"THE ECONOMIST" SECRET (1)

A palavra mágica nos dias de hoje é digitalização. Explico: com a explosão dos e-readers de varejistas digitais como Amazon (Kindle) e Barnes & Nobles (Nook), os analistas de marketing e de inteligência de mercado atestam que o futuro da indústria editorial caminha, irreversivelmente, para a realidade dos livros digitais (ou e-books). Ou seja, trilhando o mesmo – e funesto – caminho da indústria musical.

Mais baratos, práticos, corretamente ecológicos, fáceis de carregar, charmosos e ocupando menos espaço nas residências e bolsas dos leitores – o que, convenhamos, no caso de um “bibliomaníaco” como esse Escriba que vos fala, é uma enorme vantagem -, os e-books são a ponta-de-lança de um processo profundo de transformação da produção, difusão e consumo de conteúdo. A “carnificina” que ocorreu antes na indústria musical – leia-se, pirataria, downloads gratuitos, commoditização dos artistas e fim do outrora rentável modelo de negócios – é apenas uma questão de tempo no que tange a livros, periódicos e revistas, dizem os analistas. Logo, é natural que os executivos envolvidos nesses setores estejam alarmados e envolvidos em uma imensa batalha de como ganhar dinheiro no mundo da internet…

O problema é que, tirando o Google, ninguém sabe direito como ganhar dinheiro na internet. Como uma verdadeira “terra de ninguém”, dotada de controles frouxos e uma absoluta ausência de regulação de qualquer espécie, é quase impossível controlar o tráfego de dados que circula na rede – exceto no caso de regimes autocráticos como China e Cuba, o primeiro envolvido num contencioso com o próprio Google relativo à censura na rede, e o segundo famoso por seus controles rígidos de acesso à internet principalmente para os blogueiros.

Para piorar, há um certo consenso de que internautas não gostam de pagar para ter acesso à conteúdo, e as tentativas recentes de microcobranças de acesso por parte dos grandes conglomerados mundiais de mídia ou resultaram em uma baixíssima adesão, ou então em um tremendo fracasso. Ou seja, internautas querem everything, everywhere, everytime and… free!

E, para temperar o molho do caos, ainda por cima o Google permite que os seus usuários tenham acesso gratuitamente a qualquer tipo de conteúdo na rede. Ou seja, complicado o negócio…

Recentemente, a indústria editorial teve um alento com o lançamento do novo tablet da Apple, o iPad, feito sob medida para a leitura de e-books, notícias e outros tipos de conteúdos digitais. Vale lembrar que Steve Jobs foi um dos poucos a ganhar dinheiro com a música digital, ao lançar o seu “pavoroso” iTunes (que eu odeio!) – um “horror” para os usuários, mas uma mina de dinheiro para a empresa de Cupertino. Apesar do iTunes ter afundado definitivamente as gravadoras, o gadget da Apple foi saudado como a “salvação” da indústria editorial, posto que Jobs irá aplicar o mesmo modelo de negócios do iTunes – que é, indiscutivelmente, um sucesso – para o download pago de e-books, revistas, jornais e demais conteúdos.

Vale lembrar que, antes disso, a Amazon lançou uma versão melhorada do Kindle, o seu revolucionário e-reader. O problema é que, numa clara estratégia de penetração de mercado do Kindle, a Amazon oferecia e-books a preços ridiculamente irrisórios (subsidiados), corroendo a lucratividade e empurrando a conta para editoras e grandes conglomerados de mídia. Isso tornava o cenário para lá de lúgubre, e o iPad ajudou a dar uma sobrevida até que as empresas possam desenvolver um modelo de negócios compatível com esse novo consumidor digital – que não quer pagar tanto para ler suas notícias diariamente, além de romances e obras acadêmicas em seus charmosos gadgets de telas foscas…

Agora, a pergunta que não quer calar: será que livros, jornais e revistas, tal como os conhecemos hoje (em formato físico), estão fadados ao desparecimento? Será que ainda haverá espaço para aqueles que gostam de “sentir” o livro em suas mãos, de sujar os dedos com a tinta do papel do jornal, e de carregar suas revistas prediletas em suas bolsas de mão?

CONTINUA…

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  1. Filipe Frota
    fevereiro 11, 2010 às 12:41 pm

    Fala Zé Mauro!Ainda vai demorar um tempo para que os ebooks substituam o formato físico, para todo o mercado, mas convenhamos que mesmo para as editoras; o novo modelo de negócios tem potencial de ser muito mais lucrativo, pois se eliminam custos de imprenta e distribuição. O Itunes vai abocanhar uma boa parte do lucro somente se as editoras ficarem de braços cruzados e não viabilizarem modelos de comercialização independentes e atrativos. Eu estaria preocupado se fosse dono de banca de revistas ou livrarias… a intermediação vai ser eliminada com o tempo. Poderia-se pensar na possibilidade de que conformaram um consórcio para a distribuição digital de através de hotspots de wifi ou blutooth.. mas com as conexões 3g e 4g, acho que não existe mesmo outra opção que buscar outro business, não é mesmo? Enfim, para o usuário vai ficar melhor!Abraço!

  2. José Mauro Nunes
    fevereiro 12, 2010 às 1:20 am

    Grande Felipe!Sim, eu acredito na coexistência dos dois modelos (o físico e o ebook) por algum tempo, mas acho que a médio prazo o e-book deve prevalecer, e o livro físico se torne um produto de nicho (para colecionadores, pessoas mais abastadas ou exigentes). Além disso, acho que está todo mundo ainda assustado com o modelo da Amazon, e a entrada em cena da Apple ainda vai tornar o mercado mais turbulento.Enfim, vamos acompanhar e discutir…Grande abraço!

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