>FILHOS E ORÇAMENTO DOMÉSTICO

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Muita gente me pergunta porque não tive filhos até agora. Afinal, daqui há pouco, dizem elas, a idade vai passar, as chances de virar “pai-avô” serão maiores e correrei o sério risco de não ver os meus filhos crescerem (cruz-credo!!!).

Anos de análise ainda não conseguiram explicar a minha paúra de ter filhos. As explicação são várias. Ora, acho que as mulheres não têm coragem de ser mãe dos meus filhos (talvez é porque eu deva ser um pai muito ruim – rsrsrsrsrs!). Ora, o frenesi do meu cotidiano me inibe de tê-los, por medo de não poder dá-los a atenção mínima que entendo ser necessária e adequada. Ora, surge o medo de criar os meus filhos neste “shit world” em que vivemos, repleto de competitividade, inveja, agressividade e destrutividade, onde os modelos de sucesso social estão invariavelmente atrelados ao sucesso de natureza econômico-financeiro. Tudo isso é razoavelmente plausível, mas confesso que a problemática da paternidade – assaz complexa – não pode ser equacionada por uma única e simples explicação…

Tenho de admitir que, no auge da minha essência luso-marrana, a explicação que dou para mim mesmo repousa no aspecto econômico – isto é, no custo financeiro que implica a opção pela paternidade. Como diz um grande amigo meu, cada filho representa cerca de US$ 1.000 (!!!) a mais no orçamento familiar mensal. Claro que, tiradas as devidas proporções e o refinado humor que jaz em tal tirada, não quero que o meu rebento seja um “Onassis” ou um “Rockfeller” em miniatura. Mas, venhamos e convenhamos, o custo mínimo aceitável para uma formação consistente do caráter é razoavelmente alto – leia-se, principalmente, equipamentos tecnológicos e acesso à informação, condições de moradia, saúde e, principalmente, educação sólida e de qualidade.

Esse último quesito é fundamental e indispensável para mim, posto que a educação é tudo e mais um pouco. Educação é investimento, sempre, e nunca uma simples despesa! Afinal, o que tenho mais medo é de gerar para o mundo um filho pouco criativo e ousado, acomodado, não-empreendedor, não-questionador e acanhadamente curioso. Em suma, um medíocre conformado…

Para os meus leitores “psis”, tal argumentação pode soar como um puta mecanismo de defesa (e não deixa de ser, em última instância!). No entanto, pesquisas de mercado recentes vêm procurando quantificar o impacto de chegada de uma criança no âmbito do orçamento familiar. Ou seja, os meus temores psíquicos repousam em fatos concretos. E o resultado, apesar de óbvio para quem é responsável pela gestão do lar, não deixa de ser bem interessante…

Segundo um estudo realizado com o patrocinio de gigantes do setor de bens de consumo como Johnson & Johnson, Procter & Gamble, Nestlé e Fischer Price, mostra que a chegada de um bebê pode aumentar a despesa doméstica em até 40%! Isso não apenas envolvendo produtos de bebê como fraldas descartáveis, brinquedos, alimentos especiais, mas também abrange outras categorias de produtos como biscoitos, guloseimas, limpeza e higiene. Ou seja, filho é um prazer, mas também é custo…

Isso explica a atenção que o segmento de produtos para bebês vem despertando nos profissionais de marketing, não só desse setor, mas também de varejistas como Carrefour e Wal-Mart. Entre esses últimos, cresce a iniciativa da criação de espaços nas lojas voltados para este público, com a consequente ampliação do leque de produtos de maior valor, graças a técnicas de segmentação cada vez mais sofisticadas.

Por exemplo, a rede de hipermercados francesa Carrefour vai inaugurar em setembro próximo, na loja da Marginal Pinheiros (SP), o espaço “Mundo Bebê” – uma área com espaço, design, carrinhos de compra e check-outs específicos para esse público, com produtos de marca própria inéditos no mercado, com preços mais em conta do que os atualmente praticados pelo segmento. Esse projeto teve início há cerca de um ano atrás em países como a Espanha e a Turquia, e os resultados mostraram que as vendas nessas lojas aumentaram em até 15%, em comparação às lojas tradicionais da rede.

Por seu turno, a norte-americana Wal-Mart também está caminhando nesta direção, e a loja-piloto escolhida foi a do bairro paulistano do Pacaembu. Lá, também, as vendas cresceram cerca de 35%.

Para se ter uma idéia do potencial desse mercado, só no Brasil nascem aproximadamente 3,1 milhões de bebês por ano! Haja produtos e serviços para atender as necessidades e desejos de bebês e suas respectivas mães, ávidas por bens saudáveis, de qualidade e seguros para os seus rebentos. Isso, a despeito de toda a tendência demográfica de queda do número de filhos por casal em nosso país…

As pesquisas mostram que, nesse segmento, cerca de 50% das compras são rotineiras – isto é, são de baixo envolvimento, e normalmente são guiadas por hábitos de consumo fortemente arraigados. Por serem produtos que, necessariamente, devam transmitir ao consumidor uma segurança maior, os preços praticados podem ser maiores, elevando assim a rentabilidade e o tíquete médio de compras.

Lendo tudo isso, fico ainda em dúvida se devo ou não optar pela paternidade. Talvez eu não tenha encontrado ainda a mãe certa para o meu filho, ou então o momento ainda não seja propício para um empreendimento desta envergadura. O certo é que, na vida, eu já plantei uma árvore e escrevi dois livros (por enquanto!). Agora, só falta um filho. Ou não?
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  1. Thiago
    maio 27, 2011 às 7:02 pm

    Também sou psi, tenho 32, um filho de 4 anos e lhe digo que há controvérsias nesta tua conta aí. O alto custo de um filho nestas pesquisas que citou se deve a um modelo de cultura social filiarcal e consumista.

    Podemos ainda discutir duas coisas que encarecem o custo de um filho: plano de saúde e educação particular cara.

    É consenso que a saúde pública é ruim, mas é fato que a saúde privada é cada fez pior, por conta dos planos mais populares e da falta de estrutura para atender toda a demanda. O que me diz da qualidade dos médicos? Nem vou falar… no meu caso prefiro tratamentos como acupuntura, fitoterapia, homeopatia e similares… o único argumento plausível para que eu fizesse um plano para a minha família é no caso das altas custas de uma internação, fora isso não vejo benefícios que justifiquem o pagamento de um plano. Com o desconto do CRP consigo um preço promocional na Unimed pra mim, minha esposa e meu filho a partir de uns R$ 300,00. Prefiro abrir uma poupança ou previdência privada de R$ 100,00 mensais para qualquer eventualidade.

    Quanto à educação… cadê as escolas de qualidade? E os professores? Sem delongas, mesmo as mais caras estão em baixa… matricule ele em uma escola média, separe um tempo para você mesmo ensiná-lo e case com uma pedagoga que resolverá parte deste problema.

    Com uma cultura mais sustentável menos consumista e não filiarcal e, desiludido e despido de planos de saúde e de escola caríssimas, você reduz a maior parte dos custos de um filho. Agora para isso o maior trabalho será encontrar a mãe certa, mas antes, ela tem que ser a companheira certa. Boa sorte na caçada. 😉

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