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A "FARRA DO BOI" DO CRÉDITO NO BRASIL

Essa todo mundo sabe, mas ninguém se dá o tempo de refletir dado o excesso de propaganda oficial sobre as maravilhas da ascensão social das classes econômicas menos favorecidas pela via do consumo. É um tal de “classe C” prá cá, de “nova classe média” pra lá, tudo temperado pelo mais puro oficialismo do “nunca antes na história desse país”, que as pessoas não estão se dando conta da verdadeira hecatombe que está acontecendo nos subterrâneos da nossa sociedade – leia-se, mais especificamente no combalido bolso das famílias brasileiras.

Querem um indicador disso: os lucros absurdos que os bancos brasileiros vêm apresentando a cada trimestre. Por definição, bancos vivem da desgraça alheia, pois cobram juros sobre juros de empréstimos pessoais, cheques especiais, cartões de crédito dentre outras maldições do capeta, enquanto que estas instituições enchem as “burras” de dinheiro – muito pela falta de consciência de uns, muito pela dificuldade de resistir aos apelos da sociedade de consumo de outros…

Segundo um estudo realizado pela LCA Consultores a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, “nunca antes na história desse país” o brasileiro esteve tão endividado como agora. O tema do endividamento das famílias brasileiras não é novidade aqui no PRAGMA, mas volta e meia ele ressurge dado o grau de comprometimento da renda com parcelas, prestações, cheques pré-datados, cobranças, nomes no Serasa e no SPC, dentre outras mazelas típicas de uma sociedade onde a expansão pela via do consumo não pode ser suficientemente sustentada. Ou seja, há ainda muito chão para o Brasil trilhar o caminho de uma sociedade menos desgual e mais justa, do que o mero espasmo do consumo desenfreado em direção à recuperação efetiva da renda da população.

Alguns pesquisadores podem dizer que isto nada mais é do que o resultado das “dores do crescimento”; outros, utilizando o velho e genial ditado americano, afirmam taxativamente: “no pain no gain”. Noves fora, o fato é que o brasileiro está com a corda no pescoço cada vez mais, e que uma tremenda crise de liquidez arma-se em nosso horizonte a médio prazo. Que os deuses nos livrem de outra crise financeira global de proporções mastodôntcas como a última do final de 2008!

Enquanto isso, la nave va. E, lembrem-se: os bancos, as empresas de cobrança e os agiotas (sejam eles oficiais ou não) agradecem a preferência pelos seus serviços…

Segundo o estudo, a dívida total das famílias brasileiras atingiu o patamar de R$ 555 bilhões no final de 2009, isto é, aproximadamente 40% da renda anual da população do país. Se os bancos resolvessem executar essa dívida de uma vez só, os brasileiros teriam de entregar quase cinco meses dos seus rendimentos para saldá-la – mais especificamente, 4,8 meses. Em termos de comparação, em 2008 eram necessários 4,3 meses para saldar todas as dívidas…

Ou seja, “nunca antes na história desse país” o endividamento das famílias brasileiras esteve tão alto como agora. Impressionante, não?!

Enquanto o brasileiro estiver empregado, a tendência é que a inadimplência esteja sob controle. Como a previsão de crescimento para 2011 é menor do que a desse ano, poderemos ter problemas desse tipo nos próximos anos. No entanto, o indicador de inadimplência da Serasa aumentou em dezembro do ano passado, um crescimento por 4 meses consecutivos.

Ou seja, uma tremenda “bomba-relógio” está armada, prestes a detonar nos próximos meses. Assim como há um “choque de ordem” contra a baderna urbana, deveria haver um “choque de ordem” contra o consumo desenfreado. Algo do tipo: “consuma com responsabilidade”.

Aviso aos navegantes: isso não dá voto em época eleitoral!

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