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O ESTADO DA ARTE DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

Saíram os dados do Censo da Educação Superior 2008, divulgados nesse final dessa semana pelo Inep – órgão de pesquisas educacionais vinculado ao MEC. Apesar de estarmos ainda bastante distante da realidade da educação superior da observada em países do Hemisfério Norte, algumas coisas são interessantes de serem discutidas para aqueles envolvidos com este tipo de questão…

Apesar de ainda pequeno, o número de jovens entre 18 e 24 anos matriculados em cursos superiores em se expandindo: em 2008, era de aproximadamente 5,8 milhões, isto é, cerca de 13,71% dos jovens do nosso país. Vale lembrar que em 2002, por exemplo, essa taxa era de apenas 9,83% da população jovem. Isso pode ser explicado graças ao aumento estrepitoso de vagas nas universidades privadas, além de programas de bolsas e incentivos governamentais a jovens de classes econômicas menos favorecidas, como é o caso do ProUni.

A prova disso é que, desses 5,8 milhões de jovens, 74,9% estão matriculados em instituições de ensino superior privadas, contra apenas 25,1% em universidades públicas. Aí, é inevitável a questão: como rimar qualidade com quantidade?

Outra coisa interessante a ser destacada é o crescimento exponencial das matrículas nos cursos à distância (também chamados de semi-presenciais). Enquanto o crescimento das matrículas nos cursos presenciais vem diminuindo a passos largos – em 2008, este foi da ordem de 4,1% -, nos cursos à distância a expansão das matrículas foi de 96% (!!!). Mesmo assim, estes últimos ainda são minoria em nosso país, posto abrangerem apenas 12% dos nossos universitários.

Também chama a atenção a ociosidade das vagas no ensino superior, em especial entre as instituições de ensino superior privadas. No ano passado, cerca de 1,47 milhão de vagas não foram preenchidas, sendo que 1,44 milhão só no âmbito privado (!!!). Para quem trabalhou em universidades privadas, sabe que é uma prática corriqueira as instituições privadas incharem o seu quadro de oferta de vagas, a fim de que possam expandir os seus cursos sem posterior solicitação ao MEC. DE qualquer maneira, chama a atenção a elevada ociosidade e ineficiência do setor, o que pode se tornar uma grande oportunidade de negócios a médio prazo – especialmente se o foco é a classe C e D, as grandes excluídas da educação superior em nosso país.

Também a evasão é grande nas universidades públicas: “sobraram” 7.387 vagas nas instuições federais e estaduais em 2008. Além disso, o número de formandos nas instituições públicas caiu cerca de 5,8% nesse mesmo ano. Ou seja, a evasão dos jovens do ensino superior é uma realidade, e uma questão prioritária para todos os envolvidos com a educação universitária em nosso país.

Nesse ritmo atual, o país não irá atingir a meta de matricular cerca de 30% da população jovem entre 18 e 24 anos até 2011, conforme estabelecido pelo Plano Nacional de Educação. Emresumo, é nítido o crescente descompasso entre o jovem e a universidade. Será que estudar está “fora de moda”? Ou as universidades não estão atendendo – e pior, não entendendo – a demanda desses jovens?
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  1. Daniel
    dezembro 2, 2009 às 7:55 pm

    Grande Zé Mauro,Super interessante seu texto referente ao ensino superior no Brasil.Em tempo, me indique um bom livro de CRM.Abração e até segunda.

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