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… QUANTO NO RIO DE JANEIRO

Outro facho de luz – ou melhor, de lucidez – diz respeito a outra queda de popularidade: a do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho. Todos os jornais aqui do Estado são unânimes em dizer que o governador, cotado para Vice-Presidente na chapa do PT para as eleições presidenciais de 2010, está em meio ao seu “inferno astral”…

Como já se declarou candidato à reeleição, o cenário agrava-se em demasia para o atual governador. Apenas 1/3 dos habitantes do estado aprovam a sua gestão, e já tiveram início iniciaram as brigas sucessórias dentro de sua base aliada – leia-se, envolvendo o PMDB e o PT, principalmente.

Eleito com uma enorme expectativa, após décadas de brizolismos, moreirismos e garotismos, Sérgio Cabral logo consolidou uma imagem de gestor responsável e preocupado com o desenvolvimento econômico do estado. Para isso, montou um time exemplar de técnicos em sua equipe econômica, que logo equacionaram as dívidas do estado herdadas de governos anteriores – salvo o imbroglio que é o RioPrevidência, fundo de previdência do funcionalismo público fluminense, um gigantesco vespeiro onde convergem os interesses políticos mais escusos e deletérios…

No entanto, ao “fechar as torneiras”, Cabral se indispôs tanto com os políticos do estado – do PMDB, em sua grande maioria – quanto com o funcionalismo público, que vem sofrendo há anos uma draconiana política de não concessão de reajustes salariais. Apesar da concessão de aumentos para algumas categorias, além da liberação de emendas parlamentares para alguns “currais” eleitorais, a insatisfação já estava instalada, e a má-vontade para com o governo do Estado cresce a cada dia.

Outros desgastes vieram sob forma de uma série de equívocos de gestão, com especial destaque para a sua política de segurança pública calcada no enfrentamento com o narcotráfico. Os índices de violência urbana vem aumentando de maneira consistente, ao lado da repressão policial e a ação das milícias, e o sentimento de insegurança elevou-se na Região Metropolitana do Estado – apesar do pesado marketing político calcado em comunidades que foram libertas dos traficantes, tais como o Dona Marta e a favela do Batam, ambas na cidade do Rio.

Além disso, outros problemas envolvendo as Secretarias de Educação e de Ciência e Tecnologia, girando em torno de questões como a merenda escolar, a aquisição de notebooks para os professores da rede pública e o eterno “nó” que são Faetecs. As obras do PAC, especialmente no que diz respeito ao porto de Sepetiba e o arco rodoviário, vistos como um dos grandes eventos da gestão de Cabral, também correm o risco de não decolar, dado o agravamento da crise econômica e toda a readequação do orçamento da União que está sendo feita pelo governo federal.

Cabral foi eleito como o candidato da união entre o Estado do Rio e o governo federal – algo que há muito tempo não acontecia, dado o caráter arrivista e oposicionista das lideranças políticas fluminenses. Foi com essa marca, aliás, que Cabral conseguiu eleger no photchart o atual prefeito da cidade, Eduardo “Mauricinho” Paes, em uma eleição disputadíssima com o deputado Fernando Gabeira, o que levou ao governador se expor em demasia diante do eleitorado carioca. Para os habitantes da Cidade Maravilhosa, estão muito recentes na memória os eventos da última campanha relacionados a supostas acusações de compra de votos, favorecimentos pessoais e escândalos envolvendo a equipe de assessores e correligionários de Cabral e de Paes. Vale lembrar que a Zona Sul da cidade, a parte do eleitorado mais esclarecida, intelectualizada e formadora de opinião, rejeitou Paes e Cabral, por identificar em ambos uma forma antiquada e viciada de se fazer política. E a Zona Oeste, tornada “famosa” por Paes graças a uma infelicíssima frase de Gabeira durante a campanha, continua às moscas, imprensada entre o terror do tráfico e a extorsão draconiana dos milicianos…

O resultado é que Paes foi eleito por uma curtíssima margem de votos, iniciou a sua gestão com muito estardalhaço, multando, prendendo, autuando, rebocando carros, aumentando o número de pardais, mas o sentimento de melhora de qualidade de vida da população ainda não foi sentido. E tudo isso, sem sombra de dúvida, o eleitor coloca na conta de Cabralzinho…

Ainda mais, apesar de ter sido eleito com um conjunto de invejáveis predicados, Cabral não está conseguindo unir a sua base aliada para as próximas eleições. Apesar de ser o atual governador, dentro do PMDB ele não conseguiu a hegemonia, dado o caráter predatório e casuístico do partido, dividido entre caciques locais do porte de um Garotinho, de um Picciani, de um Eduardo Cunha (aliás, tudo gente boa!). No âmbito do PT, Cabral sofre pressão do atual prefeito de Nova Iguaçu, o ex-muso estudantil Lindberg Farias, candidatíssimo ao governo do estado, apesar da cidade também estar às moscas.

Em decorrência disto, é nítida a tensão entre o executivo e o legislativo fluminenses, e o governador depende muito dos movimentos do presidente da Assembléia, Jorge Picciani. Este, por seu turno, é muito afinado com as lideranças políticas do interior do estado, além de suas ligações com o ex-governador Anthony Garotinho, uma pedra no sapato de Cabral. Desde o início, apesar de serem do mesmo partido (só no PMDB é que uma coisa dessas poderia acontecer!), Cabral procurou enfraquecer o grupo político de Garotinho, e agora este estaria dando o troco criando inúmeras dificuldades em seu final de mandato…

Também parece que a “lua de mel” entre o governador e o Presidente Lula passa por turbulências, dada a recente pantomima envolvendo o governo do Estado e a Anac envolvendo a liberação dos vôos no Aeroporto Santos Dumont. Ontem à noite, por exemplo, o secretário de transportes fluminense estava no referido aeroporto para multar a companhia aérea Azul, que fazia o seu vôo inaugural entre a Cidade Maravilhosa e Campinas. Vale lembrar que este enfrentamente é impopular, na opinião da maioria dos habitantes da cidade do Rio de Janeiro.

Para finalizar, o ex-prefeito César Maia lançou a denúncia em seu ex-blog de que a atual primeira dama atua em um escritório de advocacia que defende empresas em litígio com o governo do estado. Como se pode ver, Cabralzinho tá mal na fita…

A prova disso é que, segundo levantamento feito pelo Instituto Brasilero de Pesquisa Social (IBPS), e publicado na semana passada, o governador teve uma queda na aprovação de seu governo, que passou de 39% em dezembro de 2008 para 32% em março de 2009.

Muitos políticos acreditam que uma dose cavalar de marketing político pode resolver esses problemas de popularidade. Mas, como humilde cidadão e contribuinte, o nosso governador poderia governar um pouquinho, não acham?

Afinal, como diz o colunista do jornal O Globo, Jorge Moreno, Sérgio Cabral prefere o Rio de Janeiro quando está em férias – junto com outro governador, Aécio Neves, de Minas Gerais. Pura maledicência? Ou, para cada “choque de ordem”, vale a pena um “choque de realidade”?
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