento mensal não ultrapassa a casa dos mil euros. Já no Egito, os jovens desempregados são intitulados de “shahab atileen”. Por sua vez, os britânicos, com sua inquebrantável fleuma e requintada ironia, os chamam de “NEETs”“no education, no employment, no training”. Os americanos, com o seu incrível pendor para metáforas, os chamam de geração “boomerang” (isto é, os que voltam para a casa dos pais após a faculdade) ou “waithood” (algo como a geração da espera, em referência ao fato de vivenciaram uma adolescência prolongada ou tardia na casa dos pais). Já os chineses, cientes de sua generosa demografia, lhes dão o nome de “ant tribe” – literalmente, uma multidão de formigas que lota a porta das empresas em busca de empregos de baixa qualificação e de menor rendimento salarial.

O que há de comum neste fenômeno global é a incapacidade da economia destes países em absorver a massa de jovens recém-chegada ao mercado de trabalho – em alguns casos, como caso europeu, massa essa bastante escolarizada e muito bem qualificada. O resultado disso é prá lá de previsível: desalento, revolta, transtornos psicológicos e sociais, ressentimento, subemprego, desemprego… Ou seja, um coquetel prá lá de explosivo, cujos resultados são imprevisíveis. Afinal, jovens naturalmente são vórtices de energia quando engajados e compromissados com alguma tarefa. Quando não, esse vórtice pode se tornar um reservatório perigoso de ódio, extremismo, niilismo, desalento e desagregação social.

Apesar das imagens dos jovens que tomaram de assalto as ruas e as praças do mundo árabe e que derrubaram ditaduras até então consideradas inexpugnáveis, essa massa também vem se manifestando tanto contra as reformas educacionais nos Estados Unidos e na Inglaterra, quanto contra o corte de gastos publicos em países como a Grécia e a Espanha. E, nada melhor do que os jovens mobilizados para nos mostrar quais são as reais condições de vida nestes países…

Além da crise econômica mundial, outras explicações são ensejadas. Uma delas diz que as gerações mais jovens estão sendo impedidas de ascender socialmente graças ao domínio de uma “gerontocracia” que teima em não dividir o espaço no mercado de trabalho, impedindo a oxigenação e a força criativa proveniente da entrada desse contingente no mercado de trabalho. Com o desemprego entre os jovens tendendo a ficar cada vez mais elevado, a distância entre gerações – e consequentemente o choque entre essas – será algo inevitável, com consequências bastante funestas tanto para estes quanto para a sociedade desses países.

No Oriente Médio e no norte da África, a taxa de desemprego entre os jovens gira em torno de 24% – a maior do mundo!. Nas outras partes, as taxas ultrapassaram a casa dos 10%, sendo observadas percentuais abaixo desse patamar apenas no Sudeste Asiático. Somado ao fato de que, em alguns países, a parcela maior da população esteja situada entre os 15 e 24 anos, a junção entre esse boom demográfico e o elevado desemprego é um profundo vetor de transformações sociais. Que o digam Egito, Tunísia, Líbia, Bahrein, Argélia, Marrocos…

Nem o Brasil está livre desse fenômeno. Segundo relatório recente publicado pela Organização Mundial do Trabalho (OIT), em 2009 o desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos atingiu o patamar de 13% – ou seja, 81 milhões dos 623 milhões de jovens economicamente ativos -, tornando-se o pior indicador desde o ano de 2002.

Nos países desenvolvidos, criou-se um “fosso” entre os empregos de alta qualificação e com rendimentos elevados – interditados aos jovens, dada a sua baixa experiência do mercado de trabalho -, e os de baixa qualificação e rendimentos irrisórios – este sim destinados aos jovens. E a recessão econômica só piora a situação, podendo tornar “inútil” e irrelevante toda uma geração de novos talentos…

Se os impactos econômicos desse fenômeno são catastróficos, as implicações psicológicas do desemprego para essa geração são dramáticas. Os impactos sobre a auto-estima e a mais valia são notáveis, isso sem falar na vulnerabilidade a comportamentos anti-sociais, violentos e extremistas. Além disso, segundo estudo norte-americano recente, pessoas criadas em meio a uma recessão econômica tendem a confiar menos em seus esforços pessoais de melhoria, e preferem apoiar-se em regimes de complementação salarial promovidos pelo estado (alguma semelhança com o caso brasileiro?).

Como solucionar esse problema complexo? Algumas hipóteses vem sendo discutidas pelos especialistas como, por exemplo, o aumento do crescimento econômico e a consequente expansão de vagas. No entanto, a pergunta que não quer calar é se existe uma relação entre estas vagas e a respectiva qualificação desses jovens. 


Explico: atualmente, a maioria desses jovens no mundo desenvolvido está “overqualified”. Um exemplo disso é a ausência de mão-de-obra para suprir vagas que exijam qualificação técnica, dado que a maioria esmagadora dos jovens possui diploma superior – em grande parte, é verdade, a entrada na universidade é muito mais resultado do desemprego vigente e da falta de perspectivas do que propriamente uma opção vocacional. Consequentemente, um emprego técnico para quem tem curso superior é encarado como um retrocesso na carreira, um demérito profissional. Nos países desenvolvidos, o excesso de jovens com diploma superior é um problema para o mercado de trabalho – o que significa que nem sempre maior qualificação significa melhor qualificação…

Outra solução pensada é o empreendedorismo, isto é, o desenvolvimento de políticas públicas governamentais que visem o fomento a novos negócios para os jovens. Parodiando a fala do Presidente da Universidade de Harvard no filme “A Rede Social”, trata-se mais de “criar” um emprego do que propriamente buscá-lo no mercado de trabalho. Essa é uma alternativa interessante. Recentemente, em viagem ao Chile, pude perceber que o governo daquele país está incentivando jovens do mundo inteiro a instalarem suas start-ups de internet num complexo digital em Santiago, com uma série de subsídios governamentais (isenções fiscais, mão de obra farta e qualificada, conexões de internet de altíssima velocidade, servidores etc.). Volto a dizer que isso pode se configurar numa alternativa deveras interessante, dado o gosto e a tolerância dos jovens em empreender e assumir riscos…

TÁ FEIA A COISA NA IRLANDA…

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A Irlanda é um país que me fascina por vários motivos: suas paisagens de um verde hipnótico tal como as suas florestas; sua história ancestral celta cuja mitologia do Povo Nobre aquece e anima o meu coração; seus mosteiros encravados em ilhas rochosas situadas em lugares ermos; seus sidhes, seja nos rios, vales e colinas, que fazem ecoar as vozes antigas dos druidas proferindo ditos mágicos; triskellions encetados em pedra bruta em colossais conjuntos megalíticos pré-históricos como em Newgrange… Enfim, uma ilha repleta de mistérios, ensinamentos e brumas ancestrais…

Além disso, a famosa hospitalidade irlandesa está em consonância com o espírito caloroso escocês (não é à toa que ambos os países partilham a mesma ancestralidade gaélica), que é um contraponto tanto ao hermetismo galês quanto ao ar blasé e auto-referente britânico. Enfim, a atmosfera das Ilhas Britânicas é fascinante, o que não espanta se tornar alvo de uma viagem minha num futuro não tão distante – assim espero eu!

Outras coisas também me fascinam na cultura irlandesa: o rugby – algo extremamente comum nos países de herança celta – e a famosa cerveja Guinness. Aliás, essa stout de cor negra, dotada de espuma densa, rica e cremosa, com acentuado sabor de malte torrado e café tornou-se um dos maiores símbolos do país – junto com o trevo de quatro pontas, o sapateado, o violino e o bodhrán

Criada em Dublin em 1759 pelo cervejeiro Arthur Guinness, a marca é uma das “jóias da coroa” do conglomerado mundial de bebidas Diageo – dona de “superbrands” como a vodka Smirnoff, o whisky Johnnie Walker, a tequila José Cuervo, o licor Bailey’s, dentre outras. Sua característica mais distinta é a cremosidade de sua espuma que contrasta com o negro intenso da bebida, aliado a um amargor pronunciado no palato e um retrogosto de café e malte torrado. 

Diga-se de passagem, uma das mais belas e inspiradoras visões do mundo é ver a “dança” da formação de sua espuma no copo após a abertura da lata (algo que a Ambev tentou imitar com o chope Brahma Black), graças a uma engenhosa válvula de nitrogênio que garante a sua densidade inconfundível. Ver a espuma da Guinness se formar num pint é pura arte mágica, o que justifica o símbolo da bebida ser uma lira – para aqueles que não sabem, o instrumento musical é um dos objetos mágicos de Dagda, o deus-druida irlandês da fartura, da prosperidade, da sexualidade e da fecundidade!

No entanto, nem tudo são flores… Há exatamente uma década que o consumo da cerveja vem caindo no país, passando de 198,9 milhões de litros em 2001 para 119,3 milhões no ano passado. Só no segundo semestre de 2010, as vendas da bebida caíram cerca de 8% na Irlanda e na Irlanda do Norte.

Vários fatores expicam essa queda vertiginosa. Primeiro, a diminuição do número de “pubs” no país (foram fechados mais de 1.500 desses estabelecimentos nos últimos 5 anos). Segundo, a preferência do público mais jovem por bebidas destiladas, vinhos e cervejas mais leves. Terceiro, o aumento do consumo caseiro e das vendas em supermercados e lojas de conveniência. Quarto, a diminuição do consumo de bebidas alcóolicas por parte da população do país – foram 11,3 litros por pessoa em 2009, contra 14,5 litros em 2001. E, por fim, a avassaladora crise econômica vivida desde o final do ano passado, e que atingiu em cheio a outrora próspera economia do “Tigre Celta”.

Visto em perspectiva, tais números ganham importância. Afinal, aproximadamente 12% do faturamento mundial da Diageo é proveniente das vendas da Guinness – cerca de 20% localizadas somente na Irlanda! Logo, não há nenhum incoveniente em pensar na existência de um “índice Guinness” que mediria a saúde da economia irlandesa – assim como há um “índice Big Mac”, criado prestigiada revista britânica The Economist.

Uma sugestão humilde desse Escriba que vos fala para atenuar essa queda nas vendas da Guinness: boa parte da cerveja não-comercializada lá poderia ser vendida aqui no Brasil. Afinal, quem disse que só se bebe uma boa stout no Dia de São Patrício?

Sláinte Mhaith!!!

P.O.F. (2008 – 2009) – PARTE 3 E FINAL

Por fim, encerrando os comentários sobre a P.O.F. 2008-2009, algumas observações sobre a metodologia utilizada no levantamento em tela.

O IBGE ouviu 59.570 domicílios em todo o Brasil entre maio de 2008 e maio de 2009. Os lares foram visitados por aproximadamente 1.400 pesquisadores, e os gastos totais com a pesquisa foram na ordem de 24 milhões de reais.

O levantamento exige que os pesquisadores visitem as famílias pelo menos quatro vezes: na primeira visita, o entrevistador cadastra os dados sobre a família e o domicílio; na segunda, aplica-se um questionário visando rastrear dados sobre o consumo e o rendimento da unidade familiar pesquisada; outros cinco questionários são aplicados almejando traçar uma radiografia minuciosa dos gastos das famílias em questão; além das perguntas dessa natureza, são incluídas questões que visam mapear a avaliação subjetiva da família sobre sua condição de vida; e, também, os moradores passam por uma avaliação antropométrica (peso, altura e demais medidas corporais).

Por ser uma pesquisa contínua e relativamente invasiva no cotidiano das pessoas, esta exige uma boa abordagem do pesquisador, além da colaboração e boa-vontade dos moradores dos domicílios pesquisados. Tudo isso para que gestores de políticas públicas, pesquisadores e profissionais de marketing possam ter uma idéia de a quantas anda o padrão de vida das nossas famílias. E que, diga-se de passagem, estão melhorando a olhos vistos…

P.O.F. (2008 – 2009) – PARTE 2

As atribulações das duas últimas semanas me impediram de dar continuidade à regularidade das postagens, o que desde já peço desculpas aos meus persistentes e indulgentes leitores. Especialmente, não dei continuidade aos comentários relativos aos resultados divulgados pelo IBGE a respeito da P.O.F. (Pesquisa de Orçamentos Familiares) 2008 – 2009, um retrato bastante interessante do perfil de consumo das famílias brasileiras.

Continuando a discussão, outros dados interessantes sobre a melhoria da qualidade de vida das famílias brasileiras nestes últimos anos foram apontados pelo levantamento, e que merecem ser destacados:

1. Os gastos com a casa própria aumentaram nos últimos anos, saltando de 2,77% (2002-2003) para 4% do orçamento total das unidades domiciliares (2008-2009);

2. Graças ao farto crédito, houve também um aumento dos gastos familiares com a aquisição de bens de consumo: o gasto com veículos saltou de 5,93% (2002-2003) para 6,9% (2008-2009). Já os gastos com eletrodomésticos passou de 1,88% para 2,1% durante esse mesmo período; 

3. No entanto, nem tudo foi aumento no bolso das famílias. Alguns gastos familiares sofreram redução ao longo desses anos. Por exemplo, houve uma diminuição nos gastos com serviços de telefonia fixa (de 1,79% para 1%). Essa tendência foi contrabalançada com o aumento nos gastos com telefonia celular, que saltou de 0,63% para 1%;

4. Outro dado relevante é o aumento do endividamento das famílias com financiamentos de vários tipos: os gastos com empréstimos passou de 1,06% em 2002-2003 para 1,4% no biênio 2008-2009.

5. Um dado curioso: os gastos com alimentação foram reduzidos, passando de 20,8% (2002-2003) para 19,8% (2008-2009). Apesar desta redução, o brasileiro está comprando itens mais caros e de maior valor. Dentre o orçamento dedicado aos gastos alimentares, os seguintes itens apresentaram aumento: carnes, vísceras e peixes (21,9%), bebidas e infusões (9,7%), frutas (4,6%), legumes e verduras (3,3%) e alimentos preparados (2,9%). Na outra ponta da tabela, os itens que apresentaram queda: leites e derivados (11,5%), cereais, leguminosas e oleaginosas (8%), aves e ovos (6,9%), farinha e massas (4,6%), açúcares e derivados (4,6%) e óleos e gorduras (2,3%).

6. Na rubrica gastos com transporte, o orçamento do brasileiro sofreu um salto significativo: o comprometimento do orçamento familar passou de 18,4% (2002-2003) para 19,6% (2008-2009). Nesse item, as despesas estão assim divididas: aquisição de veículos (43,1%), gasolina para o veículo pago (16,3%), transporte urbano (13,8%), manutenção e acessórios (10,6%), viagens esporádicas (7,5%), despesas com estacionamento e pedágio (5%) e álcool para veículo próprio (3,1%).

7. Os gastos com a saúde consomem 5,9% do bolso dos brasileiros, assim distribuídos: compra de remédios (2,8%), gastos com plano de saúde (1,7%) e tratamento dentário (0,3%).

8. Por fim, o grupo educação representa 2,5% dos gastos totais das famílias brasileiras, obedecendo a seguinte distribuição: gastos com cursos regulares (0,6%), gastos com educação superior (0,8%) e aquisição de material escolar (0,2%).

PRÁ FRENTE BRASIL!!!

Passado o Carnaval e a decepção da Copa do Mundo, eis que o 2010 finalmente se inicia! E este é um ano fundamental para o nosso país, posto que iremos eleger a partir de novembro o novo Presidente da República para os próximos quatro anos.

Tamanha é essa responsabilidade, dado que o mundo inteiro está de olho no Brasil como potência emergente do momento. Todas as atenções estarão voltadas para nós, uma vez que temos a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 como megaeventos esportivos que mobilizam uma audiência planetária…  

Entretanto, será que os brasileiros sabem o Brasil que eles querem? Mais desenvolvimento, mais escolas, maior crescimento econômico? Melhoria da qualidade de vida das pessoas – especialmente as menos favorecidas economicamente -, redução das desigualdades sociais e, por extensão, a redução da criminalidade que assola os grandes centros urbanos?

Sem ufanismo estreito, pretensão insidiosa ou arroubos megalomaníacos, eu sei bem o Brasil que eu quero. Terra na qual nasci, que aprendi a amar desde cedo, e que me identifico cada vez mais – tanto quando vou ao exterior quanto viajo por suas inúmeras cidades, repletas de pessoas trabalhadoras, amistosas e engajadas no projeto de fazer essa país melhor a cada dia que passa!

Sem o intuito de empreender qualquer proselitismo político, eu quero um Brasil com as seguintes características:

1. Mais crianças e jovens nas escolas, adultos nas Universidades e professores e pesquisadores que possam dar sustentação a essa arrancada em que atualmente vivemos;

2. Melhores condições de vida para os mais pobres, menos impostos e mais segurança para a classe média, mais emprego e dignidade para todos os brasileiros;

3. Maior comprometimento com os destinos do país por parte dos seus habitantes, mais engajamento cidadão e um comportamento eticamente responsável e honesto – abaixo a “Lei de Gérson”, que é uma ameça ao processo civilizatório e destrói os nossos laços de pertença a uma sociedade mais justa e fraterna;

4. Mais segurança para se viver e para criar os nossos filhos, sem a violência do tráfico, das milícias e das polícias;

5. Crescimento econômico sim, mas não a qualquer preço! Quero indivíduos, empresas, governos e demais membros da sociedade civil organizada envolvidos em políticas de sustentabilidade ambiental e de responsabilidade social.

Em suma, não acredito em um conceito de crescimento econômico pautado apenas pela melhoria do padrão de consumo das famílias. Diferentemente do atual presidente, discordo frontalmente da idéia de achar que qualidade de vida equivale a comprar mais fogões, geladeiras, TVs de LCD e automóveis zero quilômetro – detalhe: todos esses bens adquiridos em prestações a perder de vista, e com juros astronômicos!

Apesar de ser um profissional de marketing e um estudioso dos fenômenos de consumo, não defendo a idéia do consumismo desenfreado como a via para a felicidade e a realização pessoal. Por consumismo, entendo o padrão cultural que conduz as pessoas a achar significado, satisfação e reconhecimento fundamentalmente por meio do consumo de bens e serviços” (Estado do Mundo 2010, Worldwatch Institute).

Não é isto que eu quero, não é isto que eu penso e não é isto que eu desejo para aqueles que amo e estimo, e para as gerações futuras!

Pensem bem na hora de votar! Depende de nós a escolha certa para que possamos arrancar em direção a um futuro melhor para todos… 

FUTEBOL CAMPEÃO, CLUBES NA PINDAÍBA…

Enquanto o mundo inteiro saúda o mais novo membro no clube dos Campeões Mundiais de Futebol – dentre os quais, inclui-se esse humilde Escriba que vos fala -, a situação não anda nada boa para os clubes de futebol espanhol.

Segundo levantamento feito pela Universidade de Barcelona, e publicado na edição de segunda-feira do periódico O Estado de S. Paulo, o endividamento do futebol espanhol gira em torno da astronômica cifra de 2,8 bilhões de euros – cerca de 6,2 bilhões de reais (!!!!!).

Tudo isso numa liga razoavelmente bem-administrada, com estádios lotados, polpudos contratos de direitos televisivos, merchandising poderosíssimo, além de clubes “recheados” de jogadores-estrelas que ajudam a garantir a magia e a qualidade do espetáculo…

Enquanto Iniesta, Xavi Alonso, Fabregas, Davi Villa, Fernando Torres, Puyol, Pedro, Casillas, Piquet, Victor Valdes e Busquets levavam os torcedores da Furia à loucura neste final de semana, os clubes espanhóis devem mais de 600 milhões de euros somente ao Fisco. Potências do país campeão do mundo estão à beira da falência: o galático Real Madrid deve 527 milhões de euros; o Atlético de Madrid, 430 milhões de euros; o mega-estelar Barcelona acumula dívidas da ordem de 388 milhões de euros; e o Valencia deve 286 milhões de euros.

Na rabeira da fila, clubes menores como Sporting Gijón, Málaga, Real Sociedad e Celta de Vigo estão sob intervenção judicial…

Que o futebol é uma imensa usina mundial de lavagem de dinheiro todos nós sabemos! Mas, mesmo assim, a coisa atingiu um nível alarmante!

Agora, se a coisa está feia na Europa, imaginem no mulambento, indigente e sofrível mundo do futebol brasileiro, onde a gestão dos clubes de futebol é um misto de retardo mental, má-fé, roubalheira e torpeza de caráter envolvendo atletas, dirigentes, empresários, técnicos e gestores?!

Somem a isto uma Copa do Mundo vindoura em 2014, onde as obras de preparação do evento ainda nem começaram de fato…

Uma lista de adjetivos para que os meus críticos e pacientes leitores possam escolher de acordo com os seus respectivos humores – 2014 será sinônimo de: roubalheira, canalhice, calhordice, sacanagem, crime de lesa-pátria, esperteza, fanfarronice, patriotismo emburrecedor, ufanismo mediocrizante… ufa, a lista parece não ter fim!

Pano rápido!!!