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VISITA DO PRESIDENTE IRANIANO É UM TESTE DE FOGO PARA LULA

Além da pandemia de gripe causada pelo vírus Influenza A, outro evento deve monopolizar o noticiário dessa semana. Na próxima quarta-feira, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad chega ao Brasil em visita oficial, acompanhado de uma mega-comitiva com cerca de 130 ministros, assessores, membros da burocracia estatal e empresários, ávidos em negociar com o nosso país, e tirar um pouco o Irã do estado de asfixia internacional que se encontra desde que o país persa anunciou ao mundo o seu programa nuclear.

Essa visita não poderia ocorrer em pior hora, conforme escrevi em alguns posts ao longo da semana passada. Ahmadinejad chega à terra pátria pressionado tanto internamente quanto pela opinião pública internacional. Além do elevado desemprego no Irã, a lentidão das reformas econômicas e a deterioração do ambiente de negócios, suas declarações polêmicas – fruto de uma retórica extremamente grosseira e agressiva, apesar de servir para “consumo interno” dada a proximidade das eleições no país – sobre temas explosivos como Israel, homossexualismo, liberdade religiosa e de expressão elevaram o status do presidente iraniano a um quase-pária no sistema internacional. Portanto, a princípio, ele tem muito pouco a perder – salvo as eleições iranianas em junho próximo.

Para quem não conhece a sua retórica explosiva, uma simples comparação com o estilo “joselítico” de Hugo Chávez ajudará aos leitores a entender um pouco mais os possíveis “estragos” que Ahmadinejad poderá fazer em visita ao nosso país…

Não é à toa que, desde o final de semana, os protestos começaram a espoucar em diferentes pontos do país. E que, por prudência, o Itamaraty aconselhasse na última hora que a visita, outrora programada para dois dias, durasse apenas algumas horas…

Como reação, o embaixador brasileiro em Israel foi chamado pelo governo daquele país a dar explicações formais sobre a visita. Na sexta-feira, uma aeronave sobrevoou as praias cariocas com uma faixa “apócrifa” contra o Irã supostamente “assinada” pela construtora Odebrecht – e prontamente desmentida em comunicado oficial da empresa publicado nos principais jornais brasileiros. Nesse domingo, associações judaicas, feministas, religiosas e GLS foram as ruas de São Paulo e do Rio para protestar contra a visita do presidente iraniano. Imaginem a celeuma que irá acontecer quando ele chegar no Brasil…

A despeito do ambiente negativo que cerca a visita, além dos óbvios motivos políticos e comerciais de natureza pragmática, trata-se de um verdadeiro teste de fogo para um país que pretende dar saltos maiores e flexionar os seus músculos no cenário internacional. O Brasil é um país cujo posicionamento na América Latina fica a cada dia mais claro como meio-termo entre dois extremos: Estados Unidos e Colômbia de um lado, Venezuela e Bolívia do outro. Vale lembrar que esses dois últimos países nutrem ótimas relações com o Irã, o que torna a visita de Ahmadinejad ao Brasil ainda mais importante, por servir com a finalidade de “contenção”, neutralizando a sua influência na região. E, para isso, o Brasil age exatamente como um parceiro dos EUA, ao mediar as relações do governo Obama com os governos mais à esquerda no continente. Resta saber com qual velocidade os aiatolás irão conduzir o processo de distensão e aproximação entre os dois países…

Portanto, o governo de Israel tem todo o direito de expressar o seu incômodo, os grupos de pressão organizar-se-ão para protestar nas ruas, mas o Brasil é um país soberno e tem o direito de exercê-la de maneira plena. Além do mais, dado ser eleito, Ahmadimejad é o legalmente o representante do Irã, um país cuja influência no xadrez do Oriente Médio é por demais importante para que seja deixado só, isolado, congelado, alijado do sistema internacional. Agora, não resta a menor dúvida que será “interessante” acompanhar os seus discursos no Brasil. Prometo aos meus leitores que estarei acompanhando de perto, e sempre que possível postarei comentários no momento que algo interessante surgir…

Quanto aos protestos durante a visita, Lula os tirará “de letra”. Afinal, do alto de sua popularidade, haja blindagem, ou melhor, couraça protetora…
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