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>O DESEMPREGO RECORDE NOS EUA

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De todos os países que sofreram os efeitos da crise financeira global, iniciada no final de 2008, certamente os mais dramáticos foram observados nos EUA. O colapso dos bancos americanos e europeus, a queda-livre das bolsas de valores no mundo inteiro, a quebra de ícones que outrora eram o símbolo da economia americana (vide a recém-“estatizada” GM), o desespero dos especuladores financeiros e a melancolia dos analistas econômicos, tudo isto já é mais do que sabido e conhecido. No entanto, a faceta mais destruidora e desagregadora do tecido de qualquer sociedade é, sem sombra de dúvida, o desemprego. E é nesse ponto que reside o atual drama dos nossos vizinhos do Norte…

Atualmente, são cerca de 14,7 milhões de desempregados nos Estados Unidos. A taxa de desemprego da economia do país é de 9,2% da População Economicamente Ativa, e economistas, pesquisadores e analistas apostam que o índice ultrapassará a casa dos dois dígitos antes do final desse ano. É inevitável que o fantasma da recessão dos anos 1930, muito presente no imaginário das pessoas, assombre o horizonte dos indivíduos e das famílias do país. E, o pior, a curto e médio prazo a tendência é piorar ainda mais..
Vale lembrar que, em 2007, os EUA apresentavam a menor taxa de desemprego do mundo desenvolvido. Agora, apenas Espanha, Irlanda, Hungria e Eslováquia superam o desemprego americano…
O mais dramático desse quadro é que, dada o tamanho da crise, as fragilidades do sistema de proteção social norte-americano acabam sendo expostas. Por exemplo, hoje cerca de 6,2 milhões de pessoas dependem de vales-alimentação distribuídos pelo governo – ou seja, 1 em cada 9 americanos dependem dos tíquetes do governo para poderem comer.
Por outro lado, o benefício do seguro-desemprego – um dos poucos oferecidos pelo governo – cobre apenas um terço do salário que o funcionaário ganhava anteriormente. Como se não bastasse, para desfrutar de tal benefício, o empregado deve provar que trabalhou durante dois anos em regime integral de trabalho – isso em um país incensado pela generalização das formas de emprego flexíveis, independentes e autônomas, além de contratações precárias e jornadas de meio-período. Resultados, muita gente desempregada, sem ter o que comer, dormindo (literalmente) na rua da amargura…
Além do caos econômico, o desemprego elevado se explica pela facilidade com que as empresas americanas têm para demitir os seus funcionários. É um processo rápido, sem grandes custos para o empregador, e sem grandes justificativas para tal. O resultado é que os empregados americanos atingiram a menor taxa, nos últimos tempos, de horas trabalhadas por semana.
Isso sem falar nos jovens de 20 a 24 anos, onde o desemprego beira os 15%…
As decorrências deste fenômeno são brutais: glebas de desempregados, famílias inteiras com suas vidas viradas dos pés à cabeça, redução drástica dos padrões de consumo, desaquecimento e consequente retração da atividade produtiva. Tudo isso em um país onde, até pouco tempo atrás, a economia andava a “pé embaixo”!
Pior, muita gente não têm condições de pagar a hipoteca de suas casas, resultando em famílias sem-teto ou morando em favelas nos grandes centros urbanos – quando não as pessoas fazem dos seus carros as suas próprias casas!!! Em estados como a California, por exemplo, a situação chega às raias do desesperador – o número de famílias norte-americanas sem-teto cresceu cerca de 9% em 2008 -, gerando cenas muito comuns para nós brasileiros: pedintes nas ruas, pessoas morando em tendas de lona ou casas feitas com embalagens de papel, quando não dormindo ao relento ou então em abrigos públicos e de instituições de caridade.
Realmente, está feia a coisa para o pessoal lá de cima!!!
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