E A CLASSE A VAI AO PARAÍSO…

Sem dúvida alguma, o segmento “queridinho” dos estrategistas de negócios e dos profissionais de marketing é a over-presente classe C. Tanta atenção tem sido dedicada a esses consumidores nos últimos anos, que acaba-se por não se discutir com maior profundidade as transformações que estão ocorrendo nos demais segmentos de renda da nossa sociedade. E, se pensarmos bem, as coisas também mudam no andar de cima da piramide…

A classe A brasileira – os nossos “ricos” – abrange o conjunto de famílias que possuem rendimentos mensais acima de 20 salários mínimos – algo a partir de 10,2 mil reais. Segundo pesquisa realizada pela MB Associados, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, desde 1998 que o número de famílias deste tipo ultrapassou o patamar de 1 milhão e, a despeito da crise economica que afetou em cheio os rendimentos dos segmentos mais favorecidos economicamente, este número continua crescendo. Desde 2003, o número de unidades familiares da classe A aumentou cerca de 48%, isto é, 303.553 famílias brasileiras atingiram o topo da cadeia alimentar. Isso dentro de um escopo onde 1,146 milhão de famílias ascenderam para a classe B (com renda entre 10 a 20 salários mínimos), e 7,72 milhões subiram para a classe C (rendimentos entre 3 a 10 salários mínimos).

No entanto, o percentual de famílias de classe A no Brasil ainda mantém a sua distribuição de anos anteriores, isto é, estas abrangem apenas cerca de 1,9% das unidades familiares em nosso país. Isso se justifica pelo fato de que, como decorrencia direta da crise, cerca de 10 mil famílias desceram para o patamar de renda da classe B. Vale lembrar que a classe A é um agregado de consumo heterogeneo e diversificado, abrangendo diferentes perfis de consumidores tais como profissionais liberais, consumidores emergentes (conhecidos como “novos ricos”) e consumidores tradicionais de artigos de altíssimo luxo. Evidentemente que, com os efeitos minorados da crise, a classe A recuperou sua renda durante o ano de 2009, só que em menor proporção do que o observado na classe C.

A prova da força das famílias da classe A é a pujança do consumo de bens de luxo. A KitchenAid, marca de eletrodomésticos de luxo que está no Brasil desde 2008, possui uma expectativa de crescimento das vendas em torno de 70% para 2010. A joalheria H. Stern também obteve uma expansão de 15% de suas vendas em 2009. Shoppings centers voltados para esse segmento de consumo sofisticado também estão sendo lançados, como o Village Mall, no Rio de Janeiro, localizado na Barra da Tijuca, e ao lado do Barra Shopping. E o mercado de carros esportivos de luxo também está bastante aquecido. Por exemplo, em 2003, a Porsche vendeu 76 automóveis no país, passando para 753 unidades comercializadas em 2008 (um salto nas vendas 10 vezes maior). Com a crise em 2009, as vendas caíram cerca de 26,5%, mas em 2010 a expectativa é que a empresa comercialize cerca de 620 automóveis da marca.

A título de informação, a distribuição das famílias brasileiras por renda está da seguinte forma: 1,9% na classe A, 5,5% na classe B e 32,6% na classe C.
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