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COMPANHIA DAS LETRAS ESTABELECE PARCERIA COM PENGUIN BOOKS

Em tempos de Bienal Internacional do Livro, nada melhor do que notícias auspiciosas (are baba!!!) para que é um tarado por livros como esse Escriba que vos fala…

A boa notícia dessa semana foi o anúncio da parceria estabelecida entre a editora brasileira Companhia das Letras e a prestigiada editora inglesa Penguin Books, célebre por suas caprichadas edições de bolso de obras clássicas a preços mais do que acessíveis ao grande público europeu. Tal parceria, que dará início a uma série de edições conjuntas de títulos do catálogo das duas editoras, em formato de bolso sob o selo Penguin Companhia Clássicos, começará a ser publicada em 2010. Além do catálogo de clássicos da editora inglesa – composto por autores como William Shakespeare, Charles Dickens, E.M. Foster, dentre inúmeros outros -, também serão editados clássicos da literatura e do ensaísmo brasileiro, tais como Jorge Amado, Euclides da Cunha, dentre vários outros.
O consagrado design gráfico da editora inglesa será utilizado na coleção dos clássicos estrangeiros enquanto que, para as obras brasileiras, será usado o desenho antigo da Penguin com o título entre duas faixas coloridas.
Serão publicados, no início, 24 títulos no Brasil com uma tiragem mínima de 5 mil exemplares, o que permitirá a editora praticar preços mais baixos – a editora paulista prevê que os livros devem variar entre R$ 15 e R$ 35.
Ambas as editoras possuem uma história de peso. A Penguin Books foi criada em 1935 por Allen Lane, com o intuito de ofertar livros de qualidade a preços mais baratos, visando o mercado de massa. A coleção dos clássicos de bolso surgiu nos anos 1940, e colocou a editora britânica no rol das editoras mais importantes do mundo.
Já a Companhia das Letras foi fundada em 1986, pelo respeitado publisher paulista Luiz Schwarcz. Seu catálogo é vasto, incluindo obras de ficção e não ficção, além de ensaios clássicos e relevantes na área de Ciências Humanas e Sociais.
Os livros de bolso não são novidade no mercado editorial brasileiro. Em seus primórdios, a Ediouro tinha a sua coleção de clássicos de bolso a preços muito baratos. O grande problema era que os textos continham vários problemas de tradução, além de alguns títulos não serem integrais, o que gerou a impressão – até hoje bastante forte na mente do leitor – que o livro de bolso é de baixa qualidade. Este também foi o caso, mais recente, da Editora Martin Claret, que possui uma coleção de livros de bolso com traduções e textos de origem duvidosa. Recentemente, a Editora L&PM também investiu no formato de bolso, tendo se transformado em uma editora que publica seus livros quase que exclusivamente neste formato – só que com edições mais cuidadas. Até mesmo a própria Companhia das Letras lançou, há três anos atrás, alguns títulos de seu catálogo no formato pocket, sob o selo Companhia de Bolso.
Apesar dos desmentidos, paulatinamente os mercados europeu e norte-americanos sentem o impacto dos e-books. Tanto o Kindle da Amazon como o Reader da Sony estão caindo no gosto dos leitores, especialmente os mais jovens, dado o hábito de interagir com outros gadgets como os iPhones e iPods da vida. Entretanto, como no Brasil a entrada do e-books ainda é bastante restrita, os publishers internacionais vêem o Brasil como um mercado promissor, especialmente pela baixa taxa de consumo per capita de livros em nosso país (ver post anterior).
Vale lembrar que, em todas as pesquisas sobre hábitos de leitura no Brasil, um dos fatores mais citados pela nossa população é o elevado preço dos livros, o que impede um consumo maior do produto. Por outro lado, as editoras rebatem dizendo que não há como baixar os preços sem afetar a rentabilidade, dado que no Brasil as tiragens editoriais são baixas. Entretanto, é sempre salutar saudar essas iniciativas de popularização do livro. Por exemplo, querem coisa mais interessante dos que as vending machines de livros nas estações do metrô paulista e carioca?
Leitura é bom, enobrece o homem, aguça o espírito e retira-o das trevas da ignorância, da superstição e da superficialidade. Tudo que objetiva levar o livro a um maior número de pessoas merece o aplauso desse Escriba que vos fala.
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