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O DOCE SABOR DO CHOCOLATE

É nesse domingo que se comemora a Páscoa, uma data central para o cristianismo por marcar a ascensão de Jesus ao Reino dos Céus, após sua crucificação. Momento de simbologia densa e complexa, eivada de um caráter místico e de renovação, a Páscoa simboliza a harmonia entre os povos e a paz de Deus entre os homens. Uma mensagem um tanto o quanto utópica nos dias de hoje, dado os elevados níveis de desiguldade social, a pobreza, a exclusão e a violência em nossas metrópoles…

Um lado mais prosaico – e, diga-se de passagem, muito mais gostoso – da Páscoa é a tradição familiar dos ovos de chocolate, que fazem a alegria de crianças, jovens e adultos. Em seus primórdios, o cacau era utilizado pelas tribos mesoamericanas – especialmente entre os maias – como uma bebida revigorante e estimulante, altamente energética e nutritiva. Trazido para a Europa pelos conquistadores espanhóis durante o século XVI, o chocolate rapidamente tornou-se uma iguaria culinária de altíssima qualidade, cuja feitura foi aperfeiçoada por chocolatiers suíços, belgas e franceses. De componente da dieta básica mesoamericana para os salões da nobreza européia, o chocolate cumpre até hoje uma maravilhosa – e deliciosa – trajetória…

Apesar de altamente calórico, o chocolate possui alguns benefícios para a saúde. O principal deles, amplamente relatado pela literatura médica, é que o cacau estimula a produção de serotonina, um neurotransmissor responsável pelo humor e estado de ânimo. Quantidades moderadas de chocolate, além de serem estimulantes, induzem a um estado de euforia e combatem a depressão e a labilidade afetiva. Não é à toa que algumas amigas minhas dizem preferir uma saborosa caixa de bombons à determinados tipos de homens, disponíveis atualmente no mercado… Pano rápido!

Segundo a pesquisa recente Target Group Index realizada pelo Ibope Media, o consumo da iguaria vem crescendo a passos largos em nosso país. Em 2009, cerca de 69% da nossa população consumiu chocolate nos últimos 7 dias, contra 57% em 1999. Além disso, o produto é democrático – está presente em todas as classes econômicas – e as mulheres são as maiores consumidoras do produto – 77% das entrevistadas afirmaram consumir regularmente a iguaria. Os maiores mercados consumidores de chocolate no Brasil são Salvador (75% da população), São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza (as últimas com 72%).

A Páscoa é a principal data para a indústria do chocolate e de confeitos, e um dos principais momentos do calendário do varejo brasileiro. E, principalmente, para a rede Cacau Show , um dos maiores fenômenos do varejo brasileiro e atual líder no mercado nacional, tendo ultrapassado a tradicional e requintada Kopenhagen.

Desde seu início em 1987, o segredo do sucesso da rede é a simplicidade: uma combinação envolvendo produto de qualidade, embalagem caprichada e preço acessível a grande maioria dos consumidores. Pode-se dizer que a Cacau Show está situada a meio caminho entre as grandes marcas – Nestlé, Garoto e Lacta – e as marcas premium. Por tudo isso, a rede hoje abrange 2.600 funcionários em 653 lojas espalhados por todo o país – em 22 estados e 270 municípios, com exceção dos estados do Acre, Roraima, Amapá e Maranhão. Apesar da crise, a empresa espera nesse ano um crescimento de 63% em seu faturamento, e espera ainda abrir 147 novos pontos-de-venda até o final de 2009 – entre lojas e quiosques.

Esses números colocam a Cacau Show em segundo lugar em número de lojas e restaurantes segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), seguida por players de respeito como McDonald’s, Habib’s, Giraffas e Kopenhagen – vale lembrar que a liderança do ranking é ocupada pela rede de fast-food Bob’s.

No entanto, a concorrência já demonstrou disposição para reagir. A Kopenhagen criou uma nova marca, a Brasil Cacau, cujo posicionamento é assemelhado à Cacau Show, e que deu ensejo a uma ação judicial por parte dessa última com base em uma acusação de plágio da marca.

O meu colega de FGV Ulysses Reis resumiu, em matéria publicada no último domingo no jornal O Globo, o posicionamento da companhia frente à concorrência: “No Brasi, a Kopenhagen se posiciona como joalheria. A Garoto apenas como um chocolate. E a Cacau Show apostou em um segmento que não existia, o meio, o preço menor e imagem de presente”. Melhor análise, impossível…

Momentos de crise dão vazão à comportamentos de compra auto-indulgentes e compensatórios. Isso significa que, nestas ocasiões, as pessoas presenteiam-se a si mesmas, permitindo “pequenos pecados” como o prazer da gula. E, nesse ponto, o chocolate é um produto imbatível!

Portanto, nesse domingo curtam a festa, comam bastante chocolate, mas também abram os seus corações e reflitam sobre o que cada um de nós pode fazer para tornar esse mundo em que vivemos um pouco menos desigual, mais fraterno e harmônico para a humanidade como um todo.

Boa Páscoa a todos vocês!!!
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