Início > CD, Hard Rock, Música > DICA DE CD – PAUL SHORTINO & JK NORTHRUP – "Back On Track"

DICA DE CD – PAUL SHORTINO & JK NORTHRUP – "Back On Track"

Quando eu era jovem (bons tempos esses!), vivi a efervescência do heavy metal europeu e do hard rock norte-americano oitentista, uma das épocas mais interessantes do ponto de vista musical. O movimento do rock pesado era dividido – até então – em duas vertentes muito bem demarcadas: a européia, mais pesada e épica, influenciada por sons mais sombrios de bandas britânicas capitaneadas pelo Black Sabbath, e que geraram o movimento do NWOBH (New Wave of British Heavy Metal), onde despontaram bandas famosíssimas – como Iron Maiden e Def Leppard – e outras nem tão famosas assim – como Samsom, Saxon e Raven.

Do outro lado do Atlântico, especialmente na ensolarada Califórnia, o som pesado tomou um outro rumo, influenciado pelo glam rock, pelo rock de arena, com pitadas de blues e folk music. Bandas como Mötley Crüe, Dokken, Twisted Sister, Quiet Riot, Ratt, Warrant, Poison, Rough Cutt, Icon dentre inúmeras outras deram origem ao chamado movimento poser. Em linhas gerais: guitarras alucinadas, cabeludos com muito laquê e visual andrógino, clips repletos de carrões e mulheres lindíssimas com cara de “primas”, tudo dentro da mais pura atitude do sex, drugs & rock’n’roll. Just for Fun!

No entanto, essa atitude descontraída e um tanto o quanto descompromissada levou muitos fãs de rock a desconsiderarem a qualidade de muitas dessas bandas. Por exemplo, o Dokken é uma das minhas bandas prediletas e que continua lançando discos até hoje, a despeito do fantástico guitarrista George Lynch não fazer mais parte do lineup da banda. A bem da verdade, tinha muita tranqueira de péssima qualidade, mas algumas bandas tinham um trabalho muito bom e consistente, e que foi desprezado por puro preconceito da galera que curtia um som mais pesado.

Nesse contexto, uma banda sempre chamou a minha atenção não apenas pela qualidade de seu som, mas também pelo seu vocalista. Paul Shotino, do Rough Cutt, em minha opinião é uma das melhores vozes que já surgiu no hard rock não apenas pela sua técnica vocal, mas também pelo aspecto inusitado de seu timbre rouco – algo pouco usual em um meio onde ou os vocalistas emitem falsetes agudíssimos à la Rob Halford, ou então grunhem como ogros no mais puro estilo gutural. Esse certamente não é o caso de Shortino, sempre com seu fraseado elegante, apoiado por uma puta banda de hard rock.

Infelizmente, o Rough Cutt não teve o sucesso de público e de crítica que merecia, apesar de dois belíssimos discos. Além disso, no final dos anos 1980, o grunge e a sonoridade punk daí oriunda começou a suplantar a hegemonia do hard rock, substituindo os “cabeludos” e os clips com mulheres pelo visual desgrenhado, camisas de flanela e uma atitude depressiva e suicida.

(Apenas um parêntesis: antes que me entendam mal, gosto muito de bandas grunge como Nirvana, Soundgarden e Pearl Jam).

Com o fim do Rough Cutt, Paul Shortino passou pelo Quiet Riot e iniciou a sua carreira solo. Infelizmente, também não conseguiu atingir o reconhecimento necessário. No entanto, com a internet, há a possibilidade de resgatar os seus trabalhos e, para os fãs de hard rock, vale muito a pena escutar a voz de Shortino tanto no Rough Cutt e no Quiet Riot quanto em sua carreira-solo.

Estou escrevendo este post enquanto escuto nos fones do meu iPod, a todo volume, o disco que ele fez com o virtuoso guitarrista JK Northrup, figurinha fácil no rock americano dos anos 1980 e 1990. Back On Track, lançado em 1993, é um clássico do hard rock oitentista, um dos mais poderosos exemplares desse estilo que tanto eu gosto, e que é parte significativa dos meus arquivos de música que me acompanham o tempo inteiro. Estão lá todos os elementos clássicos desse estilo: riffs de guitarra poderosíssimos, solos velozes e virtuosos, com uma “cozinha” baixo-bateria pesada sem ser excessiva, dando vazão a bela voz de Paul Shortino.

Back On Track abre com a “pancada” When There Is Smoke, uma melodia agradabilíssima para os ouvidos ávidos por um hard rock de verdade. A sonoridade bluesy vem com a faixa seguinte, Body and Soul, uma maravilha de som! O peso corre solto em faixas como Bye-Bye To Love, Rough Life, The Kid Is Back In Town (fantástica!), Pieces (excelente!) e a “bluesada” Girls Like You. Ainda tem espaço para baladas como Forgotten Child, Remember Me e Everybody Can Fly. Em suma, é ouvir até cansar (como se isso fosse possível)!!!

O disco conta com a paticipação de vários artistas convidados, como os bateristas James Kottak e Carmine Appice e os baixistas Jeff Pilson, Matt Bisonette e Sean McNebb. Um time de primeira qualidade!

Enfim, mil palavras não descrevem a sonoridade desse disco. É um item obrigatório na coleção de qualquer aficcionado por som pesado! Se os meus queridos leitores gostam desse tipo de som, não fiquem aí parados e tratem de buscar na internet esse disco. Garanto que vai agradar em cheio os amantes da música pesada, como esse Escriba que vos fala.
Anúncios
Categorias:CD, Hard Rock, Música
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: