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A CRISE NA UNIÃO EUROPÉIA (3): ESPANHA

Continuando a série sobre a recessão econômica no bloco europeu, hoje o país a ser discutido é a Espanha. A Espanha é um dos países que mais sofreu os impactos da crise econômica e financeira global do final de 2008. Isto tem levado a população do país a um estado atual que é um misto de letargia e perplexidade diante das condições de vida cada vez mais hostis e austeras…

Diferentemente de seu vizinho de Península Ibérica, a economia espanhola é muito mais moderna, vibrante e diversificada, em função da presença de arranjos produtivos locais que espelham diferentes realidades regionais. A Espanha deve ser entendida muito menos como um bloco indiferenciado, e muito mais como uma federação de estados com culturas, línguas e estruturas sociais próprias. O país é um mosaico colorido e diversificado de povos, etnias e marcações culturais específicas.

Neste complexo mosaico convivem, por exemplo, uma Galícia agrária e de raízes celtas, com um País Basco marcado pela indústria pesada e pela siderurgia. Enquanto Madrid é o centro econômico-financeiro do país, Barcelona é sinônimo de sofisticação, europeidade, urbanidade e arrojo arquitetônico. Isso sem falar no introspectivo e explosivo flamenco gestado na região de Valencia – sem falar na sua maravilhosa culinária e suas “teterías” – e a exuberancia solar da região da Andaluzia que, a cada visita a antigas mesquitas, palácios e fortificações, nos lembram que a Europa é em grande parte forjada também pela herança da arquitetura e da culinária moçárabes. Enfim, a Espanha é um belíssimo e fascinante caleidoscópio onde, a cada giro, novas nuances se abrem ao olhar atento do visitante…

No entanto, essa alegria contagiante não corresponde à situação econômica atual, que é desesperadora. Com a crise de 2008, a bolha imobiliária do país explodiu – sim, ela não era uma exclusividade norte-americana! Cerca de 25% dos espanhóis pagam hipoteca, e a dívida em créditos hipotecários está acima de €678 bilhões. Ou seja, um em cada 3 espanhóis tem dificuldades para honrar as suas dívidas, e mais da metade deles possuem tres ou mais empréstimos bancários.

Segundo pesquisas do Instituto Nacional de Estatísticas, realizada entre 2007 e 2008, o número de famílias que tinham perdido as suas habitações superava a cifra de 1 milhão e meio! O país possui uma das maiores dívidas externas do mundo, que compromete cerca de 65,9% do seu PIB. Para piorar, a taxa de desemprego encontra-se no patamar de 20% (uma das maiores entre os países desenvolvidos), atingindo 44% só entre a população mais jovem, isto é, a mais apta e disposta a trabalhar.

O resultado disso tudo é muito dramático: famílias despejadas de suas casas, filas nos guiches dos programas governamentais de auxílio desemprego, um número cada vez maior de pessoas se alimentando em restaurantes populares ou até mesmo buscando ajuda em instituições de caridade, geralmente mantidas pela Igreja Católica – instituição que tem uma forte presença no país. O número de famílias inadimplentes é da ordem de 114 mil, e que sofrem uma perda progressiva de seu padrão de vida: primeiro, perdem o emprego; segundo, tornam-se inadimplentes; por fim, perdem as suas casas. Ou seja, uma funesta e destrutiva espiral!

Aliás, uma observação: quando se fala em Espanha, não existe meio-termo! Tudo nela é superlativo, dramático, hiperbólico…
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