A IRRITAÇÃO DE LULA

É compreensível a reação irritada do nosso presidente por ocasião do vazamento à opinião pública nacional da detenção, há cerca de um mês atrás, de um árabe de origem libanesa na cidade de São Paulo. Motivo: este é acusado de ser o mediador de um fórum na internet repleto de mensagens anti-semitas, além da suposta afirmação dele ser um elemento integrante da temida rede de terrorismo internacional Al-Qaeda de Osama bin Laden.

Caso tal informação seja confirmada, o caso é gravíssimo, e coloca o Brasil na mira dos circuitos internacionais de segurança contra o terrorismo. Vale lembrar que a legislação brasileira é inespecífica quanto à tipicação de um delito como o terrorismo. E, venhamos e convenhamos, essa não é uma notícia nem um pouco agradável para qualquer governante, especialmente o nosso, que se incomoda facilmente com qualquer demonstração de contrariedade da opinião pública.

A notícia, publicada no último domingo pelo jornalista Jânio de Oliveira na Folha de São Paulo, trouxe desconforto ao governo brasileiro dado o caso estar sendo tratado com o status de segurança nacional – desculpem pelo termo de péssima lembrança! – pelo estado brasileiro. A suspeita é que esta informação tenha vazado por alguma “fonte” norte-americana, uma vez que os bureaux de segurança americanos foram informados do caso.

A primeira grande novidade desta notícia, caso seja confirmada a filiação do detido com a rede de Osama bin Laden, é que a Al Qaeda estaria infiltrando suas “células” na maior megalópole da América Latina, que é a cidade de São Paulo. O Brasil já tem vários handicaps: a simpatia do país – e especialmente de quadros do PT – pela causa palestina, a tradição de convivência harmoniosa entre cristãos, judeus e muçulmanos, além de não possuir um histórico de prevenção contra este tipo de evento – o que justificaria uma possível “frouxidão” dos serviços de segurança interna contra este tipo específico de situação.

A segunda grande novidade – e mais dramática – seria a existência de uma ou mais “células” da organização terrorista operando neste mar de concreto que é São Paulo. A geografia e a disposição física da megalópole, neste sentido, seria a grande vantagem para este tipo de operação clandestina: uma cidade imensa, com inúmeras vielas, pequenas ruas, becos dispostos em bairros afastados ou até mesmo em comunidades carentes, o que tornaria extremamente árduo e dispendioso o processo de monitoramento desses elementos em nosso território. Além disso, seria um quebra de paradigma no truísmo vigente – e repetido à exaustão pelas autoridades norte-americanas – de que o hot spot de atividades desta natureza estaria na região da Tríplice Fronteira, mais especificamente na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, dada a presença significativa da comunidade árabe-muçulmana no entorno próximo dos limites entre o Brasil, o Paraguai e a Argentina.

Até então, a terra brasilis mantinha-se fora do circuito da “paranóia global” contra o terrorismo. Afinal, o Brasil tem um histórico de não-beligerância e de não-ingerência nos assuntos internos dos países, e sempre manteve uma posição equidistante no que diz respeito ao conflito israelo-palestino. No entanto, a diplomacia do governo Lula vem prospectando novas áreas de interesse comercial como, por exemplo, o mundo árabe, promovendo diversas reuniões e cúpulas em território brasileiro. Além disso, a diáspora árabe em nosso país e a tradição de receber bem os estrangeiros seria um fator a mais que facilitaria a infiltração de membros dessas organizações em nosso território.

Um dado a mais a ser levado nessa análise vem da minha própria experiência. Ao andar nas cercanias da 25 de março e do Mercado Municipal, deparei com um empório árabe que vendia camisetas com motivos do grupo libanês Hezbollah e outras, menos agradáveis, fazendo referência a luta fratricida entre sunitas e xiitas.

Por enquanto, ainda estamos na dimensão da suspeita e da pura especulação. Mas que estes eventos sirvam de alerta para as autoridades brasileiras de segurança para que possam coibir possíveis ações que levem o Brasil a experimentar o flagelo do terrorismo internacional em seu território. Afinal, de desgraças nós já estamos cheios…
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