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Archive for the ‘Desigualdade Social’ Category

O DESEMPREGO ENTRE JOVENS: UMA EPIDEMIA GLOBAL?

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Me digam uma coisa, meus caros leitores: por um acaso vocês sabem o que há de comum entre os “freeters”, os “hittistes”, os “shahab atileen”, os “NEETs”, os “mileuristas e os “boomerangs“? Não? Uma dica: até os chineses (sempre eles!) já os têm, membros da chamada “ant tribe”. E aí, ainda não? Vou explicar…


Todas são diferentes expressões para o mesmo grupo social: os “jovens desempregados”. Até recentemente algo comum nos países mais pobres, o fenômeno ganhou notoriedade até mesmo nos países do Hemisfério Norte. Isso sem falar no papel central que esse grupo desempenhou ns ruas e praças árabes, e que a mídia de massa global rapidamente alcunhou de “Revolução Facebook“…

“Freeter” é uma gíria japonesa resultante da fusão de dois vocábulos de línguas diferentes: o inglês “freelance” e o alemão “arbeiter” (significando “trabalhador sob demanda”, numa tradução livre). “Hittiste” é uma gíria franco-árabe, utilizada na Tunísa, que significa “aquele encostado no muro”(sic). “Mileuristas”, como são chamados na Espanha, referem-se aos jovens cujo rendimento mensal não ultrapassa a casa dos mil euros. Já no Egito, os jovens desempregados são intitulados de “shahab atileen”. Por sua vez, os britânicos, com sua inquebrantável fleuma e requintada ironia, os chamam de “NEETs”“no education, no employment, no training”. Os americanos, com o seu incrível pendor para metáforas, os chamam de geração “boomerang” (isto é, os que voltam para a casa dos pais após a faculdade) ou “waithood” (algo como a geração da espera, em referência ao fato de vivenciaram uma adolescência prolongada ou tardia na casa dos pais). Já os chineses, cientes de sua generosa demografia, lhes dão o nome de “ant tribe” – literalmente, uma multidão de formigas que lota a porta das empresas em busca de empregos de baixa qualificação e de menor rendimento salarial.

O que há de comum neste fenômeno global é a incapacidade da economia destes países em absorver a massa de jovens recém-chegada ao mercado de trabalho – em alguns casos, como caso europeu, massa essa bastante escolarizada e muito bem qualificada. O resultado disso é prá lá de previsível: desalento, revolta, transtornos psicológicos e sociais, ressentimento, subemprego, desemprego… Ou seja, um coquetel prá lá de explosivo, cujos resultados são imprevisíveis. Afinal, jovens naturalmente são vórtices de energia quando engajados e compromissados com alguma tarefa. Quando não, esse vórtice pode se tornar um reservatório perigoso de ódio, extremismo, niilismo, desalento e desagregação social.

Apesar das imagens dos jovens que tomaram de assalto as ruas e as praças do mundo árabe e que derrubaram ditaduras até então consideradas inexpugnáveis, essa massa também vem se manifestando tanto contra as reformas educacionais nos Estados Unidos e na Inglaterra, quanto contra o corte de gastos publicos em países como a Grécia e a Espanha. E, nada melhor do que os jovens mobilizados para nos mostrar quais são as reais condições de vida nestes países…

Além da crise econômica mundial, outras explicações são ensejadas. Uma delas diz que as gerações mais jovens estão sendo impedidas de ascender socialmente graças ao domínio de uma “gerontocracia” que teima em não dividir o espaço no mercado de trabalho, impedindo a oxigenação e a força criativa proveniente da entrada desse contingente no mercado de trabalho. Com o desemprego entre os jovens tendendo a ficar cada vez mais elevado, a distância entre gerações – e consequentemente o choque entre essas – será algo inevitável, com consequências bastante funestas tanto para estes quanto para a sociedade desses países.

No Oriente Médio e no norte da África, a taxa de desemprego entre os jovens gira em torno de 24% – a maior do mundo!. Nas outras partes, as taxas ultrapassaram a casa dos 10%, sendo observadas percentuais abaixo desse patamar apenas no Sudeste Asiático. Somado ao fato de que, em alguns países, a parcela maior da população esteja situada entre os 15 e 24 anos, a junção entre esse boom demográfico e o elevado desemprego é um profundo vetor de transformações sociais. Que o digam Egito, Tunísia, Líbia, Bahrein, Argélia, Marrocos…

Nem o Brasil está livre desse fenômeno. Segundo relatório recente publicado pela Organização Mundial do Trabalho (OIT), em 2009 o desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos atingiu o patamar de 13% – ou seja, 81 milhões dos 623 milhões de jovens economicamente ativos -, tornando-se o pior indicador desde o ano de 2002.

Nos países desenvolvidos, criou-se um “fosso” entre os empregos de alta qualificação e com rendimentos elevados – interditados aos jovens, dada a sua baixa experiência do mercado de trabalho -, e os de baixa qualificação e rendimentos irrisórios – este sim destinados aos jovens. E a recessão econômica só piora a situação, podendo tornar “inútil” e irrelevante toda uma geração de novos talentos…

Se os impactos econômicos desse fenômeno são catastróficos, as implicações psicológicas do desemprego para essa geração são dramáticas. Os impactos sobre a auto-estima e a mais valia são notáveis, isso sem falar na vulnerabilidade a comportamentos anti-sociais, violentos e extremistas. Além disso, segundo estudo norte-americano recente, pessoas criadas em meio a uma recessão econômica tendem a confiar menos em seus esforços pessoais de melhoria, e preferem apoiar-se em regimes de complementação salarial promovidos pelo estado (alguma semelhança com o caso brasileiro?).

Como solucionar esse problema complexo? Algumas hipóteses vem sendo discutidas pelos especialistas como, por exemplo, o aumento do crescimento econômico e a consequente expansão de vagas. No entanto, a pergunta que não quer calar é se existe uma relação entre estas vagas e a respectiva qualificação desses jovens. 


Explico: atualmente, a maioria desses jovens no mundo desenvolvido está “overqualified”. Um exemplo disso é a ausência de mão-de-obra para suprir vagas que exijam qualificação técnica, dado que a maioria esmagadora dos jovens possui diploma superior – em grande parte, é verdade, a entrada na universidade é muito mais resultado do desemprego vigente e da falta de perspectivas do que propriamente uma opção vocacional. Consequentemente, um emprego técnico para quem tem curso superior é encarado como um retrocesso na carreira, um demérito profissional. Nos países desenvolvidos, o excesso de jovens com diploma superior é um problema para o mercado de trabalho – o que significa que nem sempre maior qualificação significa melhor qualificação…

Outra solução pensada é o empreendedorismo, isto é, o desenvolvimento de políticas públicas governamentais que visem o fomento a novos negócios para os jovens. Parodiando a fala do Presidente da Universidade de Harvard no filme “A Rede Social”, trata-se mais de “criar” um emprego do que propriamente buscá-lo no mercado de trabalho. Essa é uma alternativa interessante. Recentemente, em viagem ao Chile, pude perceber que o governo daquele país está incentivando jovens do mundo inteiro a instalarem suas start-ups de internet num complexo digital em Santiago, com uma série de subsídios governamentais (isenções fiscais, mão de obra farta e qualificada, conexões de internet de altíssima velocidade, servidores etc.). Volto a dizer que isso pode se configurar numa alternativa deveras interessante, dado o gosto e a tolerância dos jovens em empreender e assumir riscos…

E A CLASSE A VAI AO PARAÍSO…

Sem dúvida alguma, o segmento “queridinho” dos estrategistas de negócios e dos profissionais de marketing é a over-presente classe C. Tanta atenção tem sido dedicada a esses consumidores nos últimos anos, que acaba-se por não se discutir com maior profundidade as transformações que estão ocorrendo nos demais segmentos de renda da nossa sociedade. E, se pensarmos bem, as coisas também mudam no andar de cima da piramide…

A classe A brasileira – os nossos “ricos” – abrange o conjunto de famílias que possuem rendimentos mensais acima de 20 salários mínimos – algo a partir de 10,2 mil reais. Segundo pesquisa realizada pela MB Associados, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, desde 1998 que o número de famílias deste tipo ultrapassou o patamar de 1 milhão e, a despeito da crise economica que afetou em cheio os rendimentos dos segmentos mais favorecidos economicamente, este número continua crescendo. Desde 2003, o número de unidades familiares da classe A aumentou cerca de 48%, isto é, 303.553 famílias brasileiras atingiram o topo da cadeia alimentar. Isso dentro de um escopo onde 1,146 milhão de famílias ascenderam para a classe B (com renda entre 10 a 20 salários mínimos), e 7,72 milhões subiram para a classe C (rendimentos entre 3 a 10 salários mínimos).

No entanto, o percentual de famílias de classe A no Brasil ainda mantém a sua distribuição de anos anteriores, isto é, estas abrangem apenas cerca de 1,9% das unidades familiares em nosso país. Isso se justifica pelo fato de que, como decorrencia direta da crise, cerca de 10 mil famílias desceram para o patamar de renda da classe B. Vale lembrar que a classe A é um agregado de consumo heterogeneo e diversificado, abrangendo diferentes perfis de consumidores tais como profissionais liberais, consumidores emergentes (conhecidos como “novos ricos”) e consumidores tradicionais de artigos de altíssimo luxo. Evidentemente que, com os efeitos minorados da crise, a classe A recuperou sua renda durante o ano de 2009, só que em menor proporção do que o observado na classe C.

A prova da força das famílias da classe A é a pujança do consumo de bens de luxo. A KitchenAid, marca de eletrodomésticos de luxo que está no Brasil desde 2008, possui uma expectativa de crescimento das vendas em torno de 70% para 2010. A joalheria H. Stern também obteve uma expansão de 15% de suas vendas em 2009. Shoppings centers voltados para esse segmento de consumo sofisticado também estão sendo lançados, como o Village Mall, no Rio de Janeiro, localizado na Barra da Tijuca, e ao lado do Barra Shopping. E o mercado de carros esportivos de luxo também está bastante aquecido. Por exemplo, em 2003, a Porsche vendeu 76 automóveis no país, passando para 753 unidades comercializadas em 2008 (um salto nas vendas 10 vezes maior). Com a crise em 2009, as vendas caíram cerca de 26,5%, mas em 2010 a expectativa é que a empresa comercialize cerca de 620 automóveis da marca.

A título de informação, a distribuição das famílias brasileiras por renda está da seguinte forma: 1,9% na classe A, 5,5% na classe B e 32,6% na classe C.

A CLASSE C CONTINUA IRRESISTÍVEL

No Brasil, há um ditado popular que afirma que duas coisas são impossíveis de serem detidas: fogo morro acima e água morro abaixo. Parece que, agora, temos um terceiro elemento a ser adicionado a esta expressão: a classe C. Pelo menos, é o que mostram as pesquisas recentes que indicam a inexorável dinâmica de ascensão deste segmento de consumo em nosso país, e que abrange praticamente quase a metade da população brasileira.

Por classe C, entenda-se aqui famílias que ganham entre R$ 1.115 e R$ 4.807 mensais, e que atualmente representam cerca de 91 milhões de brasileiros (mais especificamente, 49,22% da nossa população). Tal movimento de melhoria das condições de vida deste robusto e vibrante extrato populacional salta aos nossos olhos quando tomamos por base de compração dados de séries histórias anteriores. Esse é o objetivo do estudo recém-publicado pelo Centro de Pesquisas Sociais (CPS) da FGV, coordenado por Marcelo Neri, e que utilizou a base de dados da PNAD do IBGE.

Esse estudo, que serviu de base para uma matéria publicada na edição de domingo passado no jornal O Globo, mostra que em 2003 a classe C representava aproximadamente 37,56% do total de brasileiros – cerca de 64,1 milhões de habitantes -, estando circunscrita a 37% da renda nacional. Os dados de 2008, discutidos no paragrafo anterior, são categóricos: hoje, a classe C é composta por 49,22% da nossa população total, abocanhando 46% da renda total de nosso país. Daí, não causar espanto o fato de que esse segmento é o grande motor de nossa economia, sustentando inclusive a estabilidade econômica diante da crise financera global do segundo semestre de 2008.

Em termos de comparação, as classes A e B (renda familiar acima de R$ 4.807) abrangem 10,42% da nossa população (19,4 milhões de brasileros), sendo responsáveis por 44% da renda nacional. Já a classe D (renda familiar entre R$ 768 e R$ 1.115) representa 24,35% de nossa população (43 milhões de brasileiros), e representando 8% da renda nacional. Por fim a classe E (renda familiar de até 768), cada vez mais diminuta, responde por 16,02% da população nacional, e 2% da renda nacional total.

Para finalizar esse post, e também para inicitar os meus queridos leitores à reflexão, alguns dados de consumo da classe C: 67,89% possuem carteira assinada, 57,13% são funcionários públicos (municipais, estaduais ou federais), 37,8% contribuem regularmente para o INSS, 58,87% possuem computador em casa, 57,04% tem filhos em escolas particulares, 46,25% frequentam curso superior, 55,83% possuem rede de esgoto, 53,28% contam com coleta de lixo regular, 49,97% possuem televisão, 50,99% tem rádio, 51,69% tem geladeira, 56,25% possuem freezer, 59,9% tem máquina de lavar, 62,64% contam com dois banheiros em casa, 44,84% com três banheiros e 58,47% possuem casa própria financiada.

Interessante, não acham?!

AFINAL, O HAITI É AQUI? WTF?


Vivemos um momento particularmente delicado na cidade do Rio de Janeiro onde, em função desta ser a futura sede da Copa do Mundo de 2012 e das Olimpíadas de 2014, há a necessidade premente de maciços investimentos na recuperação e incremento da infra-estrutura urbana, com especial destaque para o transporte urbano de massa – algo pífio e ineficente em uma urbe das dimensões da Cidade Maravilhosa. O tempo urge, afinal dois anos passam “voando”, e é natural que os nossos gestores públicos estejam em polvorosa com o tamanho da tarefa que eles terão de enfrentar. É, meus camaradas, parece que a ficha finalmente caiu…

Há algum tempo que a bandeira – “de direita”, diga-se de passagem – da ordenação da ocupação do espaço público foi absorvida por membros da esquerda, ou então de partidos ditos de esquerda que atualmente ocupam nichos de poder nos governos federal, estadual e municipal. Esse é o caso específico do Rio de Janeiro, onde instalou-se uma combinação perversa e explosiva envolvendo a atividade do narcotráficotráfico, a privatização do poder territorial nas áreas mais carentes por parte de traficantes e de milicianos, além da desorganização do espaço público (favelização e “camelotização” das principais vias urbanas). Tudo isso, é forçoso dizer, com a conivência e a leniência dos atores públicos, que vêem nisso uma tremenda oportunidade para estabelecer “parcerias” que possam expandir os seus “currais eleitorais”. Ou seja, a velha e rançosa questão da exploração da pobreza e do risco social como forma de cabalar votos…

A sanha dessa “urgência urgentíssima” de disciplinação do espaço urbano é representada pela política do “choque de ordem”, a menina dos olhos da recém empossada administração municipal. Nosso atual alcaide, numa política típica de empurrar a sujeira para debaixo da tapete, vem empreendendo uma série de operações pirotécnicas visando coibir diversos comportamentos que infringem o código municipal de posturas. Tais sanções vão desde as infames Operações Lei Seca e diversas blitzes espalhadas pela cidade que visam apreender veículos com o IPVA atrasado (enquanto isso, as nossas ruas estão todas esburacadas, danificando nossas molas, pneus, amortecedores e diferenciais), passando pela proibição dos camelôs que vendem produtos piratas, até a suspensão da comercialização da famosa água de coco in natura (que, dada a grita da população contra tal insanidade, fez com que o alcaide recuasse de tal vil medida). Definitivamente, vivemos tempos à la Simão Bacamarte na Cidade Maravilhosa. Tempos, eu diria, muito difíceis, obscuros, complicados…

Vale lembrar que – tal como o seu grande iniciador na política, ex-prefeito César Maia – o atual prefeito é chegado um factóide daqueles, definido como a assunção de uma medida absolutamente absurda e desmesurada, cujo efeito é desviar a atenção da opinião púbica das verdadeiras questões que assolam a cidade. E estas, que são inúmeras, nem de longe são tocadas pelo atual ocupante do Palácio da Cidade. Uma lista simplória só para constar: transporte público de massa de qualidade, táxi barato para quem quer sair para beber e não dirigir (especialmente em bairros desprovidos de transporte público, como a Barra da Tijuca e Jacarepaguá), ruas asfaltadas e desprovidas de crateras lunares indecentes, estacionamento suficiente para os veículos, iluminação eficaz das vias públicas, atendimento de saúde primária eficiente (a tal das UPAs é outro tremendo factóide), controle do trânsito e uma Guarda Municipal efetivamente ordenadora, e não apenas voltada para a sua vil tarefa de tungar o bolso do pobre do contribuinte com multas, multas e mais multas. Só isso tudo…

Como se isso tudo não bastasse, uma matéria publicada no jornal O Globo de hoje me deu verdadeiros arrepios. O atual Secretário de Ordem Pública, um dos “faxinas” do atual Prefeito e “cabeça” da sanha de multas e de proibições mil na Cidade, anunciou a importação de uma série de equipamentos móveis a fim de otimizar a tarefa de fiscalização das posturas dos munícipes. São torres de vigilância que sobem até 4 metros de altura, munidas de câmeras de vigilância com visão noturna, capazes de filmar até 2 km de distância. Parece que o Big Brother Brasil vai começar antes aqui no Rio…

Antes disso, a Guarda Municipal recebeu do Governo Federal um lote de 20 armas não letais, daquelas que vemos em filmes americanos onde policiais “bonzinhos” imobilizam os meliantes com “leves” descargas elétricas. Como se tudo isso não bastasse, a Prefeitura também está importando três aviões não-tripulados (iguaizinhos aos utilizados pelos americanos e israelenses em suas operações de “Guerra contra o Terror”) de fabricação israelense, que poderão fiscalizar desde manifestações e grandes aglomerações, grandes tumultos, monitorar o aumento da favelização e até mesmo dar suporte às operações das forças policiais.

Sei não, mas daqui há pouco se um aviãozinho desses passar pela minha cabeça, estarei me sentindo em plena Faixa de Gaza, ou nas montanhas de Tora Bora, ou então em Mogadíscio ou no Iêmen. A conclusão que chegamos, há muito tempo aliás, é que a verdadeira “Faixa de Gaza” está bem aqui, e não lá no Oriente Médio!

Desculpem, mas depois desse “papo brabo baixo astral” só me resta tomar algumas cervejas assistindo no DVD o filme Black Hawk Dawn (“Falcão Negro em Perigo”). Afinal, não é proibido beber em casa… ainda, porque qualquer dia desses um “mulá” maluco desses travestido de executor de políticas públicas pode aparecer na cena política enchendo o meu saco na porta da minha casa!

>O DESEMPREGO RECORDE NOS EUA

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De todos os países que sofreram os efeitos da crise financeira global, iniciada no final de 2008, certamente os mais dramáticos foram observados nos EUA. O colapso dos bancos americanos e europeus, a queda-livre das bolsas de valores no mundo inteiro, a quebra de ícones que outrora eram o símbolo da economia americana (vide a recém-“estatizada” GM), o desespero dos especuladores financeiros e a melancolia dos analistas econômicos, tudo isto já é mais do que sabido e conhecido. No entanto, a faceta mais destruidora e desagregadora do tecido de qualquer sociedade é, sem sombra de dúvida, o desemprego. E é nesse ponto que reside o atual drama dos nossos vizinhos do Norte…

Atualmente, são cerca de 14,7 milhões de desempregados nos Estados Unidos. A taxa de desemprego da economia do país é de 9,2% da População Economicamente Ativa, e economistas, pesquisadores e analistas apostam que o índice ultrapassará a casa dos dois dígitos antes do final desse ano. É inevitável que o fantasma da recessão dos anos 1930, muito presente no imaginário das pessoas, assombre o horizonte dos indivíduos e das famílias do país. E, o pior, a curto e médio prazo a tendência é piorar ainda mais..
Vale lembrar que, em 2007, os EUA apresentavam a menor taxa de desemprego do mundo desenvolvido. Agora, apenas Espanha, Irlanda, Hungria e Eslováquia superam o desemprego americano…
O mais dramático desse quadro é que, dada o tamanho da crise, as fragilidades do sistema de proteção social norte-americano acabam sendo expostas. Por exemplo, hoje cerca de 6,2 milhões de pessoas dependem de vales-alimentação distribuídos pelo governo – ou seja, 1 em cada 9 americanos dependem dos tíquetes do governo para poderem comer.
Por outro lado, o benefício do seguro-desemprego – um dos poucos oferecidos pelo governo – cobre apenas um terço do salário que o funcionaário ganhava anteriormente. Como se não bastasse, para desfrutar de tal benefício, o empregado deve provar que trabalhou durante dois anos em regime integral de trabalho – isso em um país incensado pela generalização das formas de emprego flexíveis, independentes e autônomas, além de contratações precárias e jornadas de meio-período. Resultados, muita gente desempregada, sem ter o que comer, dormindo (literalmente) na rua da amargura…
Além do caos econômico, o desemprego elevado se explica pela facilidade com que as empresas americanas têm para demitir os seus funcionários. É um processo rápido, sem grandes custos para o empregador, e sem grandes justificativas para tal. O resultado é que os empregados americanos atingiram a menor taxa, nos últimos tempos, de horas trabalhadas por semana.
Isso sem falar nos jovens de 20 a 24 anos, onde o desemprego beira os 15%…
As decorrências deste fenômeno são brutais: glebas de desempregados, famílias inteiras com suas vidas viradas dos pés à cabeça, redução drástica dos padrões de consumo, desaquecimento e consequente retração da atividade produtiva. Tudo isso em um país onde, até pouco tempo atrás, a economia andava a “pé embaixo”!
Pior, muita gente não têm condições de pagar a hipoteca de suas casas, resultando em famílias sem-teto ou morando em favelas nos grandes centros urbanos – quando não as pessoas fazem dos seus carros as suas próprias casas!!! Em estados como a California, por exemplo, a situação chega às raias do desesperador – o número de famílias norte-americanas sem-teto cresceu cerca de 9% em 2008 -, gerando cenas muito comuns para nós brasileiros: pedintes nas ruas, pessoas morando em tendas de lona ou casas feitas com embalagens de papel, quando não dormindo ao relento ou então em abrigos públicos e de instituições de caridade.
Realmente, está feia a coisa para o pessoal lá de cima!!!

O DESEMPREGO RECORDE NOS EUA

De todos os países que sofreram os efeitos da crise financeira global, iniciada no final de 2008, certamente os mais dramáticos foram observados nos EUA. O colapso dos bancos americanos e europeus, a queda-livre das bolsas de valores no mundo inteiro, a quebra de ícones que outrora eram o símbolo da economia americana (vide a recém-“estatizada” GM), o desespero dos especuladores financeiros e a melancolia dos analistas econômicos, tudo isto já é mais do que sabido e conhecido. No entanto, a faceta mais destruidora e desagregadora do tecido de qualquer sociedade é, sem sombra de dúvida, o desemprego. E é nesse ponto que reside o atual drama dos nossos vizinhos do Norte…

Atualmente, são cerca de 14,7 milhões de desempregados nos Estados Unidos. A taxa de desemprego da economia do país é de 9,2% da População Economicamente Ativa, e economistas, pesquisadores e analistas apostam que o índice ultrapassará a casa dos dois dígitos antes do final desse ano. É inevitável que o fantasma da recessão dos anos 1930, muito presente no imaginário das pessoas, assombre o horizonte dos indivíduos e das famílias do país. E, o pior, a curto e médio prazo a tendência é piorar ainda mais..
Vale lembrar que, em 2007, os EUA apresentavam a menor taxa de desemprego do mundo desenvolvido. Agora, apenas Espanha, Irlanda, Hungria e Eslováquia superam o desemprego americano…
O mais dramático desse quadro é que, dada o tamanho da crise, as fragilidades do sistema de proteção social norte-americano acabam sendo expostas. Por exemplo, hoje cerca de 6,2 milhões de pessoas dependem de vales-alimentação distribuídos pelo governo – ou seja, 1 em cada 9 americanos dependem dos tíquetes do governo para poderem comer.
Por outro lado, o benefício do seguro-desemprego – um dos poucos oferecidos pelo governo – cobre apenas um terço do salário que o funcionaário ganhava anteriormente. Como se não bastasse, para desfrutar de tal benefício, o empregado deve provar que trabalhou durante dois anos em regime integral de trabalho – isso em um país incensado pela generalização das formas de emprego flexíveis, independentes e autônomas, além de contratações precárias e jornadas de meio-período. Resultados, muita gente desempregada, sem ter o que comer, dormindo (literalmente) na rua da amargura…
Além do caos econômico, o desemprego elevado se explica pela facilidade com que as empresas americanas têm para demitir os seus funcionários. É um processo rápido, sem grandes custos para o empregador, e sem grandes justificativas para tal. O resultado é que os empregados americanos atingiram a menor taxa, nos últimos tempos, de horas trabalhadas por semana.
Isso sem falar nos jovens de 20 a 24 anos, onde o desemprego beira os 15%…
As decorrências deste fenômeno são brutais: glebas de desempregados, famílias inteiras com suas vidas viradas dos pés à cabeça, redução drástica dos padrões de consumo, desaquecimento e consequente retração da atividade produtiva. Tudo isso em um país onde, até pouco tempo atrás, a economia andava a “pé embaixo”!
Pior, muita gente não têm condições de pagar a hipoteca de suas casas, resultando em famílias sem-teto ou morando em favelas nos grandes centros urbanos – quando não as pessoas fazem dos seus carros as suas próprias casas!!! Em estados como a California, por exemplo, a situação chega às raias do desesperador – o número de famílias norte-americanas sem-teto cresceu cerca de 9% em 2008 -, gerando cenas muito comuns para nós brasileiros: pedintes nas ruas, pessoas morando em tendas de lona ou casas feitas com embalagens de papel, quando não dormindo ao relento ou então em abrigos públicos e de instituições de caridade.
Realmente, está feia a coisa para o pessoal lá de cima!!!

>CIDADE PARTIDA (2)

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Eu sei que o assunto está um pouco velho, pois a eleição para Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro já está sacramentada. A vitória foi do candidato do Governador Sérgio Cabral, o também pemedebista Eduardo Paes (ex-Cesar Maia boys), no photochart (uma diferença de apenas 55 mil votos, ou 1,6 % dos votos), contra o Deputado Federal Fernando Gabeira (PV) – que foi apoiado pelo atual prefeito César Maia. Não faço aqui o papel de viúva do Gabeira, nem estou chorando sobre o leite derramado, mas apenas chamo a atenção para a fratura existente na Cidade Maravilhosa – explorando, para isso, a “feliz” metáfora da Cidade Partida, que dá título a um livro do jornalista Zuenir Ventura

Em termos de marketing político, o posicionamento dos contenedores foi bastante claro: enquanto Gabeira focou o seu discurso na classe média da Zona Sul prometendo um “novo jeito” de se fazer política (sem politicagem, roubalheiras ou acordos com vereadores corruptos, milicianos e traficantes de drogas), a fala de Paes calou fundo nos segmentos menos favorecidos economicamente da cidade – especialmente nas zonas norte e oeste -, pegando carona na onda das políticas sociais do Governo Lula. Apesar desse Escriba detestar qualquer tipo de maniqueísmo, o fato é que a equipe de Paes soube explorar bem esta cisão entre os dois candidatos – ajudado, é claro, pelo “empurãozinho” que o candidato verde deu ao acusar uma vereadora aliada e campeã de votos da zona oeste de ter uma visão “estreita e suburbana” de fazer política! Só podia dar no que deu: Paes “limpou a cara” com o Gabeira, espalhando pela cidade inteira declarações de amor pelo subúrbio e difamando sem dó nem piedade o candidato “moderninho”…
Um parênteses aqui: mais do que nunca, em política não basta ser sério, é preciso parecer sério! Daí, o caráter midiático e venal das declarações do pemedebista com relação aos eleitores mais pobres, utilizando-os como “massa de manobra” ao explorar os brios e orgulhos feridos dos mesmos diante de tal “ingênuo ataque”…
Enfim, aos fatos. Mais do que nunca, a cidade esteve dividida, fragmentada e clivada entre duas propostas políticas – a tradicional, baseada no clientelismo e no troca-troca de favores entre os políticos e lideranças comunitárias (e que nós conhecemos os resultados espúrios), e a “novidade”, calcada na busca do consenso entre os diferentes atores políticos que compõem o mosaico multifacetado de nossa cidade (que não foi dessa vez que ela conseguiu se instalar). Daí, pode-se verificar a divisão: Eduardo Paes ganhou nas Zonas Oeste (com 60,74% dos votos) e Norte (54,32%), além de vencer apertado em Jacarepaguá (51,50% contra 48,50% de Gabeira).
Fernando Gabeira, como não poderia deixar de ser, ganhou de “lavada” na Zona Sul (com 70,42% dos votos), na Barra da Tijuca (com 67,94% – uma das maiores surpresas desta eleição, posto ser o “curral eleitoral” de Paes) e na Grande Tijuca (63,88%), além de ganhar também “apertado” no Centro da cidade (51,54% contra 48,46%). Enfim, essas eleições traçaram uma “linha imaginária” dividindo a Cidade Maravilhosa entre a elite rica e de classe média e os bairros mais pobres e afastados do centro decisório da metrópole, situado à beira-mar. Enfim, um prato cheio para teses, artigos e muitos textos para marqueteiros, cientistas políticos, jornalistas, sociólogos e blogueiros de plantão (por que não?)…
Aprofundando a análise nas zonas eleitorais, os maiores contigentes de votos obtidos por Eduardo Paes foram os seguintes:
ZONA NORTE:
1) 65,38% na 219ZE (Rocha Miranda/Honório Gurgel/Colégio/Coelho Neto);
2) 63,68% na 167ZE (Pavuna/Anchieta/Costa Barros/Barros Filho/Guadalupe);
3) 62,41% na 175 ZE (Acari/Pavuna/Irajá);
4) 62,09% na 219 ZE (Rocha Miranda/Honório Gurgel/Colégio/Coelho Neto); e,
5) 61,56% na 123ZE (Mariópolis/Vila Militar/P.Anchieta/Ricardo de Albuquerque).
ZONA OESTE:
1) 69,39% na 246ZE (Santa Cruz/Inhoaíba/Vila Cosmos/Paciência/Campo Grande);
2) 66,06% na 241ZE (Inhoaíba/Vila Cosmos/Paciência/Vila Santa Luzia/Vila Guaratiba);
3) 64,89% na 230ZE (Morro da Formiga/Vila Kennedy/Bangu);
4) 63,86% na 242ZE (Campo Grande/Inhoaíba); e,
5) 63,44% na 122ZE (Mendanha/Santíssimo/Campo Grande/Augusto Vasconcelos).
ZONA SUL:
1) 42,25% na na 211ZE (São Conrado/Vidigal/Rocinha/Gávea);
2) 40,22% na 164ZE (Cosme Velho/Santa Teresa/Catumbi/Bairro de Fátima);
3) 34,67% na 163ZE (Flamengo);
4) 29,85% na 206ZE (Copacabana/Bairro Peixoto), e,
5) 29,58% na 252 ZE (Copacabana/Ipanema/Lagoa).
GRANDE TIJUCA:
1) 48,32% na 229ZE (Rio Comprido/Catumbi/Estácio/Morro do Turano/Mirante);
2) 40,16% na 171ZE (Muda/Usina/Alto da Boa Vista); e,
3) 38,75% na na 19ZE (Vila Isabel).
JACAREPAGUÁ E BARRA DA TIJUCA:
1) 55,78% na 182 ZE (Taquara/Curicica);
2) 54,08% na 180ZE (Tanque/Taquara);
3) 50,84 na 185ZE (Praça Seca/Campinho);
4) 49,2% na 179ZE (Cidade de Deus/Pechincha/Anil/Gardênia Azul/Jardim Clarisse); e,
5) 47,59% na13ZE (Freguesia).
Agora, os votos do candidato verde Fernando Gabeira:
ZONA NORTE:
1) 59,31% na 214ZE (Lins/Engenho Novo);
2) 58,33% na 20ZE (Engenho de Dentro/Encantado/Méier/Todos os Santos);
3) 57,96% na 215ZE (Del Castilho/Méier/Maria da Graça/Todos os Santos);
4) 57,10% na 216ZE (Méier/Todos os Santos/Inhaúma/Del Castilho/Engenho de Dentro); e,
5) 55,65% na 192ZE (Ilha do Governador).
ZONA OESTE:
1) 53,07% na 15ZE (Bento Ribeiro/Marechal Hermes/Vila Militar/Deodoro);
2) 50,89% na 210ZE (Vila Valqueire/Campo dos Afonsos/Sulacap/Bento Ribeiro/Osvaldo Cruz);
3) 44,63% na 124ZE (Bangu);
4) 43,11% na 236ZE (Senador Camará/Bangu); e,
5) 40,15% na 231ZE (Morro São Bento/C. Cardeal D. Jayme/Padre Miguel).
ZONA SUL:
1) 75,82% na 16ZE (Cosme Velho/Laranjeiras);
2) 75,02% na 165ZE (Ipanema/Lagoa);
3) 74,56% na 3ZE (Glória/Lapa/Catete);
4) 74,4% na 17ZE (Leblon/Lagoa); e,
5) 73,88% na 4ZE (Botafogo/Humaitá).
GRANDE TIJUCA:
1) 70,26% na 7ZE (Muda/São Francisco Xavier/Tijuca);
2) 68,71% na 228ZE (Praça da Bandeira/Maracanã);
3) 68,2% na 173ZE (Grajaú);
4) 65,76% na 6ZE (Afonso Pena/Praça da Bandeira/Maracanã); e,
5) 65,37% na 170ZE (Andaraí/Aldeia Campista/Alto da Boa Vista/Tijuca).
JACAREPAGUÁ E BARRA DA TIJUCA:
1) 70,42% na 119ZE (Barra da Tijuca/Joá/Itanhangá);
2) 65,46% na 9ZE (Barra da Tijuca/Camorim/Grumari/Vargem Grande/Vargem Pequena);
3) 52,41% na 13ZE (Freguesia);
4) 50,8% na 179Ze (Cidade de Deus/Pechincha/Anil/gardênia Azul/Jardim Clarisse); e,
5) 49,16% na 185ZE (Praça Seca/Campinho).
Qualquer que seja o resultado, o Prefeito Eduardo Paes terá de governar para toda a cidade – aliás, isto é algo constante em todas as suas falas após o pleito. Vamos aguardar e observar os desdobramentos desses próximos 4 anos…