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A CRISE NA UNIÃO EUROPÉIA (2): PORTUGAL

Continuando a série sobre a crise econômica que assola a União Européia desde o segundo semestre de 2008, o país analisado hoje é o da terra dos meus avôs e avós, e que eu amo de paixão: Portugal. Junto com a Espanha, esse país situado na extremidade do continente europeu – e que os romanos denominavam de “finnisterrae”, ou seja, algo como “o fim do mundo” – é considerado o primo pobre da União Européia.

Portugal é um dos países mais “atrasados” do bloco europeu em termos econômicos, dada a baixa diversidade de sua atividade produtiva. Os vinhos, a azeitona, o azeite de oliva e a cortiça são conhecidos no mundo inteiro por serem produtos típicos de sua pauta de exportação. Além disso, o país é um grande importador e exportador de produtos para o bloco europeu – o que é, ao mesmo, sua virtude e sua principal fragilidade comercial, haja visto a crise econômica atual que assola o continente. Sua mentalidade “lusitana” e “ibérica” é um tanto o quanto exótica para os seus vizinhos franceses, alemães e ingleses, mas bastante conhecida por nós brasileiros. Afinal, nós fomos colônia de Portugal durante séculos…
A entrada do país na antiga Comunidade Econômica Européia (atual União Européia) – que ocorreu em 1986, durante o governo socialista de Mário Soares – representou um verdadeiro surto de euforia para os meus patrícios. De uma hora para outra, o dinheiro jorrou na economia portuguesa: shoppings e edifícios comerciais e residenciais foram construídos a “toque de caixa”, obras de infra-estruturam coalharam o seu diminuto território (rodovias e ferrovias), e os meus patrícios literalmente foram “às compras”. Gastaram horrores em eletroeletrônicos, automóveis, casas, livros e turismo, tornando Portugal “a menina dos olhos” do continente. No entanto, como tudo na vida é passageiro, a crise veio e hoje a minha querida terrinha está sofrendo bastante com os problemas da economia européia…
Evidentemente que, comparado à situação grega, não se pode dizer que a economia portuguesa está em estado crítico. No entato, a situação é bastante grave e uma simples caminhada pelas ruas de Lisboa atesta o fato de que a crise calou fundo na alma do lisboeta. O déficit público explodiu, passando de 2,8% em 2008 para 9,3% em 2009, muito em parte pela necessidade de aporte de recursos do estado para movimentar a combalida economia do país. O desemprego também assusta: a taxa está acima dos 10%.
Medidas drásticas estão sendo tomadas pelo governo português, tais como o corte dos gastos públicos, a redução do salário do funcionalismo público e até mesmo uma reforma do cálculo da aposentadoria. Ou seja, medidas prá lá de impopulares…
Nessas horas, além das explicações econômicas e políticas de praxe, apela-se até mesmo para justificativas de cunho psicosocial. Fala-se muito do baixo empreendedorismo do português em geral, e sua pouca disposição para trabalhar, comparando-se aos imigrantes de outros países – aqui cabe um parêntesis pois, quando fora do seu país, o português trabalha muito, algo bastante similar ao que acontece com o imigrante brasileiro.
Especialmente em setores de serviços e de atendimento ao público – que historicamente são bem menos remunerados – nota-se a presença maciça de imigrantes brasileiros nestes postos de trabalho. E, todas essas observações são fruto tanto da minha visita ao país no ano passado, quanto da série de conversas que mantive com professores, intelectuais, empreendedores e até mesmo pessoas comuns nos congressos, nos bares, nos restaurantes, no metrô, no comboio, no eléctrico, nos auto-carros…
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