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A CRISE NO PAÍS DA COPA DO MUNDO

Tenho falado ultimamente bastante na África do Sul, mais especificamente do gênio político de Nelson Mandela e a sua capacidade de encerrar a excrescência do regime do apartheid sem que o país entrasse numa catastrófica guerra civil de resultados incomensuráveis…

Esse mesmo país, que Mandela denominava em seus discursos de “rainbow nation” (“nação arco-íris”), está no centro das atenções do mundo todo por sediar esse ano a maior competição esportiva do planeta, a Copa do Mundo de Futebol. É a chance do continente africano de mostrar uma faceta diferente daquela que é veiculada pela mídia de massa global, a saber, guerra, fome, surtos endêmicos do vírus HIV, além da incapacidade cronica de auto-sustentação – a despeito da riqueza proveniente de commodities minerais como petróleo e gás, além de diamantes e outros recursos minerais raros…

Mandela teve o sucesso de operar uma transição política relativamente pacífica, mas o mesmo sucesso não pode ser transferido para os seus sucessores – todos políticos integrantes do do CNA (Congresso Nacional Africano), que vem a ser o partido do próprio Mandela, e que domina o atual cenário político sul-africano. Os governos de Thabo Mbeki e o atual, de Jacob Zuma, foram incapazes em levar a economia mais pujante do continente africano a saldar sua enorme dívida social que assola seus 49 milhões de habitantes. Matéria publicada na edição de hoje do periódico O Globo lança uma luz sobre a situação atual do país. Vejamos…

Só para se ter uma idéia do holocausto que assola o continente africano, sua população total é de 850 milhões de habitantes. Desse total, cerca de 300 milhões (ou seja, aproximadamente um terço) não se alimentam regularmente. Ainda em cima desses 300 milhões, 237 milhões encontram-se tecnicamente em estado de desnutrição – isto é, não consomem nutrientes suficientes para uma dieta básica humana adequada. Isso tudo num continente tão rico em termos climáticos, de riquezas naturais, de fartura e de abundancia…

Na África do Sul, metade da população de 49 milhões de habitantes vive abaixo da linha de pobreza, isto é, ganha menos de 2 dólares por dia. Grande parte da população negra vive ainda em guetos, sem energia, fornecimento de água, esgoto e coleta de lixo regulares. O transporte público é ineficiente, e a taxa de desemprego bateu a casa de assustadores 24,3% em 2009 (!!!!).

Além disso, a taxa de criminalidade é elevadíssima – especialmente nos guetos -, e a ineficiência governamental e a corrupção desenfreada são consideradas as grandes chagas que assolam o país. Também, a presidência do exótico Zuma é considerada um exemplo de incompêtencia e ineficiência gerenciais, o o que torna o cenário ainda mais complicado para a África do Sul.

No entanto, todo grande evento esportivo traz grandes impactos para o país-sede. É nisso que se fiam os organizadores do evento e a classe política do país, ávida por um “refresco” nesse mar de notícias pouco auspiciosas. Mesmo assim, o periódico The Economist prevê que a economia do país crescerá por volta de 3,1% em 2010.
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