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A INOVAÇÃO DO DESIGN PORTUGUÊS…

Portugal me encanta, me fascina, me emociona. Não sei porque mas – além da obviedade de minha’alma lusa, ora pois! -, algo me toca profundamente quando visito cidades antigas, com séculos de história e, de preferência, com um certo ar decadente. Isso acontece quando, no Brasil, visito cidades como Tiradentes (MG) e Parati (RJ); lá fora, quando visito Lisboa e Buenos Aires…

Bem entendido, por ar decadante não quero dizer necessariamente que esta cidade seja degradada, sem viço, mal-tratada. Pelo contrário: há um quê de charme nessas cidades que envelhecem com a passagem do tempo sem que, como isso, se perca o brilho. Tal como se essas marcas ficassem encrustradas em seu casario antigo, em seu calçamento de pedras enormes, seus miradores adornados de azaléias, seus prédios rococós, seus exuberantes cafés, seus monumentos imponentes, suas praças que nos convidam para uma reflexão, quando não simplesmente para se ter a fresca.

Apesar de ser um Escriba high-tech, gosto de coisas antigas, que exalam tradições há muito cultivadas. Afinal, sou um historiador frustrado – quem me é mais próximo, sabe disso! Em Buenos Aires, por exemplo, adoro parar para beber um chocolate quente com churros no Café Tortoni e ver se me inspiro em Jorge Luís Borges. Também gosto ver os casais bailando o tango na Confiteria Ideal, com seu piso de granito imaculadamente branco e seu mobiliário de madeira art decó que foram imortalizadas em um clip do grupo de eletrotango Gotan Project – a música se chama “Diferente”…

Por outro lado, em Lisboa – ah, a Lisboa dos meus sonhos! -, gosto de ir parando nas pastelarias do Chiado, de andar pelas ruas do Rossio onde o comércio antigo repleto de leques, lenços, pratarias, jóias, porcelanas, relógios antigos me remete a um tempo prá lá de passado – tempo dos meus avós, diga-se de passagem -, onde eu ouvia com atenção as histórias dos tempos difíceis da guerra, da pobreza nos povoados, das futricas das comadres, enfim, o discreto charme da decadência lusa…

Daí, eu me emocionar tanto quando fui a Lisboa no ano passado. Foi um turbilhão inesquecível de sensações, onde tudo veio de maneira muito rápida em minha mente: o gosto de maresia na beira do Tejo, o casario antigo na Mouraria, o exuberante fado na Alfama, as lojas no Rossio, o eléctrico 15 em direção à Cidade Alta, os cafés no Chiado, os arcos manuelinos majestosos no Jerônimos, e os pastéis de belém… em Belém!

Pois, se não é em Belém, são apenas pastéis de nata…

Foi no alto do Castelo de São Jorge, ao anoitecer, que me emocionei vendo a Lisboa dos meus sonhos aos meus pés, toda iluminada, engalanada, como se estivesse arrumada para me ver. Lá, no terraço ao lado dos canhões antigos, as árvores centenárias do pátio pareciam me sussurar algo, talvez um segredo antigo que só os desavisados – ou saudosos como eu – se dispusessem a ouvir. Foi no alto da Torre de Belém, na Barra do Tejo, que olhei para o mar e senti a brisa do Brasil tocando os meus cabelos. Sou um brasileiro de alma lusa, um navegador em busca de um porto seguro que nunca chega, mas que não deixa de pensar em sua existência, só para ter o prazer de continuar a sua particular odisséia. É lá que deixei a minha alma, para um dia depois reencontrá-la na minha terra natal. Enquanto isso, eu canto o mar, a saudade, a brisa, e me encanto, ao saber que a felicidade reside nas coisas mais simples, mais antigas, mais despojadas, mais essenciais…

Noves fora a poesia, a União Européia está em crise econômica. E, como não poderia deixar de ser, uma das regiões mais afetadas é a Península Ibérica, considerada a menos dinâmica do ponto de vista econômico de todo o continente. A Espanha, por exemplo, amarga um desemprego médio de 17% de sua população economicamente ativa, e cuja grande maioria é composta por jovens altamente escolarizados, urbanos, falantes de duas ou mais línguas, que estão ou desempregados ou sub-empregados – os chamados “mileuristas”, ou geração que ganha mil euros. Como a maioria esmagadora do comércio português com a Europa passa pela Espanha, é natural que os reflexos dessa crise sejam sentidos na nação dos navegadores. Estive lá no ano passado na semana das eleições para Primeiro Ministro e, tirando a onipresente melancolia portuguesa, o clima não era nada animador…

Dada a crise e a necessidade dela sair, nota-se uma premência em inovação no seio da sociedade portuguesa. Em especial, entre os mais jovens e empresários que buscam adequar os produtos portugueses às exigências mercadológicas globais. Esse é o tema de uma matéria publicada no jornal Valor Econômico desse final de semana momesco. Destaco aqui algumas inovações na área de design, e como a mudança na apresentação e embalagem de produtos tradicionais portugeses – azeites, vinhos e cutelaria – estão adicionando charme e sofisticação às tradições caracteristicamente lusitanas.

A mais famosa empresa de cutelaria portuguesa, a Cutipol, está presente nas mesas dos palácios, hotéis e iates mais sofisticados do mundo. Só em 2009, a empresa faturou aproximadamente 5 milhões de euros. Apesar de seus talheres adornarem as mesas de todas as embaixadas e consulados portugueses no mundo inteiro, 70% das vendas em seu site são para os Estados Unidos. Além de três lojas próprias em Portugal, a Cutipol expõe os seus produtos em lojas multimarcas nos Estados Unidos, União Européia e Japão.

Em 2002, o tradicionalista e conservador Instituto do Vinho do Porto chamou o renomado arquiteto português Álvaro Siza Vieira para redesanhar a famosa taça onde se degusta esse maravilhoso líquido dos deuses. O resultado: um cálice mais alto, que comporta o dobro da bebida em comporação a sua versão anterior.

Produtores de vinhos e azeites como a Herdade do Esporão (da região do Alentejo) e a Quinta das Murças (da região do Douro), redesenharam no ano passado todo o seu design de rótulos e garrafas buscando aliar modernidade e elegância à tradição portuguesa. Para essa nova geração, os rótulos multicoloridos e com design art decô – que são pesados e um tanto o quanto kitschs – estão dando lugar à linhas mais sóbrias e sofisticadas. É Portugal apostando na inovação e no design de seus produtos…
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