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EMBRAER APOSTA NO SEGMENTO MILITAR PARA SAIR DA CRISE

Em tempos de crise, um dos elementos mais importantes a serem levados em consideração é a gestão da marca, tanto para os seus consumidores diretos quanto para os stakeholders – os “interessados”, leia-se a sociedade civil organizada, parceiros da iniciativa privada, além da opinião pública. A marca, como ativo intangível de valor, serve como refúgio e blindagem de uma empresa contra as mudanças de humor de mercado, mantendo uma imagem positiva desta perante o mercado e os seus colaboradores.
A Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, é um case de sucesso de construção da imagem de marca de uma empresa brasileira em um setor altamente competitivo, internacionalizado e deveras tecnológico. Privatizada nos anos 1990, a empresa conseguiu “sair do buraco” após o lançamento do jato regional ERJ-145 – um sucesso extraordinário de vendas no mundo inteiro. Depois disso, ampliando os seus segmentos de atuação de mercado – jatos civis leves e médios, tanto de uso corporativo quanto comercial, além do lançamento de sucesso da linha E-Jets (ERJ-170∕190) – a empresa, cuja sede situa-se no Vale do Paraíba, é o maior exemplo de sucesso do capitalismo brasileiro recente. Definitivamente, a Embraer traz a marca de um Brasil que deu certo – o que, convenhamos, é extraordinário em um país com tantas mazelas e iniquidades sociais, que desembocam em um elevado índice de baixa auto-estima (excetuando-se o futebol, é claro).

No entanto, a crise mundial atingiu em cheio a empresa – cuja maioria esmagadora de seus clientes situa-se no mercado externo. A queda da demanda de aeronaves no exterior levou à redução drástica de sua folha de pagamento – cerca de 40% de seus funcionários foi demitida no mês passado – gerando uma crise sem precedentes na imagem da empresa perante o mercado e a sociedade. De exemplo de virtude, a Embraer tornou-se um case de “insensibilidade” empresarial e de busca implacável de redução de custos, em função do forte impacto social desses cortes. Atualmente, a empresa freqüenta as manchetes de jornais mais pela sua luta contra a justiça do trabalho e os sindicatos de funcionários, do que pela excelência de seus produtos e serviços. Enfim, um típico caso de crise da imagem de marca empresarial…

No entanto, a Embraer está buscando saídas para a crise, e uma delas passa pelo mercado de aviação militar – atualmente, detentor de 8,8% da receita total da companhia. A aposta da empresa está no cargueiro militar KC-390, um projeto de sete anos cujo investimento total é de US$ 800 milhões, cujo principal lançador deverá ser a Força Aérea Brasileira (FAB). A FAB identifica no KC-390 um grande potencial exportador, o que torna esse projeto ainda mais importante para os objetivos estratégicos tanto da companhia quanto do país.

Como nos projetos anteriores desenvolvidos no mercado de aviação civil, o KC-390 envolverá uma gama de fornecedores∕parceiros que irão auxiliar no desenvolvimento da aeronave. As vantagens deste tipo de relação são várias: compartilhamento de custos e riscos, transferência de tecnologia, sinergia de expertises, além do estabelecimento de cotas de participação nas vendas do produto. A empresa vem utilizando com sucesso esse tipo de contrato de produção das aeronaves: no projeto ERJ-145 foram utilizados 4 parceiros e uma centena de fornecedores, enquanto que no projeto dos E-Jets foram utilizados 16 parceiros e 22 fornecedores.
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