A CLASSE C CONTINUA IRRESISTÍVEL

No Brasil, há um ditado popular que afirma que duas coisas são impossíveis de serem detidas: fogo morro acima e água morro abaixo. Parece que, agora, temos um terceiro elemento a ser adicionado a esta expressão: a classe C. Pelo menos, é o que mostram as pesquisas recentes que indicam a inexorável dinâmica de ascensão deste segmento de consumo em nosso país, e que abrange praticamente quase a metade da população brasileira.

Por classe C, entenda-se aqui famílias que ganham entre R$ 1.115 e R$ 4.807 mensais, e que atualmente representam cerca de 91 milhões de brasileiros (mais especificamente, 49,22% da nossa população). Tal movimento de melhoria das condições de vida deste robusto e vibrante extrato populacional salta aos nossos olhos quando tomamos por base de compração dados de séries histórias anteriores. Esse é o objetivo do estudo recém-publicado pelo Centro de Pesquisas Sociais (CPS) da FGV, coordenado por Marcelo Neri, e que utilizou a base de dados da PNAD do IBGE.

Esse estudo, que serviu de base para uma matéria publicada na edição de domingo passado no jornal O Globo, mostra que em 2003 a classe C representava aproximadamente 37,56% do total de brasileiros – cerca de 64,1 milhões de habitantes -, estando circunscrita a 37% da renda nacional. Os dados de 2008, discutidos no paragrafo anterior, são categóricos: hoje, a classe C é composta por 49,22% da nossa população total, abocanhando 46% da renda total de nosso país. Daí, não causar espanto o fato de que esse segmento é o grande motor de nossa economia, sustentando inclusive a estabilidade econômica diante da crise financera global do segundo semestre de 2008.

Em termos de comparação, as classes A e B (renda familiar acima de R$ 4.807) abrangem 10,42% da nossa população (19,4 milhões de brasileros), sendo responsáveis por 44% da renda nacional. Já a classe D (renda familiar entre R$ 768 e R$ 1.115) representa 24,35% de nossa população (43 milhões de brasileiros), e representando 8% da renda nacional. Por fim a classe E (renda familiar de até 768), cada vez mais diminuta, responde por 16,02% da população nacional, e 2% da renda nacional total.

Para finalizar esse post, e também para inicitar os meus queridos leitores à reflexão, alguns dados de consumo da classe C: 67,89% possuem carteira assinada, 57,13% são funcionários públicos (municipais, estaduais ou federais), 37,8% contribuem regularmente para o INSS, 58,87% possuem computador em casa, 57,04% tem filhos em escolas particulares, 46,25% frequentam curso superior, 55,83% possuem rede de esgoto, 53,28% contam com coleta de lixo regular, 49,97% possuem televisão, 50,99% tem rádio, 51,69% tem geladeira, 56,25% possuem freezer, 59,9% tem máquina de lavar, 62,64% contam com dois banheiros em casa, 44,84% com três banheiros e 58,47% possuem casa própria financiada.

Interessante, não acham?!

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