UMA TENDA DOS SONHOS

Estou essa semana em São Paulo lecionando um curso in-company, e nada mais natural que eu possa aliar o trabalho com o lazer. Afinal, lazer sem trabalho não paga as nossas contas, e trabalho sem lazer é um passaporte para uma existência dura, árida e sem viço. Daí, esse Escriba que vos fala sempre encontrar um jeito de dar uma “fugidinha”, apesar de fugaz, dos afazeres cotidianos…

Sou um carioca que, ao contrário da sabedoria popular, aprecia a cidade da garoa naquilo que ela tem de melhor – ou seja, a sua vida noturna, seus bares, restaurantes, baladas e congêneres. Além disso, pela ausência da praia, São Paulo é uma cidade cosmopolita e intelectualizada, que respira cultura a cada esquina. Seus espaços culturais, museus, teatros e livrarias são um bálsamo para quem vem de uma cidade como o Rio de Janeiro, onde as opções deste tipo são cada vez mais escassas. Portanto, para mim ir a Sampa equivale a um “banho de cultura” – bom para recarregar as baterias para a semana seguinte…

Depois de flanar pela manhã no templo de saber que é a Livraria Cultura – o gigantismo da loja me deixa com água na boca, e me faz pensar até que ponto encontra-se ameaçada a cultura do livro impresso pelos kindles da vida – e comprar alguns títulos, resolvi encarar um repasto de altíssima qualidade. Como sou um apreciador da culinária árabe, resolvi ir almoçar no acanhado, porém badaldo, Tenda do Nilo, considerado pela crítica gastronômica como um dos melhores do gênero na cidade de São Paulo. Localizado no bairro do Paraíso, pertinho da Av. Paulista, um taxi me levou até lá por apenas R$ 10. Não pensava que o meu prazer só estava começando…
Fui recebido com um sorriso amigável e um carinhoso habib por Olinda Isper, uma das comandantes do restaurante, junto com sua irmã Xmune Isper, numa tarde ensolarada e quente no Paraíso. Olinda cuida do marketing e do atendimento aos clientes, sempre simpática e prestativa, caminhando de mesa em mesa com cortesia, sempre explicando para cada comensal qual a melhor forma de degustar os quitutes preparados por sua irmã Xmune, que comanda a minúscula cozinha do local de onde saem verdadeiras delícias!
A primeira coisa que aprendi foi que não se deve ir sozinho ao Tenda do Nilo, dada a generosidade das porções oferecidas. Confesso que não estava com muita fome, mas acabei comendo de guloso que sou, dado que a visão dos pratos os tornava irresistíveis…
Começei os trabalhos com um duo de pastas, de homos (grão de bico) e mhamara (pimentão vermelho com nozes) – esta última uma delícia, digna dos deuses! Olinda, com sua simpatia levantina, me ensinou a degutar o quitute: doses generosas do mais puro azeite em cima das pastas, com o pão árabe dobrado tal como um barquinho de papel, deslizando suavente sobre o prato, não deixando qualquer sobra…
Como cortesia da casa, Olinda me ofereceu um quibe – um dos melhores que já provei em toda a minha vida! Quentinho, fresquinho, crocante, leve, uma maravilha! Depois, passei para uma porção de shawarma – o popular churrasquinho “grego”, preparado a moda árabe -, também muito saboroso. Ato contínuo, provei um fatte dos deuses – pão árabe torrado, carne com grão de bico, coalhada fresca, alho e castanha fritos na manteiga -, acompanhado do onipresente pão árabe, sempre quentinho. Inclusive, esse prato foi considerado o segundo melhor prato de carne da cidade de São Paulo. Esse prato é imperdível, podem apostar…
Depois, como era apenas eu na mesa, resolvi não encarar a sobremesa que é o carro-chefe da casa, sugestivamente intitulada de Mil e Uma Noites – um “mega” bolo de semolina coberto por um creme de natas e pistache moído (meu Deus do céu!!!). Frustrado por não degutá-lo, resolvi ser mais modesto – e também cuidar para que eu não ganhasse algumas arrobas a mais -e pedi um namura – um bolo de semolina umedecido com água de rosas – que também estava muito gostoso…
Em resumo, gostei muito do lugar por vários motivos: é um bistrozinho prá lá de acanhado, porém sem aquelas frescuras de restaurante chique; a comida é farta, gostosa e barata, tornando a relação custo-benefício excelente; por fim, a simpatia de Xmune e Olinda Isper são o que há de mais legal nisso tudo, posto que são disponíveis, agradáveis e simpaticíssimas, sempre solícitas e com um generoso sorriso, apesar da correria típica da hora do almoço. O único porém é que o restaurante funciona apenas de segunda a sábado (não abre aos domingos), e no horário de almoço. Convém ou chegar cedo ou mais tarde, uma vez que o movimento é intenso – os paulistanos sabem apreciar o melhor da gastronomia.
Portanto, para quem é fã da cozinha árabe, vale a pena fazer uma visitinha ao Tenda do Nilo. Eu mesmo irei almoçar lá amanhã, novamente, mas desta vez com o auxílio da minha mulher. E, com certeza, irei à forra…
Tenda do Nilo
Rua Coronel Oscar Porto, 638 (esquina com Abílio Soares) – Paraíso – São Paulo – SP
Fone: (011) 3885-0460 (falar com Olinda)
Horários: segunda a sexta (de 12 às 15h30) e sábado (de 12 às 15h45).
Não aceita cartões de débito ou crédito.
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