A VITIVINICULTURA NACIONAL ESTÁ RINDO Á TOA…

Aqui no Brasil, há controvérsias sérias se o ano inicia mesmo em janeiro. Há um certo costume popular que afirma que o ano realmente só começa após o Carnaval – isto é, depois do mês de fevereiro. O problema é que 2010 será um ano curto, posto que no meio do ano haverá também a Copa do Mundo na África do Sul. E, com a pletora de feriados em nosso calendário, será um verdadeiro salve-se quem puder…

Continuando o clima festivo desse verão que se prenuncia insuportável – leia-se, chuvas torrenciais e calor infernal – , a vitivinicultura brasileira finalmente tem o que comemorar. Apesar do domínio dos vinhos chilenos e argentinos mais baratos que reduziram a participação dos vinhos nacionais em nosso mercado até o patamar de 25%, em 2009 a trajetória dos espumantes nacionais foi de vento em popa, e também a dos vinhos finos tintos e brancos mostra uma sobrevida diante dos seus hermanos concorrentes do Mercosul.

Primeiro, vejamos o grande sucesso que são os nossos vinhos espumantes – que, a cada ano que passa, ganham o respeito dos especialistas do mundo inteiro. Desde 2007, a produção nacional detém cerca de 70% de market share, mas no período que vai de janeiro a outubro de 2009 essa fatia de mercado subiu para 75% – um total de 6,5 milhões de litros.

Segundo o Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), a expectativa é que haja uma expansão de 6% a 10% da fatia ocupada pelos vinhos nacionais em 2010. Só no Rio Grande do Sul, onde está concentrada 90% da produção de vinhos finos no país, as vendas cresceram 6,6% nos primeiros dez meses de 2009 – foram comercializados 14,7 milhões de litros, contra 13,8% no mesmo período de 2008.

Desde 2003 que os vinhos nacionais vêm perdendo espaço no mercado brasileiro, em função da combinação funesta de diversos fatores: carga tributária elevada, dólar em baixa (o que torna as importações mais baratas e as exportações menos rentáveis), o posicionamento por preço dos vinhos argentinos e chilenos, e até mesmo pouco investimento em inovação e marketing, além da baixa qualidade dos produtos. O preconceito contra o vinho nacional também conta muito, graças aos famosos – e baratos – vinhos licorosos e de garrafão, invariavelmente feitos com uvas não-viníferas e de sabor horrível (do tipo “Sangue de Bois”, genéricos e similares)…

Nesse ponto, a justiça seja feita: os vitivinicultores brasileros estão investindo pesadamente em inovação e qualidade dos seus produtos, com novas técnicas de cultivo e vinificação, além do lançamento de novas linhas, castas e cortes. E a coisa está dando resultado…

Alguns produtores nacionais de ponta estão comemorando essa “virada”. Por exemplo, a vinícola Miolo estima o aumento nas vendas de cerca de 25% de seus vinhos finos, e de 35% para a sua linha de espumantes. Visando aproveitar essa carona, a empresa está lançando uma iniciativa prá lá de inovadora: a fim de impulsionar a venda no verão, ela estará comercializando garrafinhas de 250 ml da sua linha de espumantes Terranova (nas versões brut e moscatel), em carrinhos nas praias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Bem que isto poderia vir aqui para o Rio de Janeiro! Imaginem o “bochicho” que iria ser criado…

Outra produtora de ponta, a vinícola Salton, também estima uma alta de aproximadamente 20% das vendas dos seus vinhos finos no mercado nacional, graças aos investimentos em marketing, a abertura de uma segunda linha de envase em Bento Gonçalves e a criação de um centro de distribuição em Recife, uma vez que o mercado nordestino ainda é bastante pouco explorado.

Na Dal Pizzol, as vendas de vinhos finos em 2009 aumentaram cerca de 16% (quase 170 mil garrafas) – só os espumantes tiveram uma alta de cerca de 33% (aproximadamente 80 mil garrafas). Já na vinícola Adolfo Lona, especializada em vinhos espumantes, as vendas em 2009 cresceram cerca de 25% (isto é, 60 mil garrafas).

Quando o assunto é vinho, xenofobia não é uma boa coisa. Afinal, nada melhor do que fazer um passeio pelos melhores produtores do mundo, e o vinho é por definição uma bebida ecumênica, agregadora, que aproxima as pessoas e cria um ambiente de aproximação e envolvimento dos comensais. Agora, inegavelmente dá muito gosto ver a vitivinicutura nacional reagir dessa forma, investindo em tecnologia, qualidade e inovação, sem cair na armadilha do preço baixo e dos produtos de baixa qualidade e de gosto duvidoso.

Feliz 2010 para a indústria nacional. De preferência, com um belo espumante rosé bem geladinho, pois o calor não está fácil…
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