Início > Bens de Consumo, Comportamento do Consumidor, Estratégia, Marketing, Pesquisa de Mercado, Vinhos > A CRISE ECONÔMICA AFETA OS COPOS E AS TAÇAS NO BRASIL E NO MUNDO

A CRISE ECONÔMICA AFETA OS COPOS E AS TAÇAS NO BRASIL E NO MUNDO

Crises econômicas são sempre ruins para todo mundo – consumidores, empresas, governos e a sociedade de um modo geral. Os profissionais que trabalham com o comportamento dos consumidores sabem que a compra é um mecanismo fundamentalmente psicológico, com grandes nuances emocionais e afetivas. Isto significa que, a qualquer sinal de insegurança no ar, os clientes tendem a se retrair e adiar grandes investimentos em produtos e serviços – como, por exemplo, na aquisição de automóveis, de bens patrimoniais como a casa própria, além de outros que necessitem de grandes somas de capital. É nas crise que as pessoas tendem a retornar ao básico e a bens que transmitam segurança e solidez.

Também já falei aqui que a queda no comportamento de compra foi dramaticamente maior no Hemisfério Norte, dada a crise financeira global que atingiu em cheio a economia dos Estados Unidos e da União Européia. No Brasil, por seu turno, a crise foi sentida em menor intensidade, em função da pujança do mercado consumidor interno graças ao consumo de massa dos consumidores situados na base da pirâmide.

Os manuais de marketing afirmam que, em momentos de crise, consumidores tendem a buscar maior segurança, preço e qualidade nos produtos, cortando supérfluos, experimentando menos e exercendo um controle maior sobre o seu orçamento doméstico. Nos países desenvolvidos, a crise impactou de maneira significativa o mercado de produtos de auto-indulgência, isto é, os que oferecem aos consumidores algum nível de satisfação, conforto e compensação psicológica, basedas na diferenciação, na seletividade e na exclusividade. Isso ocorre, mais especificamente, no âmbito dos produtos ditos premium e de luxo.

Até o ano passado, o governo francês estudava a possibilidade de ampliar a região produtora de Champagne – aquele verdadeiro néctar dos deuses borbulhante -, dado o aquecimento do mercado mundial da bebida. Agora, a coisa ficou feia e nem se fala mais nisso! Os vitivinicultores franceses chegaram a um acordo para reduzir em 32% a produção de uvas na região, objetivando um declínio de 44% na oferta de garrafas de champagne neste ano. Vale lembrar que, desde 1955, os produtores da região de Champagne não reduziam o volume de produção de suas uvas…

Em 2007, a região atingiu o ápice de sua produção com 339 milhões de garrafas, número este reduzido para 322 milhões no ano passado. Esse ano, a coisa ficou pior ainda, e fala-se na produção de apenas 260 milhões de garrafas até o final de 2009. Tudo isso temendo uma redução drástica no preço da bebida, uma vez que o órgão francês responsável pela regulação do setor estima que as reservas atuais da bebida estão na casa de 1,2 bilhões de garrafas em estoque. Ou seja, há muita gordura para ser queimada – e se quiserem despejar algumas garrafas em minha casa, eu não me importo nem um pouco…

Aqui no Brasil, o quadro no segmento de bebidas finas também é ruim – porém, nem tão dramático quanto o observado no Hemisfério Norte. A multinacional de bebidas Diageo divulgou essa semana os seus resultados, que foram bem abaixo do esperado. Segundo a empresa, as vendas cresceram apenas “dois dígitos baixos” (sic) – especula-se que o resultado foi um pouco acima dos 10% de crescimento na venda de seus produtos. O mais curioso disto tudo é que o Brasil, por incrível que pareça, seguiu na contramão dos mercados no mundo desenvolvido: enquanto que no Hemisfério Norte o lucro da empresa foi sustentado pelos produtos mais baratos, no Brasil o resultado só foi o esperado graças às marcas premium do seu portfólio…

Bebidas mais caras e vodcas cresceram em volume de vendas, enquanto que os produtos mais básicos – uísques standards (5 e 8 anos) e de 12 anos – tiveram uma redução nas vendas. Segundo a empresa, a culpa por esse resultado decepcionante provém de das oscilações do preço do dólar, da crise econômica mundial, da gripe suína, do aumento de impostos e das restrições no consumo da bebida graças a uma legislação mais restritiva e punitiva. Nesse caso, a classe C não foi capaz de conter o decréscimo nas vendas…

Além disso, a redução do poder de compra e o medo da gripe suína afugentou os consumidores das viagens ao exterior, levando a uma queda significativa das vendas nos free-shops – canal este responsável pelo faturamento de 15% a 20% do total da Diageo no Brasil.

Além disso, o mercado brasileiro possui algumas características próprias que também impactaram no resultado da companhia. No Brasil, cerca de 80% do consumo de bebidas alcóolicas está situado no segmento de cervejas (as chamadas “bebidas frias”), os vinhos abrangem cerca de 12% e os destilados (as chmadas “bebidas quentes”), apenas, com 8% das vendas. Segundo executivos do setor, o principal entrave ao crescimento se deve à elevada carga tributária, além das proibições recentes no consumo de bebidas alcóolicas.
Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: