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MARIMBONDOS DE FOGO (1)

Olha que rima bonitinha essa que eu fiz: a política nacional é um verdadeiro lamaçal”! Legal, não?!

Mais legal ainda foi o discurso que o atual Presidente do Senado da República, José Sarney, proferiu hoje da tribuna da casa, rebatendo às pesadas críticas que vêm sofrendo dos seus colegas senadores, opositores políticos e dos meios de comunicação. Sem sombra de dúvida, ele é a “bola da vez”, e o desfecho dessa crise para mim ainda é incerto…

Conversando ontem pelo telefone com um grande amigo deste blog, afirmei que em minha humilde opinião Sarney não irá renunciar nem recuará um só milímetro. Primeiro, porque isso seria “vestir a carapuça” da crise do legislativo brasileiro – que, diga-se de passagem, já se arrasta por agumas décadas, não tendo se iniciado com ele. Segundo, porque interessa ao PMDB desgastar ainda mais o PT – e, por extensão, o governo Lula – numa negociação de composição da chapa para a eleição presidencial do ano que vem. Lula e o PT fracos implicam em um espaço de manobra – e barganha – maiores para o PMDB.

E, considerando que o partido é muito mais uma “federação de caciques” locais e não têm projetos hegemônicos de poder, o quadro lhe é bastante favorável – mesmo com essa enxurrada de denúncias…

Em suma, ainda há muita água – ou melhor, muita lama – para passar debaixo dessa ponte…

Para que os meus queridos e esclarecidos leitores possam tirar as suas próprias conclusões, abaixo transcrevo alguns trechos do discurso que Sarney proferiu na tarde de hoje na Cãmara Alta. Convido-os a expressarem suas opiniões, e os comentários serão muito bem-vindos por aqui…

“(…) Disse, quando assumi a Presidência, que tenho minhas amizades pessoais e cumpro o dever para com elas, tenho posição política que adotei com coragem e convicção de apoio ao Presidente Lula, que está fazendo um governo excepcional, com apoio estimulante e forte do povo brasileiro. Mas, que nem os amigos nem as minhas convicções políticas me fariam colocar o Senado submetido a qualquer sentimento ou posição pessoal (…)

(…) Nas vezes em que tive de tomar decisões impostas pela minha consciência, assim procedi. Na semana depois do golpe militar, num clima de temor, em que o caráter dos homens é posto à prova, eu fui à tribuna da Câmara para defender o mandato dos Deputados contra cassações. No AI-5, fui o único governador que não o apoiou (…)

(…) Quando divergi do PDS, renunciei a sua Presidência, abrindo condições para a montagem de uma transição sem traumas. Não aderi a Tancredo, mas por ele e Ulisses fui insistentemente convidado e cooptado para ligar-me a eles. Da mesma maneira achei melhor para o Brasil a candidatura Lula e convidado por ele a apoiá-lo, em várias visitas à minha casa (…)

(…) Sempre assumi minhas responsabilidades. Presidente, decretei o Cruzado, fiz a moratória. Coloquei minha cabeça a prêmio, mas abri caminho para que no futuro chegássemos ao Real e à estabilidade econômica. Tive a coragem de congelar os preços e até hoje pago esta conduta (…)

(…) Criei o Programa do Leite, o Seguro-Desemprego, o Vale-Transporte, o Siafi, a Secretaria do Tesouro, acabei com a conta-movimento do Banco do Brasil, liberei as Centrais Sindicais, legalizei a UNE e os partidos banidos, como PC e PC do B, dei o 13º salário ao funcionalismo público, agüentei 1200 greves sem que nunca fizesse prontidão militar, crescemos a números que não se repetiram até hoje. Criamos a cidadania, uma sociedade democrática (…)

(…) No Congresso são várias as minhas propostas: de declaração de bens no registro dos candidatos, a lei da Micro e Pequena Empresa, o primeiro projeto de quotas para negros, a lei das Estatais, o Estatuto do Livro, a lei que manda o Estado dar medicamento aos aidéticos. Fui o relator da emenda constitucional que extinguiu o AI-5 (…)

(…) Em meus mandatos nunca tive um recurso contra minha diplomação. Nunca nenhum procedimento penal. Nunca meu nome foi envolvido em qualquer escândalo (…)

(…) Acusam-me de nepotismo. Há 55 anos no Congresso adotei a norma de não chamar parentes para minha assessoria(…)

(…)Minha força não é o desejo de poder. Este cargo nada me acrescenta mais do que agruras, injustiças e trabalho. Mas minha certeza de que nada fiz de errado, a minha fé e minha crença de que as senhoras Senadoras e os senhores Senadores são justos e à convivência faz conhecer as pessoas, que me ajudarão a reconstruir a paz e a harmonia no Senado.”
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Categorias:Brasil, Política
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