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DICA DE DVD – RAMMSTEIN: "Volkerball"

Para o desespero dos otimistas e das famílias que acreditam no bem da humanidade, o som pesado continua firme e forte – o que é uma ótima notícia para camaradas como esse Escriba que vos fala, um fanático por guitarras distorcidas, pedais duplos e uma zoeira de doer o cérebro. Afinal, quer coisa melhor do que um belo riff de guitarra para levantar o espírito e aguentar as agruras desse mundo de expiação? Que digam caras como Tony Iommi, Ritchie Blackmore, Jimmy Page, Glenn Tipton, K.K. Downing, Adrian Smith, Dave Murray e outros tantos que honram a tradição e o peso desse estilo musical…

Para os mais incautos, o heavy metal é uma barulheira indescritível das trevas do submundo, uma mescla de barulho, peso, caos, turbulência, dissonância que produzem um profundo desconforto e dor de cabeça aos menos acostumados. Em parte, trata-se de uma grande verdade (rsrsrsrsrsrs), posto que o objetivo desse tipo de música é esse mesmo! Afinal, estamos diante de um som “mais pesado que o céu”…

O movimento está sempre se reinventando – o que é uma coisa deveras salutar, demonstrando a vitalidade do estilo. Pois, como diria o velho poeta, tempos difíceis exigem uma música mais difícil ainda! Isso justifica o surgimento de sub-estilos e modismos como o thrash metal, o black metal, o grindcore, o nu metal, o industrial e por aí vai… 

O Rammstein – literalmente, “martelo” ou “ariete” em alemão – é uma banda formada em 1994 na antiga Alemanha Oriental, cujo som pode ser classificado como “Industrial”, “Tanz Metal” ou “NDH – Neue Deutsche  Harte” (algo como “A Nova Dureza Alemã”) – na praia de grupos como o genial Nine Inch Nails, e o Marilyn Manson dos primeiros discos  -, mixando riffs de guitarra pesadíssimos, baixo e bateria que parecem o trovão de Thor, com fortes passagens pela música eletrônica e uma atitude e visual punks marcantes. Aliás, é essa mistura aparentemente inusitada que torna o som dos caras muito, mas muito interessante…

Tomei contato pela primeira vez com o som da banda ao assistir “Lost Highway”, o onírico e “viajandão” filme do cineasta norte-americano David Lynch. No meio daquele surrealismo de imagens, o som mais surreal ainda dos caras me chamou a atenção. Depois, eles reapareceram na trilha sonora de “Matrix”, resolvi acompanhá-los mais amiúde e vire fã!

O Rammstein conta com a seguinte formação, intacta desde 1994: o vocalista Till Lindemann, ex-nadador olímpico da Alemanha Oriental, um ciclope em termos de formato corporal, com um voz grave de dar medo até os menos devotos das coisas boas da vida; a dupla de guitarristas Richard Kruspe e Paul Landers, donos de riffs pesadíssimos que são a marca registrada do grupo, e que enchem de barulho, saturação e distorção até mesmo o menor dos speakers existentes; o baixista Oliver Riedel que, junto com o baterista Christoph “Doom” Schneider – dono de baquetas pesadíssimas e de pedais duplos de dar inveja aos melhores bateristas de trash metal – tornam o som da banda a verdadeira sucursal do inferno de tão sólido e maciço que é o seu peso; por fim, encerrando a formação, o bizarro tecladista Christian “Flake” Lorenz, mago das texturas eletrônicas e teclados dissonantes e que se veste com um visual à la Mad Max

O DVD em tela, intitulado “Volkerball” (literalmente, “baile do povo”), foi gravado em julho de 2005 durante a turnê do álbum “Rosenrot” (de 2005) em Nimes, na França, em um anfiteatro romano construído no ano de 27 a.C. na época do imperador Augusto. Atualmente, além de praça de touros, o local é sede de espetáculos musicais, tendo sido local de gravação de um DVD do Metallica.  

O DVD ilustra com riqueza de detalhes a magnitude do show dos caras: um verdadeiro espetáculo teatral que honra a tradição inaugurada por artistas como Alice Cooper e Kiss, com uma iluminação impecável, maquiagens que lembram uma usina siderúrgica e um gestual típico do teatro kabuki. No entanto, o mais impressionante é a forma como o grupo maneja os recursos pirotécnicos. Confesso que nesse item o Rammstein é imbatível: está para nascer banda de rock que trabalhe com tanta radicalidade os fogos de artifício como eles!

O concerto abre com “Reise, Reise” (título do álbum homônimo de 2004), seguida da maravilhosa “Links 1, 2, 3” – uma pancada sonora capaz de levantar defunto do caixão! As pesadíssimas “Kleine Lust” e “Feuer Frei” dão ensejo à “rodinha de porrada” na pista da arena – oui, mons amis, eles também tem isso lá! A trovoada continua sem parar com petardos como “Morgenstern”, “Mein Teil” (em homenagem a um canibal alemão recente), a maravilhosa “Los” (uma das minhas favoritas, com uma versão na parte final digna de grindcore!) e “Du Riechst So Gut”. “Benzine” (que abre o álbum “Rosenrot”) é uma muralha sonora de peso, de desnortear os tímpanos dos mais incautos. Sucessos como “Amerika”, “Du Hast” e “Sehnsucht” (lembram-se de “Matrix”?) também estão lá, assim como a música-título “Rammstein” (que mais parece uma broca de dentista no lobo temporal!). As muralhas sonoras “Sonne” e “Ich Will” – do sensacional álbum “Mutter”, de 2001 – me fizeram sair do sofá para bater a cabeça! O espetáculo encerra com a balada “Ohne Dich” e um grand finale com “Stripped”! A francesada saiu suada prá caramba, mas com a alma literalmente lavada de tão extasiada com o espetáculo dado pela banda!

“Volkerball” é uma prova de como o som pesado está mais vivo do que nunca, se reinventa o tempo todo e é capaz de tirar do sério uma cara como eu, esse pobre Escriba que vos fala, que não consegue de parar de bater a cabeça mesmo com o show terminado há cerca de duas horas atrás!

Além do mais, é um belo aquecimento para a única apresentação da banda no Brasil, que ocorrerá no dia 30 de novembro próximo, no Via Funchal em São Paulo.

Se por um acaso algum de vocês me encontrar na rua com os headphones batendo cabeça sem parar, não tenham dúvida: é o Rammstein dominando as minhas ondas cerebrais! E, por favor, não interrompam!!!
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Categorias:DVD, Heavy Metal, Música, Rock, Show
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