CAI A POPULARIDADE DE BARACK OBAMA

Esse Escriba que vos fala foi um dos primeiros a saudar de maneira entusiástica a candidatura de Barack Obama para a Presidência da única superpotência do mundo. Jovem, democrata, afro-americano, filho de mãe hawaiana com pai queniano, criado em uma Indonésia muçulmana, o então candidato parecia o único a reunir condições que pudessem tirar os Estados Unidos do atoleiro da política externa de seu antecessor, o détraqué George W. Bush – e o seu assecla satânico e sinistro, Dick Cheney.

Obama foi eleito de maneira arrasadora, e nunca uma festa de posse de um presidente daquele país foi tão marcante quanto a sua – pelo menos que eu me lembre. Em meio ao frio gélido da capital, Obama prestou um emocionado juramento frente à milhões de pessoas no gramado em frente ao Capitólio. Parecia que estávamos vendo ser virada uma página lúgubre da história deste país, tão amado e odiado ao mesmo tempo no mundo inteiro…

Todos sabiam que Obama tinha uma “batata quente” nas mãos. Uma crise econômica global sem precedentes (desde a Grande Depressão em 1929), um desemprego em massa e a “quebradeira” das empresas dos setores financeiro, imobiliário e de bens de consumo, além dos atoleiros do Iraque e do Afeganistão, uma nova frente sendo aberta no Paquistão, tudo isso estava no caminho do primeiro presidente negro dos EUA.

No front externo, apesar dos pequenos avanços na guerra contra os extremistas islâmicos, Obama conseguiu um tento espetacular: em um curto espaço de tempo, reverteu a imagem negativa que os EUA tinham no mundo inteiro – isto apesar dos Chávez, Ahmadinejads, Netanyahus e Morález da vida. Tudo isso com muito bom-humor, charme, diálogo e posturas inteligentes – um contraponto à truculência e a postura ferrabrás da equipe anterior.

O seu problema, entretanto, está no front interno. A lenta saída da crise econômica, o desemprego elevado, a proliferação de habitações insalubres e homelesses nos grandes centros urbanos, tudo isso ainda atinge de maneira dramática a vida do americano médio. E todo esse cenário de medo leva aos sentimentos de desconfiança e insegurança. E a história nos mostra que esse “caldo de cultura” é capaz de gerar soluções escapistas, ilusórias e irreais, quando não autoritárias, ditatoriais, irracionais e destrutivas…

Uma pesquisa publicada no final de semana passado pelo jornal The Washington Post reflete essa tendência de baixa da popularidade do presidente americano. A confiança em Obama caiu para 49% em agosto de 2009, comparado aos 61% no início de seu mandato, em janeiro desse ano. A aprovação ao governo do Democrata atingiu o patamar de 57% – o mais baixo desde abril de 2009, quando o índice era de 69%. A política econômica de Obama é aprovada por apenas 52% dos americanos, segundo números apurados neste mês de agosto. O único vetor que oscilou bastante discretamente foi a aprovação à Guerra do Afeganistão, com 60% de americanos que concordam com esta ação – frente aos 63% de aprovação obtidos em fevereiro deste ano de 2009.

Ainda não pode-se afirmar com segurança que ou se trata de uma queda consistente da popularidade do Presidente, ou se o norte-americano resolveu encarar com maior realismo o governo Obama. O fato é que parece que o “sonho” arrefeceu, isso em grande parte devido à persistência da crise econômica, o desemprego significativo e a crescente oposição ao projeto enviado por Obama ao congresso americano, que reforma de maneira radcal o sistema público de saúde do país – um poço sem fundo do ponto de vista orçamentário…

O presidente que inovou o marketing político ao utilizar de maneira intensiva – e criativa – as ferramentas provenientes das redes sociais virtuais – Facebook, Twitter e blogs – parece enfrentar um desafio típico da “old politics”: o humor dos seus eleitores e demais cidadãos. Ainda não é motivo para alarmismo, mas certamente deve ter sido aceso o sinal vermelho na Casa Branca…
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