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Archive for the ‘Celtas’ Category

BELTAINE – O INÍCIO DO VERÃO

Enquanto estão todos aqui no Brasil se divertindo e fantasiados de “vampiro” ou “bruxinha” a fim de comemorar o Halloween – “festinha” hoje comercial e  divertida, que recorda as origens pagãs de outro grande festival celta chamado Samhain -, é preciso tecer algumas considerações. Não quero aqui estragar a balada de ninguém mas, a bem da verdade, nós do Hemisfério Sul estamos inseridos em outro ciclo astronômico diferentemente dos povos que habitam o Hemisfério Norte. Estamos na Roda Sul, portanto celebremos os festivais de acordo com o ciclo no qual estamos inseridos

Precisamente nesse momento, os países do Hemisfério Norte estão entrando em sua estação fria do ano – daí o fato de comemorarem o Samhain. Por outro lado, nós, do Hemisfério Sul, estamos vivendo precisamente a chegada da estação quente. Daí, comemorarmos na virada do dia de hoje para amanhã o festival de Beltaine, posto que o verão já se insinua por essas bandas aqui do planeta…

Comemorado no Hemisfério Norte em maio, e no Hemisfério Sul em novembro, o Beltaine é um dos grandes festivais celtas – junto com o Samahain (1 de maio), o Imbolc (1 de agosto) e o Lughnasadh (1 de fevereiro). Vale lembrar que a Roda do Ano, representação do calendário celta a partir do calendário de Coligny, é baseado nos ciclos lunares e solares do ano.

Do ponto de vista astronômico, o Beltaine marca o ponto intermédio da passagem do sol pelo firmamento, estando localizado entre o Equinócio de Primavera e o Solstício de Verão. Entre os povos celtas, o Beltaine era marcado com o acendimento de várias fogueiras rituais em locais sagrados na Irlanda, na Escócia, na Cornualha, na Gália e no País de Gales. Na antiga religião pagã celta, o fogo era visto como elemento purificador e renovador, daí o hábito antigo dos camponeses passarem o gado por entre duas fogueiras a fim de protegê-lo durante a estação quente. Também era um festival onde se comemorava a fertilidade, daí a sexualidade estar muito aflorada nestes dias. Assim como no Samhain, no Beltaine os portais para o Outro Mundo estão mais próximos, sendo facilitada a comunicação dos homens com os Povos Antigo e Nobre. 

O festival de Beltaine é dedicado ao deus celta do Sol, Belenus – também chamado de “O Brilhante”. E é justamente a ele que peço, junto com o meu clã, que derrame suas bençãos sobre nós, a fim de nos guiar, proteger e indicar caminhos venturosos e prósperos durante essa metade solar e quente do ano que se inicia.

A fim de comemorar essa importante época do ano, abaixo transcrevo uma canção escrita pelo poeta-xamã Fionn mac Cuill, filho de Dagda e guerreiro Tuatha Dé Danann, que a compôs após comer um pedaço do Salmão da Sabedoria.

“Bela e perfeita estação;
Os melros cantam
Onde brilha o sol.

O valoroso cuco entoa
As boas-vindas ao nobre verão;
Findas estão as amaras tempestades
Que despem as árvores do bosque.

O verão deságua nos riachos;
Os lestos cavalos buscam por água;
A urze cresce frondosa:
E florescem as belas folhagens.

Em brotos o estrepeiro;
Suave flui o oceano – adormecido pelo verão;
E os botões de flores cobrem o mundo.

As abelhas, a despeito de seu tamanho,
Colhem nas flores –
Levando mel abundante em seus pés;
Enquanto o gado passa nas encostas.

Ouve-se a música dos bosques,
Uma melodia de perfeita paz;
A poeira é retirada da casa,
E a névoa das margens do lago.

As aves pousam aos montes sobre a terra
Onde uma mulher caminha, cantando;
Em cada campo, o som
Murmurante da água a correr.

A valentia dos cavaleiros,
Hostes se reúnem por toda a parte;
E as íris nas margens do lago
São iluminadas pelo sol.

O verdadeiro homem canta
Alegremente durante o dia brilhante,
Canta alto!
Ah, Bela Estação!” 
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Categorias:Celtas, Eventos, Religião

SESSÃO DE CINEMA – "O SEGREDO DE KELLS"

setembro 5, 2010 2 comentários

Vivemos em um mundo hiperealista, onde a crueza, a violência e o caos do cotidiano deixam pouco espaço para o lírico, o poético e o onírico. É nesse mundo onde o peso do real é deveras espesso e opressor, que nós esquecemos a existência humana não é feita apenas de dor, de sangue e de sofrimento. E, não raro, é na passagem para a vida adulta que tais sentimentos negativos emergem com força irresistível, deixando apenas pálidas e vagas as lembranças do tempo em que olhávamos ao nosso redor com mais magia, tolerância, poesia e mistério…


É por isso que os contos de fada, as fábulas e as histórias mitológicas evocam o que há de mais arcaico, ancestral, infantil e inconsciente dentro de nós. Quem nunca se pegou imaginando ter um martelo mágico como o de Tor, os poderes mágicos de um Cu Cucchulainn, a tenacidade dos Cavaleiros da Távola Redonda, a honra e a pureza de um Parsifal, o tirocínio de Merlin ou os poderes xamânicos de Odin?

Acrescente-se a isso as intrincadas narrativas de J.R.R. Tolkien, as Crônicas de Nárnia ou do Príncipe da Pérsia. Tudo isso sem falar nas histórias em quadrinhos, que hoje ocupam o lugar dos contos de fada e das narrativas orais das fábulas e dos mitos em tempos passados.

Foram todas essas impressões que a animação “O Segredo de Kells” (The Secret of Kells, 2009) conseguiu evocar em mim. Confesso que não sou muito fã de animações, mas o tema do filme – uma mescla de história irlandesa medieval e mitologia celta – despertou a minha atenção. E tive, durante a sua audiência, uma agradabilíssima e emocionante experiência…

Criada pelo diretor de animação irlandês Tomm Moore, “O Segredo de Kells” concorreu ao Oscar de Animação de 2010, sendo considerado um verdadeiro azarão! – haja visto a tecnologia de animação em 2D utilizada na película, um tanto ultrapassada dado os Shreks, Madagascares e Procurando Nemos da vida… 


Em verdade, isso é o que menos importa quando somos convidados a mergulhar na história do menino-noviço Brendan durante os primórdios do cristianismo irlandês, onde as práticas druídicas e o paganismo celta conviviam com as invasões nórdicas dos Vikings – alíás, tema corrente nas histórias da Irlanda, vide o famoso “The Book Of Invasions”

O roteiro entrelaça o sentimento de isolamento e estranhamento em um mundo de rápidas transformações, onde as crenças pagãs ancestrais (representadas pela floresta misteriosa que cerca o povoado) são infrutiferamente recalcadas para longe dos olhares dos habitantes do monastério, que vivem o sobressalto de ter o seu povoado destruído pelas hordas de invasores do Norte que, durante os séculos IV-V d.C., fustigavam as terras irlandesas. Impossível não ser tomado pelo senso de precariedade e instabilidade dos homens daquela época,e que apenas reforçavam o culto aos ancestrais e as divindades celtas.


Curiosamente, são justamente os temidos seres da floresta – bem entendido, os representantes da tradição antiga – que “salvam” os habitantes da pequena localidade. Além disso, a floresta é o local onde se localizam os dos frutos que dão origem a tinta mágica que permite aos artistas cristãos criarem ricas e exuberantes ilustrações que adornam o livro sagrado – o “Book of Kells”, inspiração da película, é composto por 4 evangelhos e foi escrito por monges latinos por volta do século IX d.C., sendo considerado uma das maiores relíquias da Irlanda -, permitindo que todos esses acontecimentos – fantasiosos ou não – chegassem até o nosso conhecimento nos dias de hoje.

Além das personagem receberem nome oriundos das tradições celtas – como, por exemplo, Brendan e Aidan -, outras fazem referência às tradições históricas, mitológicas e literárias do país do trevo: por exemplo, a fada Aisling (que pode ser tanto o vocábulo irlandês para “visão” ou “sonho”, como também um ser feérico segundo os Tuatha De Danann); o gato Pangun Bán (que é título de um poema irlandês do século VIII d.C.); o ancestral deus pré-cristão Crom Cruach (cujo culto, antiquíssimo, reputa-se o uso de sacrifícios humanos, e que foi extinto por São Patrício), divindade essa que era uma dos mais populares da Irlanda celta até a chegada do cristianismo.

“O Segredo de Kells” é um filme belíssimo, cheio de lirismo, poesia e metáforas que os estudiosos e conhecedores da mitologia celta irão perceber logo de cara. Apesar de ser filmado em 2D, as imagens são exuberantes e coloridíssimas, tendo destaque as belas reproduções das iluminuras medievais irlandesas – base para a arte cristã célta e hibérnica-saxônica -, além dos triskelions que são exibidos à exaustão – tanto literais quanto sugeridos – e a exuberância da floresta que embala o passeio de Brendan e Aisling na busca do material para a tinta verde mágica. 


Por ser uma explosão de cores que inebria a alma e aquece o coração, a película nos lembra que ainda é possível vivenciarmos experiências estéticas que nos levem ao estado de êxtase e de felicidade!

A trilha sonora, assinada pelo compositor francês Bruno Coulais, mescla a modernidade dos ritmos eletrônicos com a tradição dos cânticos religiosos cristãos e a beleza da música celta. Além disso, a banda folk irlandesa Kila contribui com duas canções (Epicy e Cardinal Knowledge). A minha canção favorita é a de Aisling, talvez uma das músicas que talvez mais se aproxima do que é um encontro com um ser feérico guardião da floresta que é a simpática e misteriosa fada-lobo.

Uma última observação. Caso os meus queridos leitores tenham a experiência de assistir a animação, não deixem de vem a cena entre a fada Aisling e o gato Pangun Bán! É uma das coisas mais lindas que assisti em toda a minha vida, dado o lirismo e a magia que giram em torno de um ser que convive entre os dois mundos – o real e o feérico. 


“O Segredo de Kells” é tão estrondosamente belo, que torna-se impossível não se comover com a trama. Comover-se, bem entendido, não de tristeza, mas sim de felicidade por se estar diante de uma obra de arte singular e bastante delicada.

Dizem que os deuses habitam nos detalhes. E, tal como uma iluminura medieval, “O Segredo de Kells” resgata o sentimento de que, em comunhão com a natureza e o sagrado, o homem não apenas pode reviver a sua essência mágica como pode experimentar o ápice que um projeto existencial pode ter: o de tornar a própria vida uma verdadeira obra de arte…

OLHA ONDE FOI PARAR O ASTERIX…

Os franceses – além da maravilhosa comida, os excelentes vinhos e das belezas culturais e históricas – são conhecidos por suas características um tanto o quanto peculiares, diria eu. São elas: o pedantismo irritante (posto que a França, no entender deles, é o centro da cultura ocidental), o proverbial mal humor e o nacionalismo exacerbado, somado a um sentimento anti-americano bastante pronunciado – noves fora Sarkhozy e seu recente alinhamento ianque…

Cientes de suas raízes históricas e antepassados ilustres, os franceses chegam a ser intransigentes na defesa de suas personagens que integram o imaginário que circunda a criação da pátria gaulesa. Dentre elas, encontra-se a reverência ao passado céltico, especialmente na figura de Vercingétorix – o líder gaulês da resistência contra os invasores romanos, derrotado por volta do século I a.C. na batalha de Alésia pelo poderoso cônsul romano (e depois ditador) Júlio Cesar.

Apesar de ter unificado a resistência gaulesa contra as legiões romanas, Vercingétorix não chegou a ser propriamente uma unanimidade entre os gauleses. Muitas tribos célticas da região se opuseram a sua liderança, tendo inclusive se juntado aos invasores latinos. A derrota do chefe tribal arveno se deu, em grande parte, pelas dificuldades de unificação das tribos gaulesas em um único comando, e que levaram ao dramático cerco que pôs fim à resistência céltica na Gália.

No entanto, como já dizia Eric Hobsbawn, a construção de um país envolve a criação de um imaginário nacional – símbolos capazes de galvanizar o imaginário popular em torno de um conjunto de idéias políticas. No caso da construção da identidade francesa moderna, esta envolve o apelo ao passado céltico que evoca o caráter de resistência feroz dos gauleses aos invasores estrangeiros. Como não poderia deixar de ser o caso, a figura de Vercingétorix foi reconfigurada para servir de base para o imaginário da pátria e do caráter franceses, como líder brilhante, general aguerrido e depositário fiel do caráter de seu povo.

A prova disso foi a transfiguração do chefe arveno na personagem de HQ mais famosa na terra de Balzac e Victor Hugo: o simpaticíssimo e divertidíssimo Astérix – sempre acompanhado do seu hilário e rotundo escudeiro Obélix. Quem não se lembra dessas personagens quando criança?

Pois bem, não é que a cadeia americana de lanchonetes fast-food McDonald`s (sempre ela!) resolveu mexer com a figura do Astérix? Dêem uma olhada no outdoor recente – que ilustra esse post – que a empresa lançou na França esse mês, iniciando a campanha intitulada “Venez comme vous êtes” (algo como “venha como você for”). A peça apresenta o simpático gaulês dando uma festa de arromba com sua galera num restaurante da rede, enquanto o seu adversário Chatotorix permanece amarrado numa árvore do lado de fora – literalmente “barrado no baile”…

Dá para imaginar o tamanho da fúria arvena dos franceses diante dessa peça!

Pelo menos uma coisa não há de se negar: a agência Euro RSCG conseguiu um tremendo “buzz” para essa campanha…

Isso é o que se chama escrever certo por linhas tortas…   

INVERNO…

Meus ossos são frios, meu sangue é ralo. Eu busco o que é meu. O busco o que ainda não foi semeado. Eu busco os animais para cavernas quentes e mando meus pássaros para o sul. Eu ponho meus ursos para dormir e mudo o pelo de meus gatos e cães para algo mais quente. Meus lobos me guiam, seu uivo anuncia minha chegada. Os cães, lobos e raposas cantam a canção da noite, a serenata da Anciã, a minha canção.


Eu disse sim à vida e agora digo sim à Morte. E serei a primeira a ir para o outro lado.


Eu trago o frio e a morte, sim, pois este é meu legado. Eu trouxe a colheita e se você não colheu suas maçãs eu as cobrirei de gelo. Após o Samhain, tudo o que fica nos campos me pertence”.
Inicia-se o reino de Cailleach Bear. Por ser a Rainha do Inverno, é tempo de reflexão, de introspecção, de resiliência frente a tempos difíceis, a escuridão, o frio e a escassez…
Salve a nossa Rainha!
Categorias:Celtas, Eventos, Pensamentos

SAMHAIN. HALLOWEEN. ANO NOVO CELTA

Esse próximo final de semana promete: será mágico, com certeza! Afinal, na virada de sábado (30 de abril) para domingo (1 de maio), com as bençãos da Lua Cheia, anuncia-se o tempo do Samhain – o Ano Novo Celta – segundo o calendário lunar do Hemisfério Sul. Do ponto de vista das estações do ano, de onde emanam todos os festivais celtas, o Samhain assinala o fim da estação quente e o início da época das temperaturas mais frias, cujo ápice se dá no inverno. Assinala também o ponto de virada do ano onde os dias começam a ficar mais curtos e as noites mais longas – onde o sol se põe mais cedo, e demora mais a surgir no firmamento.

O Samhain assinala um tempo de mudança, de contato com o Outro Mundo, de abertura dos portais. É tempo de travar contato com os nossos antepassados, de crescer com a sabedoria das árvores, da floresta e dos habitantes do mundo feérico. É também tempo das grandes batalhas, das justas, do acerto de contas e das grandes decisões diante de um nova etapa que se anuncia, de um novo ano que emerge das frestas da estação fria…

Segundo James McKillop, no Oxford Dictionary of Celtic MythologyA palavra Samhain significa o final da estação quente e o início do inverno. A origem do festival está ligada com a seleção e a alimentação dos animais domésticos, além da estocagem de provisões. Significa o “fim do verão” e coincide com a matança do gado antes do inverno. Eram realizados rituais em honra dos mortos, aos quais se pedia proteção para os rigorosos meses de inverno.

As diferentes celebrações do Samhain ao longo dos séculos explicam algumas das tradições que estão popularmente ligadas ao Halloween. Estando localizado na metade do ano celta, o Samain parece suspenso no tempo. Ao mesmo tempo, é uma época perigosa, onde as fronteiras entre o mundo real e o mundo sobrenatural encontram-se dissolvidas, e os espíritos do Outro Mundo podem se mover livremente no mundo dos mortais. Simultaneamente, os homens podem perceber mais do reino dos mortos nessa época, e procurar por presságios do futuro nos jogos. As pessoas podiam escolher pequenos bolos chamados “barmbracks” – pães salpicados de groselhas ou uvas-passas – contendo um anel ou uma noz, que determinavam se uma pessoa iria casar ou permanecer solteira. Fogueiras eram acesas na Irlanda e na Escócia. Era também uma época de descanso após o trabalho pesado na lavoura. Na véspera do Samhain, todos os fogos da Irlanda deveriam ser apagados, sob pena de multa. Porém, os fogos eram reacesos pelos druidas quando o ano novo renascia.

O Samain era um período de intensa energia espiritual, onde eventos importantes estavam a ele ligados, sendo data obrigatória das batalhas míticas e épicas, da morte de deuses e heróis, da reunião do estado-maior dos Tuatha De Dannan, de todas as assembleias que regram os aspectos legais e jurídicos. Regras, leis, deveres e advertências eram discutidos nessas assembleias. O herói do Ciclo do Ulster Cú Chulainn teve vários encontros durante esse festival, assim como o herói super-humano Finn no Ciclo Feniano..

Eu passarei esse final de semana no meio da floresta, em Lumiar, renovando os meus votos e agradecendo as bençãos que obtive do Povo Antigo e do Povo Nobre nesse ano que se encerra. Um novo ciclo de realizações, prosperidade, saúde, paz, amor e harmonia se abre, e pretendo pedir aos Deuses que me permitam a honra de partilhar isso com as pessoas que me são queridas.

Samhain: tempo dos mortos, da sabedoria das árvores, do culto aos antepassados. Que os portais do Outro Mundo se abram nesse final de semana, e que possamos ver com mais clareza aquilo que as brumas do dia-a-dia não nos permitem ver com tanta clareza…


Feliz Ano Novo a todos!!! 

O SUBLIME COMO CURA PARA OS MALES DO MUNDO

http://www.youtube.com/get_player

Em um livro intitulado Desejo de Status (Editora Rocco), o filósofo belga Alain de Bottom defende a tese de que, como antídoto contra a perversidade da cultura de consumo – e a obsolescência programada dos objetos de consumo -, existem as seguintes saídas existenciais: a filosofia, o engajamento político (no sentido mais pleno do termo) em alguma causa relevante, a religião e a fruição estética, seja esta proporcionada pela contemplação de uma obra de arte (música, pintura, escultura, cinema, literatura, dança) ou pela opção de viver uma vida boêmia – esse último, bem entendido, em seu sentido baudelairiano de espectador das transitoriedades e do devir da vida…

Como, nesse humilde espaço, procuro oferecer um pouco de fruição estética a vocês, adiciono uma apresentação da cantora canadense Loreena McKennitt. Seu trabalho – interessantíssimo, aliás – é uma fusão de ritmos celtas, ibéricos, bretões, árabes e indianos, articulando música e literatura em algo que, na falta de uma melhor denominação, os críticos musicais chamam de world music.

O vídeo é um extrato do DVD que a cantora lançou ano passado, filmado no belíssimo conjunto arquitetônico do Palácio de Alhambra, em Córdoba, no sul da Espanha, na região da Andaluzia – ou al-Andaluz, em árabe. Vale lembrar que a cidade de Córdoba foi, durante séculos a capital do Califado Omíada, por ocasião da dominação árabe da Península Ibérica – proporcionando a mais do que estudada convivência harmônica entre as comunidades muçulmana, judaica e cristã que lá estavam localizadas.

Portanto, melhor local para um concerto, impossível!

A canção se chama Mummer’s Dance.

Deleitem-se e viagem nessa caravanserai

O SUBLIME COMO CURA PARA OS MALES DO MUNDO

Em um livro intitulado Desejo de Status (Editora Rocco), o filósofo belga Alain de Bottom defende a tese de que, como antídoto contra a perversidade da cultura de consumo – e a obsolescência programada dos objetos de consumo -, existem as seguintes saídas existenciais: a filosofia, o engajamento político (no sentido mais pleno do termo) em alguma causa relevante, a religião e a fruição estética, seja esta proporcionada pela contemplação de uma obra de arte (música, pintura, escultura, cinema, literatura, dança) ou pela opção de viver uma vida boêmia – esse último, bem entendido, em seu sentido baudelairiano de espectador das transitoriedades e do devir da vida…

Como, nesse humilde espaço, procuro oferecer um pouco de fruição estética a vocês, adiciono uma apresentação da cantora canadense Loreena McKennitt. Seu trabalho – interessantíssimo, aliás – é uma fusão de ritmos celtas, ibéricos, bretões, árabes e indianos, articulando música e literatura em algo que, na falta de uma melhor denominação, os críticos musicais chamam de world music.

O vídeo é um extrato do DVD que a cantora lançou ano passado, filmado no belíssimo conjunto arquitetônico do Palácio de Alhambra, em Córdoba, no sul da Espanha, na região da Andaluzia – ou al-Andaluz, em árabe. Vale lembrar que a cidade de Córdoba foi, durante séculos a capital do Califado Omíada, por ocasião da dominação árabe da Península Ibérica – proporcionando a mais do que estudada convivência harmônica entre as comunidades muçulmana, judaica e cristã que lá estavam localizadas.

Portanto, melhor local para um concerto, impossível!

A canção se chama Mummer’s Dance.

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