UM PROGRAMA IMPERDÍVEL

Aproveitei o domingo passado para saciar a minha curiosidade de uma das mais recentes atrações da capital paulistana. Trata-se do Museu do Futebol, localizado no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido dos “boleiros” como Pacaembu. Fui para lá com uma grande expectativa, mas saí de lá encantado com o que vi…

O Museu do Futebol pode ser considerado, junto com outro museu paulistano – e resenhado logo no início do PRAGMA – que é o Museu da Língua Portuguesa, um expoente do novo conceito de museu. Isto significa que, além de ser um repositório de objetos, peças antigas e informações históricas, ele adiciona um elemento de interatividade que o torna atraente, fascinante e muito interessante. Em especial, ele foi projetado para atender (e emocionar) tanto os fanáticos pelo futebol e pela cultura que o cerca – como é o caso desse Escriba que vos fala – quanto para outras pessoas que não demonstram tanto interesse pelo tema. A prova disso é que a minha mulher gostou muito do museu – e ela não é propriamente uma aficcionada pelo ludopédio, apesar de ser flamenguista como eu (ainda bem!)…

Em primeiro lugar, gostei muito da gratuidade dada aos professores: bastou eu apresentar a minha carteirinha da UERJ, que eu ainda tinha o direito de levar quatro acompanhantes de graça!!! Haja generosidade…

O museu ocupa duas alas na entrada principal do estádio, o que por si só já faz jus ao seu acervo. Afinal, o Pacaembu é um das arenas esportivas mais tradicionais do futebol brasileiro. Além disso, por suas dimensões menores e sua entrada art nouveaux e rococó, lhe outorga um ar de nostalgia, decência e respeitabilidade. Mas, deixa de lero lero Escriba e vamos ao Museu…

Se algo pode ser dito sobre o Museu do Futebol, a sua principal característica é a tecnologia. É uma profusão de vídeos, TVs de LCD, quiosques interativos e telões que projetam sem parar imagens e sons ligados diretamente a experiência do jogo. Logo na entrada, há uma exposição contendo inúmeras camisas dos mais diversos times brasileiros – dos mais famosos aos mais obscuros, do Oiapoque ao Chuí. Coisa de fanático mesmo!

Subindo as escadas rolantes, um conjunto de projeções retratando “peladas” em diversos locais do Brasil – tanto numa aldeia indígena quanto num campinho de várzea – recepciona o visitante, lembrando-o que o futebol é uma das formas de lazer mais baratas e acessíveis para qualquer pessoa, independentemente de sua origem e classe social. Além disso, nos recorda que o futebol é a alegria do povo, e em especial das crianças.

A segunda sala, intitulada “Anjos Barrocos”, é um show de tecnologia. Imagens de nossos craques em diversas posições de jogo são projetadas continuamente nas telas, e o visitante tem de passar por elas como se estivesse “driblando” esses monstros do nosso futebol. Um grande barato! Depois, uma sala que homengeia os grandes narradores do rádio e os cronistas esportivos, cada um narrando os seus gols prediletos. Nessa parte, a interatividade é a grande novidade, pois o visitante pode escolher qual narrador, cronista ou gol ele deseja apreciar.

Continuando, segue uma atração do museu que eu a considero a melhor, a mais original, a mais emocionante. Trata-se da sala “Exaltação”, um conjunto de telas dispostas nas entranhas do Pacaembu, que projetam sem parar as imagens e os sons das torcidas dos grandes clubes de futebol do país. Para quem é torcedor de arquibancada como eu, criado no Maracanã, é impossível não verter uma lágrima de alegria para aquilo que é uma das maiores manifestações da cultura popular brasileira, que são as torcidas nos estádios de futebol.

No terceiro andar, estão expostas as peças mais museológicas: uma história do futebol desde o seu surgimento até a sua época romântica, com fotos de época, recortes de jornal e de magazines famosas nos anos 1930 e 1940, homenagenando os nossos grandes heróis. Um breve interregno lúgubre, a derrota na Copa de 1950, é seguida pela sala das Copas do Mundo, onde ganham destaque as nossas cinco conquistas mundiais. Antes da passagem para a outra ala do Museu, dois totens especiais chamam a atenção para os dois maiores ícones do nosso futebol, Pelé e Garrincha. Impossível não passar e pedir a benção para o Pelé e o Mané!

Na outra ala, além de uma sala coloridíssima com estatísticas e outra com imagens escolhidas de diversos elementos como o drible, o chute, o gol e a defesa, a parte final reserva uma surpresa e tanto para a molecada. São várias estações como jogos e brincadeiras, inclusive um campo de futebol simulado e um desafio de pênaltis com um goleiro virtual. É uma briga entre pais e filhos para saber quem vai chutar primeiro!

No final, uma lojinha com apetrechos de futebol de todos os gostos e tipos, e um bar com um chopinho gelado completam o tour, oferecendo ao visitante um descando merecido após tantas emoções.

Recomendo fortemente que os meus queridos leitores, quando forem à São Paulo, reservem um espaço para visitar tanto o Museu do Futebol quanto o Museu da Língua Portuguesa. Pois, o que está em jogo nesses espaços é a nossa história, a nossa cultura, as nossas tradições e as marcações que definem o nosso espaço identitário como povo e nação. O Museu do Futebol é uma emoção só, aliás como o que ocorre em qualquer partida de futebol. Afinal, ao adentrá-lo, somos recordados a cada instante o quão brasileiros somos todos nós…
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