Início > Cult, Cultura, Dança do Ventre, Identidade Cultural, Oriente Médio > DEBATE SOBRE PURISMO ANIMA A DANÇA DO VENTRE

DEBATE SOBRE PURISMO ANIMA A DANÇA DO VENTRE

Muito interessante o artigo publicado no início desse mês de abril, no site de notícias Now Lebanon, sobre o surgimento no País do Cedro de um movimento de retorno às origens da tradição clássica do Raks Al-Sharqi – a chamada “dança oriental”, que no mundo ocidental foi alcunhada com a denominação de “dança do ventre”.

Em Beirute, há uma série de grupos e bailarinas que têm se apresentado em cafés e teatros seguindo um viés mais tradicionalista e folclórico da dança, optando por acompanhamentos acústicos – derbakhs e alaúdes, sem uso de microfones, amplificadores e outros aparatos eletrônicos -, pregando um retorno às raízes dessa tradição que, segundo reza a lenda, teve origem no Antigo Egito.
Outrora uma dança de deusas e sacerdotisas, que remete ao contato com o sagrado e a essência da feminilidade, os atuais defensores da tradição “vintage” criticam a excessiva erotização e o show-bizz em demasia que cerca as apresentações do gênero – leia-se, muito gelo seco, jogos de luzes dignos de um cassino e o uso farto de mixagens de tablas e derbakhs a ritmos eletrônicos -, que vem fazendo a cabeça das bailarinas no mundo inteiro, inclusive as nossas queridas e graciosas brasileiras…
De antemão, sou crítico a qualquer tipo de purismo no que tange à manifestações culturais, posto que a afirmação de uma versão “original”, “de boa cepa”, “fiel às origens”, nada mais é do que uma pura construção cultural ocorrida em um determinado momento histórico, isto é, trata-se de uma versão “vencedora” defendida por um determinado grupo em detrimento de outras versões, que caíram no ostracismo ou tornaram-se versões “corrompidas” do original. Isso acontece na música, nas artes plásticas, na literatura, na religião e, também, na dança.
Para mim, além de preservação, cultura também vincula-se a conceitos como criação, apropriação, invenção, reapropriação e resignificação. Caso contrário, as manifestações culturais tornam-se naturezas mortas, tal como frascos empoeirados dispostos em um museu vetusto de antiguidades, obras típicas de um taxidermista. Ou seja, se não houver transcriação, tende-se a cristalizar-se e mumificar-se…
De qualquer maneira, o artigo é muuuiiiittto interessante, e vale a pena lê-lo – pena que está escrito em inglês. Como sei que muitos das(os) minhas (meus) leitoras(es) apreciam os posts sobre dança do ventre, eis que esse Escriba strikes again!

Portanto, a seguir temos o link, e comentários são sempre bem-vindos, como de praxe…

Boa leitura a todas(os)!
Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: