O CONSUMIDOR EM TEMPOS DE CRISE

A atual crise econômica vem fomentando uma série de pesquisas a respeito das alterações observadas no comportamento dos consumidores no mundo inteiro. E todas elas convergem para o mesmo ponto: é hora de frugalidade e contrição. Esse fenômeno tem nome: “tradedown”“troca para baixo”, em uma tradução literal do termo.

O antropólogo Paco Underhill, um dos mais importantes estudiosos do consumo da atualidade e autor do best-seller Vamos às Compras! (Editora Campus), identificou na atual crise três perfis de consumidores: os que perderam o emprego, os que perderam o negócio e os que continuam empregados, mas que conhecem alguém desempregado em sua família ou em seu círculo de relacionamentos.

Diante disto, há uma tendência geral de cortar gastos, e os consumidores estão optando por produtos e serviços mais baratos. O primeiro item a ser cortado dos gastos de consumo são os chamados produtos supérfluos, ou seja, aqueles itens de “luxo” que não são tão necessários no dia-a-dia. Evidentemente que o conceito de supérfluo é relativo, variando em cada país, cada classe econômica, cada segmento de consumidores. O que é definido como supérfluo abrange uma ampla categoria de produtos e serviços que vai desde viagens ao exterior (para consumidores mais abastados), passando pela alimentação fora de casa (no caso da classe média), podendo chegar até mesmo a contenção de gastos com itens essenciais (como no caso das classes menos favorecidas economicamente).

O “tradedown”, que já é uma tendência forte nos EUA e na Europa, vem também crescendo a largos passos no mercado brasileiro. Supermercados, shopping centers, franquias de alimentação, varejistas e até mesmo o segmento de vestuário e do comércio eletrônico vem observando a mudança de hábito dos clientes em busca de itens de consumo cada vez mais baratos e em conta. Diferentes empresas como Renner, Riachuelo, Lojas Americanas, Pão de Açúcar, B2W, Griletto e McDonald’s já atentaram para este fato.

Em pesquisa recente, a Nielsen detectou esta tendência em 11 das maiores economias do mundo – Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Rússia, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. Em linhas gerais, os consumidores desses mercados estão diminuindo a sua cesta de compras, migrando para marcas próprias, reduzindo as idas às lojas e buscando cada vez mais promoções – em um movimento nítido de retração que reflete a perda de confiança na economia mundial. E, como sempre enfatizo em minhas aulas e palestras, o consumo é fundamentalmente uma questão de confiança no futuro…

No entanto, a crise atingiu de maneira diferente os mercados do mundo desenvolvido e o brasileiro. Enquanto nos primeiros a crise atingiu em cheio a classe média – numerosa e pujante nesses países -, no Brasil a salvação da lavoura se encontra na famosa classe C – isto é, aquela composta por consumidores egressos das classes economicamente desfavorecidas -, o que torna um pouco melhor a perspectiva para a nossa economia. Isto é, menos pior…
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  1. Aura Sacra Fames
    abril 13, 2009 às 1:41 pm

    A crise, pena que não retirarm o supérfluo por convencimento…

    Abraços
    aurasacrafames.blogspot.com
    Por uma sociedade diferente!

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