KINDLE NO BRASIL? EU QUERO!

Notícia auspiciosa para quem é amante de livros e fanático por tecnologia, como esse Escriba que vos fala: na quarta-feira passada, a Amazon – a maior livraria virtual do mundo, e uma das gigantes do e-commerce global – anunciou o lançamento de uma versão mundial do seu e-reader, o Kindle. Até então, o gadget – que, diga-se de passagem, vem vendendo horrores no mercado norte-americano, e foi adicionado à lista de desejos de coolers, nerds e trendsetters usuários de iPods, iPhones e Macs – tinha a sua comercialização restrita ao mercado norte-americano.

O mais legal de tudo é que a Amazon irá comercializar uma versão para o Brasil deste aparelinho, o que significa que nós tupiniquins poderemos baixar em uma taxa de transferência semelhante à rede 3G de telefonia celular mais de 350 mil títulos à venda. Isso implica que, dado um hotspot de acesso wireless, o usuário brasileiro poderá livros, jornais e revistas para o seu e-reader do escritório, da sala de aula, do shopping e até mesmo do praia! Realmente, o futuro está na nuvem…

Como nem tudo são flores, o problema é a nossa escorchante e irritante tributação. Enquanto o Kindle versão mundial será vendido ao preço de US$ 270 (cerca de R$ 480) no site da Amazon, custos de frete e tarifas de importação elevarão o preço do aparelho ao consumidor final brasileiro ao patamar de US$ 585 (aproximadamente, R$ 1.080). É nessas horas que dá raiva de ser brasileiro, pagando impostos escandinavos para serviços públicos africanos – além de sustentar o salário e outros benesses de deputados, senadores e outros parasitas fdps que infestam a nação!

Apesar da necessidade de conexão wi-fi para o download de conteúdo, a Amazon não anunciou qualquer parceria com operadoras de telefonia celular ou de banda larga para a operação deste serviço – pelo menos por enquanto…

Como já disse em ocasiões anteriores, a tendência da digitalização do conteúdo é irreversível no mundo inteiro. Isso aconteceu de maneira desastrosa no mercado fonográfico – uma combinação entre preços absurdos, commoditização do produto e pirataria exagerada – e está começando a “subir a curva” na indústria editorial. Claro que há uma gigantesca barreira no que diz respeito à convencer o internauta a pagar pelo conteúdo, haja visto a cultura free que é onipresente no ciberespaço. Mesmo assim, é preciso que as editoras sejam criativas e lancem versões digitais enhanced de suas obras.

Um exemplo interessante a ser seguido é o da editora norte-americana Simon & Schuster, que está comercializando o que ela chama de vooksvideoaudio books, isto é, versões multimídias de suas obras impressas, que permitem ao leitor ter acesso a uma série de mapas, gráficos, animações e vídeos complementares que ampliem a experiência de leitura e de acesso ao conteúdo.

Para mim, um defensor feroz da digitalização do conteúdo, sinceramente não acho que o e-book irá acabar com o livro impresso. Afinal, são produtos diferentes voltados para experiências diversas de acesso ao conteúdo, que irão atingir tanto o mesmo consumidor quanto segmentos de consumo diferentes. O livro impresso ainda manterá o seu charme por muito tempo, especialmente se forem comercializados de duas maneiras: a primeira, versões pockets mais baratas para leitores de menor poder aquisitivo; a segunda, versões de luxe para amantes do livro impresso, que dão valor a uma impressão de qualidade, feita com papel de gramatura maior, agregando à experiência da leitura uma gama de sensações de fruição estética que amplie a experiência de leitura. Em minha casa, por exemplo, sempre haverá espaço para o livro impresso. Assim como, haverá espaço para o e-reader.

No entanto, o problema do livro impresso é justamente esse: espaço! Livros impressos ocupam muito espaço, além de trazerem o inconveniente da acumulação de poeira, conservação, traças – isso sem falar no impacto ecológico da derrubada de árvores, a despeito do manejo responsável da flora e do uso de espécies cultivadas segundo as normas internacionais. A possibilidade de ganhar espaço nas residências e bibliotecas, a portabilidade – ler livros no metrô, no trem, no ônibus, no avião, na praia, no shopping, sem ocupar muito espaço nas bolsas, mochilas e pastas – além do apelo ecológico, tornam o e-book simplesmente irresistível, a killer product. É nesta confluência de vantagens que reside a minha vontade de adquirir logo um e-reader – não importa que seja um Kindle ou um Sony Reader, mas sim o que vier primeiro! Pois tenho cerca de 3.000 títulos em minha biblioteca e, a não ser que você seja um cavallieri que habite em uma villa romana espaçosa e agradável, saving space é algo fundamental em tempos de aquecimento global e superpopulação!

A leitura de jornais e revistas é algo que pode ser bastante explorado pelos e-books, e penso que esse seja o seu principal mercado de entrada. Não é à toa que vários periódicos como New York Times, Washington Post, Financial Times, El País e Corriere Della Sera estão disponíveis para os seus assinantes neste formato. No Brasil, o Infoglobo já anunciou a sua adesão ao Kindle, disponibilizando para os seus leitores uma assinatura do jornal O Globo para este formato ao custo de US$ 15,90 (cerca de R$ 27) mensais. Para quem optar por este formato, a versão digital do jornal será enviada ao aparelho do leitor por volta das 6 da manhã de cada dia, desde que o e-reader esteja conectado a uma rede digital de transferência de dados. Cadernos regionalizados como jornais de bairros, classificados e cadernos culturais das cidades estarão de fora desta versão – pelo menos por enquanto.

Além disso, outras editoras brasileiras como a Ediouro, a Companhia das Letras, a Record e a Intrínseca também demonstraram interesse em comercializar versões digitais de suas obras para disponibilização no Kindle.

Ou seja, a revolução digital de conteúdo finalmente está aportando no mercado brasileiro. E nós, tupiniquins, só temos que agradecer a isso. Afinal, quanto mais formatos de acesso à leitura para a nossa população, melhor!
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  1. Gustavo Léo
    outubro 31, 2009 às 5:09 pm

    Caro MESTRE,

    o gadget da Barnes and Noble NOOK promete, porém ainda vende localmente, incrivel como o cara lança um produto e pensa pequeno!!!

    Apresentação do Nook

  2. dezembro 17, 2009 às 10:56 am

    José Mauro, eu já tenho um. É incrível. E publico livros em português lá, por enquanto com exclusividade.
    Visite nosso site: http://www.kindlebook.com.br
    Abraço

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